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Lectio Divina
XXXIII Domingo do Tempo Comum - Ano A PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

A Palavra de Deus deste domingo, o penúltimo do ano litúrgico, convida-nos a ser vigilantes e empreendedores, à espera da volta do Senhor Jesus no fim dos tempos. A página evangélica narra a célebre parábola dos talentos, citada por São Mateus (cf. 25, 14-30). O "talento" era uma antiga moeda romana, de grande valor, e precisamente por causa da popularidade desta parábola tornou-se sinónimo de dote pessoal, que cada um é chamado a fazer frutificar.  

Na realidade, o texto fala de "um homem que, ao partir para uma viagem, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens" (Mt 25, 14). O homem da parábola representa o próprio Cristo, os servos são os discípulos e os talentos são os dons que Jesus lhes confia. Por isso tais dons, mais do que as qualidades naturais, representam as riquezas que o Senhor Jesus nos deixou em herança, para que as fecundemos: a sua Palavra, depositada no Santo Evangelho; o Baptismo, que nos renova no Espírito Santo; a oração do "Pai-Nosso" que elevamos a Deus como filhos unidos no Filho; o seu perdão, que Ele ordenou de levar a todos; o sacramento do seu Corpo imolado e do seu Sangue derramado. Em síntese: o Reino de Deus, que é Ele mesmo, presente e vivo no meio de nós. 

Este é o tesouro que Jesus confiou aos seus amigos, no final da sua breve existência terrena. A parábola insiste na atitude interior com que acolher e valorizar este dom. 

A atitude errada é a do receio: o servo que tem medo do seu senhor e teme o seu retorno, esconde a moeda debaixo da terra e ela não produz qualquer fruto. Isto acontece por exemplo com quem, tendo recebido o Baptismo, a Comunhão e a Crisma, depois enterra tais dons debaixo de uma camada de preconceitos, sob uma falsa imagem de Deus que paralisa a fé e as obras, a ponto de atraiçoar as expectativas do Senhor.  

Mas a parábola põe em maior evidência os bons frutos produzidos pelos discípulos que, felizes pelo dom recebido, não o conservaram escondido, com receio e inveja, mas fizeram-no frutificar, compartilhando-o, comunicando-o. Sim, o que Cristo nos concedeu multiplica-se quando é doado! É um tesouro feito para ser despendido, investido, compartilhado com todos, como nos ensina aquele grande administrador dos talentos de Jesus, que é o Apóstolo Paulo.

O ensinamento evangélico, que hoje a liturgia nos oferece, incidiu também no plano histórico-social, promovendo nas populações cristãs uma mentalidade activa e empreendedora. No entanto, a mensagem central diz respeito ao espírito de responsabilidade com que acolher o Reino de Deus: responsabilidade em relação a Deus e à humanidade. 

Encarna perfeitamente esta atitude do coração a Virgem Maria que, recebendo o mais precioso dos dons, o próprio Jesus, ofereceu-O ao mundo com imenso amor. A Ela peçamos-lhe que nos ajude a ser "servos bons e fiéis", para que possamos um dia participar "na alegria do nosso Senhor".  

Bento XVI, Angelus, Novembro 2008 

 

 

 

 
Solenidade de Todos os Santos - Ano A PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS - ANO A


1 de Novembro de 2017

 

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 5, 1-12)

 

Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo: «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa». 

 

Reflexão

 

Jesus proclama bem-aventurados os últimos da sociedade, porque são os primeiros destinatários do reino. Precisamente porque são pobres e necessitados, Deus no seu amor gratuito e misericordioso, vai ao seu encontro e chama-os a serem seus filhos, conferindo-lhes uma dignidade que nenhuma circunstância exterior pode anular ou diminuir, nem a indigência, nem a marginalização, nem a doença, nem o insucesso, nem a humilhação, nem a perseguição, nem qualquer outra adversidade. Os pobres, os que sofrem e os pecadores experimentam a sua fraqueza, de um modo agudo. Estão dispostos a deixar-se salvar por Deus. São levados a medir o valor da sua pessoa, não pelos bens exteriores, mas pelo amor que o Pai lhes tem. Porém, para fazer a experiência jubilosa d'Ele, devem abandonar-se ao seu amor, com humildade e confiança e, portanto, converter-se.


O próprio Jesus é pobre e perseguido, mas cheio de alegria, exulta no Espírito Santo e louva o Pai. Basta-lhe ser amado como Filho. É feliz por receber tudo do Pai e por nada ser sem Ele. A sua pobreza não se reduz a uma condição exterior. É acima de tudo, uma atitude espiritual, é humildade: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29).


O reino é oferecido a todos, mas só atinge efectivamente quem, reconhecendo a sua insuficiência e a precariedade dos bens terrenos, espera a salvação unicamente de Deus e, com a sua graça, se torna justo, manso e misericordioso com os outros. As atitudes para acolher o reino encontram-se bem explícitas nas bem-aventuranças. Tendo presente a redacção do evangelista Mateus, aqui é apresentada uma redacção numa perspectiva catequética:


“Bem-aventurados os humildes que apenas confiam em Deus, porque para eles está reservado o seu reino. / Bem-aventurados aqueles que se afligem com o mal presente no mundo e em si próprios, porque Deus os consolará. / Bem-aventurados os mansos, aqueles que são acolhedores, cordiais, pacientes e renunciam a impor-se aos outros pela força, porque Deus lhes permitirá conquistar o mundo. / Bem-aventurados aqueles que desejam ardentemente a vontade de Deus para si e para os outros, porque Deus os saciará à sua mesa. / Bem-aventurados os misericordiosos, que sabem perdoar e realizar obras de caridade, porque Deus será misericordioso para com eles. / Bem-aventurados os puros de coração, que têm uma consciência recta, porque Deus os admitirá à sua presença na liturgia celeste. / Bem-aventurados aqueles que constroem uma convivência pacífica, justa e fraterna, porque Deus os acolherá como filhos. / Bem-aventurados os perseguidos por causa da nova justiça evangélica, porque Deus, rei justo, os salvará”.


Este caminho traçado por Jesus, os santos esforçaram-se por percorrê-lo, conscientes dos seus limites humanos. Na sua existência terrena, de facto, foram pobres em espírito, sofredores pelos pecados, mansos, famintos e sedentos de justiça, misericordiosos, puros de coração, artífices de paz, perseguidos por causa da justiça. E Deus participou-lhes a sua mesma felicidade: pregustaram-na neste mundo e, no além, gozam dela em plenitude. São agora confortados, herdeiros da terra, saciados, perdoados, vêem Deus do qual são filhos. Numa palavra: "é deles o Reino dos céus" (cf. Mt 5, 3.10).

 

Solenidade de todos os santos

 

A festa de todos os Santos, que celebramos hoje, recorda-nos que a meta da nossa existência não é a morte, mas o Paraíso!


Os Santos não são super-homens, nem nasceram perfeitos. Eles são como nós, como cada um de nós, são pessoas que antes de alcançar a glória do Céu levaram uma vida normal, com alegrias e sofrimentos, dificuldades e esperanças. Mas o que mudou a sua vida? Quando conheceram o amor de Deus, seguiram-no com todo o seu coração, de maneira incondicional, sem hipocrisias; dedicaram a própria vida ao serviço do próximo, suportaram sofrimentos e adversidades sem ódio, respondendo ao mal com o bem, difundindo alegria e paz. Esta é a vida dos Santos: pessoas que, por amor a Deus, na sua vida não lhe puseram condições; não foram hipócritas; consagraram a própria vida ao serviço dos outros, para servir o próximo; padeceram muitas adversidades, mas sem ódio. Os Santos nunca odiaram.


Ser Santo não é um privilégio de poucos, como se alguém tivesse recebido uma grande herança; no Baptismo, todos nós recebemos a herança de poder tornar-nos Santos. A santidade é uma vocação para todos. Por isso, todos nós somos chamados a caminhar pela vereda da santidade, e esta senda tem um nome, um semblante: o rosto de Jesus Cristo. É Ele que nos ensina a tornar-nos Santos. É Ele que, no Evangelho, nos indica o caminho: a via das Bem-Aventuranças (cf. Mt 5, 1-12). Com efeito, o Reino dos Céus é para quantos não depositam a sua segurança nas coisas, mas no amor de Deus; para aqueles que têm um coração simples e humilde, sem a presunção de ser justos, sem julgar os outros; para aqueles que sabem sofrer com quantos sofrem e alegrar-se com quantos se alegram; para quantos não são violentos, mas misericordiosos e procuram ser artífices de reconciliação e de paz.


Na festa de hoje, os Santos transmitem-nos uma mensagem e dizem-nos: confiai no Senhor, porque o Senhor não desilude! Nunca decepciona, é um bom amigo, sempre ao nosso lado. Com o seu testemunho, os Santos encorajam-nos a não ter medo de ir contra a corrente, nem de sermos incompreendidos e ridicularizados quando falamos dele e do Evangelho; demonstram-nos com a sua vida que quantos permanecem fiéis a Deus e à sua Palavra experimentam já nesta terra a consolação do seu amor e, depois, o «cêntuplo» na eternidade (Papa Francisco).

 

Palavra para o caminho

 

Visitando um viveiro botânico, permanece-se admirados diante da variedade de plantas e flores, e é espontâneo pensar na fantasia do Criador que tornou a terra um maravilhoso jardim. Análogo sentimento nos surpreende quando consideramos o espectáculo da santidade: o mundo parece-nos um "jardim", onde o Espírito de Deus suscitou com admirável fantasia uma multidão de santos e santas, de todas as idades e condições sociais, de todas as línguas, povos e culturas. Cada um é diferente do outro, com a singularidade da própria personalidade humana e do seu carisma espiritual. Mas todos têm impressa a "marca" de Jesus (cf. Ap 7, 3), ou seja, o distintivo do seu amor, testemunhado através da Cruz. Estão todos na alegria, numa festa sem fim, mas, como Jesus, conquistaram esta meta passando através da fadiga e da prova (cf. Ap 7, 14), enfrentando cada qual a própria parte de sacrifício para participar na glória da ressurreição (Bento XVI).

 
XXX Domingo do Tempo Comum - Ano A PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

30º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A


29 de Outubro de 2017

 

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 22, 34-40)

 

Naquele tempo, os fariseus, ouvindo dizer que Jesus reduzira os saduceus ao silêncio, reuniram-se em grupo. E um deles, que era legista, perguntou-lhe para o embaraçar: «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?» Jesus disse-lhe: 'Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente'. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante: 'Amarás ao teu próximo como a ti mesmo'. 40Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.»

 

Mensagem

 

Aí está, neste 30º Domingo do Tempo Comum, mais uma pergunta armadilhada posta a Jesus, por um fariseu. A pergunta armadilhada que o “legista” fariseu coloca a Jesus soa assim: “Mestre, qual é o maior mandamento da lei?”. A pergunta parece inofensiva, mas, na verdade, destina-se a tentar arrastar Jesus para o plano inclinado da interminável discussão académica. De facto, os mestres judeus, lendo minuciosamente a lei, ou seja, os cincos primeiros livros da Bíblia (Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio), e reduzindo-a a preceitos, tinham contado lá 613 preceitos, sendo 365, tantos quantos os dias do ano, negativos, e 248, tantos quantos assim se pensava então, os membros do corpo, positivos.


A questão que entretinha os mestres e as suas escolas era agora a de estabelecer uma ordem nesses 613 preceitos ou mandamentos, dizendo qual consideravam o primeiro ou o mais importante ou o maior, e assim por diante. Discussão interminável e natural fonte de conflitos, pois cada mestre sua sentença. Qual seria então a posição de Jesus nesta matéria, e como a defenderia?


Colocada esta introdução, vamos socorrer-nos do que o Papa Francisco disse no Angelus de 26 de Outubro de 2014 que versou a temática deste 30º Domingo do Tempo Comum, Ano A.


“O Evangelho de hoje recorda-nos que toda a Lei divina se resume no amor a Deus e ao próximo. O Evangelista Mateus narra que alguns fariseus concordaram em pôr Jesus à prova (cf. 22, 34-35). Um deles, um doutor da lei, dirige-lhe a seguinte pergunta: «Mestre, qual é o maior mandamento da lei?» (v. 36). Citando o Livro do Deuteronómio, Jesus responde: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, toda a tua alma e todo o teu espírito. Este é o maior e o primeiro mandamento» (vv. 37-38). E teria podido parar aqui. Ao contrário, Jesus acrescenta algo que não tinha sido questionado pelo doutor da lei. Com efeito, diz: «E o segundo, semelhante a este, é: amarás o teu próximo como a ti mesmo» (v. 39). Também Jesus não inventa este segundo mandamento, mas tira-o do Livro do Levítico. A sua novidade consiste precisamente em unir estes dois mandamentos - o amor a Deus e o amor ao próximo - revelando que eles são inseparáveis e complementares, constituem os dois lados de uma mesma medalha. Não se pode amar a Deus sem amar o próximo, e não se pode amar o próximo sem amar a Deus. A este propósito, o Papa Bento XVI deixou-nos um comentário muito bonito na sua primeira Encíclica, Deus caritas est (nn. 16-18).


Com efeito, o sinal visível que o cristão pode manifestar para testemunhar o amor de Deus ao mundo, aos outros e à sua família é o amor pelos irmãos. O mandamento do amor a Deus e ao próximo é o primeiro, mas não porque está no início do elenco dos mandamentos. Jesus não o coloca no vértice, mas no centro, porque é o coração do qual tudo deve começar, para o qual tudo deve voltar e ao qual tudo deve fazer referência.


Já no Antigo Testamento a exigência de ser santo, à imagem de Deus que é Santo, incluía também o dever de cuidar das pessoas mais frágeis, como o estrangeiro, o órfão e a viúva (cf. Êx 22, 20-26). Jesus cumpre esta lei de aliança, Ele que resume em Si mesmo, na sua carne, a divindade e a humanidade, num único mistério de amor.


À luz desta palavra de Jesus, o amor já é a medida da fé, e a fé constitui a alma do amor. Não podemos mais separar a vida religiosa, a existência de piedade do serviço aos irmãos, àqueles irmãos concretos com os quais nos encontramos. Já não podemos dividir a oração, o encontro com Deus nos Sacramentos, da escuta do outro e da proximidade à sua vida, de forma especial às suas feridas. Recordai-vos disto: o amor é a medida da fé! E tu, quanto amas? Cada um responda pessoalmente. Como é a tua fé? A minha fé é como eu amo. E a fé é a alma do amor.


No meio da densa selva de preceitos e prescrições - dos legalismos de ontem e de hoje - Jesus faz uma abertura que permite vislumbrar dois semblantes: o rosto do Pai e a face do irmão. Não nos confia duas fórmulas ou preceitos: não se trata de preceitos e fórmulas; Ele confia-nos dois semblantes, aliás, um único rosto, o rosto de Deus que se reflecte em numerosos outros rostos, porque na face de cada irmão, especialmente do mais pequenino, frágil, indefeso e necessitado está presente a imagem do próprio Deus. E deveríamos interrogar-nos, quando encontramos um destes irmãos, se somos capazes de reconhecer nele o rosto de Deus: somos capazes disto?


Deste modo, Jesus oferece a cada homem o critério fundamental sobre o qual devemos delinear a nossa própria vida. Mas, sobretudo, Ele concedeu-nos o Espírito Santo, que nos permite amar a Deus e o próximo como Ele, com o coração livre e generoso. Por intercessão de Maria, nossa Mãe, abramo-nos ao acolhimento desta dádiva do amor, para caminhar sempre nesta lei dos dois semblantes, que constituem um só: a lei do amor”.

 

Palavra para o caminho

 

A caridade passa também por tornarmo-nos pobres, percebermo-nos membros dos outros, parcelas da realidade, tornarmo-nos acolhedores. Devemos saber ser “carentes”, não num sentido infantil, mas para dar espaço ao outro, para que ele dê. Não se trata de buscar uma carência de bens materiais ou de afectos, mas de se esvaziar, de modo a sermos um espaço que se abre para acolher a entrada do outro. Essa relação faz-nos ser quem somos (Vasco P. Magalhães, sj).

 
XXIX Domingo do Tempo Comum - Ano A PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

29º DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO A)

22 de Outubro de 2017

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 22, 15-21) 

Naquele tempo, os fariseus reuniram-se para combinar como o haviam de surpreender nas suas próprias palavras. Enviaram-lhe os seus discípulos, acompanhados dos partidários de Herodes, a dizer-lhe: «Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, sem te deixares influenciar por ninguém, pois não olhas à condição das pessoas. Diz-nos, portanto, o teu parecer: É lícito ou não pagar o imposto a César?»

Mas Jesus, conhecendo-lhes a malícia, retorquiu: «Porque me tentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do imposto.» Eles apresentaram-lhe um denário. Perguntou: «De quem é esta imagem e esta inscrição?» «De César» - responderam. Disse-lhes então: «Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.» Quando isto ouviram, ficaram maravilhados e, deixando-o, retiraram-se. 

Chave de leitura 

Jesus chega a Jerusalém vindo da Galileia para a festa anual da Páscoa. Quando entra na cidade é aclamado pelo povo (Mt 21, 1-11). Em seguida, entra no Templo de onde expulsa os vendedores (Mt 21, 12-16). Residindo em Jerusalém, contudo, passa as noites fora da cidade e retorna logo pela manhã (Mt 21, 17). A situação é muito tensa. Em Jerusalém, discutindo com as autoridades (chefes dos sacerdotes, anciãos e fariseus), Jesus expõe o seu pensamento através de parábolas (Mt 21, 23-22,14). Querem prendê-lo mas têm medo (Mt 21, 45-46). O Evangelho deste Domingo sobre o tributo a César (Mt 22, 15-21) está inserido neste conjunto de conflitos entre Jesus e as autoridades. 

Comentário do texto 

Mateus 22, 15-17: Uma pergunta feita pelos fariseus e herodianos. Os fariseus e herodianos eram líderes locais não apoiados pelo povo da Galileia. Tinham já desde há muito decidido matar Jesus (Mt 12, 14; Mc 3, 6). Agora, por ordem dos sacerdotes e anciãos, querem saber de Jesus se está a favor ou contra o pagamento do tributo a Roma. Pergunta cheia de malícia. Sob a aparência da fidelidade à lei de Deus, procuram motivos para o acusar. Se Jesus tivesse dito: “Deve-se pagar!”, podiam acusá-lo diante do povo de ser amigo dos romanos. Se respondesse: “Não se deve pagar!”, podiam também acusá-lo perante as autoridades romanas de ser um subversivo. Um beco sem saída!

Mateus 22, 18-21a: A resposta de Jesus. Jesus deu-se conta da hipocrisia. Na resposta que dá não perde tempo com discussões inúteis e vai directamente ao núcleo da questão: “De quem é esta imagem e esta inscrição?”. Eles respondem: “De César!”.

Mateus, 22, 21b: Conclusão de Jesus. Jesus leva-os à conclusão: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Na verdade, eles reconheciam já a autoridade de César. Já estavam a dar a César o que era de César, porque usavam as suas moedas para comprar ou vender e até para pagar o tributo ao Templo. Por conseguinte, a pergunta não fazia sentido. Porquê perguntar por algo cuja resposta é já evidente na prática? Eles que pela pergunta fingiam ser servos de Deus, esqueciam o mais importante: esqueciam-se de dar a Deus o que é de Deus! A Jesus interessa que “dêem a Deus o que é de Deus”, ou seja, que recuperem o povo que pela culpa deles se tinha afastado de Deus. Com o seu ensino fechavam ao povo a entrada no Reino (Mt 23, 13). Outros dizem: “Dai a Deus o que é de Deus”, ou seja, praticai a justiça e a honestidade segundo as exigências da lei de Deus, porque por causa da vossa hipocrisia negais a Deus o que lhe é devido. Os discípulos devem dar-se conta disto! Era precisamente a hipocrisia dos fariseus e herodianos que cegava os seus olhos (Mc 8, 15). 

Palavra para o caminho 

As palavras de Jesus lembram-nos que nenhum cristão pode compactuar com qualquer sistema - seja político, económico ou religioso - que atribui a si o que pertence a Deus. O texto de forma alguma justifica um dualismo entre o espiritual (de Deus) e o material (de César). Pelo contrário, mostra que o poder político, económico e religioso deve estar ao serviço do bem comum, pois, se assim não acontecer, está a roubar o que é de Deus: o seu povo. Não se pode entregar às garras de um poder opressor o que pertence ao Pai. O poder é legítimo quando está ao serviço da vida e do bem-estar comum, e não de uns poucos privilegiados. “Dar a Deus o que é de Deus” implica que trabalhemos para que todos possam “ter a vida e a vida em abundância” (Jo 10, 10) e assim, estamos a dar “a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.

Para Jesus, César e Deus não são duas autoridades de grau semelhante que entre si devem repartir a submissão dos homens. Deus está acima de qualquer César, e este nunca pode exigir o que pertence a Deus.

 
XXVIII Domingo do Tempo Comum - Ano A PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

28º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A


15 de Outubro de 2017

 

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 22, 1-14)

 

Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo e, falando em parábolas, disse-lhes: «O Reino do Céu é comparável a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho. Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram comparecer. De novo mandou outros servos, ordenando-lhes: ‘Dizei aos convidados: O meu banquete está pronto; abateram-se os meus bois e as minhas reses gordas; tudo está preparado. Vinde às bodas.’ Mas eles, sem se importarem, foram um para o seu campo, outro para o seu negócio. Os restantes, apoderando-se dos servos, maltrataram-nos e mataram-nos. O rei ficou irado e enviou as suas tropas, que exterminaram aqueles assassinos e incendiaram a sua cidade. Disse, depois, aos servos: ‘O banquete das núpcias está pronto, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, às saídas dos caminhos e convidai para as bodas todos quantos encontrardes.’ Os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos aqueles que encontraram, maus e bons, e a sala do banquete encheu-se de convidados.


Quando o rei entrou para ver os convidados, viu um homem que não trazia o traje nupcial. E disse-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’ Mas ele emudeceu. O rei disse, então, aos servos: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.’ Porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos.»

 

Mensagem

 

Segundo parece, a parábola do banquete foi muito popular entre as primeiras gerações cristãs e está também recolhida em Lucas e Mateus. Ela diz que Deus está a preparar uma festa final para os seus filhos, pois quer vê-los todos sentados junto dele, à volta da mesma mesa, desfrutando para sempre uma vida plena. Esta foi certamente uma das imagens mais queridas de Jesus para «sugerir» o final último da história humana. Não se contentava só com o dizê-lo com palavras. Sentava-se à mesa com todos, e comia até com pescadores e inconvenientes, pois queria que todos pudessem ver plasticamente algo do que Deus desejava levar a cabo. Por isso, Jesus entendeu a sua vida como um grande convite em nome de Deus. Não impunha nada, não pressionava ninguém. Anunciava a Boa Nova de Deus, despertava a confiança no Pai, removia medos, acendia a alegria e o desejo de Deus. A todos devia chegar o seu convite, sobretudo aos mais necessitados de esperança.


Jesus era realista. Sabia que o convite podia ser rejeitado. Na versão de Mateus, descrevem-se diversas reacções. Uns rejeitam-no de maneira consciente: «não quiseram comparecer». Outros respondem com indiferença: «sem se importarem, foram um para o seu campo, outro para o seu negócio». São mais importantes as suas terras e negócios. Houve quem reagisse de forma hostil para com os criados.


Na parábola de Mateus, quando os que têm terras e negócios rejeitam o convite, o rei diz aos seus criados: «O banquete das núpcias está pronto, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois às saídas dos caminhos e convidai para as bodas todos quantos encontrardes». A ordem é inaudita, mas reflecte o que Jesus pensa. Apesar de tanta rejeição e desprezo, haverá festa. Deus não mudou. Tem que se continuar a convidar. Mas agora o melhor é ir «às saídas dos caminhos» por onde passam tantas gentes errantes, sem terras nem negócios, e a quem nunca ninguém convidou para uma festa. Eles podem entender, melhor do que ninguém, o convite. Eles podem recordar-nos a necessidade última que temos de Deus. Podem ensinar-nos a esperança.

 
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