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O Carmelo

"O Carmelo é uma riqueza

para todas as comunidades cristãs".

(João Paulo II)

  

 A Ordem Carmelita é uma Ordem Religiosa Católica de Homens e Mulheres que, inspirados pelo espírito do Profeta Elias e da Bem-Aventurada Virgem Maria, tentam viver uma vida no seguimento de Jesus Cristo através da Contemplação, Fraternidade e Serviço no meio do povo.

 

 

 
Osteoporose da alma

Osteoporose da alma


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É a vaidade, juntamente com a avidez e a altivez, uma das «raízes de todos os males» no coração de cada pessoa. A corrida frenética, tão característica dos nossos tempos, «para fingir, para parecer, para aparecer» não leva a nada, «não nos dá um lucro verdadeiro» e deixa a inquietação na alma.


vanitas vanitatum do Eclesiastes (1, 2-11), proposta pela liturgia do dia, esteve no centro da meditação do Papa Francisco. Contudo, ponto de partida foi a inquietação do rei Herodes Antipas descrita no Evangelho de Lucas (9, 7-9). De facto, o soberano «estava inquieto» porque aquele Jesus sobre o qual todos falavam «era para ele uma ameaça». Alguns pensavam que fosse João, mas o rei repetia: «Eu degolei João. Quem é, pois, este, de quem ouço tais coisas?». Uma inquietação, observou o Pontífice, que recorda a do pai, Herodes o grande, o qual, quando chegaram os reis magos para adorar Jesus, «ficou atemorizado».

A nossa alma, explicou o Papa, «pode ter duas inquietações: a boa, que é a inquietação do Espírito Santo, que nos dá Espírito Santo, e faz com que a alma esteja inquieta para fazer coisas boas, para ir em frente: e há também a má inquietação, a que nasce de uma consciência suja». Precisamente esta última caracterizava os dois soberanos contemporâneos de Jesus: «tinham a consciência suja e por esta razão estavam inquietos, porque tinham feito coisas más e não encontravam paz, e qualquer acontecimento lhes parecia uma ameaça». Aliás, o seu modo de resolver os problemas era assassinar, e iam em frente passando «por cima dos cadáveres das pessoas».


Quem como eles, explicou Francisco, «comete o mal», tem «a consciência suja e não pode viver em paz»: a inquietação tormenta-os e vivem «com uma comichão constante, com uma urticária que não os deixa em paz». Uma realidade interior sobre a qual se concentrou a reflexão do Papa: «esta gente cometeu o mal, mas o mal tem sempre a mesma raiz, qualquer mal: a avidez, a vaidade e a altivez». Todas elas, acrescentou, «não te deixam a consciência em paz», todas impedem que entre «a inquietação sadia do Espírito Santo», e «levam a viver assim: inquietos, com medo».


A este ponto, solicitado pela primeira leitura, o Pontífice deteve-se sobre a vaidade: «Vaidade das vaidades, vaidade das vaidades... Tudo é vaidade». A expressão do Eclesiastes, observou, pode parecer «um pouco pessimista», embora na realidade «nem tudo seja assim: há gente boa». Mas, explicou Francisco, «o texto quer sublinhar esta tentação muito nossa, que é inclusive a primeira dos nossos pais: ser como Deus». Com efeito, a vaidade, «incha-nos», mas «não tem longa vida, porque é como uma bolha de sabão» e nunca dá «um verdadeiro lucro». Não obstante tudo, o homem «esforça-se por parecer, por fingir, por aparecer». Por outras palavras: «A vaidade é camuflar a própria vida. E isto adoece a alma, porque há quem camufla a própria vida para parecer, para aparecer, e todas as coisa que faz são para fingir, por vaidade, mas no fim de contas o que ganha?».


Para fazer melhor compreender esta realidade interior, o Papa usou algumas imagens concretas: «a vaidade é uma “osteoporose” da alma: de fora os ossos parecem bons, mas dentro estão todos deteriorados». E ainda: «A vaidade leva-nos à fraude; como os impostores que marcam o baralho para lucrar. Mas esta vitória é fingida, não é verdadeira. Esta é a vaidade: viver para fingir, viver para parecer, viver para aparecer. E isto inquieta a alma».


A este respeito, recordou o Papa, são Bernardo exprimia-se dirigindo-se ao vaidoso com uma palavra «até muito forte»: «Mas pensa naquilo que serás. Serás comida para vermes». Ou seja: «todo este esforço para camuflar a vida é uma mentira, porque te comerão os vermes e não serás nada». Mas «onde está a força da vaidade?», questionou-se Francisco. «Impelidos pela altivez a cometer maldades» não se quer «permitir que se veja um erro», procura-se «cobrir tudo». É verdade que há muita «gente santa»; mas é igualmente verdade que há pessoas das quais pensamos: «Que boa pessoa! Vai à missa todos os domingos. Faz grandes ofertas à Igreja», sem se dar conta da «osteoporose», da «corrupção que tem dentro». Aliás, «a vaidade é esta: faz-te parecer com uma cara de santinho e depois a tua verdade dentro é muito diferente».


Perante tudo isto, concluiu o Papa, «onde está a nossa força e a segurança, o nosso refúgio?». Também a resposta chega da liturgia. De facto, no salmo do dia lê-se: «Senhor tu foste para nós um refúgio de geração em geração». E no canto ao Evangelho recordam-se as palavras de Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida». Esta, disse Francisco, «é a verdade, não a maquilhagem da vaidade».


Por conseguinte, é importante rezar para «que o Senhor nos liberte destas três raízes de todos os males: a avidez, a vaidade e a altivez. Mas sobretudo da vaidade, que nos faz muito mal». 

 

Meditação matutina do Papa Francisco, 22 de Setembro de 2016

 
II Domingo do Advento - Ano A

2º DOMINGO DO ADVENTO - ANO A

4 de Dezembro de 2016

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 3, 1-12) 

1Naqueles dias, apareceu João, o Baptista, a pregar no deserto da Judeia. 2Dizia: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu.» 3Foi deste que falou o profeta Isaías, quando disse: “Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”. 4João trazia um traje de pêlos de camelo e um cinto de couro à volta da cintura; alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. 5Iam ter com ele os de Jerusalém, os de toda a Judeia e os da região do Jordão, 6e eram por ele baptizados no Jordão, confessando os seus pecados.

7Vendo, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao seu baptismo, disse-lhes: «Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da cólera que está para vir? 8Produzi, pois, frutos dignos de conversão 9e não vos iludais a vós mesmos, dizendo: 'Temos por pai a Abraão!' Pois, digo-vos: Deus pode suscitar, destas pedras, filhos de Abraão. 10O machado já está posto à raiz das árvores, e toda a árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada no fogo.

11Eu baptizo-vos com água, para vos mover à conversão; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu e não sou digno de lhe descalçar as sandálias. Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo e no fogo. 12Tem na sua mão a pá de joeirar; limpará a sua eira e recolherá o trigo no celeiro, mas queimará a palha num fogo inextinguível.» 

João Baptista e Jesus 

O texto do Evangelho deste Domingo II do Advento (Mateus 3,1-12) apresenta algumas notas salientes: 1) É notória a sintonia de João com Jesus, dado que ambos abrem o seu ministério, dizendo as mesmas palavras: «Convertei-vos, porque se fez próximo o Reino dos Céus»; 2) ambos colocam o seu ministério com referência a Isaías; 3) ambos abrem no deserto a sua missão, evocando o Êxodo do Egipto, o novo Êxodo da Babilónia (Ezequiel 20,33-38) e o Êxodo do noivado de Deus com Israel (Oseias 2,16-23), mas também a febre messiânica que situava no deserto o princípio da renovação escatológica; 4) a indumentária de João Baptista evoca a de Elias (2 Reis 1,8), com o qual é, de resto, identificado por Jesus. 

Se é evocada a continuidade dos ministérios de João e de Jesus, não deixa também de ser bem acentuado o confronto entre os dois: 1) vê-se bem que João Baptista anuncia um Messias juiz, que traz na mão o machado e a pá de joeirar, enquanto que Jesus assumirá a figura de Servo do Senhor manso e humilde; 2) o apelo à conversão que João faz não é dirigido aos pagãos, mas aos israelitas piedosos: portanto, face ao Messias juiz que vem aí, também os justos se devem converter; não é a raça de Abraão que conta, mas a fé; 3) a conversão manifesta-se em fazer fruto, uma ideia recorrente em Mateus; 4) a conversão  não deve ser vista apenas pelo seu significado etimológico: mudar de mentalidade; seria uma maneira de ver muito intimista, mostraria o homem debruçado sobre si mesmo, sobre os seus pecados; sobretudo depois de Jeremias, não implica o dobrar-se do homem sobre si mesmo, mas o orientar-se para ALGUÉM, para Deus, com quem o ser humano cortou relações, distanciando-se e quebrando a aliança. 5) à vista de Jesus que vem no meio da multidão, como verdadeiro Servo do Senhor, que assume as faltas da multidão, João fica confuso; na verdade, esperava um Juiz, e não um Servo solidário com o povo no pecado (por isso, vem, no meio do povo, a este baptismo de penitência); 6) além disso, e contra todas as expectativas de João, Jesus não vem para baptizar, mas para ser baptizado; 7) o diálogo travado entre João Baptista e Jesus (3,14-15) é exclusivo de Mateus (nenhum outro Evangelho o descreve).

Faz-se notório o sonho de um Deus que desce ao nosso meio, não para nos condenar ou derrubar, mas para se tornar solidário connosco. 

Convertei-vos, porque o Reino do Céu está próximo 

O Advento não é tanto um tempo de penitência, como a Quaresma, mas de preparação para um encontro com o Senhor, no Natal. A liturgia apresenta-nos hoje a grande figura de João Baptista, mandado por Deus como anunciador do novo tempo de graça e salvação. Deus não permite que a perversidade e a maldade tenham a palavra final na história da humanidade. Essa será mais tarde a mensagem básica do Apocalipse: o mal já é um derrotado, e embora possa parecer diferente, é Deus e não o mal que controla a caminhada da história. Mensagem de conforto para as comunidades sofridas do fim do primeiro século como também para as de hoje. Mas esta vitória não se concretiza sem que haja luta, sacrifício, e cruz!

Mateus põe na boca de João um trecho de Segundo-Isaías: “Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”. No seu contexto original (Is 40, 3), a afirmação do profeta soava como uma proclamação de esperança, para os exilados na Babilónia: Deus não abandonou o seu povo, mas está de volta para o libertar. Essa mensagem deu coragem e alento ao Povo de Deus exilado na Babilónia para não desanimar, mas continuar a caminhada, confiando na presença amorosa, transformadora e libertadora de Deus.

Podemos também entender a afirmação de Is 40, 3, aplicando-a a cada um de nós e às nossas comunidades, como descrição de uma mudança radical no estilo de vida de quem quer aceitar o convite à penitência e ao arrependimento. As estradas a serem endireitadas, simbolizam os  obstáculos existentes nas nossas vidas que dificultam o seguimento mais autêntico de Jesus. Quem aceita a sua mensagem terá que mudar radicalmente, isto é, na raiz, a sua vida.

Não adianta ter uma fé teórica, pois é somente pelos actos concretos que cada um mostra a realidade da sua adesão ao projeto de Deus. O Advento pode ser tempo de graça, pode ser tempo oportuno para uma revisão de vida, para descobrir quais são as curvas, montanhas, e pedras que teremos que tirar para que o Senhor realmente possa habitar nos nossos corações. A conversão é um processo permanente e urgente, que exige reconhecimento dos nossos pecados, uma vontade de mudar a orientação da nossa vida, e uma abertura para a graça de Deus, que é capaz de fazer maravilhas em nós. Ressoa muito alto hoje o convite e desafio de João: “Convertei-vos, porque o Reino do Céu está próximo” (v. 2). A decisão é nossa, pois o nosso Deus, rico em misericórdia, jamais nos negará a sua graça. 

Palavra para o caminho 

“Preparai o caminho do Senhor”. Como abrir caminhos para Deus? Como abrir-lhe mais caminhos  na nossa vida?

Busca pessoal. Para muitos, Deus está hoje como que oculto e encoberto por todo um conjunto de preconceitos, dúvidas, más recordações de infância ou experiências religiosas negativas. Como descobri-lo? O importante não é pensar na Igreja, nos padres, na missa ou na moral sexual. A primeira coisa é abrir o coração e buscar o Deus vivo que se nos revela em Jesus Cristo. Deus  deixa-se encontrar pelos que o buscam.

Atenção interior. Para abrir um caminho para chegar a Deus é necessário descer ao fundo do nosso coração. Quem não busca Deus no seu interior é difícil que o encontre fora. Dentro de nós encontraremos medos, perguntas, desejos, vazio... Não importa. Deus está aí. Ele criou-nos com um coração que não descansará enquanto não estiver nele.

Com um coração sincero. Não deve preocupar-nos o pecado ou a mediocridade. O que mais nos aproxima do mistério de Deus é VIVER NA VERDADE, não nos enganarmos a nós mesmos, reconhecer os nossos erros. O encontro com Deus acontece quando nasce a partir de dentro esta oração: «Ó Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador». Este é o melhor caminho para recuperar a paz e a alegria interior.

Em atitude de confiança. É o medo o que fecha a muitos o caminho para Deus. Muitos têm medo de encontrar-se com Ele, só pensam no julgamento e nos possíveis castigos. Acabam por não acreditarem que Deus só é Amor e que, mesmo quando julga o ser humano, fá-lo com Amor infinito. Despertar a confiança total neste Amor pode ser começar a viver de uma maneira nova e feliz com Deus.

Caminhos diferentes. Cada um tem de fazer o seu próprio caminho. Deus acompanha a todos nós. Não abandona ninguém e, menos ainda, quando se encontra perdido. O importante é não perder o desejo humilde de Deus. Quem continua a confiar, quem de alguma maneira deseja crer já é «crente» perante esse Deus que conhece até o fundo do coração de cada pessoa.

 
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