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O Carmelo

"O Carmelo é uma riqueza

para todas as comunidades cristãs".

(João Paulo II)

  

 A Ordem Carmelita é uma Ordem Religiosa Católica de Homens e Mulheres que, inspirados pelo espírito do Profeta Elias e da Bem-Aventurada Virgem Maria, tentam viver uma vida no seguimento de Jesus Cristo através da Contemplação, Fraternidade e Serviço no meio do povo.

 

 

 
Do silêncio profético e do controle da língua (3) (n.º 21)

A Regra do Carmo

- Do silêncio profético e do controle da língua (3) (n.º 21) -

- Silêncio: esvaziar-se para Deus. No silêncio de Nazaré, a palavra se encarnou no seio de Maria-

21. O apóstolo recomenda o silêncio, quando manda que é nele que se deve trabalhar. E como afirma o profeta: a justiça é cultivada pelo silêncio. E ainda: no silêncio e na esperança estará a força de vocês.

Por isso, determinamos que, depois da recitação das completas, guardem o silêncio até depois da Hora Primeira do dia seguinte. Fora desse tempo, embora a observância do silêncio não seja tão rigorosa, com tanto mais cuidado abstenham-se do muito falar, porque, conforme está escrito e não menos ensina a experiência: No muito falar não faltará o pecado; e: Quem fala sem refletir sentirá um mal-estar; e ainda: Quem fala em demasia prejudica a sua alma; e o Senhor no Evangelho: De toda palavra inútil que os homens disserem, dela terão que prestar conta no dia do juízo.

Portanto, cada um faça uma balança para as suas palavras e rédeas curtas para a sua boca, para que, de repente, não tropece e caia por causa da sua língua, numa queda sem cura que conduz à morte. Que, como diz o profeta, cada um vigie sua conduta para não pecar com a língua, e se empenhe, com diligência e prudência, em observar o silêncio pelo qual se cultiva a justiça.

Um pouco de história: Os motivos do silêncio invocados pela Regra, pelas religiões e pelo bom senso

Na Regra o silêncio é uma arma a mais a ser usada na luta espiritual. E é uma das armas mais importantes. Pois, dentro do conjunto da Regra, o capítulo sobre o silêncio (Rc 21) é o ponto de chega­da após as longas recomendações sobre a luta (Rc 18-19) e o trabalho (Rc 20). É o topo do Monte Carmelo, onde se chega após longa e dolorosa subida. É através do silêncio que todos os valores da vida carmelitana, aos poucos, vão sendo assimilados e encarnados na vida.

Todas as religiões, de uma ou de outra forma, recomendam a prática do silêncio como condição neces­sária para o encontro do ser humano com Deus. O silêncio é importante, não só para o nosso relacionamento com Deus, mas também para o relacionamento com o próximo, connosco mesmos, com a natureza e com as coisas. É importante, inclusive, para a saúde mental e corporal das pessoas.

Silêncio é muito mais do que ausência de barulho. É o espaço onde se refaz a síntese final, onde a pessoa se possui a si mesma, onde ela conversa com Deus, onde ela se prepara para poder falar e con­versar com os outros. Sem silêncio não há conversa, nem com o irmão e a irmã, nem com Deus. Pois a condição para a conversa verdadeira é saber escutar o outro. Palavras verdadeiras nascem é do silêncio.

Silêncio é saber escutar. É fazer a outra pessoa sentir que, no momento da conversa, ela, e só ela, é o absoluto diante do qual tudo o resto é relativo. Isto exige uma ascese muito grande. Sobretudo, saber escutar as pessoas que sempre foram silenciadas, os pobres, tanto na sociedade como na Igreja. Resumindo:

  • O silêncio favorece a comunicação: fazer silêncio para aprender a escutar. Fazer silenciar tudo para dar atenção ao outro, ao pobre, ao povo, a Deus.
  • O silêncio é o caminho para a maturidade. Evita a superficialidade, pois exige o recolhimento e concentração das forças da gente.
  • O domínio da língua é condição para o domínio da mente e para a consciência crítica que nos revela as situações de morte que ameaçam a vida.
  • O silêncio deve ter uma expressão concreta e comunitária, para que lembre a todos que o objetivo da vida fraterna é a busca de Deus e do irmão.
  • O silêncio é como a solidão e a cela: não vale em primeiro lugar pelo não falar, mas pelo silêncio interior que por ele deve ser gerado.

Maria, a Virgem do silêncio

De Maria se fala pouco na Bíblia, e ela mesma fala menos ainda. Os textos da Bíblia sobre Maria são todos dos evangelhos, menos três (Gl 4,4; At 1,13; Ap 12,1-17). Segue aqui uma chave de leitura para os textos dos três evangelhos que falam sobre Maria: Mateus, Lucas e João.

Chave de leitura para os textos do evangelho de Mateus sobre Maria

Nos textos do evangelho de Mateus, em que Maria é mencionada, tudo é centrado em torno da pessoa de José. Maria aparece como a esposa de José. Ela mesma não fala.

Na genealogia de Jesus, Maria aparece silenciosa em companhia de quatro outras mulheres. Esta Companhia de Maria merece uma atenção especial. São Tamar, Raab, Betsabea e Rute.

  • Tamar, uma cananeia, viúva, se vestiu de prostituta para obrigar o patriarca Judá a ser fiel à lei e dar-lhe um filho (Gn 38,1-30).
  • Raab, uma cananeia, prostituta de Jericó, fez aliança com os israelitas. Ajudou-os a entrar na Terra Prometida e professou a fé no Deus libertador do Êxodo (Js 2,1-21).
  • Betsabea, uma hitita, mulher de Urias, foi seduzida, violentada e engravidada pelo rei Davi, que, além disso, mandou matar o marido dela (2 Sm 11,1-27).
  • Rute, uma moabita, viúva pobre, optou por ficar do lado de Noemi e aderiu ao Povo de Deus (Rt 1,16-18).

As quatro mulheres são estrangeiras e irregulares. Não agem nem vivem dentro dos padrões da lei. Mesmo assim, suas iniciativas pouco convencionais deram continuidade à linhagem de Je­sus e trouxeram a salvação de Deus para todo o povo. Foi através delas que Deus realizou o seu plano de salvação e nos enviou o Messias prometido.

Uma irregularidade semelhante existe em Maria. A sua gravidez acontece antes de ela conviver com José. Se José tivesse agido conforme as exigências das leis da época, deveria ter denunciado Maria, e ela poderia ser apedrejada. Mas José, por ser justo, não obedeceu às exigências das leis da pureza. A justiça de José era maior e levou-o a defender a vida tanto de Maria como de Jesus. Mais tarde, Jesus irá dizer: "Se a justiça de vocês não for maior que a dos escribas e fariseus, não poderão entrar no Reino do céu" (Mt 5,20).

Chave de leitura para os textos do evangelho de Lucas sobre Maria

É no evangelho de Lucas que Maria aparece mais. Mesmo assim, ela fala pouco. Ao todo, quatro vezes. Ela fala duas frases com o anjo Gabriel. Com Isabel ela canta, usando os salmos. Com Jesus no Templo de Jerusalém, ela expressa a sua angústia e não chega a entender a resposta dele. Maria costuma ruminar os fatos e assim vai descobrindo o apelo de Deus que existe dentro dos fatos (Lc 2,19.51). 

Lucas, quando fala de Maria, pensa nas comunidades. Ele apresenta Maria como modelo para a vida das comunidades. É na maneira de Maria relacionar-se com a Palavra de Deus que Lucas vê a maneira mais correta para a comunidade relacionar-se com a Palavra de Deus: acolhê-la, encarná-la, vivê-la, aprofundá-la, ruminá-la, fazê-la nascer e crescer, deixar-se moldar por ela, mesmo quando não a entendemos ou quando ela nos faz sofrer. Maria nos orienta na escuta e no uso da Palavra de Deus.

Chave de leitura para os textos do evangelho de João sobre Maria

A Mãe de Jesus aparece duas vezes no evangelho de João: no começo, nas bodas de Caná (Jo 2,1-5), e no fim, ao pé da Cruz (Jo 19,25-27), e pronuncia apenas duas frases: "Eles não têm mais vinho!" (Jo 2,3) e: "Fazei tudo o que ele vos disser!" (Jo 2,5). Nos dois casos, em Caná e ao pé da Cruz, Maria representa o Antigo Testamento que aguarda a chegada do Novo e, nos dois casos, ela contribui para que o Novo chegue. Maria é o elo entre o que havia antes e o que virá depois.

Em Caná, é ela, a mãe de Jesus, símbolo do Antigo Testamento, que percebe os limites do Antigo: "Eles não têm mais vinho!" E é ela que dá os passos para que o Novo possa chegar, dando o grande conselho: "Fazei tudo que ele vos disser!" Na hora da morte, é novamente Maria, a Mãe de Jesus, que acolhe o "Discípulo Amado". O Discípulo Amado é a Comunidade do Novo Testamento que cresceu ao redor de Jesus. Ele é o filho que nasceu do Antigo Testamento. A pedido de Jesus, o Novo Testamento, recebe o Antigo Testamento, em sua casa. Os dois devem caminhar juntos. Pois o Novo não se entende sem o Antigo. Mãe não se entende sem filho, e filho não se entende sem mãe. Seria um prédio sem fundamento. E o Antigo sem o Novo ficaria incompleto. Seria uma árvore sem fruto.

Carlos Mesters, O. Carm

 
XXVII Domingo do Tempo Comum - Ano A

27º DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO A)

5 de Outubro de 2014

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 21, 33-43)

33«Escutai outra parábola: Um chefe de família plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar, construiu uma torre, arrendou-a a uns vinhateiros e ausentou-se para longe. 34Quando chegou a época das vindimas, enviou os seus servos aos vinhateiros, para receberem os frutos que lhe pertenciam. 35Os vinhateiros, porém, apoderaram-se dos servos, bateram num, mataram outro e apedrejaram o terceiro. 36Tornou a mandar outros servos, mais numerosos do que os primeiros, e trataram-nos da mesma forma. 37Finalmente, enviou-lhes o seu próprio filho, dizendo: 'Hão-de respeitar o meu filho.' 38Mas os vinhateiros, vendo o filho, disseram entre si: 'Este é o herdeiro. Matemo-lo e ficaremos com a sua herança.' 39E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no. 40Ora bem, quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?» 41Eles responderam-lhe: «Dará morte afrontosa aos malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros que lhe entregarão os frutos na altura devida.» 42Jesus disse-lhes: «Nunca lestes nas Escrituras: 'A pedra que os construtores rejeitaram transformou-se em pedra angular? Isto é obra do Senhor e é admirável aos nossos olhos?' 43Por isso vos digo: O Reino de Deus ser-vos-á tirado e será confiado a um povo que produzirá os seus frutos.»

Chave de leitura

O evangelho de hoje (Mt 21,33-43), Domingo XXVII do Tempo Comum, começa por descrever os gestos de amor embevecido de Deus pela sua vinha, seguindo de perto o cântico da vinha, de Is 5,1-7. Mas depois continua de forma incisiva, introduzindo novas personagens: os VINHATEIROS violentos e assassinos são os chefes religiosos e civis (chefes dos sacerdotes e anciãos do povo, ou chefes dos sacerdotes e fariseus), dado que estas parábolas são dirigidas a eles (Mt 21,23), e são eles que, no final, reagem (Mt 21,45). Os SERVOS sucessivamente enviados por Deus e maltratados pelos homens são os profetas, todos assassinados, segundo o módulo narrativo mais breve de toda a Escritura (Lc 11,50-51); cf. Mt 23,34-35). O filho que é o último enviado, e que é igualmente morto pelos VINHATEIROS, salta à vista que é Jesus, antecipação do que está para acontecer.

Os VINHATEIROS são, neste ponto da parábola, apanhados na pergunta sem saída de Jesus: «Quando vier o dono da vinha, que fará com esses VINHATEIROS?» (Mt 21,40). Eles respondem fácil e direito, ao jeito de David, quando ouve a história da ovelhinha do pobre comida à mesa do rico (2Sm 12, 5-6): «Mandará matar sem piedade esses malvados e arrendará a vinha a OUTROS VINHATEIROS, que lhes entreguem os frutos a seu tempo» (Mt 21,41).

E Jesus remata com uma citação do Sl 118,22: «A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular» (Mt 21,42). E ainda: «O Reino de Deus ser-vos-á tirado, e confiado a UM POVO que produza os seus frutos» (Mt 21,43). Nesta altura, diz-nos o narrador, que « os chefes dos sacerdotes e os fariseus, ouvindo estas parábolas, perceberam que Jesus se referia a eles, e procuravam prendê-lo …» (Mt 21,45-46).

Claramente, os chefes dos sacerdotes e os fariseus são alinhados ao lado dos VINHATEIROS violentos e assassinos, mas já surge no horizonte OUTRO POVO e OUTROS VINHTEIROS, à imagem do último Profeta e d´Ele verdadeira transparência. Não nos esqueçamos de que é este o nosso retrato. Saibamos fazê-lo frutificar.

Esta parábola faz passar diante de nós a inteira história da salvação, mostra-nos o amor permanente e persistente de Deus, e faz-nos ver também a qualidade do amor da resposta que somos hoje chamados a dar.

Actualização

O problema fundamental posto por este texto é o da coerência com que vivemos o nosso compromisso com Deus e com o Reino. Deus não obriga ninguém a aceitar a sua proposta de salvação e a envolver-se com o Reino; mas uma vez que aceitamos trabalhar na sua “vinha”, temos de produzir frutos de amor, de serviço, de doação, de justiça, de paz, de tolerância, de partilha… O nosso Deus não está disposto a pactuar com situações dúbias, descaracterizadas, amorfas, incoerentes, mentirosas; mas exige coerência, verdade e compromisso. A parábola convida-nos, antes de mais, a não nos deixarmos cair em esquemas de comodismo, de instalação, de facilidade, de “deixa andar”, mas a levarmos a sério o nosso compromisso com Deus e com o Reino e a darmos frutos consequentes. O meu compromisso com o Reino é sincero e empenhado? Quais são os frutos que eu produzo? Quando se trata de fazer opções, ganha o meu comodismo e instalação, ou a minha vontade de servir a construção do Reino?

Palavra para o caminho

Às vezes, pensamos que esta parábola tão ameaçadora vale para o povo do Antigo Testamento, mas não para nós, que somos o povo da Nova Aliança, e que temos já a garantia de que Cristo estará sempre connosco.

É um erro. A parábola está, também, a falar de nós. Deus não tem que abençoar um cristianismo estéril, do qual não recebe os frutos que espera. Não tem que identificar-se com as nossas incoerências, desvios e pouca fidelidade. Também, agora, Deus quer que os trabalhadores indignos da sua vinha sejam substituídos por um povo que produza frutos dignos do Reino de Deus.

 
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