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Os verbo do Pastor: ver, ter compaixão e ensinar

 

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O Evangelho de hoje (16º Domingo, Ano B) narra-nos como os apóstolos, após a sua primeira missão, retornam para onde Jesus estava e contaram-lhe tudo aquilo que tinham feito e ensinado. Os apóstolos, depois da experiência da missão, certamente entusiasmante, mas também esgotante, tinham necessidade de descanso. Jesus, cheio de compreensão, preocupa-se em assegurar-lhes um pouco de alívio e diz: Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco. Entretanto, nesta ocasião a intenção de Jesus não se pôde realizar, porque a multidão, intuindo o lugar solitário para onde a barca os levava, chegou ao lugar antes deles.


O mesmo também pode acontecer hoje. Às vezes, não conseguimos realizar os nossos projectos porque surge um imprevisto urgente que modifica os nossos programas e que requer da nossa parte flexibilidade e disponibilidade para com as necessidades dos demais. Quando isto acontece, somos chamados a imitar tudo o que Jesus fez: “Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas”. Nesta breve frase, o evangelista oferece-nos um flash de singular intensidade, fotografando os olhos do divino Mestre e a sua atitude. É nesta frase que se mostram os três verbos que devem guiar toda a acção pastoral: ver, ter compaixão e ensinar. Podemos chamá-los de “os verbo do Pastor”.


O olhar de Jesus não é um olhar neutro, frio ou distanciado, porque Jesus sempre olha com os olhos do coração. E o seu coração é tão terno e tão pleno de compaixão, que sabe acolher as necessidades também mais escondidas das pessoas. A sua compaixão não indica simplesmente uma reacção emotiva frente a uma situação de inquietude das pessoas, mas vai mais além: é a atitude e a predisposição de Deus para com o homem e a sua história.


Dado que Jesus comoveu-se ao ver todas aquelas pessoas necessitadas de guia e de ajuda, poderíamos esperar que ele fizesse um milagre. Entretanto, pôs-se a ensiná-las, a ensiná-las muitas coisas. Eis o primeiro pão que o Messias oferece à multidão faminta e necessitada: o pão da Palavra. Todos nós necessitamos de palavras de verdade que nos guiem e que iluminem o nosso caminho. Sem a verdade, que é o próprio Cristo, não é possível encontrar a orientação correcta na vida. Ao contrário, quando nos afastamos de Jesus e do seu amor, perdemo-nos e a existência transforma-se em desilusão e em insatisfação.


Com Jesus ao nosso lado, podemos proceder com segurança, podemos superar as provações, progride-se no amor para com Deus e para com o próximo. Jesus fez-se dom para os demais, tornando-se assim modelo de amor e de serviço para cada um de nós.

 

Papa Francisco, Angelus (resumo) de 22 de Julho de 2018

 

 

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