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Solenidade do Profeta Elias (20 de Julho)

Solenidade do Profeta Elias (20 de Julho)

 

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Elias é o profeta solitário que cultiva a sede do Deus único e vive na sua presença. Ele é o contemplativo possuído (raptado) pela paixão ardente pelo absoluto de Deus, cuja «palavra ardia como fogo». É o místico que, depois de um longo e penoso caminho aprende e lê os novos sinais da presença de Deus. É o profeta que se envolve na vida do povo e, lutando contra os falsos ídolos, o reconduz à felicidade da Aliança com o único Deus. É o profeta solidário com os pobres e os marginalizados e que defende aqueles que sofrem violência e injustiça.


O Carmelita aprende, pois, com Elias a ser homem do deserto, de coração indiviso, que está todo diante de Deus, todo entregue ao serviço de Deus, o homem que fez uma escolha sem compromissos pela causa de Deus e por Deus arde de paixão. Como Elias, crê em Deus, deixa-se conduzir pelo Espírito e interioriza a Palavra no próprio coração, para testemunhar a presença divina no mundo, aceitando que ele seja realmente Deus na sua vida. E enfim, vê em Elias, unido ao seu grupo profético, a fraternidade vivida na comunidade, e com ele aprende a ser canal da ternura de Deus para com os indigentes e os humildes.

 

Constituições da Ordem do Carmo, nº 26

 

Oremos: Deus eterno e omnipotente, que concedestes ao Vosso profeta Elias, nosso Pai, viver na Vossa presença e inflamar-se de zelo pela Vossa glória, concedei que, procurando dempre a Vossa presença, nos tornemos no mundo testemunhas do Vosso amor. Por Cristo, Nossa Senhor. Amen.

 
Solenidade de Nossa Senhora do Carmo – 16 de Julho

Solenidade de Nossa Senhora do Carmo – 16 de Julho

 

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Maria, envolvida pela sombra do Espírito de Deus, é a Virgem do coração novo, que dá um rosto humano à Palavra que se faz carne. É a Virgem da escuta sapiente e contemplativa, que conserva e medita no seu coração os acontecimentos e a palavra do Senhor. É a discípula fiel da sabedoria, que busca Jesus – Sabedoria de Deus– e pelo seu Espírito se deixa educar e plasmar para assimilar na fé o estilo e as opções de vida. Assim educada, Maria é capaz de ler as "grandes coisas" que Deus realizou nela para a salvação dos humildes e dos pobres.


Maria, sendo também a Mãe do Senhor, torna-se a discípula perfeita dele, a mulher de fé. Segue Jesus, caminhando juntamente com os discípulos, e com eles compartilha o penoso e comprometedor caminho que exige acima de tudo o amor fraterno e o serviço mútuo. Nas bodas de Caná ensina-nos a acreditar em seu Filho; aos pés da Cruz torna-se a Mãe de todos os crentes e com eles experimenta a alegria da ressurreição. Une-se com os outros discípulos em «oração contínua» e recebe as primícias do Espírito, que enche a primeira comunidade cristã de zelo apostólico.


Maria é portadora da boa nova da salvação para todos os homens. É a mulher que cria relações de comunhão, não só com os círculos mais restritos dos discípulos de Jesus, mas também com o povo: com Isabel, os esposos de Caná, as outras mulheres e os "irmãos" de Jesus.


Na Virgem Maria, Mãe de Deus e modelo da Igreja, os Carmelitas encontram tudo aquilo que desejam e esperam ser. Por isto, Maria foi sempre considerada a Padroeira da Ordem, da qual é também chamada Mãe e Esplendor, e tida sempre pelos Carmelitas, diante dos olhos e no coração, como a "Virgem Puríssima". Olhando para ela e vivendo em familiaridade de vida espiritual com ela, aprendemos a estar diante de Deus e juntos como irmãos do Senhor. Maria, de facto, vive no meio de nós como mãe e como irmã, atenta às nossas necessidades, e junto a nós atende e espera, sofre e alegra-se.


O escapulário é sinal do amor materno, permanente e estável, de Maria para com os irmãos e as irmãs carmelitas.


Na sua tradição, sobretudo a partir do século XVI, o Carmelo manifestou a proximidade amorosa de Maria ao povo de Deus, mediante a devoção do escapulário: sinal de consagração a ela, meio da agregação dos fiéis à Ordem e mediação popular e eficaz de evangelização.

 

Constituições da Ordem Carmelita, nº 27

 
Carta do Prior Geral por ocasião da Solenidade de Nossa Senhora do Carmo 2017

Carta do Prior Geral por ocasião da Solenidade

 de Nossa Senhora do Carmo 2017

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Queridos irmãos e irmãs da Família Carmelita:

Já se aproxima a festa de Nossa Senhora do Carmo e, como todos os anos, quero enviar-vos uma afetuosa saudação com os meus sinceros votos de felicidades. Espero que a festa e todas as celebrações próprias destes dias (novenas, procissões, atos religiosos e culturais, etc.) constituam uma ocasião para honrar Maria sob este título tão popular, entranhado e querido para todos nós da “Virgem do Carmo”. Que estas celebrações possam tocar os nossos corações, inspirar a nossa vivência do carisma e transformar a nossa vida de tal forma que sejamos cada vez mais fiéis aos valores do Evangelho.

Gostaria de vos apresentar novamente este ano o guião da novena que redigiram os responsáveis pelo portal da nossa Ordem, baseando-se em textos de escritores, místicos e santos carmelitas. Que esta novena sirva  para, guiados pela mão de Maria, mergulharmos na profundidade do mistério da nossa fé.

*****

Este ano gostaria de vos recordar, em primeiro lugar, que estamos a comemorar o centenário das aparições de Fátima. Por esta razão, entre outros eventos, os carmelitas portugueses prepararam, em colaboração com os nossos irmãos carmelitas descalços, um Congresso Mariológico que decorrerá em setembro de 2017. Desta forma, publicaram-se diversas obras e artigos sobre a relação destas aparições com Nossa do Carmo.

É sabido que na sexta aparição, que ocorreu em outubro de 1917, os pastorinhos disseram que a Virgem apareceu sob o título de Nossa Senhora do Carmo que se venerava na sua paróquia (ver foto acima). Em 1924, testemunhando perante o tribunal diocesano, Lúcia insistiu no mesmo, acrescentando que “tinha algo pendurado na sua mão direita” (o Santo Escapulário). Da mesma forma, quando em 1950 o Fr. Kilian Lynch, então Prior Geral da Ordem, visitou a vidente Lúcia, ela insistiu que era Nossa Senhora do Carmo. Inclusive, em diversas entrevistas com outros carmelitas, Lúcia sublinhou que estava surpreendida que não se tivesse destacado este aspeto e não se tivesse promovido mais a devoção do Escapulário carmelita, inspirada pelas mesmas aparições.

De qualquer forma, neste centenário das aparições, a família carmelita renova de alguma forma a sua devoção mariana e agora que se aproxima a festa de Nossa Senhora do Carmo, também lhe pedimos que nos dê uma fé simples e profunda e uma devoção que não caia em sentimentalismos vazios ou em afetos passageiros, mas que, bem enraizada nos nossos corações, nos leve a redescobrir cada dia a Boa Nova do Evangelho e nos anime a anunciá-la com coragem e autenticidade.

O Papa Francisco, durante a sua visita a Fátima, insistiu na forma como os valores do Evangelho transformam e revolucionam a nossa vida e a devoção à Virgem nos ajuda a descobri-los e vivê-los plenamente. De facto, se a devoção mariana é autêntica, o mínimo que pode fazer é tornar-nos mais humanos: “Cada vez que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do amor. Nela vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes”.

Neste centenário, recordamos também de modo especial todos os doentes da família carmelita. O Papa teve para eles palavras muito afetuosas durante sua visita a Fátima, afirmando que eles eram “um tesouro precioso da Igreja”. Nesta festa de Nossa Senhora do Carmo tenhamos muito presentes os que sofrem da doença e renovemos o nosso compromisso de os ajudar, acompanhar e partilhar com eles o melhor que temos. Que, em vez da cultura do descarte e da comodidade egoísta, eles sejam, de verdade, um tesouro nas nossas famílias e comunidades carmelitas.

*****

Em segundo lugar, observo que este ano estamos a celebrar o 75º aniversário da morte do Beato Tito Brandsma no campo de concentração de Dachau e o 50º aniversário da morte do grande teólogo carmelita, Bartolomeu F. Mª Xiberta. Ambos morreram no mesmo dia, 26 de julho, com um intervalo de 25 anos. Encontraram-se ambos na Holanda em 1938, após a expulsão do P. Xiberta de Itália pelo governo fascista. O P. Xiberta lembrar-se-ia sempre com admiração do carmelita holandês.

Ambos se destacaram pela sua grande devoção mariana e escreveram de forma prolixa   sobre o papel da Virgem Maria na história da salvação. O P. Tito insistiu muito em que nós somos chamados a ser, como Maria, “theotokoi”, portadores de Deus, que levam o Senhor aos lugares que dele mais necessitam. Esta é um doutrina que se liga muito bem com a insistência missionária do Papa Francisco, que constantemente nos recorda a importância de sair de nós mesmos para ir para as periferias geográficas e existenciais.

O P. Xiberta soube combinar harmoniosamente uma alta teologia, de caráter especulativo, com uma terna devoção a Maria. Aqueles que o conheceram lembram-se como contava os dias que faltavam para celebrar a festa de Nossa Senhora do Carmo. Ele gostava de repetir a antífona mariana tirada do livro de Judite (cf. Jdt 15,9): “Tu és a glória de Jerusalém, tu és a alegria de Israel, tu és a honra da nossa raça”. Em Maria, uma mulher da nossa raça e do nosso povo, toda a humanidade se torna patente, pois ela é a primícia do mistério da salvação.

Apenas um par de exemplos para ilustrar como estes nossos irmãos viveram com profundidade, seriedade doutrinal e piedade a devoção a Maria em pleno século XX.

O beato Tito celebrou pela última vez a festa de Nossa Senhora do Carmo, no campo de concentração de Dachau em 1942. Apesar da fraqueza e da doença, não deixou de felicitar com um sentido aperto de mão os outros carmelitas que ali se encontravam: o holandês, Frei Rafael, que o acompanhou até o fim, e vários polacos, entre eles o Beato Hilario Januszewski. Foi uma celebração insólita, mas, de certo, vivida de forma muito intima e comovente, naquela terrível situação.

No mesmo dia, vinte e cinco anos mais tarde, o P. Xiberta morreu em Tarrasa (Espanha). Os últimos anos foram passados em total dependência por causa de um derrame cerebral. Dificilmente articulava uma palavra. Talvez estivesse a viver o que o que ele mesmo uma vez afirmou ao comentar o seu trabalho de teólogo: “Nós, pobres professores de teologia, temos que raciocinar sobre mistérios altíssimos, diante dos quais seria mais conveniente ficarmos em contemplação silenciosa ...”.

*****

Que ambos, o beato Tito Brandsma e o Serva de Deus Bartolomeu F. Mª Xiberta nos ajudem a viver a nossa devoção mariana com a mesma autenticidade e coerência de vida eles demonstraram.

Que Maria, Mãe e formosura do Carmelo, a Estrela do mar, nos guie na nossa jornada, para que saibamos responder com criatividade e alegria aos desafios que se levantam no nosso mundo, por vezes tão complexo.

A todos os que de alguma forma fazem parte da família carmelita envio-vos cordiais saudações. E ... muitas felicidades!

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Fernando Millán Romeral, O. Carm.

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