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O Carmelo

"O Carmelo é uma riqueza

para todas as comunidades cristãs".

(João Paulo II)

  

 A Ordem Carmelita é uma Ordem Religiosa Católica de Homens e Mulheres que, inspirados pelo espírito do Profeta Elias e da Bem-Aventurada Virgem Maria, tentam viver uma vida no seguimento de Jesus Cristo através da Contemplação, Fraternidade e Serviço no meio do povo.

 

 

 
Misericordiosos como o Pai (Lc 6, 36-38)

Misericordiosos como o Pai (Lc 6, 36-38)

Resumo da Audiência Geral do Papa Francisco (21 de Setembro)

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“Misericordiosos como o Pai” foi o tema da Audiência Geral desta quarta-feira (21/09), na Praça S. Pedro. Não obstante a chuva que caiu sobre Roma nas primeiras horas do dia, cerca de 25 mil fiéis ouviram o Papa Francisco falar que ser misericordioso não é um slogan, mas um compromisso de vida. “Mas é realmente possível amar como Deus ama e ser misericordioso como Ele?”, questionou o Pontífice, que explicou: “Se olharmos a história da salvação, vemos que toda a revelação de Deus é um incessante e incansável amor pelos homens: Deus é como um pai e como uma mãe que ama de amor insondável. A morte de Jesus na cruz é o ápice da história de amor de Deus com o homem. Um amor tão grande que só Deus pode realizar.”

Se comparado com este amor sem medida, prosseguiu o Papa, é evidente que o nosso parecerá imperfeito. “Ser perfeito significa ser misericordiosos”, afirmou. Mas quando Jesus nos pede para sermos misericordiosos como o Pai não pensa na quantidade, mas no compromisso dos discípulos de se tornarem sinais, canais, testemunhas da misericórdia infinita de Deus. Por isso, a Igreja só pode ser sacramento da misericórdia de Deus no mundo, em todos os tempos e por toda a humanidade. Na prática, acrescentou Francisco, ser misericordioso significa saber perdoar e doar-se. Jesus não pretende subverter o decurso da justiça humana, todavia recorda aos discípulos que para ter relações fraternas é preciso suspender os juízos e as condenações.

“O cristão deve perdoar. Por quê? Porque foi perdoado. Todos nós que estamos aqui nesta Praça fomos perdoados. Todos nós, em nossas vidas, sentimos necessidade do perdão de Deus. Porque fomos perdoados, devemos perdoar. Todos os dias rezamos no Pai-Nosso: perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Assim é fácil perdoar. Se Deus me perdoou porque não posso perdoar? Sou maior que Deus? Entenderam bem isso?"

“Julgar e condenar o irmão que peca é errado”, destacou o Papa. “Não temos o poder de condenar o nosso irmão que erra, não estamos acima dele: mas temos o dever de recuperá-lo à dignidade de filho do Pai e de acompanhá-lo no seu caminho de conversão.” “Deus não quer renunciar a nenhum de seus filhos”, frisou o Pontífice.

Perdoar é o primeiro pilar que sustenta a comunidade cristã, continuou. O segundo é doar-se. Estar disposto a doar-se obedece a uma lógica coerente: na medida em que se recebe de Deus, se doa ao irmão, e na medida em que se doa ao irmão, se recebe de Deus! Portanto, concluiu o Papa, o amor misericordioso é o único caminho a percorrer.

“Quanta necessidade temos todos nós de sermos um pouco mais misericordiosos, de não falar mal dos outros, de não julgar, de não falar mal com críticas, com inveja, com ciúme. Não! Perdoar, ser misericordiosos, viver a nossa vida no amor e doar. Este amor permite aos discípulos de Jesus não perder a identidade recebida por Ele, e reconhecer-se como filhos do mesmo Pai. Não se esqueçam disso: misericórdia e dom. Perdão e doação. E assim o coração se alarga no amor. Ao invés, o egoísmo, a raiva faz com que o coração se torne pequeno, duro como uma pedra. O que vocês preferem: um coração de pedra ou um coração cheio de amor?", perguntou aos fiéis na Praça. "Se preferirem um coração repleto de amor, sejam misericordiosos!"

 

 
XXVI Domingo do Tempo Comum - Ano C

26º DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO C)

25 de Setembro de 2016

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (Lc 16, 19-31)

19«Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino e fazia todos os dias esplêndidos banquetes. 20Um pobre, chamado Lázaro, jazia ao seu portão, coberto de chagas. 21Bem desejava ele saciar-se com o que caía da mesa do rico; mas eram os cães que vinham lamber-lhe as chagas. 22Ora, o pobre morreu e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. 23Na morada dos mortos, achando-se em tormentos, ergueu os olhos e viu, de longe, Abraão e também Lázaro no seu seio. 24Então, ergueu a voz e disse: 'Pai Abraão, tem misericórdia de mim e envia Lázaro para molhar em água a ponta de um dedo e refrescar-me a língua, porque estou atormentado nestas chamas.' 25Abraão respondeu-lhe: 'Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado. 26Além disso, entre nós e vós há um grande abismo, de modo que, se alguém pretendesse passar daqui para junto de vós, não poderia fazê-lo, nem tão-pouco vir daí para junto de nós.'27O rico insistiu: 'Peço-te, pai Abraão, que envies Lázaro à casa do meu pai, pois tenho cinco irmãos; 28que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento.' 29Disse-lhe Abraão: 'Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam!' 30Replicou-lhe ele: 'Não, pai Abraão; se algum dos mortos for ter com eles, hão-de arrepender-se.' 31Abraão respondeu-lhe: 'Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão-pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos.'»

Chave de leitura

Neste vigésimo sexto Domingo do Tempo Comum, a liturgia coloca diante de nós a parábola do pobre Lázaro, sentado diante da porta do rico. Esta parábola é um fiel espelho na qual se reflecte não só a situação da sociedade do tempo de Jesus como também da nossa sociedade do século XXI. A parábola é uma forte e radical denúncia desta situação, porque indica claramente que Deus pensa ao contrário de nós. Na parábola aparecem três pessoas: o pobre, o rico e o pai Abraão. O pobre tem um nome, mas não fala. Apenas existe. Os seus únicos amigos são os cães que lambem as suas feridas. O rico não tem nome, mas fala e insiste sempre. Quer ter razão mas não consegue. O pai Abraão é pai dos dois e ama os dois e chama o rico que está no inferno, mas não consegue que o rico mude de opinião e se converta. Durante a leitura procura ter muita atenção ao diálogo entre o rico e o pai Abraão, aos argumentos do rico e aos argumentos do pai Abraão.

Contexto

No Evangelho de Lucas, desde Lc 9, 51, acompanhamos Jesus na sua caminhada para Jerusalém. Aqui, nos capítulos 15 e 16 alcançamos, por assim dizer, o cume, o centro da caminhada, de onde é possível observar o caminho percorrido e o caminho que falta ainda fazer. Ou seja, aqui, no cimo da colina, ou no centro do Evangelho, percebemos com maior claridade os dois temas principais que atravessam o Evangelho de Lucas, de ponta a ponta. No capítulo 15, a parábola do pai com os seus dois filhos revela a ternura e a misericórdia de Deus que acolhe a todos. Agora, no capítulo 16, é-nos apresentada a parábola do pobre Lázaro para revelar o comportamento que devemos ter perante o problema da pobreza e da injustiça social.

Cada vez que Jesus tem uma coisa importante para comunicar, conta uma parábola, cria uma história que reflecte a realidade das pessoas. Deste modo, mediante a reflexão da realidade visível, conduz os que o ouvem a descobrir os chamamentos invisíveis de Deus, presente na vida. Uma parábola está feita para ajudar a reflectir e a pensar. Por isso, é importante prestar atenção até aos mais pequenos pormenores. Na parábola que estamos a meditar aparecem três pessoas: Lázaro, o pobre, o único que não fala; o rico sem nome, que fala a cada instante e o pai Abraão que na parábola representa o pensamento de Deus. O rico sem nome representa a ideologia dominante do governo da época. Lázaro representa o grito dos pobres do tempo de Jesus, de Lucas e de todos os tempos.

Comentário do texto

Lucas 16, 19-21: A situação do rico e do pobre. Aparecem aqui os dois extremos da sociedade. De um lado, a riqueza agressiva e do outro, o pobre sem recursos, sem direitos, coberto de feridas, impuro, sem ninguém que o acolha, só os cães lhe lambem as feridas. O que separa os dois é somente uma porta: a porta fechada da casa do rico. Por sua parte não há acolhimento, nem piedade para a situação do pobre que se encontra diante da sua porta. Na parábola o pobre tem um nome enquanto o rico não tem. O pobre chama-se Lázaro, que significa “Deus ajuda”. Através do pobre Deus ajuda o rico e o rico poderá ter o seu nome escrito no livro da vida. Mas o rico não aceita ser ajudado pelo pobre porque continua com a porta fechada. Este começo da parábola que descreve a situação é um espelho fiel do que acontecia no tempo de Jesus. Mas também é um espelho do que acontece ainda hoje!

Lucas 16, 22: A mudança que revela a verdade que estava escondida. “Um dia o pobre morreu e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado”. Na parábola o pobre morre antes do rico. Isto é uma advertência para os ricos. Enquanto o pobre se encontra diante da porta e está vivo, é possível que o rico ainda se salve. Mas depois que o pobre morre, morre também o único instrumento de salvação para o rico. Hoje morrem milhões de pobres vítimas da geopolítica dos países ricos O pobre morre e é levado pelos anjos ao seio de Abraão. O seio de Abraão é a fonte da vida, de onde nasce o povo de Deus. Lázaro, o pobre, pertence ao povo de Deus, faz parte do povo de Abraão do qual está excluído, visto que estava à porta do rico. O rico que pensa ser filho de Abraão também morre e é sepultado. Mas não vai para o seio de Abraão porque não é filho de Abraão!

Lucas 16, 23-26: O primeiro diálogo entre o rico sem nome e o pai Abraão. A parábola é como uma janela que Jesus nos abre acerca do outro lado da vida, o lado de Deus. Não se trata do céu. Trata-se do verdadeiro lado da vida descoberto unicamente através da fé e que o rico sem fé não percebe. A ideologia dominante impede-o. E é somente à luz da morte, quando a ideologia se desintegra na cabeça do rico que desponta para ele o verdadeiro valor da vida. Pelo lado de Deus, sem a ideologia e a propaganda enganosas do governo, as sortes de um e do outro mudarão. O rico sofre, o pobre é feliz. O rico ao ver Lázaro no seio de Abraão pede que Lázaro lhe leve alívio para os seus sofrimentos. À luz da morte, o rico descobre que Lázaro é o seu único benfeitor possível. Mas agora é demasiado tarde! O rico sem nome é um judeu (cristão) “devoto”, conhece Abraão e chama-o por Pai. Abraão responde e chama-o filho. Isto significa que na realidade esta parábola de Jesus é dirigida aos ricos vivos. Enquanto vivos, têm a possibilidade de se converterem em filhos de Abraão se abrirem a porta a Lázaro, ao pobre, ao único que em nome de Deus os pode ajudar. Para o rico, mantido nos seus sofrimentos, a salvação consistia numa gota de água que Lázaro podia dá-la. Na realidade, para o rico, a salvação não consiste numa gota de água que lhe refresque a língua, mas que abra a porta fechada da sua casa e entre em contacto directo com o pobre. Só assim é possível ultrapassar o grande abismo que os separa.

Na resposta de Abraão dada ao rico aparece a verdade das quatro maldições (Lc 6, 24-26): “Mas ai de vós, ó ricos, porque recebestes o vosso consolo! Ai de vós, os que agora estais fartos, porque tereis fome! Ai de vós, os que rides agora. Porque tereis aflição e pranto! Ai quando todos os homens falem bem de vós, pois desse modo tratavam os seus pais aos falsos profetas!”.

Lucas 16, 27-29: O segundo diálogo entre o rico e Abraão. O rico insiste: “Suplico-te, ó Pai, manda Lázaro a casa de meu pai pois tenho cinco irmãos”. O rico não quer que os irmãos padeçam o mesmo tormento. “Manda Lázaro!”. Lázaro, o pobre, é o único verdadeiro intermediário entre Deus e os ricos. Mas o rico não se preocupou com o pobre Lázaro. Preocupou-se por si mesmo e pelos seus irmãos. Os pobres nunca o preocuparam durante a sua vida! É como o irmão mais velho da “Parábola do pai e dos seus dois filhos” (Lc 15, 25-30). O mais velho queria fazer festa com os seus amigos e não com o seu irmão mais novo que estava perdido. A resposta de Abraão é clara: “Eles têm Moisés e os Profetas, que os escutem!”. Têm a Bíblia! O rico tinha a Bíblia. Conhecia-a até de memória. Mas não se dava conta de que a Bíblia tivesse algo a ver com os pobres que estavam à sua porta. A chave que o rico tem para entender a Bíblia é o pobre sentado à sua porta.

Lucas 16, 30-31:  O terceiro diálogo entre Abraão e o rico. O rico continua a insistir: “Não, pai, se algum dos mortos for ter com eles, converter-se-ão!”. O rico reconhece que se equivocou porque fala de conversão, coisa em que jamais pensou na sua vida. Ele quer um milagre, uma ressurreição! Mas este tipo de ressurreição não existe. A única ressurreição é a de Jesus Cristo. Jesus ressuscitado vem até nós na pessoa do pobre, do que não tem direitos, do que não tem terra, do que não tem que comer, do que não tem tecto, do que não tem saúde. Na sua resposta final, Abraão é breve e decidido: “Se não escutam Moisés e os Profetas, tampouco se converterão, mesmo se um morto ressuscite”. E termina deste modo o diálogo! A chave para entender o sentido da Bíblia e da salvação é o pobre Lázaro, sentado diante da porta do rico.

A causa do contexto social injusto no tempo de Jesus

No ano 64 antes de Cristo os romanos invadiram a Palestina e impõem ao povo um pesado tributo. Os historiadores calculam que mais ou menos metade da economia familiar destinava-se ao pagamento dos impostos, tributos e taxas do governo romano. Roma, além disso, realizou uma reorganização geopolítica na região. Antes da invasão romana, toda a região, desde Tiro e Sídon, até à fronteira com o Egipto, era governada pelos asmoneus, um prolongamento dos macabeus. Depois da invasão, ficaram só três regiões sob o domínio do governo judeu: a Judeia, a Pereia e a Galileia. Para poder ter o controle dos povos dominados com um mínimo de sacrifício e gastos próprios, os romanos tentavam atrair a si a elite local. No caso da Palestina, a elite local para os romanos eram os saduceus, os anciãos, alguns publicanos e parte dos sacerdotes. Toda esta mudança produzida pela invasão romana fez com que os judeus que habitavam noutros territórios daquela região emigrassem quase todos para a Judeia e a Galileia. Consequência: a população duplicou na Judeia e na Galileia e diminuiu para metade a economia familiar. Resultado: por um lado empobrecimento progressivo, desemprego, mendicidade, pobreza extrema. Por outro, o enriquecimento exagerado da elite local apoiada pelos romanos. O retrato fiel desta situação está expressa na parábola do pobre Lázaro e do rico sem piedade.

Reflexões finais sobre a parábola

O rico que tem tudo e se fecha em si mesmo, perde Deus, perde a riqueza, perde a vida, perde-se a si mesmo, perde o nome, perde tudo. O pobre que não tem nada, tem a Deus, ganha a vida, tem nome, ganha tudo. O pobre é Lázaro, isto é, “Deus ajuda”. Deus vem até nós na pessoa do pobre, sentado à nossa porta, para nos ajudar a superar o abismo insuperável criado pelos ricos sem coração. Lázaro é também Jesus, o Messias pobre e servo, que não foi aceite, mas cuja morte mudou radicalmente todas as coisas. E à luz da morte do pobre, tudo muda.

O lugar do tormento é a situação da pessoa sem Deus. Ainda que o rico pense que tem religião e fé, não sabe estar com Deus, porque não abre a porta ao pobre, como fez Zaqueu (Lc 19, 1-10).

 
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