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Novo Governo Geral da Ordem

 

Fernando Millán Romeral, O.Carm., Prior Geral

Christian Körner, O.Carm., Vice-Geral

Michael Farrugia, O.Carm., Procurador Geral

Carl Markelz, O.Carm., Ecónomo Geral

Conrad Mutizamhepo, O.Carm., Conselheiro para a África

Raúl Maraví Cabrera, O.Carm., Conselheiro para a América

Benny Phang Kong Wing, O.Carm., Conselheiro para a Ásia, Austrália e Oceania

John Keating, O.Carm., Conselheiro para a Europa

 
Carta do Papa Francisco aos Carmelitas, por ocasião do Capítulo Geral 2013 PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

CARTA DO PAPA FRANCISCO AOS CARMELITAS

POR OCASIÃO DO CAPÍTULO GERAL 2013

 

Ao Reverendíssimo Padre
Fernando Millán Romeral
Prior Geral da Ordem dos Irmãos da
Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo

Dirijo-me a vós, queridos Irmãos da Ordem da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, que celebrais neste mês de Setembro o Capítulo Geral. Num momento de graça e renovação, que vos chama a discernir a missão da gloriosa Ordem Carmelita, desejo dirigir-vos uma palavra de encorajamento e de esperança. O antigo carisma do Carmelo foi durante oito séculos um dom para toda a Igreja, e continua ainda hoje a oferecer o seu particular contributo para a edificação do Corpo de Cristo e para mostrar ao mundo o seu rosto luminoso e santo. As vossas origens contemplativas brotam da terra da epifania do amor eterno de Deus em Jesus Cristo, Verbo feito carne. Enquanto reflectis sobre a vossa missão como Carmelitas hoje, sugiro-vos que considereis três elementos que podem guiar-vos na realização plena da vossa vocação que é a subida do monte da perfeição: o obséquio de Cristo, a oração e a missão.

Obséquio

A Igreja tem a missão de levar Cristo ao mundo, e para isto, como Mãe e Mestra, convida a cada um a aproximar-se d'Ele.

Na liturgia carmelita da Festa da Virgem do Monte Carmelo contemplamos a Virgem que está “junto à cruz de Cristo”. Esse é também o lugar da Igreja: aproximar-nos de Cristo. E é também o  lugar de cada filho fiel da Ordem Carmelita. A vossa Regra começa com a exortação aos Irmãos a “viver uma vida de obséquio de Jesus Cristo” para o seguir e servir com um coração puro e indiviso. A íntima relação com Cristo realiza-se na solidão, na assembleia fraterna e na missão. “A opção fundamental de uma vida concreta e radicalmente dedicada ao seguimento de Cristo” (Ratio Institutionis Vitae Carmelitae, 8) faz da vossa existência uma peregrinação de transformação no amor. O Concílio Ecuménico Vaticano II recorda o lugar da contemplação no caminho da vida. A Igreja tem “de facto a característica de ser, ao mesmo tempo, humana e divina, visível e dotada de elementos invisíveis, entregue à acção e dada à contemplação, presente no mundo, e contudo, peregrina (Sacrosanctum Concilium, 2). Os antigos eremitas do Monte Carmelo conservaram a memória daquele lugar santo e mesmo exilados e afastados mantinham o olhar e o coração constantemente fixos na glória de Deus. Reflectindo acerca das vossas origens e da vossa história e contemplando a imensa linhagem de quantos viveram através dos séculos o carisma carmelita, descobrireis assim a vossa vocação actual de ser profetas de esperança. E é precisamente nesta esperança que sereis regenerados. Frequentemente o que aparece como novo é algo de muito antigo iluminado por uma nova luz.

Na vossa Regra encontra-se o coração da missão carmelita de então e também de hoje. Enquanto vos preparais para celebrar o oitavo centenário de Alberto, patriarca de Jerusalém em 1214, recordareis que ele formulou um “caminho de vida”, um espaço que vos torna capazes de viver uma espiritualidade totalmente orientada para Cristo. Ele delineou os elementos exteriores e interiores, uma ecologia física do espaço e a armadura espiritual necessária para responder adequadamente à vocação e realizar eficazmente a própria missão.

Num mundo que permanentemente desconhece Cristo e, de facto, o rejeita, sois convidados a aproximar-vos e aderir cada vez mais profundamente a Ele. É um contínuo chamamento a seguir Cristo e a conformar-se com Ele. Isto é de vital importância no nosso mundo tão desorientado, “porque quando se apaga a sua chama, também as outras luzes acabam por perder o seu vigor” (Lumen Fidei, 4). Cristo está presente na vossa fraternidade, na liturgia comunitária e no ministério que vos foi confiado: renovai o obséquio de toda a vossa vida.

Oração

O Santo Padre Bento XVI, antes do vosso Capítulo Geral de 2007, lembrou-vos que “a peregrinação interior da fé para Deus inicia-se com a oração”; e em Castel Gandolfo, em Agosto de 2010, disse-vos: “vós sois aqueles que nos ensinam a orar”. Vós vos definis como contemplativos no meio do povo. Com efeito, se é verdade que sois chamados a viver nas alturas do Carmelo, é também verdade que sois chamados a dar testemunho no meio do povo. A oração é o “caminho real” que nos abre para a profundidade do mistério do Deus Uno e Trino, mas é também o caminho estreito para Deus no meio do povo, peregrino no mundo em direcção à Terra Prometida.

Um dos caminhos mais belos para entrar na oração passa através da Palavra de Deus. A lectio divina conduz ao diálogo directo com o Senhor e mostra os tesouros da sabedoria. A íntima amizade com Ele que nos ama torna-nos capazes de ver com os olhos de Deus, de falar com a sua palavra no coração, de conservar a beleza desta experiência e de compartilhá-la com aqueles que têm fome de eternidade.

O retorno à simplicidade de uma vida centrada no Evangelho é o desafio para a renovação da Igreja, comunidade de fé que sempre encontra novos caminhos para evangelizar o mundo em contínua transformação. Os santos carmelitas foram grandes pregadores e mestres da oração. Isto é o que ainda hoje é pedido ao Carmelo do século XXI. Ao longo da vossa história, os grandes carmelitas foram um forte chamamento à raiz da contemplação, raiz fecunda sempre da oração. Aqui está o coração do vosso testemunho: a dimensão do “contemplativo” da Ordem, para viver, cultivar e transmitir. Desejo que cada um se pergunte a si mesmo: como é a minha vida de contemplação? Quanto tempo dedico diariamente à oração e contemplação? Um carmelita sem esta vida contemplativa é um corpo morto! Hoje, ainda mais do que no passado, é fácil deixar-se distrair pelas preocupações e pelos problemas deste mundo e deixar-se fascinar pelos seus falsos ídolos. O nosso mundo está fracturado de muitas maneiras; o contemplativo, pelo contrário, volta à unidade e constituiu um forte chamamento à unidade. Agora mais do que nunca é o momento de descobrir o caminho interior do amor e dar às pessoas de hoje no testemunho da contemplação, na pregação e na missão não coisas inúteis, mas aquela sabedoria que emerge do “meditar dia e noite na lei do Senhor”, Palavra que sempre conduz junto à Cruz gloriosa de Cristo. Unida à contemplação, a  austeridade de vida não é um aspecto secundário da vossa vida e do vosso testemunho. É uma tentação muito forte, também para vós, cair na mundanidade espiritual. O espírito do mundo é inimigo da vida de oração: nunca se deve esquecer isto! Exorto-vos a que tenhais uma vida mais austera, segundo a vossa mais antiga tradição, uma vida afastada de toda a mundanidade, longe dos critérios do mundo.

Missão

Queridos Irmãos Carmelitas, a vossa missão é a mesma de Jesus. Toda a planificação, todo o confronto seria pouco útil, se o Capítulo não realizasse um caminho de verdadeira renovação. A Família Carmelita conheceu uma maravilhosa “Primavera” em todo o mundo, como fruto, concedido por Deus, do esforço missionário do passado. Toda a missão apresenta por vezes árduos desafios, porque a mensagem evangélica nem sempre é bem acolhida e inclusivamente acontece ser rejeitada violentamente. Nunca nos devemos esquecer que somos lançados para águas turbulentas e desconhecidas, mas Aquele que nos chama à missão dá-nos também a coragem e a força para a realizar. Por isso, celebrais o Capítulo animados pela esperança que jamais morre, com um forte espírito de generosidade na recuperação da vida contemplativa, simplicidade e austeridade evangélica.

Dirigindo-me aos peregrinos na Praça de São Pedro tive ocasião de afirmar: “Todo o cristão e toda a comunidade é missionária na medida em que leva e vive o Evangelho e testemunha o amor de Deus para com todos, especialmente para com aqueles que se encontram em dificuldade. Sede missionários do amor e da ternura de Deus! Sede missionários da misericórdia de Deus, que sempre nos perdoa e tanto nos ama!” (Homilia, 5 de Maio de 2013). O testemunho do Carmelo no passado pertence à profunda tradição espiritual crescida numa das grandes escolas de oração. Esta suscitou a coragem de homens e mulheres que enfrentaram o perigo e inclusivamente a morte. Recordemos somente dois grandes mártires contemporâneos: Santa Teresa Benedita da Cruz e o Beato Tito Brandsma. Pergunto-me então: hoje, entre vós, vive-se com a força e com a coragem destes santos?

Queridos Irmãos do Carmelo, o testemunho do vosso amor e da vossa esperança, radicado na profunda amizade com o Deus vivo, pode chegar como uma “brisa suave”, que renova e revigora a vossa missão eclesial no mundo de hoje. A isto sois chamados. O Rito da Profissão coloca nos vossos lábios estas palavras: “Com esta profissão uno-me à Família Carmelita para viver ao serviço de Deus na Igreja e aspirar à caridade perfeita com a graça do Espírito Santo e a ajuda da Bem-Aventurada Virgem Maria” (Rito da Profissão na Ordem do Carmo).

A Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe e Rainha do Carmelo, acompanhe os vossos passos e torne fecundo em frutos o caminho diário para o Monte de Deus. Invoco sobre toda a Família Carmelita, e em particular sobre os Padres Capitulares, abundantes dons do Espírito Divino, e a todos concedo do coração a implorada Bênção Apostólica.

Vaticano, 22 de Agosto de 2013
 
Mensagem do Comissário-Geral para a Solenidade de Nossa Senhora do Carmo PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

MENSAGEM DO COMISSÁRIO-GERAL

PARA A SOLENIDADE DE NOSSA SENHORA DO CARMO

 

Caríssimos irmãos e irmãs no Carmelo,

Nesta quadra festiva em que celebramos solenemente Nossa Senhora do Carmo, endereço-vos a todos uma saudação fraterna e amiga, pedindo a Deus que, por intercessão da Sua Mãe Santíssima, derrame sobre nós a sua bênção e a sua graça!

Nestes dias, em muitas terras de Portugal e do mundo, Nossa Senhora do Carmo é honrada com especial solenidade! A espiritualidade carmelita, marcadamente mariana, vê na Mãe de Deus, o modelo do discípulo de Jesus que, na Fé e na entrega total de si, faz a vontade de Deus em todos os momentos da sua vida. Ela é a mulher fiel que se deixa guiar pela Palavra de Deus.

Estamos a viver o Ano da Fé. Qualquer que seja o nosso estado de vida, todos nós que pertencemos à Família Carmelita, somos convidados a renovar o compromisso de viver em “obséquio de Jesus”! Procuremos, mais com gestos e com atitudes do que só com palavras, mostrar a Fé que nos move, a Esperança que nos anima e a Caridade que nos transforma e transforma a realidade.

Neste ano de 2013, num contexto de crise humana, social e financeira, olhemos para Maria e, tal como ela, não deixemos que as dificuldades nos façam desanimar! Cada Carmelita é sinal dum mundo renovado, fundado no amor de Deus derramado em nossos corações. As nossas comunidades devem dar frutos de boas obras, em especial, obras a favor da união, da solidariedade e da partilha.

A espiritualidade carmelita é fecunda. Faz a pessoas crescerem na união com Deus e com os irmãos. Nesse sentido, deixo algumas perguntas para reflexão: Será que as nossas comunidades são espaços de espiritualidade aonde as pessoas fazem, na Fé, a experiência do encontro com Jesus Cristo morto e ressuscitado? De que é que nos precisamos de purificar para mostrarmos o verdadeiro rosto de Jesus Cristo? A vida das nossas comunidades (celebrações, regra, orações, devoções, novenas, tríduos, reuniões etc.) faz-nos crescer na Fé, Esperança e Caridade? O hábito que trazemos e o escapulário que recebemos fazem-nos ter consciência de que somos testemunhas vivas do Evangelho de Jesus?

Neste sentido e na recente Carta Encíclica Lumen Fidei, o Papa Francisco ensina que: “Devido precisamente à sua ligação com o amor (cf. Gl 5, 6), a luz da fé coloca-se ao servi­ço concreto da justiça, do direito e da paz. A fé nasce do encontro com o amor gerador de Deus que mostra o sentido e a bondade da nossa vida; esta é iluminada na medida em que entra no di­namismo aberto por este amor, isto é, enquanto se torna caminho e exercício para a plenitude do amor… A fé não afasta do mundo, nem é alheia ao esforço concreto dos nossos contemporâneos” (n.51).

Em Setembro do corrente ano, a Ordem do Carmo estará reunida em Capítulo Geral. O tema é “Uma palavra de esperança e de salvação”(Const. 24): viver o carisma e a missão do Carmelo; hoje”. O Carmelita é alguém que traz esperança e sentido à realidade. Peço a todos que rezem pelo bom sucesso deste Capítulo.

Ao celebrar a solenidade de Nossa Senhora do Carmo, enchamo-nos de Esperança e Alegria. Que a Flor do Carmelo nos acompanhe e faça brotar na Igreja, em especial nos Carmelitas, a beleza do Amor e do Bem que nasce no coração daqueles e daquelas que se entregam totalmente à vontade de Deus, a exemplo de Maria!

 Fátima, 10 de Julho de 2013

 Pe Fr. Agostinho Castro, O Carm.
(Comissário-Geral)
 
Festa de Nossa Senhora do Carmo - Carta do Prior Geral PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

CARTA DO PRIOR GERAL

PARA A FESTA DE MARIA MÃE DO CARMELO

Queridos irmãos e irmãs da Família Carmelita,

Aproxima-se a festa de Maria Mãe do Carmelo, nossa Mãe e, como todos os anos, dispomo-nos a  viver com alegria esta celebração tão importante para a nossa Família Carmelita, espalhada por todo o mundo. Em muitos lugares, através de manifestações de fé muito diversas, honraremos aquela que consideramos como “Mãe e Decoro do Carmelo”. Procissões, novenas, imposição do escapulário, actos cultuais, felicitações, etc., percorrerão toda a geografia do Carmelo universal. Em muitos países, como Espanha, minha terra natal, o culto à Virgem do Carmo está relacionado com o mundo marítimo (pescadores, marinheiros) e a sua imagem sulcará as águas, como sinal de esperança e de protecção nos mares da vida (muitas vezes muito mais tempestuosos e perigosos).

Também eu desejo unir-me a este ambiente de festa e felicitar-vos com os meus melhores votos: que estas celebrações nos façam sentir o nosso amor filial por Maria nossa Mãe, que invocamos sob o título tão terno e popular de Mãe do Carmelo. Que Ela nos acompanhe e nos ilumine no nosso caminhar como Ordem e como Família Carmelita.

Este ano, atrevo-me a convidar-vos a que reflictais sobre uma das imagens mais populares com que é representa Nossa Senhora do Carmo: a Virgem que, do céu (directamente ou através de alguns anjos), resgata as almas do purgatório, que costumam aparecer rodeadas de chamas e com olhares suplicantes. Sem entrar agora em questões teológicas nem no imaginário barroco,com todos os seus limites, desejaria pôr em evidência o facto de que o povo fiel vê, nesta imagem, a protecção maternal de Maria e, mais ainda, sente que a verdadeira devoção à Virgem conduz a uma vida de fé e de graça.

Neste tempo de profunda crise económica, de violência que não pára, de desigualdades flagrantes... creio que também nós, devotos da Virgem do Carmelo, estamos chamados a libertar todos os que sofrem nos diversos “purgatórios” do nosso tempo (fome, desemprego, guerra, terrorismo, droga,  depressão e solidão, falta de educação, maus tratos e abusos...). A devoção à nossa Mãe Santíssima torna-nos mais sensíveis às necessidades dos nossos irmãos e das nossa irmãs mais pequenos, dos mais esquecidos e torna-nos mais afectuosos e compreensíveis, mais solidários. A compaixão é talvez a melhor prova da autenticidade da nossa devoção mariana, que não pode limitar-se, como já realçava o Concílio Vaticano II (cujo início estamos a celebrar o 50º aniversário), nem a um sentimentalismo estéril e passageiro, nem a uma vã credulidade (LG, 67).

Convido-vos para que as celebrações prestadas em honra de Nossa Senhora do Carmo sejam uma ocasião para uma válida e séria evangelização e não somente para manter de pé tradições e práticas do passado. Celebremos as nossas novenas e a imposição do escapulário com convicção, com amor, com atenção e cuidado pastoral, com gosto litúrgico e com sentido catequético, de maneira que se torne realidade o que dizia D. Romero na sua famosa homilia de 16 de Julho de 1978: “O nosso povo sente que Maria, sob este título do Carmo, é a grande missionária do povo”.

Feliz festa do Carmo! Que Maria, nossa Mãe e Irmã, sempre nos acompanhe. Com afecto fraterno

 Fernando Millán Romeral, O. Carm.
Prior Geral
 
Mensagem dos Conselhos Geais O. Carm. - OCD a toda a família carmelita PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

MENSAGEM DOS CONSELHOS GERAIS O. CARM/OCD A TODA A FAMÍLIA CARMELITA

No Ano da Fé, nós, membros dos dois Conselhos Gerais, O. Carm. e OCD, peregrinamos até Aylesford (Inglaterra), um lugar muito significativo para toda a Família do Carmelo. Desde aqui, escrevemo-vos esta carta-mensagem na festa de São Simão Stock, a partir do antigo convento carmelita, fundado em 1242 por alguns peregrinos-eremitas do Monte Carmelo. O seu regresso da Terra Santa para a Europa, a sua passagem da vida eremítica para a vida mendicante, a sua experiência de Deus, e sobretudo a sua humilde e fraterna confiança na Virgem num tempo de crise cultural foram para nós manancial de inspiração para repensar a nossa missão nos tempos actuais -  tema a que dedicamos grande parte dos nossos trabalhos, orientados pelo Pe. Benito De Marchi, missionário comboniano.

Em Aylesford fomos hóspedes da comunidade local dos irmãos O. Carm., aos quais estamos sinceramente agradecidos pelo seu caloroso e atento acolhimento. Foi um tempo de oração, de fraternidade e de reflexão, durante o qual vivemos também duas significativas experiências ecuménicas. Em primeiro lugar, celebramos as primeiras vésperas do Domingo com os irmãos anglicanos na antiga catedral de Rochester (que remonta ao ano 604) e depois tivemos um encontro em Cambridge com o arcebispo-emérito de Canterbury, Dr. Rowan Williams, teólogo de renome e excelente conhecedor da espiritualidade dos santos do Carmelo. Estes dois encontros de oração e de reflexão teológica ajudaram-nos a entender melhor que a missão no dia de hoje deve ser desenvolvida em estreita colaboração com as demais confissões cristãs, numa atitude de abertura ecuménica.

Deste nosso peregrinar às fontes do Carmelo na Europa surgiu a humilde convicção de que este tempo, caracterizado pela globalização, o movimento em todas as direcções, a irrupção do “outro”, a afirmação do “indivíduo” e o esquecimento de Deus, pede-nos um novo espírito missionário. Ou seja, é necessário um coração cada vez mais evangélico e menos seguro de si. O que queremos compartilhar não são as visões do mundo e as atitudes do homem velho, mas a humanidade que nos foi dada por Deus Pai através do seu Filho morto e ressuscitado e constantemente moldada pelo Espírito Santo. Na muita apreciada intervenção no último Sínodo dos Bispos em Outubro de 2012, Rowan Williams quando se referiu a Santa Edith Stein, chamou a esta humanidade nova “a humanidade contemplativa”. Retomando esta feliz expressão, de sabor tão tipicamente carmelitano, nós descrevemo-la, nas nossas reflexões, como uma humanidade que se esquece de si, silenciosa, livre da procura afanosa de satisfações pessoais e do pretexto de fazer felizes os outros impondo-lhes as próprias concepções e os próprios projectos. Tal humanidade, orientada para Deus, é capaz de ver todos os homens, especialmente os pobres, os marginalizados e os sofredores, com um olhar cheio de compaixão. É uma humanidade acolhedora, disposta a iniciar uma incessante peregrinação para encontrar, junto de todos os homens e mulheres do nosso tempo, o caminho que nos introduza no coração da vida trinitária.

É impossível para nós imaginar esta nova humanidade sem “libertar o carisma para um tempo novo” (Pe. Benito De Marchi), quer dizer, libertar todo o potencial contemplativo e missionário de toda a superficialidade, soberba e egoísmo, que nos impedem de ver o amor trinitário e nos fecham num círculo auto-referencial. Desde um ponto de vista positivo, libertar o carisma quer dizer experimentar de maneira viva as relações trinitárias na vida fraterna e comunitária; quer dizer reencontrar a alegria evangélica e apreciar o sabor da unidade e da simplicidade existente entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, para testemunhar em qualquer lugar, em cada momento e em cada  situação a que somos enviados.

Em tudo isto acompanha-nos Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe. Para nós, carmelitas, Ela é o modelo humano mais sublime da escuta da Palavra e da contemplação do Deus vivo. Ela, contemplativa por excelência, aproxima-se de cada um de nós e torna-se peregrina do Deus vivo. Abraça-nos com o seu amor materno e fraterno e acende nos nossos corações a chama da Caridade. Pobre e humilde, com o simples sinal do Escapulário protege esta chama nos nossos frágeis corpos humanos e transforma-a numa grande paixão evangelizadora e missionária. A sua discreta mas eloquente presença na nossa vida faz com que todos os que vestem o Escapulário sejam chamados a empenharem-se no mesmo amor para com o próximo. Neste sentido e com toda a justiça a Virgem do Carmelo foi chamada “Missionária do povo” (Óscar Romero).

Queridos irmãos e irmãs, saímos de Aylesford com uma renovada consciência do dom da nossa vocação e da missão que esse dom leva consigo. O Senhor Ressuscitado convida-nos a não ter medo das dificuldades, a não desanimar perante as inevitáveis provações e possíveis fracassos. Existe em todos nós, pequenos e pobres, uma força maior, que venceu o mundo. É a força do amor com a qual o Pai nos ama, é a força da sua Palavra e do seu Espírito que nos impulsiona a ir pelo mundo fora, para nos abrirmos a todos os que o Senhor quiser colocar no nosso caminho. Muitos homens e mulheres esperam por nós, esperam que a Família do Carmelo manifeste a ternura do nosso Deus. Que o Senhor nos ajude a não frustrar a sua esperança.

 Festa de São Simão Stock
16 de Maio de 2013

 Governos Gerais da Ordem do Carmo e da Ordem dos Carmelitas Descalços

 
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