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O Carmelo

"O Carmelo é uma riqueza

para todas as comunidades cristãs".

(João Paulo II)

  

 A Ordem Carmelita é uma Ordem Religiosa Católica de Homens e Mulheres que, inspirados pelo espírito do Profeta Elias e da Bem-Aventurada Virgem Maria, tentam viver uma vida no seguimento de Jesus Cristo através da Contemplação, Fraternidade e Serviço no meio do povo.

 

 

 
XIV Domingo do Tempo Comum - Ano B

14º DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)

5 de Julho de 2016

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 6, 1-6)

1Naquele tempo, Jesus foi para a sua terra e os discípulos seguiam-no. 2Chegado o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Os numerosos ouvintes enchiam-se de espanto e diziam: «De onde é que isto lhe vem e que sabedoria é esta que lhe foi dada? Como se operam tão grandes milagres por suas mãos? 3Não é Ele o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E as suas irmãs não estão aqui entre nós?» E isto parecia-lhes escandaloso. 4Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua pátria, entre os seus parentes e em sua casa.» 5E não pôde fazer ali milagre algum. Apenas curou alguns enfermos, impondo-lhes as mãos. 6 Estava admirado com a falta de fé daquela gente.

Chave de leitura

Neste 14º Domingo do Tempo Comum, a Igreja coloca à nossa consideração a rejeição de Jesus por parte das pessoas de Nazaré. A sua passagem por Nazaré foi dolorosa. A que era a sua comunidade agora já não o é. Algo mudou. Os que antes o acolhiam, agora rejeitam-no. Como veremos depois, esta experiência de rejeição levou Jesus a tomar uma decisão e a mudar o seu agir. Desde que começaste a participar na comunidade algo mudou na tua relação com a família e os amigos? A participação na comunidade serviu-te para acolher e ter mais confiança nas pessoas, sobretudo nos mais humildes e nos mais pobres?

O contexto de ontem e de hoje

Ao longo das páginas do seu evangelho, Marcos indica que a presença e a acção de Jesus constituem uma fonte crescente de alegria para alguns e um motivo de rejeição para outros. Cresce o conflito, aparece o mistério de Deus que envolve a pessoa de Jesus. Com o capítulo 6º, encontramo-nos na narração diante de uma espécie de curva. As pessoas de Nazaré fecham-se perante Jesus (Mc 6, 1-6). E Jesus, perante esta postura de fechamento das pessoas da sua comunidade, abre-se às de outras comunidades. Dirige-se às pessoas da Galileia e envia os seus discípulos em missão, ensinando como deve ser a relação com as pessoas, de modo que seja verdadeira relação comunitária, que não exclua, como acontece com as pessoas de Nazaré (Mc 6, 7-13). Quando Marcos escreve o seu evangelho, as comunidades cristãs viviam uma situação difícil e sem horizontes. Humanamente falando não havia futuro para elas. A descrição do conflito que Jesus vive em Nazaré e o envio dos discípulos, que alarga a missão, torna-as criativas. Para os que crêem em Jesus não se pode estar numa situação sem horizontes.

Comentário do texto

Marcos 6, 1-3: reacção das pessoas de Nazaré perante Jesus. É sempre bom regressar à nossa terra. Depois de uma larga ausência, também Jesus regressa e, como de costume, no dia de sábado vai a uma reunião da comunidade. Jesus não era o coordenador, mas apesar disto tomou a palavra, sinal de que as pessoas podiam participar e expressar a sua opinião. Mas as pessoas não gostaram do que Jesus disse e ficaram escandalizadas. Jesus, conhecido por elas desde criança, como tinha mudado tanto? As pessoas de Cafarnaum aceitaram o ensinamento de Jesus (Mc 1, 22) mas as de Nazaré ficaram escandalizadas e não o aceitaram. Qual a razão da recusa? “Não é este o carpinteiro, o filho de Maria?”. Não aceitavam o mistério de Deus presente numa pessoa tão comum como elas. Para poder falar de Deus deveria ser diferente delas! O acolhimento dado a Jesus não foi bom. As pessoas que deveriam ser as primeiras a aceitar a Boa Nova, são precisamente as primeiras a não a aceitar. O conflito não é só, portanto, com os de fora, mas também com os parentes e com as gentes de Nazaré. Eles não aceitam porque não conseguem entender o mistério que envolve a pessoa de Jesus. “De onde é que isto lhe vem e que sabedoria é esta que lhe foi dada? Como se operam tão grandes milagres por suas mãos? Não é Ele o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E as suas irmãs não estão aqui entre nós?”. E não conseguem acreditar.

A expressão “irmãos de Jesus” causa muita polémica entre católicos e protestantes. Baseando-se neste e noutros textos, os protestantes dizem que Jesus teve muitos irmãos e irmãs e que Maria teve mais filhos. Nós, os católicos, dizemos que Maria não teve outros filhos. O que pensar de tudo isto? Em primeiro lugar, quer as posições dos católicos quer as dos protestantes, retiram o argumento da Bíblia e da antiga Tradição das respectivas Igrejas. Por isso não convém discutir estas questões com argumentos racionais, fruto das nossas ideias. Trata-se de convicções profundas, que têm a ver com a fé e o sentimento das pessoas. O argumento sustentado só por ideias não consegue desfazer uma convicção da fé que encontra as suas raízes no coração. Só irrita e desassossega. Mas ainda que não se esteja de acordo com a opinião do outro, devo contudo respeitá-la. Em segundo lugar, em vez de discutir sobre os textos, todos nós, católicos e protestantes, devemos unir-nos muito mais na luta em defesa da vida, criada por Deus, vida tão ultrajada pela pobreza, a injustiça, pela falta de fé. Devemos recordar outras frases de Jesus: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10); “para que todos sejam um, para que o mundo acredite que tu me enviaste” (Jo 17, 21); “Não o proibais. Quem não está contra nós, está connosco” (Mc 9, 39-40).

Marcos 6, 4-6: Reacção de Jesus perante o comportamento das pessoas de Nazaré. Jesus sabe muito bem que “santos da casa não fazem milagres” e diz: “Um profeta só é desprezado na sua pátria, entre os seus parentes e em sua casa”. Com efeito, onde não há a aceitação da fé, as pessoas não podem fazer nada. O preconceito impede-o. Mesmo querendo, Jesus não pode fazer nada e permanece atónito perante a falta de fé dos seus concidadãos.

Informações acerca do evangelho de Marcos

Este ano litúrgico apresenta-nos de modo particular o evangelho de Marcos. Vale a pena dar algumas informações que nos ajudem a descobrir melhor a mensagem que Marcos nos quer comunicar.

O desenho do rosto de Deus na parede do evangelho de Marcos

Jesus morreu por volta dos 33 anos. Quando Marcos escreve o seu evangelho nos anos setenta, as comunidades cristãs viviam já dispersas pelo Império Romano. Alguns afirmam que Marcos escreveu para as comunidades de Itália. Outros afirmam que foi para as da Síria. É difícil saber com certeza. De qualquer forma, uma coisa é certa: não faltavam os problemas. O Império Romano perseguia os cristãos, a propaganda do Império infiltrava-se nas comunidades, os judeus da Palestina revoltavam-se contra a invasão romana. Existiam tensões internas devidas a diversas tendências, doutrinas, chefes...

Marcos escreve o seu evangelho para ajudar as comunidades a encontrar resposta para estes problemas e preocupações. Recolhe vários episódios e palavras de Jesus e une-os entre si como ladrilhos de uma parede. Os ladrilhos são já antigos e conhecidos. Vêm das comunidades onde foram transmitidos oralmente em reuniões e celebrações. O desenho formado pelos ladrilhos era novo. Vinha de Marcos e da sua experiência acerca de Jesus. Ele queria que as comunidades, lendo o que Jesus fez e disse, encontrassem resposta para estas perguntas: “Quem é Jesus para nós e quem somos nós para Jesus?”; “Como ser discípulo?”; “Como anunciar a Boa Nova de Deus, que nos revelou?”; “Como percorrer o caminho traçado por ele?”.

Três chaves para entender as divisões no evangelho de Marcos

1ª Chave: O evangelho de Marcos foi escrito para ser lido e escutado em comunidade. Quando se lê a sós um livro, pode-se voltar atrás, para unir uma parte com a outra, mas quando se lê em comunidade e uma pessoa está diante de nós a ler o evangelho, não é possível dizer: “Pára! Lê outra vez. Não entendi bem!”. Como veremos, um livro escrito para ser escutado nas celebrações comunitárias tem um modo diverso de dividir o tema relativamente a outro que é lido a sós.

2ª Chave: O evangelho de Marcos é uma narração. Uma narração é como um rio. Atravessando o rio de barco, ninguém se dá conta da divisão das águas. O rio não tem divisões. É constituído por um só fluir, desde o princípio até ao fim. No rio, as divisões fazem-se desde as margens. Diz-se, por exemplo: “Que bela parte do rio a que vai desde aquela casa até à curva onde se encontra a palmeira, que está três curvas depois!”. Mas na água não se vê nenhuma divisão. A narração de Marcos flui como um rio. As suas divisões são encontradas por aqueles que as escutam e as encontram nas margens, como se fosse, nos lugares por onde Jesus passava, na geografia, nas pessoas que encontra, ao longo dos caminhos que percorre. Estas indicações à margem ajudam o leitor a caminhar com Jesus, passo a passo, da Galileia até Jerusalém, do lago até ao Calvário.

3ª Chave: O evangelho de Marcos foi escrito para ser lido de uma só vez. Era assim que faziam os judeus com os livros mais pequenos do Antigo Testamento. Alguns entendidos afirmam que o evangelho de Marcos foi escrito para ser lido, todo inteiro, no decurso da longa vigília da noite de Páscoa. Por isso, a fim de que as pessoas que escutassem não ficassem cansadas, a leitura devia ser dividida e ter algumas pausas. Além disso, quando uma narração é longa, como a do evangelho de Marcos, a sua leitura deve ser interrompida a cada passo. Em certos momentos é necessário fazer uma pausa, doutra forma os ouvintes perdem-se. Estas pausas estavam já previstas pelo próprio autor da narração. E fazia-se entre as leituras longas dando alguns resumos prévios. Praticamente como acontece na televisão. Todos os dias, ao começar a telenovela são repetidas algumas cenas do episódio anterior. Quando termina são apresentadas algumas cenas do dia seguinte. Estes resumos são como os eixos ou articulações que unem o que foi lido com o que vai ser lido. Permitem parar e começar de novo sem interromper nem alterar a sequência da narração. Ajudam os que ouvem a colocar-se no rio da narração que flui. No evangelho de Marcos encontram-se vários resumos deste tipo ou pausas, que permitem descobrir e seguir o fio da Boa Notícia de Deus que Jesus nos revelou e que Marcos nos conta. No total trata-se de sete blocos ou leituras mais longas intercaladas de pequenos resumos ou articulações onde é possível fazer umas pausas.

Uma divisão do evangelho de Marcos

Eis uma possível divisão do evangelho de Marcos. Outros dividem-no doutro modo. A importância de uma divisão é que abra uma das muitas janelas para o interior do texto e nos ajude a descobrir a rota do caminho que Jesus abriu para nós em direcção ao Pai e aos irmãos.

  • Mc 1, 1-13: Começo da Boa Nova.
  • Preparar o anúncio.
  • 1ª Leitura.
  • Mc 1, 14-15: Pausa, resumo, articulação.
  • Mc 1, 16-3, 16: Cresce a Boa Nova.
  • O conflito torna-se presente.
  • 2ª Leitura.
  • Mc 3, 7-12: Pausa, resumo, articulação.
  • Mc 3, 13- 6, 6: Cresce o conflito.
  • Aparece o mistério.
  • 3ª Leitura.
  • Mc 6, 7-13: Pausa, resumo, articulação.
  • Mc 6, 14-8, 21: Cresce o mistério.
  • Não é compreendido.
  • 4ª Leitura.
  • Mc 8, 22-26: Pausa, resumo, articulação.
  • Mc 8, 27-10, 45: Eles continuam sem compreender.
  • A a luz obscura da cruz aparece.
  • 5ª Leitura.
  • Mc 10, 46-52: Pausa, resumo, articulação.
  • Mc 11, 1-13, 32: Cresce a luz obscura da cruz.
  • Aparece a ruptura e a morte.
  • 6ª Leitura.
  • Mc 13, 33-37: Pausa, resumo, articulação.
  • Mc 14, 1-15, 39: Cresce a ruptura e a morte.
  • Aparece a vitória sobre a morte.
  • 7ª Leitura.
  • Mc 15, 40-41: Pausa, resumo, articulação.
  • Mc 15, 42-16, 20: Aumenta a vitória sobre a morte.
  • Reaparece a Boa Nova.
  • 8ª Leitura.
  • Mc 16, 9-20.

Nesta divisão os títulos são importantes. Indicam o caminho do Espírito, da inspiração, que percorre o evangelho desde o princípio até ao fim. Quando um artista tem uma inspiração procura expressá-la através de uma obra de arte. A inspiração é como uma força eléctrica que corre invisível através do fio e acende a lâmpada da nossa casa. Do mesmo modo a inspiração corre invisível através das letras, da poesia ou das formas das pinturas para revelar e acender em nós uma luz semelhante ou quase semelhante à que brilhou na alma do artista. Por isso, as obras artísticas atraem e causam admiração às pessoas. O mesmo sucede quando lemos e meditamos o evangelho de Marcos. O mesmo Espírito ou Inspiração que levou Marcos a escrever o texto, continua a estar presente nas palavras do seu evangelho. Mediante uma leitura atenta e orante, este Espírito entra em acção e começa a actuar em nós. E assim, pouco a pouco, descobrimos o rosto de Deus que se revelou em Jesus e que Marcos nos comunica no seu livro.

 
Laudato si: um "guia" de leitura da Encíclica do Papa Francisco
Laudato si':

um "guia" de leitura da Encíclica do Papa Francisco

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Publicamos um guia de leitura do texto Laudare si', divulgado por Radio Vaticano, em 18-06-2015. Este texto oferece um instrumento de suporte para uma primeira leitura da Encíclica, ajudando a compreender o seu desenrolar na totalidade e a identificar as linhas principais.

Um olhar por inteiro

«Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão a crescer?»  (160). Este interrogativo é o âmago da Laudato si’, a esperada  Encíclica do Papa Francisco sobre o cuidado da casa comum. Que prossegue: «Esta pergunta não toca apenas o meio ambiente de maneira isolada, porque não se pode pôr a questão de forma fragmentária», e isso conduz a interrogar-se sobre o sentido da existência e sobre os valores que estão na base da vida social: «Para que viemos a esta vida? Para que trabalhamos e lutamos? Que necessidade tem de nós esta terra?»: «Se não pulsa nelas esta pergunta de fundo,– diz o Pontífice – não creio que as nossas  preocupações ecológicas possam surtir efeitos importantes».

O nome da Encíclica foi inspirado na invocação de São Francisco «Louvado sejas, meu Senhor»,  que no Cântico das criaturas recorda que a terra, a nossa casa comum, «se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços» (1). Nós mesmos «somos terra (cfr Gen 2,7). O nosso corpo é constituído pelos elementos do planeta; o seu ar permite-nos respirar e a sua água vivifica-nos e restaura-nos» (2). 

Agora, esta terra maltratada e saqueada se lamenta e os seus gemidos se unem aos de todos os abandonados do mundo. O Papa Francisco convida a ouvi-los, exortando todos e cada um – indivíduos, famílias, coletividades locais, nações e comunidade internacional – a uma «conversão ecológica», segundo a expressão de São João Paulo II, isto é, a «mudar de rumo», assumindo a beleza e a responsabilidade de um compromisso para o «cuidado da casa comum». Ao mesmo tempo, o Papa Francisco reconhece que se nota «uma crescente sensibilidade relativamente ao meio ambiente e ao cuidado da natureza, e cresce uma sincera e sentida preocupação pelo que está a acontecer ao nosso planeta» (19), legitimando um olhar de esperança que permeia toda a Encíclica e envia a todos uma mensagem clara e repleta de esperança: «A humanidade possui ainda a capacidade de colaborar na construção da nossa casa comum» (13); «o ser humano ainda é capaz de intervir de forma positiva» (58); «nem tudo está perdido, porque os seres humanos, capazes de tocar o fundo da degradação, podem também superar-se, voltar a escolher o bem e regenerar-se» (205).

O Papa Francisco dirige-se certamente aos fiéis católicos, retomando as palavras de São João Paulo II: «os cristãos, em particular, advertem que a sua tarefa no seio da criação e os seus deveres em relação à natureza e ao Criador fazem parte da sua fé» (64), mas propõe-se «especialmente entrar em diálogo com todos acerca da nossa casa comum» (3): o diálogo percorre todo o texto, e no cap.  5 torna-se o instrumento para enfrentar e resolver os problemas. Desde o início, o Papa Francisco  recorda que também «outras Igrejas e Comunidades cristãs – bem como noutras religiões – se tem desenvolvido uma profunda preocupação e uma reflexão valiosa» sobre o tema da ecologia (7). Ou melhor, assume explicitamente sua contribuição a partir do que foi dito pelo «amado Patriarca Ecuménico Bartolomeu» (7), amplamente citado nos nn. 8‐9. Em vários trechos, o Pontífice agradece aos protagonistas deste esforço – seja indivíduos, seja associações ou instituições –, reconhecendo que «a reflexão de inúmeros cientistas, filósofos, teólogos e organizações sociais que enriqueceram o pensamento da Igreja sobre estas questões» (7) e convida todos a reconhecer «a riqueza que as religiões possam oferecer para uma ecologia integral e o pleno desenvolvimento do género humano» (62).

O itinerário da Encíclica é traçado no nº 15 e desenvolve-se em seis capítulos. Passa-se de uma análise da situação a partir das melhores aquisições científicas hoje disponíveis (cap. 1), ao confronto com a Bíblia e a tradição judaico-cristã (cap. 2), identificando a raiz dos problemas (cap. 3) na tecnocracia e num excessivo fechamento auto-referencial do ser humano. A proposta da Encíclica (cap. 4) é a de uma «ecologia integral, que inclua claramente as dimensões humanas e sociais» (137), indissoluvelmente ligadas com a questão ambiental. Nesta perspectiva, o Papa Francisco propõe (cap. 5) empreender em todos os níveis da vida social, económica e política um diálogo honesto, que estruture processos de decisão transparentes, e recorda (cap. 6) que nenhum projeto pode ser eficaz se não for animado por uma consciência formada e responsável, sugerindo ideias para crescer nesta direção em nível educativo, espiritual, eclesial, político e teológico. O texto  é concluído com duas orações, uma oferecida à partilha com todos os que acreditam num «Deus Criador Omnipotente» (246), e outra proposta aos que professam a fé em Jesus Cristo, ritmada pelo refrão «Laudato si’», com o qual a Encíclica abre e se conclui.

O texto é atravessado por alguns eixos temáticos, analisados por uma variedade de perspectivas diferentes, que lhe conferem uma forte unidade: «a relação íntima entre os pobres e a fragilidade do planeta, a convicção de que tudo está estreitamente interligado no mundo, a crítica do novo paradigma e das formas de poder que derivam da tecnologia, o convite a procurar outras maneiras de entender a economia e o progresso, o valor próprio de cada criatura, o sentido humano da ecologia, a necessidade de debates sinceros e honestos, a grave responsabilidade da política internacional e local, a cultura do descarte e a proposta dum novo estilo de vida» (16).

Primeiro capítulo – O que está a acontecer à nossa casa

O capítulo apresenta as mais recentes aquisições científicas em matéria ambiental como modo de ouvir o grito da criação, «transformar em sofrimento pessoal aquilo que acontece ao mundo e, assim, reconhecer a contribuição que cada um lhe pode dar» (19). Enfrentam-se assim «vários aspectos da actual crise ecológica» (15).

As mudanças climáticas: «As mudanças climáticas são um problema global com graves implicações ambientais, sociais, económicas, distributivas e políticas, constituindo actualmente um dos principais desafios para a humanidade» (25). Se «o clima é um bem comum, um bem de todos e para todos» (23), o impacto mais pesado da sua alteração recai sobre os mais pobres, mas muitos «daqueles que detêm mais recursos e poder económico ou político parecem concentrar-se sobretudo em mascarar os problemas ou ocultar os seus sintomas» (26): «a falta de reacções diante destes dramas dos nossos irmãos e irmãs é um sinal da perda do sentido de responsabilidade pelos nossos semelhantes, sobre o qual se funda toda a sociedade civil» (25).

A questão da água: O Pontífice afirma claramente que «o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos». Privar os pobres do acesso à água significa «negar-lhes o direito à vida radicado na sua dignidade inalienável» (30).

A preservação da biodiversidade: «Anualmente, desaparecem milhares de espécies vegetais e animais que já não poderemos conhecer mais, que os nossos filhos não poderão ver, perdidas para sempre» (33). Não são somente eventuais “recursos” exploráveis, mas têm um valor em si mesmos. Nesta perspectiva, «são louváveis e, às vezes, admiráveis os esforços de cientistas e técnicos que procuram dar solução aos problemas criados pelo ser humano», mas a intervenção humana, quando se coloca ao serviço da finança e do consumismo, «faz com que esta terra onde vivemos se torne realmente menos rica e bela, cada vez mais limitada e cinzenta» (34).

A dívida ecológica: no âmbito de uma ética das relações internacionais, a Encíclica indica que existe «uma verdadeira “dívida ecológica”» (51), sobretudo do Norte em relação ao Sul do mundo. Diante das mudanças climáticas, existem «responsabilidades diversificadas» (52), e as dos países desenvolvidos são maiores.

Consciente das profundas divergências quanto a essas problemáticas, o Papa Francisco mostra-se  profundamente impressionado com a «fraqueza das reacções» diante dos dramas de tantas pessoas e populações. Embora não faltem exemplos positivos (58), sinaliza «um certo torpor e uma alegre irresponsabilidade» (59). Faltam uma cultura adequada (53) e a disponibilidade em mudar estilos de vida, produção e consumo (59), enquanto é urgente «criar um sistema normativo [...] que inclua limites invioláveis e assegure a protecção dos ecossistemas» (53).

Segundo capítulo – O Evangelho da criação

Para enfrentar as problemáticas ilustradas no capítulo precedente, o Papa Francisco relê as narrações da Bíblia, oferece uma visão global oriunda da tradição judaico-cristã e articula a «tremenda responsabilidade» (90) do ser humano diante da criação, o elo íntimo entre todas as criaturas e o fato de que «o meio ambiente é um bem colectivo, património de toda a humanidade e responsabilidade de todos» (95).

Na Bíblia, «o Deus que liberta e salva é o mesmo que criou o universo. [...] n’Ele se conjugam o carinho e a força» (73). A narração da criação é central para refletir sobre a relação entre o ser humano e as outras criaturas e sobre como o pecado rompe o equilíbrio de toda a criação no seu conjunto: «Essas narrações sugerem que a existência humana se baseia sobre três relações fundamentais intimamente ligadas: as relações com Deus, com o próximo e com a terra. Segundo a Bíblia, essas três relações vitais romperam-se não só exteriormente, mas também dentro de nós. Esta ruptura é o pecado» (66).

Por isso, mesmo que nós «cristãos, algumas vezes interpretámos de forma incorrecta as Escrituras, hoje devemos decididamente rejeitar que, do facto de ser criados à imagem de Deus e do mandato de dominar a terra, se deduza um domínio absoluto sobre as outras criaturas» (67). Ao ser humano cabe a responsabilidade de «“cultivar e guardar” o jardim do mundo (cfr. Gen 2,15)» (67), sabendo que «o fim último das restantes criaturas não somos nós. Mas todas avançam, juntamente connosco e através de nós, para a meta comum, que é Deus» (83).

Que o ser humano não seja o dono do universo, «não significa igualar todos os seres vivos e tirar ao ser humano aquele seu valor peculiar» que o caracteriza; «também não requer uma divinização da terra, que nos privaria da nossa vocação de colaborar com ela e proteger a sua fragilidade» (90).  Nesta perspectiva, «todo o encarniçamento contra qualquer criatura é contrário à dignidade humana» (92), mas «não pode ser autêntico um sentimento de união íntima com os outros seres da natureza, se ao mesmo tempo não houver no coração ternura, compaixão e preocupação pelos seres humanos» (91). Necessita-se da consciência de uma comunhão universal: «criados pelo mesmo Pai, estamos unidos por laços invisíveis e formamos uma espécie de família universal, […]que nos impele a um respeito sagrado, amoroso e humilde» (89).

O coração da revelação cristã conclui o capítulo: «Jesus terreno» com a «sua relação tão concreta  e amorosa com o mundo» «ressuscitado e glorioso», está «presente em toda a criação com o seu domínio universal» (100).

Terceiro capítulo – A raiz humana da crise ecológica

Este capítulo apresenta uma análise da situação atual, «de modo a individuar não apenas os seus sintomas, mas também as causas mais profundas» (15), num diálogo com a filosofia e as ciências humanas.

Um primeiro fulcro do capítulo são as reflexões sobre a tecnologia: é reconhecida, com gratidão, a sua contribuição para o melhoramento das condições de vida (102-103); todavia ela oferece «àqueles que detêm o conhecimento e sobretudo o poder económico para o desfrutar, um domínio impressionante sobre o conjunto do género humano e do mundo inteiro» (104). São precisamente as lógicas de domínio tecnocrático que levam a destruir a natureza e explorar as pessoas e as populações mais vulneráveis. «O paradigma tecnocrático tende a exercer o seu domínio também sobre a economia e a política» (109), impedindo reconhecer que «o mercado, por si mesmo[...] não garante o desenvolvimento humano integral nem a inclusão social» (109).

Na raiz diagnostica-se na época moderna um excesso de antropocentrismo (116): o ser humano não reconhece mais a sua correta posição em relação ao mundo e assume uma posição auto-referencial, centrada exclusivamente em si mesmo e no próprio poder. Deriva então uma lógica do «descartável» que justifica todo o tipo de descarte, ambiental ou humano que seja, que trata o outro e a natureza como um simples objeto e conduz a uma miríade de formas de dominação. É a lógica que leva a explorar as crianças, a abandonar os idosos, a reduzir os outros à escravidão, a superestimar a capacidade do mercado de se autorregular, a praticar o tráfico de seres humanos, o comércio de peles de animais em risco de extinção e de “diamantes ensanguentados”. É a mesma lógica de muitas máfias, dos traficantes de órgãos, do tráfico de drogas e do descarte de crianças porque não correspondem ao desejo de seus pais (123).

A esta luz, a Encíclica aborda duas questões cruciais para o mundo de hoje. Antes de tudo, o trabalho: «Em qualquer abordagem da ecologia integral que não exclua o ser humano, é indispensável incluir o valor do trabalho» (124), bem como «renunciar a investir nas pessoas para se obter maior receita imediata é um péssimo negócio para a sociedade» (128).

A segunda diz respeito aos limites do progresso científico, com clara referência aos OMG (organismos modificados geneticamente) (132-136), que são «uma questão de carácter complexo» (135). Embora «nalgumas regiões, a sua utilização tenha produzido um crescimento económico que contribuiu para resolver determinados problemas, há dificuldades importantes que não devem ser minimizadas» (134), a partir da «concentração de terras produtivas nas mãos de poucos» (134). O Papa Francisco pensa em particular nos pequenos produtores e trabalhadores rurais, na biodiversidade, na rede de ecossistemas. É, portanto, preciso assegurar «um debate científico e social que seja responsável e amplo, capaz de considerar toda a informação disponível e chamar as coisas pelo seu nome» a partir de «linhas de pesquisa autónomas e interdisciplinares que possam trazer nova luz» (135).

Quarto capítulo – Uma ecologia integral

O coração da proposta da Encíclica é a ecologia integral como novo paradigma de justiça; uma ecologia «que integre o lugar específico que o ser humano ocupa neste mundo e as suas relações com a realidade que o circunda» (15). De fato, «isto impede-nos de considerar a natureza como algo separado de nós ou como uma mera moldura da nossa vida» (139). Isto vale, por mais que vivamos em diferentes campos: na economia e na política, nas diversas culturas, de modo particular nas mais ameaçadas, e até mesmo em cada momento da nossa vida quotidiana.

A perspectiva integral põe em jogo também uma ecologia das instituições: «Se tudo está relacionado, também o estado de saúde das instituições de uma sociedade tem consequências no ambiente e na qualidade de vida humana: “toda a lesão da solidariedade e da amizade cívica provoca danos ambientais”» (142). Com muitos exemplos concretos, o Papa Francisco reafirma o seu pensamento: há uma ligação entre questões ambientais e questões sociais e humanas que nunca pode ser rompida. Assim, «a análise dos problemas ambientais é inseparável da análise dos contextos humanos, familiares, laborais, urbanos, e da relação de cada pessoa consigo mesma» (141), enquanto «Não há duas crises separadas, uma ambiental e outra social, mas uma única e complexa crise sócio-ambiental» (139).

Esta ecologia integral «é inseparável da noção de bem comum» (156), a ser entendida, no entanto, de modo concreto: no contexto de hoje, no qual «há tantas desigualdades e são cada vez mais numerosas as pessoas descartadas, privadas dos direitos humanos fundamentais» comprometer-se pelo bem comum significa fazer escolhas solidárias com base em «uma opção preferencial pelos mais pobres» (158). Esta é também a melhor maneira para deixar um mundo sustentável às gerações futuras, não com proclamas, mas através de um compromisso de cuidado dos pobres de hoje, como já havia sublinhado Bento XVI: «para além da leal solidariedade entre as gerações, há que reafirmar a urgente necessidade moral de uma renovada solidariedade entre os indivíduos da mesma geração» (162).

A ecologia integral envolve também a vida diária, para a qual a Encíclica reserva uma atenção específica em particular em ambiente urbano. O ser humano tem uma grande capacidade de adaptação e «admirável é a criatividade e generosidade de pessoas e grupos que são capazes de dar a volta às limitações do ambiente, [...] aprendendo a orientar a sua existência no meio da desordem e precariedade» (148). No entanto, um desenvolvimento autêntico pressupõe um melhoramento integral na qualidade da vida humana: espaços públicos, moradias, transportes, etc. (150-154).

Também «o nosso corpo coloca-nos numa relação direta com o meio ambiente e com os outros seres vivos. A aceitação do próprio corpo como dom de Deus é necessária para acolher e aceitar o mundo inteiro como dom do Pai e casa comum; pelo contrário, uma lógica de domínio sobre o próprio corpo transforma-se numa lógica, por vezes subtil, de domínio sobre a criação» (155).

Quinto capítulo – Algumas linhas de orientação e ação

Este capítulo aborda a pergunta sobre o que podemos e devemos fazer. As análises não podem ser suficientes: são necessárias propostas «de diálogo e de acção que envolvam seja cada um de nós seja a política internacional» (15), e «que nos ajudem a sair da espiral de autodestruição onde estamos a afundar» (163). Para o Papa Francisco é imprescindível que a construção de caminhos concretos não seja enfrentada de modo ideológico, superficial ou reducionista. Por isso, é indispensável o diálogo, termo presente no título de cada seção deste capítulo: «Há discussões sobre questões relativas ao meio ambiente, onde é difícil chegar a um consenso. [...] a Igreja não pretende definir as questões científicas, nem substituir-se à política, mas [eu] convido a um debate honesto e transparente para que as necessidades particulares ou as ideologias não lesem o bem comum» (188).

Com esta base o Papa Francisco não tem medo de fazer um julgamento severo sobre as dinâmicas internacionais recentes: «as cimeiras mundiais sobre o meio ambiente dos últimos anos não corresponderam às expectativas, porque não alcançaram, por falta de decisão política, acordos ambientais globais realmente significativos e eficazes» (166). E pergunta-se: «Para que se quer preservar hoje um poder que será recordado pela sua incapacidade de intervir quando era urgente e necessário fazê-lo?» (57). Servem, ​​em vez disso, como os Pontífices repetiram várias vezes, a partir da Pacem in Terris, formas e instrumentos eficazes de governação global (175): «precisamos de um acordo sobre os regimes de governação para toda a gama dos chamados bens comuns globais» (174), já que «”a protecção ambiental não pode ser assegurada apenas com base no cálculo financeiro de custos e benefícios. O ambiente é um dos bens que os mecanismos de mercado não estão aptos a defender ou a promover adequadamente”» (190), que retoma as palavras do Compêndio da Doutrina Social da Igreja.

Sempre neste capítulo, o Papa Francisco insiste sobre o desenvolvimento de processos de decisão honestos e transparentes, para poder «discernir» quais as políticas e iniciativas empresariais que poderão levar «a um desenvolvimento verdadeiramente integral» (185). Em particular, o estudo do impacto ambiental de um novo projeto «requer processos políticos transparentes e sujeitos a diálogo, enquanto a corrupção, que esconde o verdadeiro impacto ambiental dum projecto em troca de favores, frequentemente leva a acordos ambíguos que fogem ao dever de informar e a um debate profundo» (182).

Particularmente significativo é o apelo dirigido àqueles que detêm cargos políticos, para que se distanciem da lógica «eficientista e imediatista» (181) hoje dominante: «se ele tiver a coragem de o fazer, poderá novamente reconhecer a dignidade que Deus lhe deu como pessoa e deixará, depois da sua passagem por esta história, um testemunho de generosa responsabilidade» (181).

Sexto capítulo - Educação e espiritualidade ecológicas

O último capítulo vai ao cerne da conversão ecológica à qual a Encíclica convida. As raízes da crise cultural agem em profundidade e não é fácil reformular hábitos e comportamentos. A educação e a formação continuam sendo desafios centrais: «toda a mudança tem necessidade de motivações e dum caminho educativo» (15); estão envolvidos todos os ambientes educacionais, por primeiro «a escola, a família, os meios de comunicação, a catequese» (213).

O início é apostar «numa mudança nos estilos de vida» (203-208), que também abre à possibilidade de “exercer uma pressão salutar sobre quantos detêm o poder político, económico e social» (206). Isso é o que acontece quando as escolhas dos consumidores conseguem «a mudança do comportamento das empresas, forçando-as a reconsiderar o impacto ambiental e os modelos de produção» (206).

Não se pode subestimar a importância de percursos de educação ambiental capazes de incidir sobre gestos e hábitos quotidianos, da redução do consumo de água, à diferenciação do lixo até «apagar as luzes desnecessárias» (211): «Uma ecologia integral é feita também de simples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a lógica da violência, da exploração, do egoísmo» (230). Tudo isto será mais fácil a partir de um olhar contemplativo que vem da fé: «O crente contempla o mundo, não como alguém que está fora dele, mas dentro, reconhecendo os laços com que o Pai nos uniu a todos os seres. Além disso a conversão ecológica, fazendo crescer as peculiares capacidades que Deus deu a cada crente, leva-o a desenvolver a sua criatividade e entusiasmo» (220).

Retorna à linha proposta na Evangelii Gaudium: «A sobriedade, vivida livre e conscientemente, é libertadora» (223), bem como «A felicidade exige saber limitar algumas necessidades que nos entorpecem, permanecendo assim disponíveis para as muitas possibilidades que a vida oferece» (223); desta forma torna-se possível «voltar a sentir que precisamos uns dos outros, que temos uma responsabilidade para com os outros e o mundo, que vale a pena ser bons e honestos» (229). Os santos acompanham-nos neste caminho. São Francisco, muitas vezes mencionado, é «o exemplo por excelência do cuidado pelo que é frágil e por uma ecologia integral, vivida com alegria» (10), modelo de como «são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenhamento na sociedade e a paz interior (10). Mas a Encíclica recorda também São Bento, Santa Teresa de Lisieux e o Beato Charles de Foucauld.

Após a Laudato si', o exame de consciência, o instrumento que a Igreja sempre recomendou para orientar a própria vida à luz da relação com o Senhor, deverá incluir uma nova dimensão, considerando não apenas como se vive a comunhão com Deus, com os outros, consigo mesmo, mas também com todas as criaturas e a natureza.

Para ter acesso à Encíclica:

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/
papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html

Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2015/06/18/
laudato_si_um_guia_para_os_jornalistas/1152322

 
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