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Origem Histórica da Ordem Terceira do Carmo PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Foi S. Francisco, de Assis, o primeiro a instituir uma Ordem Terceira, com o fim de reunir os fiéis de ambos os sexos para seguirem no mundo o espírito e o modo de viver dos Religiosos nos seus claustros.

Deu-lhes uma regra de vida que lhes permitisse, embora vivendo no mundo, levar vida mais intensa e que os norteasse para uma mais profunda assimilação do espírito franciscano.

Não tardaram as outras Ordens Religiosas a seguirem esse exemplo.

Os Carmelitas também começaram a admitir fiéis de ambos os sexos para participarem da sua vida e do seu espírito, embora vivendo na família e na sociedade.

Nessa altura já era bastante grande o número de fiéis que se sentiam atraídos para a Ordem Carmelita, pois o Santo Escapulário, rapidamente divulgado, havia conquistado, pelas ricas promessas que encerrava, incalculável número de pessoas ávidas de participarem da vida carmelita e dos seus benefícios espirituais.

Não eram Terceiros no sentido canónico, como hoje conhecemos; estavam apenas ligados ao Carmo duma maneira espiritual, por laços de amizade e veneração aos Carmelitas.

É o Beato João Soreth, 25º Geral da Ordem, que os agrega na forma duma Ordem Terceira secular, aprovada pelo Papa Nicolau V[1], em 1452.

Uma vez aprovada pelo Sumo Pontífice, a Venerável Ordem Terceira do Carmo, Soreth trata de lhe dar uma regra de vida, em 1455. Essa regra era verdadeiramente um extracto da Regra dos Carmelitas, adaptado aos leigos que abraçavam a vida carmelita no mundo.

Esta regra do Beato Soreth, a primeira dada aos Terceiros Carmelitas, é admirável pelo espírito que a anima. É a perfeição evangélica vivida no seio da família e na sociedade.

A regra soretheana regista mais um marco áureo na História da Ordem. Dessa data em diante, a Ordem Terceira estender-se-á rapidamente por toda a Europa, numa floração magnífica de santidade.

Com o decorrer do tempo, que tudo muda, mudou também a regra, ou, antes, a regra de Soreth se foi adaptando às circunstâncias da vida moderna.

Novas regras surgiram, conservando, porém, na sua essência as bases lançadas pelo Beato Soreth. A mais recente, depois de madura reflexão e profundos estudos, foi aprovada pelo Santo Padre e promulgada pelo Padre Geral, Joseph Chalmers, em 2003, com o título de “Viver o Carmelo”

Nos seus 12 capítulos o Terceiro que vive no mundo, encontrará elementos abundantes de perfeição cristã e encontrará sobretudo as indicações sobre a mística e ascese carmelitas, hauridas nas puras e tradicionais fontes do Carmelo.


 

[1] O 5º.centenáiio dessa data, 1952, foi solenemente comemorado no Brasil com o Congresso nacional de Terceiros Carmelitas, em Outubro, no Rio de Janeiro.

Várias Ordens Terceiras

1. Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo de Lisboa (VOTCL)

Rua da Oliveira ao Carmo, 4
Telefone: 213421790
1100-309 LISBOA  

 

Algumas notas históricas sobre a V. O. T. do Carmo de Lisboa.

A igreja do Carmo erguia-se sobranceira ao Rossio, dominando a velha Lisboa. Hoje apenas restam ruínas, mas tão venerandas e formosas que nos fazem lembrar as passadas glórias do mosteiro de Santa Maria do Vencimento.

Erigidos igreja e mosteiro por um ex-voto do Beato Nuno, pela vitória de Valverde, foi começada a igreja em 1389. Quando a construção permitiu, os Carmelitas, chamados de Moura pelo Santo Condestável, ali se instalaram por volta de 1392.

Provavelmente levados pelo exemplo do Beato Nuno, ajudaram, como podiam, na edificação daquelas gigantescas muralhas que nem o pavoroso terramoto de 1775 conseguiu deitar por terra, embora as abalasse seriamente.

Concluídos o templo e mosteiro, o Beato Nuno doou-os aos Carmelitas, em 1423. Pouco mais tarde, ele mesmo se fez humilde donato carmelita naquela comunidade, tomando o nome de Frei Nuno de Santa Maria.

Conforme a tradição Carmelita, foi logo erigida a Confraria do Carmo anexa ao convento.

Refere um antigo manuscrito que se encontra, hoje, no arquivo da V. O. T. do Carmo de Lisboa, que o Beato Nuno procurava que todos os seus amigos e fiéis servidores se ingressassem na Confraria, e nela chegaram a entrar o próprio rei D. João I e o príncipe D. Duarte.

No Pe Manuel de Sá, um dos nossos mais fidedignos historiadores da Ordem, lê-se o seguinte sobre a V. O. Terceira: “Nesse Convento (refere-se ao Convento do Carmo) floresceu muitíssimo a V. O. T. do Carmo desde 28 de Novembro de 1629, e a construção da capela dos Irmãos data de 1638.

A V. O. T. do Carmo cresceu e desenvolveu-se extraordinariamente. O seu culto exterior era magnífico, as suas procissões eram consideradas como as mais sumptuosas de toda a Lisboa, principalmente as da Semana Santa como a do Triunfo, um desfile de todas as imagens dos Passos da paixão do Senhor[2].

A V. O. T. de Lisboa irradiou-se por todo Portugal, os seus estatutos deram origem a quase todos os estatutos de outras Ordens Terceiras”[3].

Essa irradiação não se limitou a Portugal mas estendeu-se também ao Brasil, dando origem a muitas das nossas Ordens Terceiras brasileiras. Manuel de Sá afirma que a Ordem Terceira de Lisboa chegou a ter 25 mil Irmãos de ambos os sexos.

Os seus estatutos foram publicados em 1666 e aprovados pelo Pe. Provincial dos Carmelitas, Mestre Frei Luiz de Miranda; em 1667 foram definitivamente aprovados pelo Pe. Mateo Orlando, 49.º Geral da Ordem.

Os Padres Comissários da V. O. T. de Lisboa, sacerdotes de grande projecção, eram o que se tinha de melhor na Ordem, ou pela santidade de vida ou pelos talentos de que eram dotados.

Em 1630, o Pe. Pedro Melo escreveu a “Regra e o modo de vida que devem observar os Terceiros Carmelitas”. Não, temos conhecimento se já era observada, ou se se observara antes, a regra do Beato Soreth, escrita em 1455.

A V. O. T. de Lisboa foi agraciada com o título de “Real Ordem Terceira do Carmo”, por D. Manuel II. Foi a única Ordem Terceira honrada com esse título régio. De toda essa glória do passado pouco resta, uma capela apenas, onde um punhado de Irmãos de boa vontade se esforçam para não deixar perecer tão gloriosas tradições que encheram de tanto brilho as páginas da nossa História.

2. Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo de Faro (VOTCF)

Igreja e Largo do Carmo
Telefone: 289824490
8000 FARO

Alguns dados Históricos sobre os Sodalícios de Faro

A V. O. T. do Carmo de Faro teve a sua origem orgânica em 1712, ainda que, conforme um manuscrito existente no arquivo, esta existisse canonicamente desde 1710. “O Pe. Mestre, Frei António da Cunha, Provincial da Ordem do Carmo nos Reinos de Portugal e Algarve e seus domínios autoriza a V. O. T. e declara protector e seu primeiro prior ao Ex.mo Sr. Bispo". É o que se lê no fragmento assinado em 21 de Julho de 1710.

O Bispo, D. António Pereira da Silva, devotíssimo da Virgem do Carmo, desejava ardentemente, na cidade de Faro um templo onde a Senhora fosse venerada e amada. Para realizar esse seu desejo recorreu ao Pe. Mestre, Frei José de Sousa, Vigário Provincial, e ao Rev.mo Pe. Frei José de Jesus Maria, Comissário de Lisboa, pedindo-lhes que lhe concedessem autorização para que o Pe. Frei José Maria viesse a Faro, a fim de fundar uma Ordem Terceira do Carmo.

Ambos agradeceram ao Sr. Bispo e prometeram atender imediatamente o seu pedido. Realmente, o Pe. José Maria partiu logo e chegou a esta capital em Abril de 1712. Pregou o padre oito sermões como preparação para a fundação da V. O. T. do Carmo. Impôs o hábito carmelita às principais pessoas da cidade como dos sítios vizinhos.

Convocada a primeira reunião da V. O. T. do Carmo, foi eleito Prior Perpétuo o Ex.mo Sr. D. António Pereira da Silva, Bispo de Faro, e sub-prior o seu sobrinho, Francisco Pereira da Silva. Ficou sede provisória da V. O. T. a capela de Nossa Senhora da Esperança.

Em 26 de Maio de 1712, realizou-se uma solene procissão, na qual foi trasladada a imagem de Nossa Senhora do Carmo por dois cónegos e dois religiosos carmelitas, pregando, nessa altura, o Pe. Comissário de Lisboa.

O primeiro Director Comissário da V. O. T. do Carmo foi o Rev.mo Pe. Mestre Frei João Batista Troyano.

Em 1713, estando o Pe. Provincial em visitas canónicas pelos conventos da Província, ao chegar a Faro, avistou-se com o Sr. Bispo a fim de combinarem o dia do lançamento da primeira pedra da nova igreja da V. O. T. do Carmo. Ficou assente que seria a 22 de Fevereiro do ano seguinte. Em 1719, estando a igreja em condições de se poderem celebrar os ofícios divinos, o Sr. Bispo D. José Pereira de Lacerda benzeu-a. A 15 de Julho desse mesmo ano foi levada processionalmente, com muita pompa, da capela da Esperança, a venerável imagem da Senhora para o novo templo. A essas cerimónias precedeu um soleníssimo tríduo, do qual participaram o Sr. Bispo e seu cabido e mais o Senado e outras autoridades da cidade.

O novo templo era elegante e amplo. Teve vida muito próspera e tornou-se, em Faro, um poderoso foco de irradiação carmelita, que perdura até os nossos dias.

A igreja, que é uma das mais lindas das Ordens Terceiras de Portugal, e muito rica nas suas talhas doiradas, é mantida e cuidadosamente tratada pela V. O. T., assim como o cemitério e a célebre capela dos ossos, cujas paredes e tecto são forrados de crânios e tíbias em disposição ainda mais interessante e curiosa, segundo alguns mais artística, do que a capela dos ossos da igreja de S. Francisco de Évora.

As novenas do Carmo, que precedem as festas, são magníficas e atraem milhares de pessoas de todos os arredores, pelo esplendor dos seus arraiais e luminárias.

O arquivo da V. O. T. conta 80 volumes manuscritos abrangendo toda a documentação, a partir da erecção da V. O. T. do Carmo de Faro até os dias presentes, é uma rica fonte para a compilação histórica da V. O. T. de Faro.

Actualmente a V. O. de Faro conta com mais de 400 Irmãos.

3. Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo de Viseu (VOTCV)

Igreja de Nossa Senhora do Carmo
3500 VISEU

Alguns dados Históricos sobre a V. O. T. do Carmo de Viseu

Foi a V. O. T. do Carmo de Viseu fundada por um grupo de zelosos sacerdotes da Catedral, em 24 de Maio de 1733, no domingo de Pentecostes.

Teve lugar essa erecção numa antiga ermida, em Santa Cristina, cedida pelo Cabido, e a ela assistiu Frei João de Santiago, Comissário de Lisboa, com as credenciais do Pe. Geral, Frei Luiz Benzone e do Provincial, Frei Jaime de S. Payo.

Aumentando rapidamente o número dos Irmãos, a capela tornava-se pequena para contê-los. Pensou-se, então, na construção duma igreja mais ampla que pudesse receber nas suas naves o número sempre crescente de Irmãos do Carmo. E, assim, aos 28 de Junho de 1734, foi lançada a primeira pedra do novo templo.

Trabalhou-se intensa e fervorosamente, pois, quatro anos mais tarde, a magnífica igreja do Carmo, que constitui justo orgulho não só dos Terceiros como de toda Viseu, erguia-se majestosa para acolher, na sua vasta nave, o grande número de Terceiros Carmelitas daquela época.

São estes os poucos dados históricos que conhecemos a respeito da V. O. T. de Viseu.

4. Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo de Setúbal (VOTCS)

www.otcarmosetubal.org

Avenida 22 de Dezembro, 3
Telefone: 265323330
2900-669 SETÚBAL

 5. Venerável Ordem terceira de Nossa Senhora do Carmo da Ilha Terceira[4]

Rua do Capitão Mor, 104
SÃO MATEUS
Telefone: 295642652
9700-567 ANGRA DO HEROSMO

6. Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo da Torre de Moncorvo (OTCM)

Mosteiro da Sagrada Família
Telefone. 297252351
5160 TORRE DE MONCORVO

7. Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo de Guimarães (VOTCG)

Lar de Santa Estefânia
Largo Martins Sarmento, 50
4800 GUIMARÃES

8. Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo do Faial

Igreja do Carmo
9900-117 HORTA

9. Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo das Flores

Igreja Matriz
9900 LAGES
ILHA DAS FLORES

 10.Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo de São Jorge

Igreja Paroquial da Fajã dos Vimes
9850 CALHETA
São JORGE

11. Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo

Matriz das Velas
9800 VELAS
SÃO JORGE
AÇORES

12. Na Ilha de São Miguel

Açores há seis Sodalícios: S. Miguel, Ribeira Grande, Povoação, Nordeste, Vila Franca do Campo e Algarvia.


[2] No Brasil para onde foi levada essa tradição é conservada ainda até hoje. Na cidade de Itu, no Estado de S. Paulo, os Carmelitas fazem a procissão do Triunfo na qual são levados riquíssimas imagens portuguesas pelas ruas da cidade. São 10 imagens dos passos da Paixão.

[3] Tive ocasião de verificar nos antigos Sodalícios do Carmo nos Açores cópias desses estatutos da V. O. T. de Lisboa.

[4] Esta Ordem Terceira abrange 5 Sodalícios: Angra, Terra-Chã, Fontinhas, Lages e Praia da Vitória. Os Estatutos são comuns.

 

Calendário Carmelita

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