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Santos Carmelitas

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Porque o Beato Nuno escolheu os Carmelitas PDF Imprimir e-mail

Durante mais de um século, o convento de Moura continuou a ser o único que os Carmelitas possuiam em terras lusitanas, até à intervenção do imortal Condestável D. Nuno Álvares Pereira, o instrumento por Deus escolhido para dar nova vida a Portugal e ao Carmo português. As glórias e grandezas conquistadas nos campos de Aljubarrota e Valverde, realizando a libertação da sua Pátria estremecida, Nuno as depôs humildemente aos pés da Virgem, orando pelo desapêgo a libertação da sua própria alma. Num poema de pedra e granito externou a sua gratidão para com Nossa Senhora, construindo em sua honra uma magnífica igreja gótica e um mosteiro para os religiosos que seriam chamados para o culto divino. A igreja devia ser a mais bela e espaçosa de toda a Côrte. E Nuno conseguiu realizar o seu piedoso sonho.

A primeira pedra foi lançada em 1389, no mês de Julho, e alguns anos mais tarde as obras estavam tão adiantadas que o Condestável podia revelar a segunda parte do seu grandioso projecto: a escolha dos religiosos que haviam de cantar os louvores da Virgem Maria em tão monumental igreja: os Carmelitas de Moura. Nos meados do último decénio do século XIV, dirige uma carta, “encantadora de forma, de estilo e de espírito português”, ao Vigário Geral Dr. Frei Afonso de Alfama, então Prior de Moura, comunicando-lhe a sua resolução de inaugurar a igreja e o mosteiro e, referindo-se a entendimentos anteriores, pede que sejam agora enviados os frades que haviam de morar no novo convento. Eis o teor da carta, transmitida por Pereira e na nossa acomodação: 

“Ao mui honrado Frei Afonso de Alfama, Vigário Geral do Mosteiro de Santa Maria de Moura; Salvé Deus!

Antes de tudo beijo o vosso santo escapulário, dom extremado da Mãe de Deus, que o trouxe do Céu, para a defesa dos seus frades, pela muita afeição que lhes devia desde sua vida; e desde então aprouve-lhe que não fosseis mais ofendidos pelos maus nas terras onde estáveis. Tudo isto merecestes pela vossa vida exemplar que agrada à bendita Mãe do Carmo. Sabei que por ora vos rogo e peço aquilo de que vos já falei e que é de grande serviço para Deus e sua santa Mãe, que me fizeram grandes graças e favores. E por tudo que recebi estou fazendo este mosteiro para Maria Santíssima, o qual, graças a Deus, vai bem adiantado, com os bens que o mesmo Senhor me deu. E como quer que desde o começo determinei que nele estivessem frades, ou freiras do meu agrado, o que, segundo creio, já vos contei, agora vos peço e rogo, como mercê, que venhais para maior serviço de Deus e de sua Mãe, que do alto estarão olhando para tudo que em sua glória fizerdes. Além disso vos rogo que o Dr. Frei Gomes, que boa e merecida fama tem, venha como prior dos outros frades, pois que assim agrada a meu Rei e Senhor, que me falou de sua vontade de, quanto a este mosteiro, combinar em tudo comigo e de auxiliar-me conforme a minha intenção.

E podereis trazer os frades, até ao número que antes vos disse, e que sejam bons, portugueses fiéis à Pátria, do modo que vos parecer melhor, pois sois o Superior deles na Religião.

E como, segundo a vossa lei, não comeis carnes e tendes jejuns muito prolongados, não achareis aqui falta de provisão, porque ficará aos meus cuidados dar-vos comida e roupa suficientes, pois do que é meu, e do que Deus e o Rei meu Senhor me deram, posso fazer mercê, e isto é tornar a ele o que antes me concedeu.

E por circunstância alguma deixai de vir imediatamente depois de meu pedido, para fazerdes todos os serviços sacerdotais para o tempo que estiverdes aqui neste mosteiro encarregados da sua cura espiritual, pois haverá bastante lugar para fazerdes a vossa oração e onde podeis viver retirados no silêncio da vossa regra, que vos como corre a fama, deram tão grandes merecimentos diante de Deus. E por ora não tenho mais que dizer.

Escrita em Lisboa, no primeiro de Janeiro, no ano da Era mil quatrocentos e trinta e tal”[1]. 

Frei Diogo Gil, um dos primeiros habitantes do novo convento e o segundo provincial da Província, dá, como tempo da chegada dos Carmelitas a Lisboa, o ano de 1397; “Era de Cesar 1435”. Bieron os Padre de Moura Carmelitas para o mosteiro do Carmo de Lisboa, que habia feixo o Codestabre Nuno Alberes Pereira...[2].

Destas pouca notícias podemos ver que o Beato Nuno conhecia bem os Carmelitas e a Regra que seguiam. E porque lhe agradara a sua vida exemplar e mariana, convidou-os para tomarem posse da fundação que fizeram em honra da Santíssima Virgem. A doação, porém,  ainda não era definitiva, pois o Santo Condestável desejava verificar pessoalmente se a vida dos frades escolhidos correspondia à fama. Sòmente os melhores seriam considerados dignos de servirem a Nossa Senhora no mosteiro de Santa Maria. Em 1423, a 6 de Julho, celebrou-se o primeiro capítulo provincial de Portugal, sob a presidência de Dr. Frei Afonso de Alfama, que foi eleito Provincial e como tal confirmado, em 1425, no Capítulo Geral da Ordem.

Durante este primeiro Capítulo da Província lusitana, o Condestável fez a doação definitiva à Ordem Carmelita da Igreja e do Convento, com todos seus bens que lhe haviam sido incorporados, mandando depois lavrar uma escritura, datada em 28 de Julho de 1423: “E que por quanto el no dito mosteiro via fraires bons, e virtuosos, e que vivem bem, e em serviço de Deos” que el declarava sua vontade que ataa hora em o tempo tivera guardada. E que daqui em diante provocava o dito mosteiro ser da Virgem Santa Maria, e da sua Ordem do Carmo, e que fazia del pura doaçom para sempre a dita Ordem com todas as rendas, e direitos, que o el ha dotado para os fraires da dita Ordem...”[3].

Poucos dias depois, no início do mês de Agosto, Nuno Álvares Pereira fez mais outra doação, a última que podia fazer: a doação de si mesmo, entrando para a Ordem, como humilde Irmão leigo ou semi-frater, a fim de consumar a sua obra principal: a santificação da sua própria alma. Durante pouco menos de 8 anos havia de edificar a todos por sua profunda humildade e piedade. Faleceu no 1º de Abril, provàvelmente de 1431, no meio de seus irmãos desolados, e pranteado por todo o Portugal. (Escapulário do Carmo, Outubro, 1956, pp. 10-12).


 


[1] Começando a Era de César 38 anos antes da nossa, a carta podia ser escrita entre 1394 e 1401: cf. porém a nota seguinte.

[2] Por essa notícia vê-se que a carta do Condestável foi escrita entre 1394 e 1397, ano da chegada.

[3] Certos autores afirmam que o mosteiro tenha sido doado aos Carmelitas Descalços. Ora, no tempo do Beato Nuno não existia nenhum Carmelita Descalço. A Ordem dos Descalços, ou dos Teresianos, foi fundada quase 200 anos mais tarde. Quando se fala em Carmelitas, sem mais outra especificação, devemos entender os Carmelitas da Antiga Observância, e não os Carmelitas Descalços que dela se afastaram.

 

 

 

 
A toda a Família Carmelita PDF Imprimir e-mail

Caros Irmão e Irmãs no Carmelo!

Gostaria de, neste momento, vos dirigir a todos uma saudação fraterna e amiga!Como certamente sabeis, no passado mês de Abril – 21 a 23 –, o Comissariado Geral da Ordem do Carmo esteve reunido em Capítulo na nossa Casa Beato Nuno, em Fátima. Tomámos decisões e traçámos orientações para o triénio 2008-2011. Foi eleito um novo Conselho do Comissariado. Os meus confrades pediram-me para exercer o serviço de Comissário-Geral. Nessa condição, aproveito este excelente veículo de informação para saudar toda a Família Carmelita. Esta Família engloba todas as instituições e pessoas que se inspiram na Regra de Santo Alberto e na tradição e valores contidos na Espiritualidade Carmelita. É agradável sentir que sou irmão entre muitos irmãos espalhados pelo mundo e, de um modo particular, presentes em Portugal. E que todos procuramos encarnar na vida o ideal carmelita: “pela Oração, viver em Fraternidade ao serviço dos Irmãos”.

Agradeço ao Comissário-Geral anterior o seu empenho e dedicação. Agradeço ao Conselho que o ajudou e acompanhou. Agradeço a todos os confrades o trabalho e ânimo colocados na vida do Comissariado, de um modo particular àqueles que colaboram mais directamente com os diversos ramos da Família Carmelita. Agradeço a todas as monjas a sua oração e afecto. Agradeço a todas as outras religiosas que assumem o ideal carmelita para a sua vida. Agradeço a todos os animadores dos diversos locais onde há instituições e pessoas ligadas ao nosso carisma.

Ao iniciar esta missão, apelo ao vosso sentido de Família Carmelita.

Que todos caminhemos lado a lado ao longo deste triénio! Procurarei colaborar com todos, dentro das minhas possibilidades! Estarei disponível para acolher as vossas sugestões e partilhas de vida! Que todos vivamos como “ramos da mesma videira”, que é Jesus e o seu Evangelho!

Podeis contactar-me, via e-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o JavaScript terá de estar activado para que possa visualizar o endereço de e-mail

Que Nossa Senhora do Carmo vos proteja e ajude com a sua presença maternal.

Unido no Carmelo,

Frei Agostinho Marques de Castro, O. Carm.

 
Beatificação da Madre Candelária PDF Imprimir e-mail

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Hoje, 27 de Abril de 2008, é beatificada, na capital venezuelana, a Madre Candelária de São José (Susana Paz Castillo Ramírez – 1863-1940), virgem, fundadora da Congregação das Irmãs Carmelitas da Ordem Terceira Regular da Venezuela. É a segunda venezuelana a ser elevada aos altares.

A cerimónia solene tem lugar em Caracas e é presidida pelo Cardeal português José Saraiva Martins, perfeito da Congregação para a Causa dos Santos, como delegado do Papa. Presentes, em nome da nossa Ordem, o Prior Geral – Pe. Fernando Millán Romeral, O. Carm.; o Conselheiro para as Américas, Pe. Raul Maravi, O. Carm. e o postulador da causa, Pe. Felip Amenos Bonet, O. Carm.

Nascida em Altagracia de Orituco a 11 de Agosto de 1863, Susana Paz Castillo Ramírez (seu nome de Baptismo) acolheu com entusiasmo o chamamento de deus à santidade e, desde muito jovem, sobressaiu na prática da caridade viva e efectiva, com a qual atendeu, consolou e curou os doentes e feridos que as contendas bélicas tinham deixado nas ruas da sua cidade natal. Animada pelo prebítero Sixto Sosa, mais tarde Bispo de Cumaná, consagrou-se ao serviço dos doentes no Hospital “Santo António”, fundado em 1903, em Altagracia de Oriuco.A seguir, em conjunto com o padre Sosa, iniciou a fundação de uma nova Congregação Religiosa dedicada ao serviço dos pobres, a qual foi definitivamente constituída em 31 de Dezembro de 1910, com o nome de “Congregação das Irmazinhas dos Pobres de Altagracia de Orituco”. Posteriormente, a Congregação agregou-se à Ordem do Carmo e tomou o nome de Terceiras Carmelitas Regulares. Hoje são conhecidas como Irmãs Carmelitas Venezuelanas ou Carmelitas da Madre Candelária.

Com muito entusiasmo, apesar das dificuldades económicas da Congregação e da escassez geral de recursos, a Madre Candelária realizou um extenso trabalho de atenção aos feridos das guerras e aos doentes mais pobres, manifestando uma grande confiança na Divina Providência e amor intenso aos mais necessitados. Fruto dos seus esforços foi o estabelecimento de vários hospitais nas planícies e no oriente do país, quando a atenção do Estado à saúde era muito deficiente.

Pelo seu ardente amor a Deus e pela sua entrega generosa e abnegada aos pobres, sob a direcção dos bispos e em companhia das religiosas da sua congregação, esta nova beata venezuelana é hoje exemplo de virtudes, das quais se destaca a sua fé viva e intensa em Jesus Cristo, nosso único Salvador, a união e o amor à Igreja (particularmente aos Bispos da Venezuela) e a mais viva caridade para com os mais pobres. - Fonte: CITOC -

 
Frei Rui Pedro Leite Ferreira professou solenemente PDF Imprimir e-mail
Hoje, dia 26 de Abril de 2008, pelas 11, 30 horas, na Comunidade Carmelita da Quinta da Mata, Lordelo, Felgueiras, o Frei Rui Pedro Leite Ferreira pedia para fazer parte, de pleno direito, da Família da Ordem do Carmo em Portugal com estas palavras: “eu, Fr. Rui Pedro Leite Ferreira, consciente de estar consagrado a Deus pelo vínculo da vida religiosa, peço‑te humildemente, Fr. Agostinho Castro que me permitas fazer a profissão solene nesta família da Bem‑aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo para glória de Deus e serviço da Igreja”.O celebrante, Frei Agostinho Castro, Comissário Geral, interrogou-o acerca das suas disposições e o Frei Rui Pedro foi respondendo: “Irmão caríssimo: pelo Baptismo, morreste para o pecado e foste consagrado ao Senhor. Queres agora consagrar‑te mais intimamente a Deus por este novo título da profissão solene”? -“Sim, quero”. “Queres com o auxílio da graça de Deus, abraçar para sempre a mesma vida de perfeita castidade, obediência e pobreza, que Cristo Senhor e a Virgem Sua Mãe para si escolheram”? - “Sim, quero”. “Queres, à imitação do profeta Elias, entregar‑te a Deus e servi‑lo com zelo ardente na vida apostólica”? - “Sim, quero”. “Queres a exemplo da Virgem Maria, entregar generosamente a tua vida em obséquio perpétuo a Jesus Cristo”? - “Sim, quero”. Frei Agostinho: “Deus que em ti iniciou uma tão boa obra, a leve a bom termo, pela intercessão da Bem‑Aventurada Virgem Maria”Rezadas as Ladainhas, o Frei Rui Pedro Professou assim publicamente a sua entrada, de pleno direito, na Ordem: Eu, Fr. Rui Pedro Leite Ferreira, com plena Confiança e firme vontade, consagro‑me totalmente a Deus e, seguindo os exemplos notáveis da virgem Maria, Mãe de Deus, e do Profeta Elias, nosso Pai, determino viver em obséquio perene de Jesus Cristo. Por esta razão, na presença dos Irmãos, e nas tuas mãos, Fr. Agostinho Castro, faço votos a Deus de castidade, pobreza e obediência para sempre, segundo a regra e as constituições da ordem dos Irmãos da Bem‑aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo. Por esta profissão, incorporo‑me a esta família a fim de poder alcançar a caridade perfeita, com a graça do Espírito Santo e a intercessão da Virgem Maria, vivendo ao serviço de Deus e da Igreja”.

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O Frei Rui Pedro Leite Ferreira, nasceu a 29 de Maio de 1978, na freguesia de S. João do Souto, concelho de Braga, no distrito de Braga, Filho de José Joaquim Ferreira e de Custodia Ferreira Leite. Fez os seus estudos primários e preparatórios em Santa Maria de Aveleda (Braga). No ano de 1994 entra para o Seminário Carmelita do Sameiro, onde vem a permanecer durante cinco anos e onde completa o décimo segundo ano de escolaridade.Em 1999,vai para Casa da Mata, Felgueiras onde dá lugar a um estudo e uma vivência mais profundos do carisma carmelita. Assim, a oito de Setembro de 2000, celebrou a sua Profissão Simples. Como Professo Simples, volta para a Comunidade Carmelita do Seminário Carmelita do Sameiro. Em 2005, foi transferido para a Comunidade Carmelita de Beja, onde se integrou nas actividades comunitárias, pastorais e sociais das paróquias sob a responsabilidade daquela comunidade. No ano seguinte foi transferido para a comunidade da Quinta da Mata – Felgueiras, onde desempenha tarefas na comunidade e nas paróquias a ela confiada.

 
Novo Comissário Geral da Ordem do Carmo PDF Imprimir e-mail

O Frei Agostinho Marques de Castro foi eleito, hoje, 21 de Abril de 2008, Superior Maior da Ordem do Carmo em Portugal para o triénio 2008-2011.

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O Frei Agostinho Marques de Castro nasceu a 9 de Setembro de 1974. Natural de S. Paio de Figueiredo, Concelho de Guimarães. Entrou no Seminário Carmelita do Sameiro em Setembro de 1986. Fez o Noviciado em 1993-1994 na Quinta da Mata. Emitiu a Profissão Simples a 8 de Setembro de 1994. Estudou Teologia na Universidade Católica em Braga, onde terminou a licenciatura em 1999. Emitiu a Profissão Solene em 27 e Novembro de 1999. Ordenado diácono a 29 de Janeiro de 2000. Ordenado Sacerdote a 6 de Agosto de 2000. Enquanto religioso carmelita, viveu nas comunidades de Santo António dos Cavaleiros e do Sameiro, Braga, onde se encontra actualmente.

 
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