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Novena de Nossa Senhora do Carmo
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Novena a Nossa Senhora do Carmo

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A família dos Carmelitas está a viver uma jornada de preparação para a Solenidade da Sua Mãe e Padroeira, Nossa Senhora do Carmo. Apresentamos esta proposta de novena para viver a par e passo cada dia que antecede esta solenidade que será a 16 de Julho.

Dia 7: Maria, em tudo igual a nós 

Maria foi, por privilégio, preservada de todo o pecado, mas em tudo o mais, foi igual a nós, muito próxima de nós. Maria apaixonou-se por José e ambos sonharam juntos um futuro e ficaram noivos… O segredo de Maria em se manter confiante e serena, no meio de todas as exigências e dificuldades, foi descobrir e ter, desde sempre, Deus como o Único da Sua vida. Maria convida-nos a colocá-Lo no centro, a não desviar d’Ele o olhar… Deixarmo-nos amar por Ele, entregarmo-nos a Ele. Que o nosso coração se conserve confiante, sereno e em paz, mesmo no meio das provas, exigências e dificuldades da vida, sempre na procura da presença do Senhor. 

Os Carmelitas tomaram Maria como Mãe (que guia, protege, sustenta) e como Irmã (como Aquela que partilha toda a realidade da nossa vida, tal como se nos apresenta em cada momento, pois em tudo é semelhante a nós). Em cada momento do nosso dia-a-dia, Ela nos acompanha, caminha connosco e nunca nos abandona. 

Fica connosco, Mãe terna e carinhosa, Senhora do Carmo, e vela por nós, sê nossa companheira nos caminhos da nossa vida e ajuda-nos a descobrir em cada acontecimento a presença do teu Filho Jesus! 

Ave Maria...

Dia 8: Maria escolhida e preparada, desde sempre, pelo Amor, para uma missão 

Desde sempre os Carmelitas olharam para Maria como um jardim cheio da Beleza de Deus, a Beleza do Monte Carmelo. Deus Pai, ao escolher Maria para Mãe do Seu Verbo, fez d’Ela um jardim cerrado, um lugar onde só podia entrar o seu Senhor, o Esposo para se dar à Sua esposa. Deus, ao olhar Maria enamorou-Se da sua Beleza, da Beleza de que Ele A havia revestido, deixou-Se cativar por Ela, pela sua pequenez e humildade, olhou-a ternamente e veio ao seu encontro. Deus-Trindade, no dia da Anunciação, entra delicadamente na intimidade e no silêncio de Maria, como Senhor absoluto, no seu jardim, e expõe-lhe o Seu projecto de amor, diferente do plano de Maria. Em total disponibilidade, Ela dá o seu sim. Só acolhendo incondicionalmente os planos de Deus, seremos verdadeiramente felizes. Deus, ao encarnar em Maria, derrama n’Ela todo o Seu amor. Maria torna-Se assim, “o lugar mais profundo da relação com Deus”. José é o primeiro a acolher este mistério de amor infinito e ensina-nos, com o seu exemplo, a fazermos o mesmo: a acolhermos Maria em nossa casa, na nossa vida simples de cada dia, como ele fez, para que no nosso quotidiano, nasça Jesus. 

Maria, nossa Mãe, Beleza e esplendor do Carmelo, entra na nossa vida com o Senhor a Quem Tu tanto amaste, ensina-nos sempre a dizer “sim”, para que a nossa vida se torne toda bela como a Tua! 

Ave Maria...

Dia 9: Maria, escolhida por Deus, reconhece-se profundamente amada por Ele 

Maria, depois da Anunciação fica cheia de Deus e ao precatar-se de dom tão grande acontecido n’Ela não o pode guardar para Si. O seu coração transborda de alegria, porque está todo centrado em Deus e, por isso, pode voltar-se inteiramente para fora de si própria, em direcção aos outros. Maria cheia da graça de Deus, inundada da Sua Presença, com o Menino em Seu seio, põe-se a caminho, apressadamente, para comunicar a Sua alegria e praticar a caridade. Chega a casa de Isabel e dá tudo o que tem: a Sua alegria, porque está repleta de Deus, dá o Espírito Santo, porque n’Ela totalmente Se tinha derramado no momento da Anunciação e canta o seu cântico de louvor, o Magnificat. Também nós, depois de comungarmos, levamos Jesus em nós como Maria O levou a Isabel, tornamo-nos portadores de Cristo. Cantemos com Maria e como Maria: com toda a nossa vida! 

Mãe do Senhor e Mãe do Carmelo, Senhora do Magnificat, dá-nos pela graça do Espírito Santo, um coração agradecido, um coração que ama, um coração pobre e humilde, cheio da Presença de Jesus, para, como Tu, irmos “apressadamente” ao encontro dos Irmãos, a todos quantos esperam as obras do nosso amor! 

Ave Maria...

Dia 10: Maria sempre disponível para obedecer à vontade de Deus nos acontecimentos da vida 

Maria, em cada momento da sua vida, deixa-Se conduzir por Deus. Muitas vezes vemo-La itinerante, numa vida de instabilidade, mas sempre dócil e totalmente confiante, obediente e disponível à voz de Deus. Está sempre pronta a acolher o momento presente como ele se apresenta, sem manifestar preferências ou queixas. Tem Deus sempre com Ela. Que mais pode desejar o Seu coração? Maria sabe que o Senhor é o Eterno Presente e, por isso, está toda presente a Ele! Depois da Encarnação de Jesus e, porque Ele viveu e assumiu integralmente a nossa condição humana, todos os âmbitos da nossa vida, ficaram impregnados para sempre da Sua presença. Então, em cada acontecimento, seja que aspecto e forma tiver, o Senhor está lá, e Maria acompanha-nos, porque Maria é inseparável do Seu Filho. Sempre que dissermos sim, incondicionalmente, a cada acontecimento da nossa vida, Maria faz-Se presente, porque onde se diz “sim” a Deus, ai está Maria toda presente. 

Maria, nossa Mãe, sempre itinerante pelos caminhos da vontade de Deus, alcança-nos a graça de em todos os acontecimentos da nossa vida, reconhecermos a voz do Senhor e encaminha-nos sempre com a Tua mão carinhosa até ao Céu. 

Ave Maria...

Dia 11: Maria na sua missão de mãe de família, na sua casa de Nazaré 

Contemplamos Maria como mãe de família, na sua casa em Nazaré, na vida simples de todos os dias, na intimidade do Seu lar de amor, onde vive com Jesus e José. Ela é a educadora de Jesus, juntamente com José; esta é a missão que o Senhor lhes confia. A Família de Jesus, Maria e José é, na delicadeza das relações entre as pessoas, o espelho da Trindade encarnada sobre a terra. Nesta Família, cada uma das pessoas que a compõem só procura uma coisa: cumprir a vontade de Deus. O mesmo devemos fazer na nossa Comunidade. Em Nazaré não havia inquietações inúteis. Sabiam que Deus velava por eles, esperavam tudo de Deus, por isso eram silenciosos. Maria convida-nos a viver desta certeza que o Senhor cuida de nós a cada instante. 

Mãe carinhosa e cheia de ternura, ensina-nos a Tua contemplação de Deus, infunde em nós aquelas virtudes de que sempre esteve adornado o Teu lar de Nazaré, para que, onde quer que nos encontremos, reproduzamos sobre a terra a beleza das relações que se viviam na Tua casa de Nazaré: o céu de Deus reflectido sobre a terra. 

Ave Maria...

Dia 12: Maria medita todos os acontecimentos da Sua vida, no silêncio do Seu Coração 

Maria é a mulher da vida interior, virgem silenciosa e fiel. É da contemplação de Jesus, e dos acontecimentos da vida do Seu Menino, que nasce em Maria a necessidade de entrar no Seu Coração, nesse lugar de silêncio e adoração, e aí conservar todas estas coisas. Também nós, quando não compreendemos o agir de Deus na nossa vida, precisamos de nos recolher em silêncio, no nosso coração. Aí devemos esperar a luz do Espírito Santo que nos há-de iluminar e esclarecer, reconhecendo que tudo vem da vontade de Deus. “Meditar dia e noite na Lei do Senhor” é viver, como Maria, com os olhos postos em Cristo, reconhecendo-O presente em tudo. Maria chama-nos também a entrarmos no nosso coração, onde se reza a Deus, se recebe a Sua luz e se aprende a Sua vontade, e a comunhão íntima com Deus e com os irmãos. O Carmelo é Casa de Comunhão para todos nós seus filhos, porque o Carmelo é o Coração imenso da nossa Mãe sempre aberto para nos acolher! 

Virgem Maria, Senhora do silêncio, ensina-nos a descobrir Jesus no meio dos acontecimentos da nossa vida, para nos unirmos mais intimamente a Ele, compreendendo o Seu agir e a Sua vontade, e assim O irradiarmos para os outros, nos nossos gestos de fraternidade, de amor, ternura e comunhão. 

Ave Maria...

Dia 13: Maria aprende a ser discípula de Jesus e torna-Se, junto à Cruz, Mãe fecunda da Igreja 

Maria foi aprendendo, na interioridade do Seu Coração, onde ponderava e conservava todas as coisas, de como Jesus A foi convidando a passar de mãe a discípula, e este caminho não foi fácil para Ela. Maria ao pronunciar o seu Fiat, faz a Deus uma entrega sem limites, para tudo o que Ele quiser realizar n’Ela. Abandona-Se totalmente, sem reservas. Vai compreendendo que deve deixar Jesus seguir o Seu destino, que não O voltará a ter, senão tornando-Se discípula. O próprio Jesus foi a cruz quotidiana de Sua Mãe. Chamou-A a renunciar ao seu vínculo maternal para O seguir como discípula. Ele próprio renunciava, quotidianamente, à Sua mãe. Será junto à cruz que Maria perde Jesus, Se torna discípula e recebe, já não apenas o Seu Filho único, mas uma multidão de filhos. 

Maria, dá-nos um coração generoso para dizer sempre “sim”, um coração simples, humilde, paciente, purificado, abandonado a Deus como o Teu, para que o Amor de Deus Se possa manifestar livremente em nós, na nossa vida e nos outros, e assim sermos verdadeiros discípulos de Jesus, fecundos em obras de amor para toda a Igreja. 

Ave Maria...

Dia 14: Maria viveu todos os momentos da Sua vida em fé 

Toda a vida de Maria foi uma peregrinação na fé. É proclamada feliz por Isabel, porque acreditou, mas como esta bem-aventurança de Maria foi provada ao longo da sua vida!... Na Anunciação, Maria abre-se a Deus e à Sua proposta de amor e aqui inicia a Sua caminhada de fé! Maria e José vão sendo introduzidos, durante os anos da vida escondida em Nazaré, neste contacto com um Jesus tão humano e tão igual a nós, na prova da noite da fé. Mais tarde, já na vida pública, Maria sofrerá ao ver que Jesus e o Seu ensino não são bem aceites…Vai vendo como tudo isto O encaminha para a Cruz… Mas foi junto à Cruz que Maria viveu a grande prova da fé. Todas as palavras recebidas na Anunciação aparecem desmentidas no Calvário… Ao ver Jesus morto, Maria padece a noite mais escura. Comunga o Seu aniquilamento . A provação da sua fé torna-A intimamente participante da morte de Jesus, por amor de todos. E assim se torna Mãe da Humanidade. A provação da fé de Maria, condu-La à plenitude do Amor do Pai, que gera uma multidão de filhos e que Maria acolhe como Mãe! 

Virgem Maria, concede-nos acolher em fé cada um dos momentos da nossa vida, como meio para nos unirmos intimamente a Teu Filho Jesus, e a nossa vida se tornar fecunda em amor, ajudando a gerar novos filhos para toda a Igreja. 

Ave Maria...

Dia 15: Maria vela no Céu por nós, Seus filhos, e espera-nos

Maria quer ensinar-nos que a fé nos conduz sempre ao Céu. Fomos criados para Deus, que é a nossa felicidade, e é a fé que nos abre as portas do Céu. Na fé da Igreja, acreditamos que Maria está no Céu em corpo e alma. Temos uma Mãe que vive no coração da Santíssima Trindade, na alegria de Jesus e de todos os Santos. Deus está próximo de todos nós; e Maria, unida a Deus, participa da presença de Deus, encontra-se extremamente próxima de nós. Pede-nos que abramos o nosso coração a Deus como Ela o abriu, que Lhe demos todo o espaço. O Senhor virá então, e com Ele virá também Maria, que vive intimamente unida a Ele. Acolhamos a Sua materna presença. Assim o Céu e a terra ficam para sempre unidos no coração do homem. Maria vive imersa nesta grande luz e neste amor, que é Deus. Por isso, com os olhos transfigurados, Maria pode velar por cada um de nós Seus filhos, dando-nos todas as graças que necessitamos. 

Virgem Maria, toda revestida de beleza e de luz, olha por cada um de nós, guia os nossos passos até Jesus, une-nos a Ele, e introduz-nos, quando chegar a tarde da nossa vida, na comunhão plena de amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo. 

Ave Maria...

Solenidade de Nossa Senhora do Carmo (16 de Julho) - Reflexão

Comemoramos hoje solenemente Nossa Senhora do Carmo, agradecendo a Deus os benefícios com que Ele, por sua intercessão, cumulou a Ordem a ela dedicada, com que nos cumulou a nós, filhos do seu amor.

Nascida no Monte Carmelo, nos finais do sec. XII e princípios do séc. XIII, a Ordem do Carmo logo desde o início tomou por modelo Elias, o insigne profeta do Antigo Testamento, que marcou este monte com a sua indelével presença. Foi aí que Elias mostrou ao povo que o Senhor era o único Deus, vivo e verdadeiro, que converte os corações e é capaz de os inflamar com o fogo do seu amor, de modo a infundir neles o mesmo zelo que abrasava Elias: «Ardo de zelo pelo Senhor, Deus dos Exércitos» (1 Rs  19,10.14).

Foi também no Monte Carmelo, nessa mesma ocasião, como ouvimos na primeira leitura, que, orando instantemente a Deus, junto ao cume, Elias alcançou para o seu povo, dizimado pela fome, provocada por uma seca que já durava à três anos, em razão da idolatria em que o povo caíra, a chuva restauradora, anunciada pelo surgimento no horizonte, «do lado do mar» de «uma nuvenzinha, tão pequena como a palma da mão». Assim o povo, abandonando a idolatria, para se converter ao Deus vivo, pôde renascer, graças a esta água vinda do alto, para uma nova vida e uma nova esperança. Esta nuvenzinha tornou-se, a partir daí, um símbolo da graça. Por isso os Padres da Igreja, seguidos pelo Carmelo, viram nesta nuvem uma imagem da Virgem Maria. Maria é a mulher nova, que surge do desígnio eterno de Deus no horizonte do mar da história, tão pequenina pela sua humildade, que atraiu o olhar de Deus, que a predestinara e escolhera, por isso mesmo, para ser Mãe do seu Filho, Jesus Cristo.

Foi por Cristo, graças ao «sim» de Maria, que, ao deserto deste mundo, contaminado pela idolatria e dizimado pela incredulidade, veio, para toda a humanidade, a chuva do alto, a plenitude da graça, pela qual esta pode renascer, «da água e do Espírito» (Jo 3,5), para a vida nova dos filhos de Deus.

Desta graça, Maria, «a cheia de graça», foi a primeira beneficiária, dela estando repleta desde o primeiro instante da sua imaculada Conceição. Graça à qual ela correspondeu ao longo de toda a sua vida com a sua fé incondicional, pronta obediência, ardente caridade, invencível esperança e inquebrável união a Deus.

Maria, que «encontrou graça diante de Deus» (Lc 1,36), agradou realmente a Deus. Para que também nós – todos e cada um de nós – pudéssemos participar da plenitude da graça que ela recebeu de seu Filho, renascendo como filhos e filhas de Deus. Como nos diz S. Paulo na segunda leitura: «Ao chegar a plenitude dos  tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, para resgatar os que estavam sujeitos à Lei e nos tornar seus filhos adotivos. E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: “Abbá! Pai!”. Assim, já não és escravo, mas filho. E, se és filho, também és herdeiro, por graça de Deus» (Gl 4,4-7).

Pois, «Deus amou de tal modo o mundo, que deu o seu Filho unigénito, para que todo o que crê nele não pereça, mas tenha a vida eterna» (Jo 3,16).

É a manifestação suprema deste amor que nós contemplamos na paixão de Jesus com Maria, sua e nossa Mãe. Diz João no Evangelho que acabámos de escutar: «estavam junto à cruz de Jesus, sua Mãe… e ao pé dela o discípulo que amava».

Maria está presente no acontecimento crucial da nossa redenção. Está ali como Mãe, para apoiar e confortar Jesus. Está como testemunha para entrar no coração do amor e desígnio salvífico de Deus, presenciando a sua mais alta e surpreendente revelação. Está como companheira, sendo associada à obra do seu Filho. Está como intercessora, cooperando com Ele na obra da redenção. Está como imagem e figura da Igreja, a nova Eva, que nasce do lado do redentor, o novo Adão, adormecido pelo sono profunda da morte no leito da cruz.

Maria aparece desta forma sempre associada ao Evangelho e à obra da sua difusão, a evangelização. Desde a anunciação até ao início da difusão do Evangelho em todo o mundo no dia de Pentecostes «Maria… está sempre no meio do povo… Ela é a Mãe da Igreja evangelizadora e, sem ela, não podemos compreender cabalmente o espírito da nova evangelização» (EG 284).

Voltemos, pois, para ela hoje o mesmo olhar de amor e de gratidão do coração de seu Filho, do alto da cruz. Jesus não veio ao mundo apenas para nos ensinar alguns preceitos; veio para nos comunicar uma vida nova: a sua vida, a vida divina, eterna. Essa mesma vida, que nos salva, e que Ele nos revelou até ao fim. Por isso Jesus, quando, suspenso da cruz, diz à Sua Mãe: «Mulher, eis o teu filho», e ao discípulo amado «Eis a tua Mãe», transmite-nos o que vive. Dirige-nos a sua Palavra, interpela-nos para nos comunicar a sua própria vida, nos tornar participantes da união mais íntima, familiar, fiel e amorosa que tem connosco depois da sua relação com o Pai: a relação com Maria, sua Mãe. Jesus estende a nós o mesmo amor que o une a Maria, sua Mãe, o mesmo amor que une Maria a Ele. Numa palavra: quer que façamos parte da sua nova família, nascida da cruz, que se deve estender a toda a humanidade. Nova família que será um só com Ele, família em que se prolongará o mistério da encarnação, a sua humanidade.

Por este motivo, Jesus interpela Maria com o nome nove que lhe atribuíra em Caná: «Mulher». «Mulher» fora o nome dado pelo primeiro homem à sua companheira antes do pecado (Gn 2,23; Jo 2,4). «Mulher» é o nome novo que Ele, novo Adão, sem pecado, dá à Imaculada, a nova Eva (“Eva” quer dizer “vida”) fruto do seu coração Redentor, a única que se deixou plasmar inteira­mente pelas mãos de Deus: «Faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1,38)

Maria está assim, por desígnio divino, junto à cruz, para a partir daí nos mostrar Jesus, nos conduzir a Jesus, no-lo entregar, no-lo dar a conhecer, nos ensinar a viver e a caminhar com Ele, nos mostrar como o seguir de forma concreta, encarnada, no nosso dia-a-dia. Como Mãe, que em cada um de nós vê ser gerado, formar-se e crescer o seu Filho Jesus. Maria sabe bem, que no princípio pouco ou nada sabemos ou podemos fazer… Que os primeiros passos serão poucos, vacilantes, acompanhados de muitas quedas… Que o percurso da vida cristã passará por tantas vicissitudes. Mas permanece fiel, atenta, vigilante, até ao fim.

Ao longo deste percurso, Maria irá cooperando na nossa formação. Até chegar o momento de testemunharmos o seu Filho Jesus Cristo. É a nós que ela hoje diz: «Eles não têm vinho», «Fazei tudo o que Ele vos disser» (Jo 2,3.5), Maria aponta-nos assim o núcleo central da nova evangelização: estar com Jesus, numa atitude crente e vigilante, juntos das pessoas e atentos às suas necessidades. Intercedendo por eles, para juntos, irmos a Jesus, caminho, verdade e vida da nossa existência, fazendo tudo o que Ele nos disser, como Maria nos diz e fez.

Por isso, depois de ter falado à Mãe, confiando-lhe a sua nova missão, Jesus logo acrescenta, dirigindo-se a cada um de nós: «Eis a tua Mãe». Na Última Ceia ele dissera: «Assim como o Pai me amou, também eu vos amei» (Jo 15,9). O Pai deu-nos aquele que Ele mais amava: Jesus, o seu Filho unigénito. Jesus dá-nos aquela que Ele mais ama: a sua Mãe. A cruz é a hora da revelação suprema deste amor. «E a partir daquela hora, o discípulo recebeu-a no que era seu», diz-nos João (Jo 19,27). A este propósito lembra-nos o Papa Francisco:

«Na cruz, quando Cristo suportava na sua carne o encontro dramático entre o pecado do mundo e a misericórdia divina, pôde ver a seus pés a presença consoladora da Mãe e do amigo. Naquele momento crucial, antes de declarar consumada a obra que o Pai lhe havia confiado, Jesus disse a Maria: “Mulher, eis o teu filho!” E, logo a seguir, disse ao amigo bem-amado: “Eis a tua mãe”. Estas palavras de Jesus, no limiar da morte, não exprimem primariamente uma terna preocupação pela sua Mãe; são, antes, uma fórmula de revelação que manifesta o mistério de uma missão salvífica especial. Jesus deixava-nos a sua Mãe como nossa Mãe. E só depois de fazer isto é que Jesus pôde sentir que “tudo se consumara” (Jo 19,30). Ao pé da cruz, na hora suprema da nova criação, Cristo conduz-nos a Maria. Conduz-nos a ela, porque não quer que caminhemos sem uma mãe. E, nesta imagem materna, o povo lê todos os mistérios do Evangelho. Não é do agrado do Senhor que falte à sua Igreja o ícone feminino. Ela, que o gerou com tanta fé, também acompanha “o resto da sua descendência, isto é, os que observam os mandamentos de Deus e guardam o testemunho de Jesus” (Ap 12,17)» (EG 285).

Maria, «a Estrela da primeira» evangelização, será deste modo, «a Estrela da nova evangelização», como queria o Papa São João Paulo II, que usava o Esca­pulário, acres­centando: «Trata-se de fazer vida a fé que professamos e cumprir os mandamentos de Deus, que têm no preceito do amor fraterno o centro e o cume da identidade cristã. É necessário anunciar incansavelmente Jesus Cristo para que a sua mensa­gem de salvação penetre nas consciência e na vida de todo, converta os corações e renove as estruturas da sociedade» (Cidade do México, 24.1.1999).

Uma missão que nos toca especialmente a nós, irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo. Vivendo «no mundo, no meio das realidades seculares, é aí que somos chamados por Deus a levar a cabo a missão da Igreja, sendo fermento cristão no seio das atividades temporais em que estamos envolvidos. S. Maria Madalena de’ Pazzi recorda-nos que não podemos saciar a nossa própria sede de contemplação de Cristo sem nos esforçarmos por apagar a sede do próprio Jesus, desejoso de almas que serão redimidas através da nossa oração e apostolado harmonicamente unidos entre si. Prontos a testemunhar a própria fé, pela prática das boas obras, recebemos a força de atrair os homens a Deus, tornando-nos assim «louvor da glória de Deus» (Ef 1,12; cf. ROTC 46-47).

Acrescenta o Papa Francisco: «A missão é uma paixão por Jesus e, simultaneamente, uma paixão pelo seu povo. Quando paramos diante de Jesus crucificado, reconhecemos todo o seu amor que nos dignifica e sustenta, mas nesse mesmo momento, se não formos cegos, começamos a perceber que este olhar de Jesus se alonga e dirige, cheio de afeto e ardor, a todo o seu povo. Assim descobrimos novamente que Ele quer servir-se de nós para chegar cada vez mais perto do seu povo amado» (EG 268).

Só assim cumpriremos a nossa missão, saciaremos todos os nossos desejos… sendo neste mundo e no coração da Igreja o amor. Tal como Elias, tal como Maria e S. Paulo. Tal como S. Teresinha do Menino Jesus nos incita a fazer.

Gratos pelo incomensurável amor do Senhor para connosco, pelas inumeráveis graças e incontáveis benefícios que dele recebemos pelas mãos e pela intercessão de Maria, Mãe e Esplendor do Carmelo, roguemos-lhe «que interceda por nós, a fim de que este convite para uma nova etapa da evangelização seja acolhido por toda a comunidade eclesial» e peçamos-lhe «que nos ajude a anunciar a todos a mensagem de salvação, para que os novos discípulos se tornem» também eles «evangelizadores comprometidos» (EG 287).

 
16 de Julho: Nossa Senhora do Carmo PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Nossa Senhora do Carmo

Os primeiros eremitas do Monte Carmelo, local da Terra Santa onde nasceu a Ordem do Carmo, construíram no meio das suas celas uma capela, centro das suas vidas, onde diariamente se reuniam para celebrar em conjunto a Eucaristia. Esta capela dedicaram-na à Bem-Aventurada Virgem Maria. Com este gesto, o primeiro grupo de Carmelitas escolheu-a como Patrona, comprometendo-se deste modo a estar ao seu serviço e a esperar dela confiadamente a sua protecção. Tinham orgulho em ser chamados de Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo e defenderam este título com toda a energia, quando viram ameaçado o direito de ter este nome.

A Virgem Maria foi sempre um “sim” a Deus. Assim como esteve sempre presente na vida de Jesus como discípula fiel, do mesmo modo ela está sempre presente na vida de todo o Carmelita, guiando-o e protegendo-o no seu obséquio a Jesus Cristo.

Durante muitos séculos o Escapulário do Carmo sintetizou no seu significado a relação dos Carmelitas com a Virgem Maria. O Escapulário constitui uma parte do hábito tradicional vestido pelos religiosos. Trazer o Escapulário é um sinal de consagração a Maria e de aceitação da sua protecção. Na Virgem Maria, os Carmelitas encontram a imagem perfeita de tudo o que eles esperam: entrar numa relação íntima com Cristo, estar totalmente abertos à vontade de Deus e deixar que as suas vidas sejam transformadas pela Palavra de Deus. Os Carmelitas consideraram sempre Maria como a Patrona da Ordem, e proclamaram-na como Mãe e Formosura do Carmelo. Os Carmelitas vivem em intimidade espiritual com ela, para que possam aprender dela a viver como filhos de Deus.

A celebração de Nossa Senhora do Carmo tem lugar a 16 de Julho e é a principal solenidade da Ordem Carmelita.

Oração a Nossa Senhora do Carmo

Ó Senhora do Carmo, revestido(a) do vosso Escapulário, eu vos peço que ele seja para mim sinal da vossa maternal protecção, em todas as necessidades, nos perigos e nas aflições da vida. Acompanhai-me com a vossa intercessão, para que eu possa crescer na Fé, Esperança e Caridade, seguindo Jesus e praticando a Sua Palavra. Ajudai-me, ó Mãe querida, para que, levando com devoção o vosso santo Escapulário, mereça a felicidade de morrer piedosamente com ele, na graça de Deus, e assim, alcançar a vida eterna. Amen.

 
Nono Dia: Maria no Pentecostes PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Maria no Pentecostes

Olha bem para o símbolo da pintura que retrata a descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes. Diz o livro dos Actos: “Todos tinham os mesmos sentimentos e eram assíduos na oração, junto com as mulheres, entre as quais Maria, a mãe de Jesus (Act 1,14). Trata-se da primeira comunidade: semente e ideal de todas as comunidades. A comunidade reunida no Cenáculo é o pequeno resto que sobrou e é também o novo começo. Ela é a Comunidade Original, da qual vai nascer a Igreja no dia de Pentecostes. Sem Comunidade em oração não haveria Pentecostes! Foi a prece que fez descer em abundância o dom do Espírito (Lc 11,13).

Lucas insiste em três atitudes que marcam esta Comunidade Original e que devem marcar a vida de todas as comunidades, para que possam anunciar a Boa Nova de Deus: (1) - todos tinham os mesmos sentimentos, viviam em comunhão fraterna, (2) - eram assíduos na oração (3) - e estavam reunidos ao  redor de Maria a mãe de Jesus aguardando a vinda do Espírito Santo (Act 1,14).

Situando o nono dia no conjunto da novena

Neste nono dia da novena, a ênfase cai na atitude de silêncio, de oração e de espera. Como diz a Regra do Carmo: “No silêncio e na esperança está a vossa força”. Diz o Salmo: “Descansa em Javé e nele espera”. Literalmente se diz: Esvazia-te diante de Javé e aguenta (Sl 37,7). A palavra esperar (aguentar) sugere a atitude da mulher em dores de parto. Ela aguenta, pois sabe que, apesar das muitas dores, vai nascer vida nova. Diz o lamento de Jeremias: “É bom esperar em silêncio a salvação de Javé (Lm 3,26). É a certeza de que Deus vai atender. A pessoa não sai de frente de Deus: “Como os olhos dos escravos, fixos nas mãos do seu senhor, e como os olhos da escrava, fixos nas mãos da sua senhora, assim estão os nossos olhos fixos em Javé nosso Deus, até que se compadeça de nós” (Sl 123,2).

O objectivo a ser alcançado no nono dia da novena

  • Durante este nono e último dia da novena tenta resumir as lições e as graças que foste recebendo de Maria.
  • Tenta formular um propósito pequeno e viável a ser assumido e vivido no futuro como conclusão desta novena.

Atitude orante a ser cultivada no nono dia da novena

Ter momentos especiais de oração, junto com Maria a Mãe de Jesus, e pedir com insistência o dom do Espírito Santo, para que ele nos conduza pelo caminho do Evangelho, caminho sem retorno, e nos ensine como amar a Deus e ao próximo.

Padroeira: Maria, a Mãe de Jesus

A Regra do Carmo pede: “Permaneça cada um na sua cela ou na proximidade dela, meditando dia e noite na Lei do Senhor e vigiando em orações” (RC 10).  Neste ponto, temos como mestra e guia Maria, a Mãe de Jesus: “Enquanto Jesus dizia essas coisas, uma mulher levantou a voz no meio da multidão, e disse-lhe: "Feliz o ventre que te carregou, e os seios que te amamentaram". Jesus respondeu: "Mais felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática" (Lc 11,27-28). O que caracterizava a vida de Maria era “ouvir e praticar a Palavra de Deus”.

A Bíblia fala pouco da Mãe de Jesus. Só sete livros a mencionam: Gálatas (Gl 4,4), Marcos (Mc 3,20-21.31-35), Lucas (Lc 1 e 2; 11,17), Actos (Act 1,13), Mateus (Mt 1 e 2), João (Jo 2,1-13; 19.25-26) e Apocalipse (Apc 12,1-17). Ela mesma fala menos ainda. Cinco destes sete livros só falam sobre Maria. Ela mesma só fala em dois livros: Lucas e João. E mesmo estes dois conservam apenas sete palavras de Maria. Nada mais!

  • 1ª Palavra: "Como pode ser isso se não conheço homem?" (Lc 1,34).
  • 2ª Palavra: "Eis aqui a serva do Senhor!" (Lc 1,38).
  • 3ª Palavra: "A minha alma louva o Senhor!" (Lc 1,46).
  • 4ª Palavra: "Meu filho, porque fizeste isso connosco?" (Lc 2,48).
  • 5º Palavra: "Eles não têm mais vinho!" (Jo 2,3).
  • 6ª Palavra: “Fazei tudo o que ele vos disser!" (Jo 2,5).
  • 7ª Palavra: O silêncio ao pé da Cruz, mais eloquente do que mil palavras! (Jo 19,25-27).

Os Evangelhos apresentam a Mãe de Jesus como mulher silenciosa. Apenas sete palavras! É a prática do silêncio que capacita as pessoas para meditar e escutar a Palavra de Deus nos factos da vida. O que mais nos falta hoje é o silêncio. Não é fácil fazer silêncio. Não é fácil escutar. Muito barulho, não só ao redor, mas também dentro de nós. Condição para poder escutar é saber fazer silêncio, sobretudo dentro de nós. Cada uma daquelas sete palavras da Mãe de Jesus faz-nos saber como ela fazia para escutar os apelos de Deus, mesmo lá onde não havia palavras, mas apenas o silêncio de uma situação humana pedindo socorro.

 
Oitavo Dia: Maria, a Mãe das Dores PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Maria, a Mãe das Dores

Olha bem para a imagem da mãe e do filho Jesus. O filho morreu aos 33 anos de idade. Maria, sua mãe, devia ter no mínimo em torno de 50 anos de idade. Nesta estátua, feita por Miguel Ângelo, a mãe parece mais jovem que o filho. Perguntaram ao artista: “Como é que a mãe pode ser mais jovem que o filho?” Ele respondeu: “Quem se apaixona por Deus não envelhece!”

Foi esta paixão que manteve Maria de pé junto à Cruz dando força ao filho na hora da sua agonia. É esta mesma paixão que ela irradia para nós com Jesus morto nos braços, à espera da ressurreição.

Situando o sétimo dia no conjunto da novena

Neste oitavo dia da novena, a ênfase cai na atitude silenciosa de compaixão diante do sofrimento sem remédio e sem solução que nos desafia. Mesmo causado pela morte de Jesus, o sofrimento de Maria era como dor de parto, fonte de vida nova e de esperança. Isto vale para todo e qualquer sofrimento. Este é o grande desafio hoje: experimentar no sofrimento a força geradora de vida nova.

Perto da cruz estavam algumas mulheres (Jo 19,25-27); entre elas estava a Mãe de Jesus. Jesus entrega sua Mãe ao discípulo amado e entrega o discípulo amado à sua Mãe. No evangelho de João, a Mãe de Jesus representa o Antigo Testamento. Representa Eva, a mãe de todos os viventes. O discípulo amado representa o Novo Testamento, a comunidade que cresceu ao redor de Jesus. Ele é o filho nascido do Antigo Testamento. É a nova humanidade que se forma a partir da vivência do Evangelho. A pedido de Jesus, o Filho (Novo Testamento) recebe a Mãe (Antigo Testamento) em sua casa. Os dois devem caminhar juntos. Pois o Novo não se entende sem o Antigo. Seria um prédio sem fundamento. E o Antigo sem o Novo ficaria incompleto. Seria uma árvore sem fruto. Vida e fé devem estar unidas.

O objectivo a ser alcançado no oitavo dia da novena

  • Neste oitavo dia da novena, diante da imagem da Mãe das Dores, convém renovar o compromisso assumidos no primeiro dia da novena: doar-se plenamente.
  • Lembrar e assumir o compromisso do terceiro dia da novena, quando meditamos o significado e o alcance da cruz de Jesus: colocar o bem do outro em primeiro lugar.

Atitude orante a ser cultivada no oitavo dia da novena

Colocar-se diante da imagem da Mãe das Dores, fixar os olhos da mente e do coração no sofrimento dela e das mães que hoje sofrem, e rezar uma Avé Maria.

Padroeiro: São José, esposo de Maria, a mãe de Jesus

O evangelho de Lucas fala-nos de Maria. O evangelho de Mateus fala-nos de José. O anjo esclarece Maria e diz-lhe: “O Espírito Santo descerá sobre ti!” (Lc 1,35). Esclarecida pelo anjo, ela se oferece e faz-se empregada de Deus: “Eis aqui a serva do Senhor!” (Lc 1,38). Maria sabe que isto vai trazer muitos problemas para a sua vida. Como explicar a gravidez ao povo de Nazaré? Ninguém iria acreditar nela. Como explicá-la a José, seu prometido esposo? Ela correria o perigo de ser apedrejada. Apesar de todas estas dificuldades, Maria entrega-se à acção da Palavra de Deus: “Faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc 1,38). O que conta não é o bem-estar dela mesma, mas sim ela ser um instrumento eficaz na realização do plano de Deus.

O evangelho de Mateus diz que José era justo (Mt 1,19). Mas era uma justiça diferente. Se José tivesse sido justo conforme a justiça dos fariseus da época, ele deveria ter denunciado Maria, pois a gravidez tinha acontecido antes de ela conviver com José. Maria teria sido apedrejada e, com ela, teria sido morto Jesus, o Messias. Mas a justiça de José era maior. Foi exactamente por ter esta outra justiça maior que José não obedeceu àquelas leis e salvou a vida tanto de Maria como de Jesus. Mais tarde, Jesus irá dizer: "Se a vossa justiça não for maior do que a dos escribas e fariseus, não podereis entrar no Reino dos céus" (Mt 5,20).

Em sonhos, José foi “esclarecido pelo anjo” (Mt 1,10), que lhe disse para aceitar Maria como esposa em sua casa e dar ao menino o nome de Jesus” (Mt 1,21). Esclarecido pelo anjo, José consegue descobrir a acção de Deus, onde, conforme a opinião da época, só parecia haver desvio e pecado.

Anjo é o mesmo que mensageiro. Ele traz uma mensagem e ajuda a perceber a acção de Deus na vida. Hoje, há muitos anjos e anjas que nos orientam na vida. Às vezes, eles actuam nos sonhos, outras vezes nas reuniões, nas conversas, nos Círculos Bíblicos, nos factos, etc... Tantos anjos!  Tantas anjas!

Jesus significa "Javé salva". A salvação não vem do que nós fazemos para Deus, mas do que Deus faz por nós. Jesus recebe um segundo nome Emanuel que significa "Deus connosco" (Mt 1,23). Na saída do Egipto, no Êxodo, Deus desceu para junto do povo oprimido (Ex 3,8) e disse a Moisés: "Estou contigo!" (Ex 3,12), e desde aquele momento ele nunca mais abandonou o seu povo. Sempre foi “Emanuel, Deus-connosco”. Jesus Emanuel, é a prova de que Deus continua sendo Deus connosco. Os dois nomes, Jesus e Emanuel, revelam que o projecto de Deus se realiza através do filho de Maria.

 
Sétimo Dia: A comunidade PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

A comunidade

Procura uma foto em que apareces dentro da tua família ou dentro da tua comunidade. Esta foto é para ti o símbolo concreto deste sétimo dia da novena. Olhando a foto, percebes-te imediatamente  como fazendo parte do grupo com o qual convives e trabalhas. Tu conheces o grupo e lembras o nome de todos e todas e saberás enumerar o que aprendeste de cada um. Também lembrarás aquilo com que contribuiste para o crescimento do grupo, da família.

Jesus chamou-nos “para estar com ele e enviá-los a pregar” (Mc 3,13-14), isto é, para formar comunidade com ele e para ir em missão. Isto significa que a vida em comunidade é a plataforma de onde se parte para a missão do anúncio da Boa Nova do Reino.

Situando o sétimo dia no conjunto da novena

Neste sétimo dia da nossa novena, a ênfase cai na dimensão comunitária da vida no Carmelo. O símbolo é a comunidade, a fotografia em que apareces dentro da tua família ou comunidade. Como carmelitas temos que viver em comunidade. Sem comunidade, a nossa palavra é microfone sem altifalante; é lâmpada bonita sem luz eléctrica; peruca em cabeça careca. Engana, e não realiza nada. 

O crescimento pessoal só se faz e só é possível dentro da comunidade. Vocação é como a gente. Ninguém nasce sozinho, mas nasce-se de pai e mãe, no meio de uma família. Não se cresce sozinho, mas com a ajuda de outras pessoas.

A dimensão comunitária da espiritualidade carmelita completa e consolida tudo aquilo que meditámos até agora nestes sete dias da novena. Toda a reflexão feita até agora nestes sete dias não terá sentido nenhum, se o resultado não aparecer no testemunho comunitário da nossa vida. Ela deve começar a irradiar através de nós na comunidade e no meio do povo.

O objectivo a ser alcançado no sétimo dia da novena

  • Aprofundar, através da escuta e do diálogo, a nossa convivência comunitária, seja na família seja na comunidade.
  • Partilhar com os outros aquilo que viveste, descobriste e aprendeste até agora nestes sete dias da nossa novena a respeito do Carisma do Carmelo.

Atitude orante a ser cultivada no sétimo dia da novena

Participar com mais atenção na oração comunitária: seja na família ou na comunidade, seja na paróquia ou em qualquer outro grupo. Jesus rezava sozinho nas montanhas, e também participava da oração comunitária nas sinagogas e das romarias para o Templo em Jerusalém.

Padroeira: Santa Teresa de Ávila, a grande reformadora do Carmelo

Nasceu em Ávila, Espanha, no dia 28 de Março de 1515, época da descoberta das Américas. Teve uma infância apaixonada. Por volta dos seis ou sete anos de idade, ela lia as histórias dos santos e mártires, ficava fascinada e queria imitá-los.

Aos 13 anos fica órfã, perde a mãe. Aflita ela procurou uma imagem de Nossa Senhora e suplicou que a partir de agora a Virgem fosse sua mãe.

Aos 21 anos de idade entrou no mosteiro carmelita da Encarnação, em Ávila. Mulher de excepcionais talentos humanos e espirituais, Teresa não se contentava com a vida religiosa bastante medíocre tal como era vivida no Mosteiro da Encarnação. Na sua conversão em 1554, uniu-se a Deus para sempre e nunca mais O abandonou. E a partir daí, realizou grandes progressos no caminho da perfeição e teve experiências místicas extraordinários.

Aos poucos amadureceu nela a ideia de criar uma vida carmelita mais de acordo com a Regra de Santo Alberto. Assim, a partir de 24 de Agosto de 1562, aos 45 anos de idade, ela empreendeu uma reforma da Ordem que recebeu o seu nome: Reforma Teresiana. Fundou 17 mosteiros femininos e conseguiu a autorização para a criação de conventos masculinos reformados em 10 de Agosto de 1567.

Para Teresa a vida em comunidade é um dom que Deus nos concede para amarmos muito mais. Desta maneira, ela era calorosa e afectuosa e tinha um dom extraordinário para fazer amizade. Por onde passava deixou amizades que em horas de apuros e sofrimento eram um alívio para a alma. Ela mesma diz que “graças aos seus amigos não fui para o inferno. Disto nasce a importância de termos bons amigos e de estimular sempre a vida em comunidade. 

Teresa morreu em Alba de Tormes no dia 4 de Outubro de 1582. Toda a sua experiência de fé e de vida, ela a comunicava nas suas reflexões e nos milhares de cartas. Deixou também vários livros: “Livro da Vida”, “Caminho de Perfeição”, “Castelo da Alma”, “Livro das Fundações”. Nestes livros Teresa descreveu as suas próprias experiências.

 
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