| Reflectindo sobre a Quaresma |
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“Todos os anos concedeis aos vossos fieis a graça de se prepararem, na alegria do coração purificado, para celebrar as festas pascais, a fim de que, pela oração mais intensa, pela caridade mais diligente, participando nos mistérios da renovação cristã, alcancem a plenitude da filiação divina” (Prefácio I do Tempo da Quaresma)
Como introdução a esta pequena partilha sobre o tempo da Quaresma, coloquei este texto do Prefácio I do Tempo da Quaresma que nos é proposto pelo Missal Romano. É um texto que sintetiza as atitudes características do Tempo quaresmal: Oração, Caridade, Coração purificado, participação e vivência dos Sacramentos, particularmente a Eucaristia e a Reconciliação.Não querendo enveredar por qualquer tipo de pretensiosismo, não posso deixar de reconhecer nestes valores alguns traços característicos da espiritualidade carmelita: Purificação do Coração – Puritas Cordi. A espiritualidade carmelita é um permanente caminho de purificação do coração, de modo a que Deus seja tudo em nós, através do seu Filho Jesus. Ele é o nosso maior Bem. Para isso, temos de nos esvaziar de tudo aquilo que não é de Deus. É o primeiro desafio que deixo a todos os carmelitas: façamos uma sincera avaliação da nossa vida e renunciemos a tudo aquilo que não é sinal de que Deus vive em nós e nós n`Ele. A Oração. Que todos nós, nesta Quaresma, tenhamos em atenção a nossa vida de oração. Que ela, mais do que o resultado de muitas palavras que possamos dizer, seja o meio privilegiado para cultivarmos a presença de Deus. Saibamos criar estratégias para que esta atitude de oração marque todas as horas do nosso dia. Os Carmelitas, todos os Carmelitas, devem ser mestres e exemplo de oração.
A esse propósito, cito o Prefácio II da Quaresma que também é uma lição de espiritualidade: “Para renovar os vossos filhos na santidade concedeis este tempo de salvação, a fim de que... se convertam a vós de todo o coração e vivam de tal modo as realidades temporais que procurem sempre os bens eternos” - “Procurar sempre os bens eternos”... Uma bela expressão que marca a nossa passagem sobre a terra. E nos leva a construir a fraternidade e a ser solidários. Os recentes acontecimentos – Madeira, Haiti, Chile, etc . - são um desafio à nossa capacidade de relativizar os bens terrenos. - Neste contexto, lanço um convite à partilha e à simplicidade de vida. E, para que este convite seja entendido como uma urgência, deixo algo que para mim é um apelo: uma noticia do jornal Diário de Noticias do dia 10 de Fevereiro de 2010 do qual apresento alguns extractos: “Milionário doa fortuna para se tornar Feliz! Karl Rabeder, após ter abdicado de uma luxuosa casa com vista para ao Alpes, irá morar num pequeno apartamento. A minha ideia é ficar sem nada. Absolutamente nada. O dinheiro impede a felicidade. Karl Rabeler, empresário e milionário austríaco, justificou assim a decisão de se desfazer da toda a sua fortuna a favor de organizações de caridade... dinheiro que irá ajudar pessoas na América Central e Latina. Nasci numa família pobre onde a regra era trabalhar muito para conseguir bens materiais; apliquei essa regra durante anos, disse Rabeder... Deixou de resistir à voz interior que lhe dizia para ´viver uma verdadeira vida. Agora, livre e feliz, irá residir num pequeno apartamento”. Felizmente, ainda vão parecendo muitos casos como estes. Podemos dizer que dão o que lhes sobra, mas mesmo assim a sua experiência de libertação em relação aos bens materiais não deixa de ser para nós um estímulo a dedicar-nos aos bens espirituais, a escolher a “melhor parte”.Que São Nuno de Santa Maria, exemplar no desprendimento dos bens e no amor à oração e à Ordem do Carmo interceda por nós. Desejo a todos a continuação duma Santa Quaresma. Fátima, 7 de Março de 2010, III Domingo da Quaresma Fr. Agostinho Marques de Castro, O Carm. |





