foto18.jpg
Está aqui:   Início Lectio Divina
Lectio Divina
XXV Domingo do Tempo Comum - Ano A PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

25º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A


24 de Setembro de 2017

 

 alt


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 20, 1-16a)

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: “O Reino dos Céus é semelhante a um proprietário que saiu ao romper da manhã, a fim de contratar trabalhadores para a sua vinha. Ajustou com eles um denário por dia e enviou-os para a sua vinha. Saiu depois pelas nove horas, viu outros na praça, que estavam sem trabalho, e disse-lhes: ‘Ide também para a minha vinha e tereis o salário que for justo'. E eles foram. Saiu de novo por volta do meio-dia e das três da tarde, e fez o mesmo. Saindo pelas cinco da tarde, encontrou ainda outros que ali estavam e disse-lhes: ‘Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?’ Responderam-lhe: ‘É que ninguém nos contratou.’ Ele disse-lhes: ‘Ide também para a minha vinha.’


Ao entardecer, o dono da vinha disse ao capataz: ‘Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, começando pelos últimos até aos primeiros.’ Vieram os das cinco da tarde e receberam um denário cada um. Vieram, por seu turno, os primeiros e julgaram que iam receber mais, mas receberam, também eles, um denário cada um. Depois de o terem recebido, começaram a murmurar contra o proprietário, dizendo: ‘Estes últimos só trabalharam uma hora e deste-lhes a mesma paga que a nós, que suportámos o cansaço do dia e o seu calor.’ O proprietário respondeu a um deles: ‘Em nada te prejudico, meu amigo. Não foi um denário que nós ajustámos? Leva, então, o que te é devido e segue o teu caminho, pois eu quero dar a este último tanto como a ti. Ou não me será permitido dispor dos meus bens como eu entender? Será que tens inveja por eu ser bom?’ Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos”.

 

Chave de leitura

 

No evangelho deste 25º Domingo do Tempo Comum (Mt 20,1-16a), Deus conta aos seus filhos mais uma história verdadeira. A praça está sempre cheia de gente à espera de uma oportunidade. O dono da vinha sai às 06h00 da manhã e contrata trabalhadores para cultivar a sua vinha. Pagar-lhes-á um denário, que é o salário normal de um dia de trabalho. Sai outra vez às 09h00 da manhã, e encontrando mais gente na praça, envia-os para a sua vinha, dizendo que lhes pagará o que for justo. Volta a sair ás 12h00, ás 15h00 e ás 17h00, encontra sempre gente desocupada e a todos vai enviando para a sua vinha.


Impõe-se que anotemos um primeiro indicador: o dono da vinha sai por cinco vezes à procura de nós. Encontra-nos a toda a hora, e a toda a hora nos envia para a sua vinha. É dele toda a iniciativa.


Às 18h00, o dono da vinha ordena ao seu capataz que pague o salário (um denário) aos trabalhadores, com uma estranha condição: a começar pelos últimos! O capataz pagou a todos um denário, o salário de um inteiro dia de trabalho. Também esta é uma bela iniciativa do dono da vinha. Até aqui tudo bem: todos os que aqui estamos, estamos todos depois e por causa da iniciativa de Deus!


Temos também, todavia, de prestar atenção ao que fazemos, quando somos nós a tomar a iniciativa. O texto não diz se trabalhámos, ou se fomos preguiçosos, durante o tempo, muito ou pouco, que estivemos na vinha. Mas diz que somos mesquinhos, invejosos e ciumentos, quando reparamos que o dono da vinha nos trata a todos por igual. O texto desvenda o nosso instinto de grandeza e superioridade, e a dificuldade que sentimos em aceitar-nos e abraçar-nos como irmãos.

O amor de Deus está lá, bem retratado, em todas as iniciativas do dono da vinha: sai a toda a hora à nossa procura. Quer-nos a todos por igual. Enche as nossas mãos com os seus dons. Mas nós ficamos tão mal na fotografia ou na radiografia, que mostra bem as invejas e ciúmes que minam o nosso coração e não nos deixam ser irmãos.

 

O ensinamento de Jesus na parábola

 

a)- Jesus proclama, antes de tudo, através desta parábola, a bondade de Deus. Deus é Alguém que não exclui ninguém da sua bondade nem sequer os que são tidos por últimos, os desprezados, os pecadores, os publicanos. Deus oferece, também, a sua salvação àqueles que fizeram muito pouco ou nada. Assim é Deus com todas as pessoas.


b)- Esta bondade de Deus ultrapassa a nossa ideia de justiça. Deus cuida de todos, não fica em dívida com ninguém, não será injusto com ninguém. Por isso, ninguém poderá apresentar-se com reclamações justificadas diante de Deus. A bondade de Deus não poderá ficar fechada dentro das ideias de justiça com que nós lidamos.


c)- A bondade de Deus é o que explica e justifica a atitude de Jesus. Ele aproxima-se, também, dos últimos, dos pecadores... porque Ele é a encarnação desse Deus de Bondade. Por isso, Jesus é sempre um Evangelho, uma Boa Notícia para os últimos, para os que têm muito pouco a apresentar, para os pecadores.

e)- A atitude bondosa e generosa de Deus e de Jesus, só é escandalosa para aqueles que, ainda, não entendem Deus nem compreenderam quem é Ele. Porém, todo aquele que estranhe, se escandalize de que Deus seja assim, tem de pensar, antes de tudo, se no seu coração não haverá inveja e falta de amor. Porque não se pode murmurar contra a bondade de Deus. Diante da bondade de Deus, ninguém pode dizer nada.

 

Palavra para o caminho

 

Esta parábola diz-nos que temos de apresentar Deus como um Deus cuja característica principal é a sua Bondade e Generosidade. Isto é o que deve dizer um cristão.


A parábola do evangelho deste Domingo é uma crítica relativamente a qualquer postura religiosa na qual o ser humano se sinta com algum direito de reclamação perante Deus. Esta parábola recorda também que diante de Deus ninguém pode apresentar-se com reclamações: “Quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: somos servos inúteis; fizemos somente o que devíamos fazer”. É, também, uma crítica da religião concebida como uma aquisição de direitos perante Deus.


Esta parábola questiona todos aqueles que se escandalizam e estranham que Deus, Cristo ou a sua Igreja adoptem uma postura de bondade ou de preocupação pelos últimos... sejam de que tipo for. Ficar escandalizado pela Igreja se preocupe por eles é um sinal bem claro de que não conhecemos a bondade de Deus. Também os que pertencem à Igreja podem cair nesse escândalo. O Evangelho é uma Boa Notícia para os últimos e para aqueles que compreendem que Deus é para esses últimos.

 
XXIV Domingo do Tempo Comum - Ano A PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

24º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A


17 de Setembro de 2017

 

alt


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 18,21-35)

 

Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe: «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?» Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.


Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. Logo de começo, apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos. Não tendo com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido, com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía, para assim pagar a dívida. Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo: ‘Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei’. Cheio de compaixão, o senhor daquele servo deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida. Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo: ‘Paga o que me deves’. Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo: 'Concede-me um prazo e pagar-te-ei’. Ele, porém, não conseguiu e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto devia. Testemunhas desta cena, os seus companheiros ficaram muito tristes e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido. Então, o senhor mandou-o chamar e disse: ‘Servo mau, perdoei-te, porque me pediste. Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’ E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração».

 

Mensagem

 

Esta narrativa é a última parte do Sermão da Comunidade (Mateus 18). Nela, encontramos a necessidade de perdoar sem limites (18,21-22) e a parábola do perdão (18,23-35).


Diante das palavras de Jesus sobre a reconciliação, Pedro pergunta: “Quantas vezes devo perdoar? Sete vezes?” Sete é um número que indica uma perfeição e, no caso da proposta de Pedro, sete é sinónimo de sempre. Mas Jesus vai mais longe: “Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete!”. Não há proporção entre o amor de Deus para connosco e o nosso amor para com o irmão. Jesus conta uma parábola para esclarecer a sua resposta a Pedro.


Alguém tinha uma dívida de dez mil talentos, isto é, 164 toneladas de ouro. A esse que devia muito, outro tinha uma dívida para com ele de cem denários, correspondente a 30 gramas de ouro. Não existe meio de comparação entre os dois. Mesmo que o devedor de dez mil talentos juntamente com mulher e os filhos trabalhasse a vida inteira, jamais seriam capazes de juntar 164 toneladas de ouro. Diante do amor de Deus que perdoa gratuitamente a nossa dívida de 164 toneladas de ouro, é mais do que justo que perdoemos ao irmão a pequena dívida de 30 gramas de ouro. O único limite para a gratuidade da misericórdia de Deus é a nossa incapacidade de perdoar o irmão (Mateus 18,34; 6,15).


Não é que o perdão de Deus dependa do nosso: é sempre Deus que toma a iniciativa e nós que respondemos. Mas somos capazes de tornar nulo o efeito do perdão do Pai, se nós não queremos perdoar os outros. O Pai quer perdoar mas nós cortamos o efeito dessa gratuidade divina.


Obviamente, o perdão envolve todo um processo que abrange não só a parte espiritual da pessoa como também a psicológica. Não se consegue eliminar os efeitos das ofensas de uma só vez. Mas, o importante é o “querer” perdoar. O próprio desejo já é o perdão, pois é somente com a graça divina que nós conseguiremos perdoar mesmo. A proposta do texto de hoje vai para além das nossas forças humanas mas não para além das possibilidades da graça divina. Por isso temos que pedir sempre e continuamente o dom do perdão.

 

Palavra para o caminho

 

Perdão é per-dom, tem a ver com dar, de per-doar, doar para além da estrita justiça, tem a ver com o reconciliar ou restabelecer a relação. Per-doar é da minha parte e o outro pode não querer, mas é doar, apesar de tudo, uma nova oportunidade, um abrirmo-nos e oferecermo-nos para recomeçar uma relação. O perdão tem a ver com a relação, a reconquista da relação. Isto não se consegue de um dia para o outro, nem através de um contorcionismo de sentimentos, como se uma pessoa que me é antipática tivesse de começar a ser-me simpática... Significa começar a fazer a caminhada no sentido de reestabelecer relações perdidas, estragadas. Posso perdoar alguém que continua a ser-me antipático e vice-versa. Perdoar significa que me disponho a ter uma relação construtiva com esse alguém, a doar-lhe o meu coração e a minha abertura, a estabelecer a ponte. O perdão é isso. Não é um esquecer ou um abafar de sentimentos. Não é um mero desculpar. É uma ponte que se pode lançar até no silêncio (Vasco P. Magalhães, sj).

 
XXIII Domingo do Tempo Comum - Ano A PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

23º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

10 de Setembro de 2017

 

 alt


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 18,15-20)

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão. Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja; e se também não der ouvidos à Igreja, considera-o como um pagão ou um publicano.


Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu; e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu. Digo-vos ainda: Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus. Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles».

 

Ele está no meio de nós

 

Ainda que as palavras de Jesus, recolhidas por Mateus, sejam de grande importância para a vida das comunidades cristãs, poucas vezes atraem a atenção dos comentadores e pregadores. Esta é a promessa de Jesus: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles”.


Jesus não está a pensar em celebrações de massas como as da Praça de São Pedro, em Roma. Ainda que sejam, somente, dois ou três, ele está no meio deles. Não é necessário que esteja presente a hierarquia; não é necessário que sejam muitos os reunidos.


O que importa é que “estejam reunidos”, não dispersos, nem em confronto: que não vivam desqualificando-se uns aos outros. O decisivo é que se reúnam “em seu nome”: que escutem o seu chamamento, que vivam identificados com o seu projecto do Reino de Deus. Que Deus seja o centro do seu pequeno grupo.


Esta presença viva e real de Jesus é a que deve animar, guiar e sustentar as pequenas comunidades dos seus seguidores. É Jesus quem há-de alentar a sua oração, as suas celebrações, projectos e actividades.  Esta presença é o “segredo” de toda a comunidade cristã viva.


Nós, cristãos, não podemos reunir-nos nos nossos grupos e comunidades, hoje, de qualquer maneira: por costume, por inércia ou para cumprir umas obrigações religiosas. Sejamos muitos ou poucos, o importante é que nos reunamos em seu nome, atraídos pela sua pessoa e pelo seu projecto de fazer um mundo mais humano.


Devemos reavivar a consciência de que somos comunidades de Jesus. Reunimo-nos para escutar o seu Evangelho, para manter viva a sua recordação, para contagiar-nos com o seu Espírito, para acolher em nós a sua alegria e a sua paz, para anunciar a sua Boa Notícia.


O futuro da fé cristã dependerá, em boa parte, do que fizermos nas nossas comunidades concretas, nas próximas décadas. Não basta aquilo que possa fazer o Papa Francisco no Vaticano. Não podemos, tampouco, depositar a nossa esperança num grupo de sacerdotes que venham a ser ordenados nos próximos anos. A nossa única esperança é Jesus Cristo!


Somos nós que devemos centrar as nossas comunidades cristãs na pessoa de Jesus como a única força capaz de regenerar a nossa fé desgastada e rotineira, o único capaz de atrair os homens e mulheres de hoje, o único capaz de engendrar uma fé nova nestes tempos de incredulidade. A renovação das instâncias centrais da Igreja é urgente. Os decretos de reformas, necessários. Porém, nada é tão decisivo quanto o voltar, com radicalidade, para Jesus Cristo.

 

José Antonio Pagola


Ajudar-nos a sermos melhores

 

Nós, que cremos, deveríamos escutar hoje, mais do que nunca, o chamamento de Jesus para nos corrigirmos e ajudarmos, mutuamente, a ser melhores. Jesus convida-nos, sobretudo, a actuar com paciência e sem precipitação, aproximando-nos de maneira pessoal e amigável daqueles que estão a agir de modo errado. “Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão”.


Quanto bem pode pode fazer uma crítica amiga e leal, uma observação oportuna, um apoio sincero depois de nos termos desorientado. Todo o homem é capaz de sair do pecado e voltar à razão e à bondade. Porém, necessita, com frequência, de encontrar-se com alguém que o ame de verdade, que o convide a interrogar-se e que lhe infunda um desejo novo de verdade e de generosidade.


Talvez, o que mais muda muitas pessoas não são as grandes ideias nem os belos pensamentos, mas o facto de ter-se encontrado na vida com alguém que tenha sabido aproximar-se delas amigavelmente, ajudando-as a renovarem-se.


Depois desta instrução sobre a correcção fraterna, Mateus acrescenta três “ditos” de Jesus (cf. Mt 18,18-20). O primeiro (vers. 18) refere-se ao poder, conferido à comunidade, de “ligar” e “desligar”. Entre os judeus, a expressão designava o poder para interpretar a Lei com autoridade, para declarar o que era ou não permitido e para excluir ou reintroduzir alguém na comunidade do Povo de Deus; aqui, significa que a comunidade (algum tempo antes – cf. Mt 16,19 – Jesus dissera estas mesmas palavras a Pedro; mas aí Pedro representava a totalidade da comunidade dos discípulos) tem o poder para interpretar as palavras de Jesus, para acolher aqueles que aceitam as suas propostas e para excluir aqueles que não estão dispostos a seguir o caminho que Jesus propôs.


O segundo (vers. 19) sugere que as decisões graves para a vida da comunidade devem ser tomadas em clima de oração. Assegura aos discípulos, reunidos em oração, que o Pai os escutará.


O terceiro (vers. 20) garante aos discípulos a presença de Jesus “no meio” da comunidade. Neste contexto, sugere que as tentativas de correcção e de reconciliação entre irmãos, no seio da comunidade, terão o apoio e a assistência de Jesus.

 

Palavra para o caminho

 

O texto do Evangelho, tirado do capítulo 18 de Mateus, dedicado à vida da comunidade cristã, diz-nos que o amor fraterno exige também um sentido de responsabilidade recíproca, pelo que, se o meu irmão comete uma falta contra mim, devo usar de caridade para com ele e, antes de tudo, falar-lhe pessoalmente, recordando-lhe que quanto disse ou fez não é bom. Este modo de agir chama-se correcção fraterna: ela não é uma reacção à ofensa de que se foi vítima, mas é movida pelo amor ao irmão. Santo Agostinho comenta: «Aquele que te ofendeu, ao ofender-te, causou em si mesmo uma ferida grave, e não te preocupas tu pela ferida de um teu irmão? ... Deves esquecer a ofensa que recebeste, mas não a ferida de um teu irmão» (Discursos 82, 7) (Bento XVI).

 
XXI Domingo do Tempo Comum - Ano A PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

21º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

27 de Agosto de 2017

 alt

 Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 16, 13-20) 

Naquele tempo, Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens que é o Filho do homem?”. Eles responderam: “Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas”. Jesus perguntou: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”. Jesus respondeu-lhe: “Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus”. Então, Jesus ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que Ele era o Messias. 

Mensagem 

Para esta secção, servimo-nos de dois comentários, um do Papa Francisco e outro do Papa Bento XVI, pronunciados na recitação do Angelus, e que podem ser uma ajuda para entrarmos mais profundamente no texto evangélico e beneficiar mais abundantemente dele.

“O Evangelho deste domingo (Mt16, 13-20) é o célebre trecho, central na narração de Mateus, em que Simão em nome dos Doze professa a sua fé em Jesus como «Cristo, Filho de Deus vivo»; e Jesus chama Simão «bem-aventurado» por esta sua fé, reconhecendo nela uma dádiva especial do Pai, e diz-lhe: «Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja». 

Meditemos um momento precisamente acerca deste ponto, sobre a constatação de que Jesus atribui a Simão este novo nome: «Pedro», que na língua de Jesus se diz «Cefas», uma palavra que significa «rocha». Na Bíblia este termo, «rocha», é referido a Deus. Jesus atribui-o a Simão não pelas suas qualidades, nem pelos seus méritos humanos, mas pela sua fé genuína e sólida, que lhe advém do Alto.

Jesus sente no seu coração uma profunda alegria, porque reconhece em Simão a mão do Pai, a obra do Espírito Santo. Reconhece que Deus Pai conferiu a Simão uma fé «confiável», sobre a qual Ele, Jesus, poderá construir a sua Igreja, ou seja, a sua comunidade, isto é todos nós. Jesus tem a intenção de dar vida à «sua» Igreja, um povo assente não já na descendência, mas na fé, ou seja, na relação com Ele mesmo, uma relação de amor e de confiança. A nossa relação com Jesus constrói a Igreja. E por conseguinte, para dar início à sua Igreja Jesus tem necessidade de encontrar nos discípulos uma fé sólida, uma fé «confiável». É isto que Ele deve averiguar nesta altura do caminho.

O Senhor tem em mente a imagem do construir, a imagem da comunidade como um edifício. Eis por que motivo, quando ouve a profissão de fé pura de Simão, o designa «rocha» e manifesta a intenção de construir a sua Igreja sobre aquela mesma fé.

Irmãos e irmãs, aquilo que aconteceu de modo singular em são Pedro acontece também em cada cristão que amadurece uma fé sincera em Jesus Cristo, Filho de Deus vivo. O Evangelho de hoje interpela também cada um de nós. Como está a tua fé? Cada um responda no seu próprio coração. Como está a tua fé? Como encontra o Senhor os nossos corações? Um coração sólido como a pedra, ou um coração arenoso, ou seja duvidoso, desconfiado, incrédulo? No dia de hoje far-nos-á bem pensar sobre isto” (Papa Francisco, Angelus, 24 de Agosto de 2014).

A seguir apresentamos um trecho reflexivo do Papa Bento XVI relativo ao Evangelho deste Domingo 20º do Tempo Comum, Ano A.

“A liturgia deste Domingo dirige-nos, a nós cristãos mas ao mesmo tempo a cada homem e mulher, a dúplice pergunta que certo dia Jesus formulou aos seus discípulos. Primeiro, perguntou-lhes: "Quem dizem as pessoas que é o Filho do homem?". Eles responderam que para alguns membros do povo Ele era o novo João Baptista, para outros, Elias, Jeremias ou um dos profetas. Então, o Senhor interpelou directamente os Doze: "E vós, quem dizeis que Eu sou?". Em nome de todos, com impulso e determinação, foi Pedro que tomou a palavra: "Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo". Solene profissão de fé, que desde então a Igreja continua a repetir. No dia de hoje, também nós queremos proclamar com íntima convicção: sim, Jesus, Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo! Fazemo-lo com a consciência de que Cristo é o verdadeiro "tesouro", pelo qual vale a pena sacrificar tudo; Ele é o amigo que nunca nos abandona, porque conhece as expectativas mais íntimas do nosso coração. Jesus é o "Filho de Deus vivo", o Messias prometido, que veio à terra para oferecer à humanidade a salvação e para satisfazer a sede de vida e de amor que habita em cada ser humano. Como seria grande a vantagem para a humanidade, se acolhesse este anúncio que traz consigo a alegria e a paz!

"Tu és Cristo, Filho de Deus vivo". A esta profissão de fé da parte de Pedro, Jesus responde: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno nada poderão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus". É a primeira vez que Jesus fala da Igreja, cuja missão é a realização do grandioso desígnio de Deus, de reunir em Cristo toda a humanidade numa única família. A missão de Pedro e dos seus sucessores é precisamente a de servir esta unidade da única Igreja de Deus, formada por judeus e pagãos de todos os povos; o seu ministério indispensável consiste em fazer com que ela nunca se identifique com uma única nação, nem com uma só cultura, mas que seja a Igreja de todos os povos, para tornar presente no meio dos homens, marcados por inúmeras divisões e contrastes, a paz de Deus e a força renovadora do seu amor. Por conseguinte, servir a unidade interior que provém da paz de Deus, a unidade de quantos em Jesus Cristo se tornaram irmãos e irmãs: eis a missão especial do Papa, Bispo de Roma e Sucessor de Pedro” (Bento XVI, Angelus, 24 de Agosto de 2008). 

E nós o que dizemos? 

Também hoje Jesus nos dirige a mesma pergunta que fez um dia aos seus discípulos: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Que podemos responder-lhe?

Esforçamo-nos por conhecer cada vez melhor Jesus? Somos comunidades vivas, interessadas em colocar Jesus no centro da nossa vida e das nossas actividades ou vivemos estancados na rotina e na mediocridade?

Amamos Jesus com paixão ou ele é para nós uma personagem gasta a quem continuamos a invocar enquanto no nosso coração vai crescendo a indiferença e o esquecimento? Sentimo-nos discípulos de Jesus? Temos feito da nossa comunidade uma escola para aprender a viver como Jesus? Estamos a aprender a olhar a vida como ele a olhava?

Vivemos o Domingo cristão celebrando a ressurreição de Cristo? Acreditamos em Jesus ressuscitado, que caminha connosco cheio de vida? Acreditamos que Jesus nos ama com um amor que nunca acabará? Acreditamos na sua força ressuscitadora? Sabemos ser testemunhas do mistério da esperança que levamos dentro de nós? 

Palavra para o caminho 

«Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo» (DCE 1; EG 7)

 
XX Domingo do Tempo Comum - Ano A PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

20º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

20 de Agosto de 2017

 alt 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 15, 21-28) 

21Naquele tempo, Jesus partiu dali e retirou-se para os lados de Tiro e de Sídon. 22Então, uma cananeia, que viera daquela região, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem misericórdia de mim! Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio.» 23Mas Ele não lhe respondeu nem uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-lhe com insistência: «Despacha-a, porque ela persegue-nos com os seus gritos.» 24Jesus replicou: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.»

25Mas a mulher veio prostrar-se diante dele, dizendo: «Socorre-me, Senhor.» 26Ele respondeu-lhe: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorros.» 27Retorquiu ela: «É verdade, Senhor, mas até os cachorros comem as migalhas que caem da mesa de seus donos.» 28Então, Jesus respondeu-lhe: «Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas.» E, a partir desse instante, a filha dela achou-se curada. 

Contexto 

Nos finais do século primeiro (o Evangelho segundo Mateus aparece durante a década de oitenta), alguns judeo-cristãos ainda tinham dificuldade em aceitar a entrada dos pagãos na Igreja de Jesus. Mateus recorda-lhes, então, que para Jesus o que é decisivo não é a raça, a história, a eleição, mas a adesão firme e convicta à proposta de salvação que, em Jesus, Deus faz aos homens. O texto mostra que a proposta de Jesus é para todos. A comunidade de Jesus é, verdadeiramente, uma comunidade universal. Aquilo que é decisivo, no acesso à salvação, é a fé, isto é, a capacidade de aderir a Jesus e à sua proposta de vida. 

Mensagem 

O Evangelho deste 20º Domingo do Tempo Comum serve-nos uma página absolutamente desarmante, retirada de Mateus 15,21-28. Jesus abandona Genesaré, na costa ocidental do Mar da Galileia, e vai para a região de Tiro e de Sídon, atual Líbano, terra pagã. 

Uma mulher e mãe «libanesa», carregada com o drama da sua filha doente, situação verdadeira ontem como hoje, e que hoje bem podemos estender à Palestina, à Síria e ao Iraque, vem implorar de Jesus, num grito que lhe sai do fundo das entranhas, que lhe «faça graça» (Mateus 15,22), isto é, que olhe para ela com bondade e ternura como uma mãe que dirige o seu olhar embevecido para o bebé que embala nos braços.

O texto diz que Jesus nem lhe respondeu (Mateus 15,23). Mas a mulher não desiste, mas insiste e vai mais longe, prostrando-se agora diante de Jesus (Mateus 15,25). O gesto significa orientar a sua vida toda para Jesus, pôr-se totalmente na dependência de Jesus. A reacção de Jesus é de uma dureza extrema: afasta a pobre mulher e mãe duramente, catalogando-a na classe dos cachorros [= pagãos] e não dos filhos [= judeus] (Mateus 15,26). Só para estes é que ele veio.

A mulher replica de modo admirável: é verdade, Senhor! Os filhos estão reclinados à mesa, mas os cachorros comem debaixo da mesa as migalhas que caem! (Mateus 15,27). «Mulher da grande fé!», replicou Jesus, «faça-se como queres!» (Mateus 15,28).

Note-se bem que é a única vez que Jesus fala da «grande fé». E atribui-a a uma mulher e mãe «libanesa» cujo amor nunca se vergou perante a dureza e as dificuldades da vida. Em contraponto com esta mulher da «grande fé», note-se bem que Pedro é o homem da «pequena fé» (Mateus 14,31), do mesmo modo que os discípulos são também os homens «da pequena fé» (Mateus 6,30; 8,26; 16,8; 17,20). Admirável ainda que Jesus diga a esta mulher que não desiste, mas insiste e persiste: «faça-se como queres», um paralelo claro da oração do «Pai Nosso»: «Faça-se a tua vontade» (Mateus 6,10)!

O episódio é de uma crueza e de uma beleza inauditas. Mas há ainda mais: é a insistência desta mulher e mãe «libanesa» que, por assim dizer, obriga Jesus a passar mais uma fronteira: dos hebreus para os pagãos! 

António Couto (Texto adaptado) 

Palavra para o caminho 

Este trecho traz-nos uma grande surpresa: Jesus aprofunda o sentido da sua missão através do contacto com uma mulher pagã, uma pessoa duplamente rejeitada e desprezada nas tradições da religião e cultura dela. Jesus só deseja ouvir a voz do Pai e aqui o Pai fala-lhe através da cananeia! Que lição para nós! O Pai normalmente não nos fala por grandes revelações extraordinárias, mas através dos acontecimentos, das pessoas e dos relacionamentos do nosso dia-a-dia; mas, a surdez de espírito pode torna-nos indiferentes a esta revelação diária!

 
<< Início < Anterior 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Seguinte > Final >>

Pág. 1 de 33

Calendário Carmelita

Setembro 2017
D S
27 28 29 30 31 1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30

Estatísticas

Visualizações de conteúdos : 1273043

Utilizadores Online

Temos 225 visitantes em linha