Consagração a Nossa Senhora do Sameiro, em tempo de pandemia

“Tu podes, és Mãe de Deus; e deves, és nossa Mãe”

Não estamos aqui pelo nosso merecimento. Sabemos das nossas falhas, dos nossos egoísmos, das nossas petulâncias, das nossas desobediências, dos nossos desnortes, dos nossos orgulhos, da mania de sermos deuses que mandam na vida e nisto tudo… Estamos aqui porque acreditamos em Ti, no teu poder mediador, na relação única que tens com Deus e no amor que nos dedicas.
Fomos chamados à realidade da nossa pequenez. Fomos chamados ao essencial, que andava escondido por entre imensas superficialidades. Fomos chamados à redescoberta do verdadeiro sentido da amizade, da fraternidade, da comunhão, da solidariedade, da família, dos amigos, do trabalho, da escola, da vida, até do recolhimento e do silêncio.
Agora, Mãe amada, com a lição aprendida, deixa-nos voltar à rua, deixa-nos ir para a vida nova, pautada pelo coração, pelo amor a Deus e a Ti, pelo amor ao próximo, pela “toalha à cintura”, pelo desprendimento generoso, pelo abraço sincero ao irmão.
Mãe querida, ilumina os insensatos, os imprudentes, os iludidos, os que ainda não conseguem ver para além da riqueza, da economia e da matéria.
Cuida também e gratifica os cuidadores: todos os que dão a cara, a vida, o conhecimento e o esforço a fim de se evitar tragédia maior. Estou a recomendar-te os médicos, os enfermeiros, o pessoal auxiliar, os farmacêuticos, os bombeiros, os prestadores de serviços, os cuidadores de velhinhos, todos, Mãe, todos os bons e generosos. Que eles sintam também a Tua bondade e generosidade.
Permite, Mãe querida, que as crianças voltem aos baloiços, à escola, e a lambuzar com beijos o rosto dos pais, dos manos, dos avós… Permite que os velhinhos passem tranquilos os últimos dias da sua vida. Permite que os diques se rompam e todos possam retornar a suas casas para abraçar e beijar. Permite que todos voltemos à rua, não como ameaça, não com desconfiança, mas como companheiros e irmãos, para continuarmos, unidos e solidários, o caminho da vida. Permite, Mãe, que continuemos a erguer as nossas taças para festejar vitórias, para festejar aniversários, para festejar nascimentos, para festejar o amor, para festejar regressos de gente querida. Permite, Mãe, que voltemos a viajar, a admirar o mundo belo por Deus criado, com sorriso nos lábios e sol nos dias. Permite, Mãe, que voltemos ao trabalho, rentabilizando os nossos dons em favor de Deus e do próximo. Permite, Mãe, que voltemos à vida normal, com ânimo, com júbilo, com vontade de sair de casa e abraçar o mundo.
Mãe, cuida do Brasil; cuida dos Estados Unidos da América; cuida da África; cuida do Equador; cuida da Itália; cuida da Alemanha e da Inglaterra; cuida da França e da Espanha; cuida de Portugal; cuida do mundo inteiro. E acolhe todos quantos se apressaram em partir deste mundo. Confiamos em Ti. Confiamo-nos, todos, a Ti. Afinal - nós sabemos, nós acreditamos: “Tu podes, és Mãe de Deus”. Mas não Te esqueças: Tu também deves. Sim, és nossa Mãe, a nossa querida Mãe, a Senhora do Sameiro!

Pe. Paulo Abreu

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