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Ó Cruz de Cristo!

Ó Cruz de Cristo!

 

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Ó Cruz de Cristo, símbolo do amor divino e da injustiça humana, ícone do sacrifício supremo por amor e do egoísmo extremo por insensatez, instrumento de morte e caminho de ressurreição, sinal da obediência e emblema da traição, patíbulo da perseguição e estandarte da vitória.


Ó Cruz de Cristo, ainda hoje te vemos erguida nas nossas irmãs e nos nossos irmãos assassinados, queimados vivos, degolados e decapitados com as espadas barbáricas e com o silêncio velhaco.


Ó Cruz de Cristo, ainda hoje te vemos nos rostos exaustos e assustados das crianças, das mulheres e das pessoas que fogem das guerras e das violências e, muitas vezes, não encontram senão a morte e muitos Pilatos com as mãos lavadas.


Ó Cruz de Cristo, ainda hoje te vemos nos doutores da letra e não do espírito, da morte e não da vida, que, em vez de ensinar a misericórdia e a vida, ameaçam com a punição e a morte e condenam o justo.


Ó Cruz de Cristo, ainda hoje te vemos nos ministros infiéis que, em vez de se despojarem das suas vãs ambições, despojam mesmo os inocentes da sua dignidade.


Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos corações empedernidos daqueles que julgam comodamente os outros, corações prontos a condená-los até mesmo à lapidação, sem nunca se darem conta dos seus pecados e culpas.


Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos fundamentalismos e no terrorismo dos seguidores de alguma religião que profanam o nome de Deus e o utilizam para justificar as suas inauditas violências.


Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje naqueles que querem tirar-te dos lugares públicos e excluir-te da vida pública, em nome de certo paganismo laicista ou mesmo em nome da igualdade que tu próprio nos ensinaste.


Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos poderosos e nos vendedores de armas que alimentam a fornalha das guerras com o sangue inocente dos irmãos e que dão de comer aos seus filhos o pão ensanguentado.


Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos traidores que, por trinta dinheiros, entregam à morte qualquer um.


Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos ladrões e corruptos que, em vez de salvaguardar o bem comum e a ética, vendem-se no miserável mercado da imoralidade.


Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos insensatos que constroem depósitos para armazenar tesouros que perecem, deixando Lázaro morrer de fome às suas portas.


Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos destruidores da nossa «casa comum»que, egoisticamente, arruínam o futuro das próximas gerações.


Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos idosos abandonados pelos seus familiares, nas pessoas com deficiência e nas crianças desnutridas e descartadas pela nossa sociedade egoísta e hipócrita.


Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje no nosso Mediterrâneo e no Mar Egeu feitos um cemitério insaciável, imagem da nossa consciência insensível e narcotizada.


Ó Cruz de Cristo, imagem do amor sem fim e caminho da Ressurreição, vemos-te ainda hoje nas pessoas boas e justas que fazem o bem sem procurar aplausos nem a admiração dos outros.


Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos ministros fiéis e humildes que iluminam a escuridão da nossa vida como velas que se consumem gratuitamente para iluminar a vida dos últimos.


Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos rostos das religiosas e dos consagrados – os bons samaritanos – que abandonam tudo para enfaixar, no silêncio evangélico, as feridas das pobrezas e da injustiça.


Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos misericordiosos que encontram na misericórdia a expressão mais alta da justiça e da fé.


Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nas pessoas simples que vivem jubilosamente a sua fé no dia a dia e na filial observância dos mandamentos.


O Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos arrependidos que, a partir das profundezas da miséria dos seus pecados, sabem gritar: «Senhor, lembra-Te de mim no teu reino!».


Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos Beatos e nos Santos que sabem atravessar a noite escura da fé sem perder a confiança em ti e sem a pretensão de compreender o teu silêncio misterioso.


Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nas famílias que vivem com fidelidade e fecundidade a sua vocação matrimonial.


Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos voluntários que generosamente socorrem os necessitados e os feridos.


Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos perseguidos pela sua fé que, no sofrimento, continuam a dar testemunho autêntico de Jesus e do Evangelho.


Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos que sonham com um coração de criança e que trabalham cada dia para tornar o mundo um lugar melhor, mais humano e mais justo.


Em ti, Santa Cruz, vemos Deus que ama até ao fim, e vemos o ódio que domina e cega os corações e as mentes daqueles que preferem as trevas à luz.


Ó Cruz de Cristo, Arca de Noé que salvou a humanidade do dilúvio do pecado, salva-nos do mal e do maligno! Ó Trono de David e selo da Aliança divina e eterna, desperta-nos das seduções da vaidade! Ó grito de amor, suscita em nós o desejo de Deus, do bem e da luz.


Ó Cruz de Cristo, ensina-nos que o amanhecer do sol é mais forte do que a escuridão da noite.


Ó Cruz de Cristo, ensina-nos que a aparente vitória do mal se dissipa diante do túmulo vazio e perante a certeza da Ressurreição e do amor de Deus que nada pode derrotar, obscurecer ou enfraquecer.


Amém!

 

Papa Francisco

 

A cruz, exemplo de todas as virtudes

 

Que necessidade havia para que o Filho de Deus sofresse por nós? Uma necessidade grande e, por assim dizer, dupla: para remédio contra o pecado e para exemplo do que devemos fazer. Foi em primeiro lugar um remédio, porque na paixão de Cristo encontramos remédio contra todos os males em que incorremos por causa dos nossos pecados.


Mas não é menor a utilidade que tem como exemplo. Na verdade, a paixão de Cristo é suficiente para orientar toda a nossa vida. Quem quiser viver em perfeição, basta que despreze o que Cristo desprezou na cruz e deseje o que Ele desejou. Nenhum exemplo de virtude está ausente da cruz.


Se queres um exemplo de caridade: Não há maior prova de amor do que dar a vida pelos amigos. Assim fez Cristo na cruz. E se Ele deu a vida por nós, não devemos considerar penoso qualquer mal que tenhamos de sofrer por Ele.


Se procuras um exemplo de paciência, encontras na cruz o mais excelente. Reconhece-se uma grande paciência em duas circunstâncias: quando alguém suporta com serenidade grandes sofrimentos, ou quando pode evitar os sofrimentos e não os evita. Ora Cristo suportou na cruz grandes sofrimentos, e com grande serenidade, porque sofrendo não ameaçava; e como ovelha levada ao matadouro, não abriu a boca. É grande portanto a paciência de Cristo na cruz: corramos com paciência para a prova que nos é proposta, pondo os olhos em Jesus, autor e consumador da fé, que em lugar da alegria que lhe era proposta suportou a cruz, desprezando-lhe a ignomínia.


Se queres um exemplo de humildade, olha para o crucifixo: Deus quis ser julgado sob Pôncio Pilatos e morrer.


Se procuras um exemplo de obediência, segue aquele que se fez obediente ao Pai até à morte: assim como pela desobediência de um só, isto é, Adão, muitos foram constituídos pecadores, assim também pela obediência de um só muitos serão justificados.


Se queres um exemplo de desprezo pelas honras da terra segue aquele que é Rei dos reis e Senhor dos senhores, no qual se encontram todos os tesouros de sabedoria e de ciência e que na cruz está despojado dos seus vestidos, escarnecido, cuspido, espancado, coroado de espinhos e dessedentado com fel e vinagre.

Não te preocupes com trajes e riquezas, porque repartiram entre si as minhas vestes; nem com as honras, porque troçaram de Mim e Me bateram; nem com as dignidades, porque teceram uma coroa de espinhos e puseram-Ma sobre a cabeça; nem com os prazeres, porque para a minha sede Me deram vinagre.

 

São Tomás de Aquino

 
A propósito de Jacinta e Francisco

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No meio das pequenas, médias e grandes notícias sobre quase tudo e quase nada, foi com júbilo – como católico e português –  que soube da canonização dos pastorinhos de Fátima, Jacinta e Francisco, que o povo cristão, já há muito, havia consagrado como memórias vivas de santidade.


Nestas ocasiões é frequente ouvirem-se vozes desvalorizando ou troçando da ideia cristã da santidade. Bem sei, também, que os santos estão “fora de moda” na sociedade hedonista, relativista, de curto-circuito entre dinheiro e consciência, subjugada à “ditadura das banalidades”, carente de exemplaridade, fóbica em relação ao transcendente. Oscar Wilde haveria de, com sarcasmo, antecipar, no seu tempo, esta ideia, ao dizer que a diferença entre um santo e um pecador, é que o santo tem sempre um passado e o pecador tem sempre um futuro…


Ser santo é a versão com fé da exemplaridade laica. Uma expressão da Graça Divina, mas também da condição livre de se ser pessoa e da convicção de que só a partir do nosso interior se pode transformar o que nos é exterior. Ser santo é, também, uma forma de subversão vivida na ausência de qualquer forma de poder, que é onde se deve revelar toda a presença de Deus. Escreveu D. Saraiva Martins que a santidade não consiste em fazer nada de extraordinário ou de “exótico”, longe do alcance do homem comum, mas sim fazer sempre e bem as coisas ordinárias, na família, no trabalho, na sociedade, na educação, na vida pública, na vocação.


A santidade assenta na fé vivida e no serviço testemunhado, como também em regras de vida que estão ao alcance de todos, com ou sem fé. No fundo, sabendo-se que o mais difícil de alcançar é o simples, que o mais possível de alcançar é o que mais impossível parece, que o maior alimento do direito é o dever, que o mais aparentemente insignificante sacrifício pode ser o mais virtuoso, que a mais radical sinceridade é irmã gémea da verdade, que a mais austera perseverança é irmã gémea da bondade, que o heroísmo é a persistência paciente na luta de cada dia, que a fraternidade é o coração da inteligência e a inteligência do coração, que na autenticidade está o coração do comportamento, que a mais minúscula verdade supera as mais poderosas mentiras, que a mais insignificante das perfeições é preferível à mais sonante das imperfeições, que o exemplo é o caminho mais curto para o bem e o mais contagiante para os outros, e que o optimismo radica na esperança, na virtude, no trabalho e que o pessimismo radica na indiferença.


No caso dos dois mais jovens beatos não-mártires Jacinta e Francisco, enquanto intercessores e como modelos de santidade, a sua canonização é também um encorajamento para fortalecer uma Igreja que pugne, cada dia, pela opção preferencial pelos pobres, pelos últimos, pelas crianças.


Nestas alturas, é recorrente apelar-se à separação completa entre o Estado e a Igreja. Porém, a laicidade do Estado não implica a laicidade da sociedade. A sociedade é plural e livre no sentido religioso e é errado confundir, neste plano, Estado e Sociedade. A louvável e imperativa neutralidade religiosa do Estado não significa neutralidade por omissão, indiferença, abstenção, ignorância ou desconhecimento dos fenómenos religiosos e muito menos hostilidade.


Não entendo, por isso, a omissão de alguns órgãos de soberania, sempre tão pródigos e rápidos em felicitar outras personagens e destacar outros acontecimentos e em formular votos de congratulação por dá cá aquela palha.


Esta simbólica distinção honra a portugalidade no Mundo, mesmo se vista fora do contexto estritamente religioso.

 

António Bagão Félix, Público de 27 de Março de 2017

 
Quaresma - Um pensamento para cada dia

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  • Percorramos todas as idades do mundo e veremos que em todas as gerações o Senhor concedeu o tempo favorável da penitênca a todos os que a Ele se quiseram converter. (…) Deste modo, imitando as obras grandiosas dos nossos ilustres antepassados, corramos de novo para a meta que nos foi proposta desde o princípio, que é a paz (São Clemente).
  • É sem dúvida o banho da regeneração espiritual que nos faz homens novos; mas todos têm necessidade de se renovarem quotidianamente para remediar a ferrugem inerente à nossa condição mortal, e não há ninguém que não tenha de se esforçar para progredir no caminho da perfeição (São Leão Magno).
  • Se queres ver restaurada em ti aquela morada que Deus edificou no primeiro homem, adorna a tua casa com a modéstia e a humildade, torna-a resplandecente com a luz da justiça, enfeita-a com o ouro das boas obras, e, em lugar das paredes e dos mosaicos, ornamenta-a com a fé e com a grandeza de ânimo; e, por cima de tudo, como cúpula e coroamento de todo o edifício, coloca a oração (São João Crisóstomo).
  • Também não foi por precisar dos nossos serviços que nos mandou segui-l’O, mas para nos dar a salvação. Seguir o Senhor é receber a salvação, tal como seguir a luz é receber a luz (Santo Ireneu).
  • De facto, a nossa vida, enquanto somos peregrinos na terra, não pode estar livre de tentações, e o nosso aperfeiçoamento realiza-se precisamente através das provações. Ninguém se conhece a si mesmo se não for provado, ninguém pode receber a coroa se não tiver vencido, ninguém pode vencer se não combater, e ninguém pode combater se não tiver inimigos e tentações (Santo Agostinho).
  • Depois de tantos benefícios recebidos e de tantos outros que esperamos ainda, não teremos vergonha de Lhe negar a única retribuição que pede, o amor para com Ele e para com o próximo? Se Ele, que é Deus e Senhor, não se envergonha de ser chamado nosso Pai, ousaremos nós fechar o coração aos nossos irmãos? (São Gregório de Nazianzo).
  • Os preceitos evangélicos, irmãos caríssimos, outra coisa não são que ensinamentos divinos, fundamentos para edificar a esperança, alicerces para consolidar a fé, alimento para revigorar o coração, leme para dirigir o caminho, refúgio para garantir a salvação. Enquanto instruem na terra os espíritos dóceis dos fiéis, conduzem-nos para o reino dos Céus (São Cipriano).
  • E agora, os circuncisos de coração têm a vida por meio da nova circuncisão que se opera no verdadeiro Jordão, isto é, por meio do Baptismo para a remissão dos pecados (Afraates).
  • Nunca devemos julgar os homens perdidos sem remédio, nem deixar de ajudar com toda a diligência os que se encontram em perigo. Pelo contrário: reconduzamos ao bom caminho os que se extraviaram e afastaram da verdadeira vida, e alegremo-nos com o seu regresso à comunhão daqueles que vivem recta e piedosamente (São Astério de Amasseia).
  • Ao ouvir esta palavra admirável, cheia de doçura, cheia de amor, cheia de imutável tranquilidade: Perdoa-lhes ó Pai, quem não correrá a abraçar com todo o afecto os seus inimigos? Perdoa-lhes ó Pai, disse Jesus. Poderá haver oração que exprima maior mansidão e caridade? Mas Jesus não se contentou com pedir; quis também desculpar, e acrescentou: Perdoa-lhes, ó Pai, porque não sabem o que fazem (B. Aelredo).
  • A Igreja acredita também que a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontra no seu Senhor e Mestre. A Igreja afirma, além disso, que, subjacente a todas as transformações, há muitas coisas que não mudam, cujo último fundamento é Cristo, o mesmo ontem, hoje e para sempre (Gaudium et Spes).
  • O Senhor fez sua a debilidade da nossa humilde condição, e se permanecermos no seu amor e na confissão do seu nome, venceremos o que Ele venceu e receberemos o que Ele prometeu. Por isso, quer se trate de cumprir os mandamentos ou de suportar a adversidade, há-de ressoar sempre aos nossos ouvidos a voz do Pai que assim se fez ouvir: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência: escutai-O (São Leão Magno).
  • A quaresma é tempo de limpar e enfeitar a casa por dentro. Convém que vivamos sempre de modo sábio e santo, dirigindo a nossa vontade e as nossas ações para aquilo que sabemos agradar a Deus (São Leão Magno).
  • Para os judeus, ao Egipto seguiu-se o deserto; para ti ao êxodo deste mundo seguir-se-á o Céu (São João Crisóstomo).
  • Assim, a oração que se eleva, com toda a pureza, de um coração fiel, é como incenso que sobe do altar santo. Nenhum outro perfume é agradável a Deus; este incenso todos o devem oferecer ao Senhor (Santo Agostinho).
  • No princípio criou Deus o homem para lhe comunicar os seus dons: escolheu os patriarcas para lhes dar a salvação; ia formando um povo, para ensinar os ignorantes a seguir a Deus; preparava os profetas, para habituar os homens a serem morada do seu Espírito e a viverem em comunhão com Deus. Ele, que não precisava de nada, concedia a comunhão com Ele aos que d’Ele precisavam; para os que Lhe eram agradáveis traçava, como um arquitecto, o edifício da salvação; aos que nada viam no Egipto servia Ele próprio de guia; aos que andavam errantes no deserto dava uma lei perfeita, aos que entravam na terra prometida oferecia uma digna herança; enfim, para os que voltavam para a casa do Pai, matava o vitelo mais gordo e vestia-os com a melhor túnica. Assim, de muitas maneiras ia sintonizando o género humano com a salvação futura  (Santo Ireneu).
  • Vinde, filhos, escutai-me e ensinar-vos-ei o temor do Senhor. Portanto, se o temor do Senhor é ensinado, deve-se aprender. Não nasce do terror, mas da instrução racional; não precede da perturbação da natureza, mas da observância dos mandamentos, das obras de uma vida inocente e do conhecimento da verdade. Para nós, o temor de Deus fundamenta-se no amor e atinge a sua plenitude no exercício da perfeita caridade. O nosso amor a Deus leva-nos a seguir os seus conselhos, a cumprir os seus mandamentos, a confiar nas suas promessas (Santo Hilário).
  • Assim, por meio do Decálogo, Deus preparava o homem para a sua amizade e para a concórdia com o próximo. Era o homem que tirava proveito de tudo isto, uma vez que Deus não tinha nenhuma necessidade do homem. Tudo isto contribuía para a glória do homem, suprindo o que lhe faltava, isto é, a amizade de Deus. Mas isto nada acrescentava a Deus, porque Deus não precisava do amor do homem (Santo Ireneu).
  • Através das práticas tradicionais do jejum, da esmola e da oração, expressões do empenho de conversão, a Quaresma educa para viver de modo cada vez mais radical o amor de Cristo (Bento XVI).
  • Descansar em Deus e contemplar as suas delícias, é o grande banquete da alegria plena e da tranquilidade sem fim (Santo Ambrósio).
  • Qual é a água que Ele há-de dar, senão aquela de que está escrito: Em vós está a fonte da vida? E não podem passar sede os que se inebriam com a abundância da vossa casa (Santo Agostinho).
  • A grandeza do homem, a sua glória e a sua dignidade consistem em conhecer onde está a verdadeira grandeza e segui-la de todo o coração, em buscar com ardor a glória que vem da glória do Senhor. Portanto, quem se gloria no Senhor de modo perfeito e irrepreensível é aquele que não se exalta com a sua própria justiça, mas reconhece que não a tem e compreende que só na fé em Cristo está a sua justificação (São Basílio Magno).
  • Homem, sê para ti mesmo a medida da misericórdia; deste modo alcançarás misericórdia como quiseres, quanto quiseres e com a prontidão que quiseres basta que te compadeças dos outros com generosidade e prontidão (São Pedro Crisólogo).
  • Se tu me dizes: “Mostra-me o teu Deus” eu posso responder-te: “Mostra-me o homem que há em ti, e eu te mostrarei o meu Deus”. Mostra-me, portanto, como vêem os olhos da tua mente e como ouvem os ouvidos do teu coração. A alma do homem deve ser pura como um espelho resplandecente. Quando um espelho está baço, não pode o homem contemplar nele o seu rosto; do mesmo modo, quando há pecado no homem, não lhe é possível ver a Deus (São Teófilo de Antioquia).
  • Só a oração vence a Deus. Por isso ela não tem outra finalidade senão tirar do caminho da morte as almas dos defuntos, robustecer os fracos, curar  os enfermos, libertar os possessos, abrir as portas dos cárceres, desatar as cadeias dos inocentes. Ela perdoa os pecados, afasta as tentações, extingue as perseguições, conforta os pusilânimes, enche de alegria os generosos, encaminha os peregrinos, acalma as tempestades, detém os salteadores, alimenta os pobres, ensina os ricos, levanta os que caíram, sustenta os que vacilam, confirma os que estão de pé (Tertuliano).
  • O clamor de Cristo fica sufocado em nós, se a língua não proclama aquilo em que o coração acredita. Para que o seu clamor não fique sufocado em nós, é preciso que cada um, na medida das suas possibilidades, dê a conhecer aos outros o mistério da sua vida nova (São Gregório Magno).
  • Visitemos a Cristo, alimentemos a Cristo, tratemos as feridas de Cristo, vistamos a Cristo, recebamos a Cristo, honremos a Cristo. (…) Mas uma vez que o Senhor do Universo prefere a misericórdia ao sacrifício, uma vez que a compaixão tem muito mais valor do que a gordura de milhares de cordeiros, ofereçamos a misericórdia e a compaixão na pessoa dos pobres que hoje na terra são humilhados, de modo que, ao sairmos deste mundo, sejamos recebidos nas moradas eternas pelo mesmo Cristo nosso Senhor (São Gregório de Nazianzo).
  • Queres conhecer o caminho? Ouve o que o Senhor diz em primeiro lugar: Eu sou o caminho. Caminho para onde? A verdade e a vida. Disse primeiro por onde hás-de ir, e logo a seguir indicou para onde hás-de ir. “Eu sou o caminho, Eu sou a verdade, Eu sou a vida”. Permanecendo junto do Pai é verdade  e vida. Revestindo-se da nossa carne, fez-se caminho (Santo Agostinho).
  • Mas tu que te aproximaste de Cristo, o verdadeiro sumo sacerdote que pelo seu Sangue tornou Deus propício para contigo e te reconciliou com o Pai, não fixes a tua atenção no sangue das vítimas antigas, mas aprende a conhecer o sangue do Verbo e ouve o que Ele mesmo diz: Este é o meu sangue, derramado por vós para a remissão dos pecados (Orígenes).
  • Se Deus é amor, a caridade não deve ter fronteiras porque a grandeza de Deus não tem limites. (…) Nenhuma devoção dos fiéis é mais agradável a Deus do que a dedicação pelos seus pobres, porque nesta solicitude misericordiosa Ele reconhece a imagem da sua própria bondade (S. Leão Magno).
  • Nada é tão grato a Deus e conforme ao seu amor como a conversão dos homens a Ele com sincero arrependimento. E para dar a maior prova da bondade divina, o Verbo de Deus Pai (que é o primeiro e único sinal da sua infinita bondade), num acto de humilhação que nenhuma palavra pode explicar, num acto de condescendência para com os homens, dignou-Se habitar entre nós por meio da Incarnação; e realizou, padeceu e ensinou tudo o que era necessário para que nós, seus inimigos e adversários, fôssemos reconciliados com Deus Pai e chamados de novo à felicidade eterna que tínhamos perdido (S. Máximo Confessor).
  • A nenhum pecador é negada a vitória da cruz, a nenhum homem é recusado o auxílio da oração de Cristo. Se foi frutuosa para muitos dos que o perseguiam, quanto mais o não será para os que a Ele se convertem? (…) O povo cristão é convidado a gozar as riquezas do Paraíso, e para todos os baptizados está aberta a passagem de regresso à pátria perdida, desde que não queiram fechar para si próprios aquele caminho que se abriu também à fé do ladrão arrependido (S. Leão Magno).
  • Esta festa nos sustenta no meio das aflições do mundo; por ela nos concede Deus a alegria da salvação e da fraternidade, reunindo-nos a todos espiritualmente na mesma assembleia festiva e na mesma comunidade de oração e de acção de graças. Pela admirável bondade de Deus reúnem-se para celebrar esta solenidade os que estão longe, e sentem-se unidos na mesma fé os que estão corporalmente distantes (Santo Atanásio).
  • Os dons do Espírito são diversos: enquanto chama alguns a darem claro testemunho do desejo da pátria celeste e a conservarem-no vivo no meio da humanidade, chama outros ao serviço temporal dos homens preparando com este seu ministério a matéria do reino dos Céus (Gaudium et Spes).
  • Cristo, esperança dos homens, veio ao nosso encontro, dando novo sentido às palavras do salmista: Vós sois a minha alegria: livrai-me daqueles que me rodeiam. Esta é a verdadeira alegria, esta é a verdadeira solenidade: vermo-nos livres do mal. Para o conseguir, esforce-se cada um por viver em santidade e medite interiormente na paz e no temor de Deus. (…) Se seguirmos a Cristo, poderemos sentir-nos desde já nos átrios da Jerusalém celeste e saborear de antemão as primícias daquela festa eterna (Santo Atanásio).
  • Este sacrifício (o de Cristo) é de tal modo aceite e agradável a Deus que, ao vê-lo, não pode deixar de Se compadecer de nós e derramar a sua misericórdia sobre todos os que verdadeiramente se arrependem (S. João Fisher).
  • Já outrora Ele ameaçava a nossa morte com o poder da sua morte, ao dizer pela boca do profeta Oseias: Ó morte, eu serei a tua morte; ó inferno, eu serei a tua ruína. Com efeito, Cristo ao morrer, submeteu-Se à lei do sepulcro, mas destruiu-a pela sua ressurreição; e assim aboliu a perpetuidade da morte, convertendo-a de eterna em temporal: porque, do mesmo modo que em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos serão restituídos à vida (S. Leão Magno).
  • Quando apresentamos as nossas súplicas a Deus, não devemos separar d’Ele o Filho; e quando reza o Corpo do Filho não deve considerar-se separado da Cabeça; e deste modo o salvador do seu Corpo, Nosso Senhor Jesus Cristo, é o mesmo que ora por nós, ora em nós e recebe a nossa oração (Santo Agostinho).
  • Deus convocou todos aqueles que olham com fé para Jesus, como autor da salvação e princípio da unidade e da paz, e com eles constituiu a Igreja, a fim de que ela seja para todos e cada um sacramento visível desta unidade salvadora (Lumen Gentium).
  • Naqueles sacrifícios (de antigamente) anunciava-se de antemão que o Filho de Deus havia de morrer pelos ímpios; neste sacrifício anuncia-se que já morreu pelos ímpios, segundo o testemunho do Apóstolo: Quando éramos ainda pecadores, no tempo determinado, Cristo morreu pelos ímpios; quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho (S. Fulgêncio de Ruspas).
  • A nossa Páscoa é sempre nova (S. Gregório da Nazianzo).
  • Éramos como escarlate por causa dos nossos pecados, mas pelo banho salutar do Baptismo tornamo-nos brancos como a lã, para oferecermos ao vencedor da morte não já ramos de palmeira mas os troféus da sua vitória (Santo André de Creta).
  • Porque hesita ainda a humana fragilidade em acreditar que um dia os homens viverão com Deus? Muito mais incrível é o que já se realizou: Deus morreu pelos homens. (…) Portanto, irmãos, reconheçamos corajosamente, mais ainda, proclamemos bem alto que Cristo foi crucificado por amor de nós; digamo-lo, não com temor mas com alegria, não com vergonha mas com santo orgulho (Santo Agostinho).
  • A vinda de Cristo segundo a carne, o exemplo da sua vida evangélica, a paixão, a cruz, a sepultura e a ressurreição não tiveram outro fim senão salvar o homem, para que ele, imitando a Cristo, recuperasse a primitiva adopção filial (S. Basílio Magno).
  • Ele, ao morrer, matou em Si a morte; nós somos livres da morte pela sua morte (Santo Agostinho).
 
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