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Se buscas Deus

Se buscas Deus

 

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Há pessoas que desejam, sinceramente, encontrar Deus, porém não sabem qual o caminho a seguir. Sem dúvida, cada um tem de fazer o seu próprio percurso pessoal e ninguém pode indicar, a partir de fora, os passos concretos que devemos dar, porém há sugestões que podem ajudar a todos. Eis aqui algumas:

  1. Se buscas a Deus, antes de tudo, deixa de ter medo dele. Há pessoas que, quando ouvem falar de Deus, começam a pensar nas suas misérias e pecados. Este tipo de medo de Deus afasta-te dele. Deus conhece-te e deseja-te. Ele saberá encontrar o caminho para entrar na tua vida, por mais medíocre que ela seja.
  2. Não tenhas pressa. Age com calma. Há pessoas que, durante uns dias, movem-se muito, rezam, querem livros, buscam métodos para fazer oração; em poucos dias abandonam tudo e voltam à vida de sempre. Tu, caminha devagar! Descobre, humildemente, a tua pobreza e necessidade de Deus. Ele está junto de ti desejando fazer-te viver.
  3. Desce ao teu coração e chega às raízes mais secretas da tua vida. Tira todas as máscaras. Como podes ir disfarçado(a) ao encontro de Deus? Não tens necessidade de ocultar as tuas feridas nem a tua desordem. Pergunta-te sinceramente: O que estou buscando na vida? Por que não há paz no meu coração? O que necessito para viver com mais alegria? Por aí encontrarás um caminho para Deus.
  4. Aprenda a orar. Pode fazer-te bem, buscar um lugar tranquilo e reservar um tempo apropriado. No começo, não saberás o que fazer, e pode até ser incómodo para ti. Há muito tempo que tu não páras diante de Deus! Procura na Bíblia o livro dos Salmos e começa a recitar devagar algum deles. Detém-te somente naquelas frases que te dizem algo. Logo descobrirá que os Salmos reflectem os teus sofrimentos e as tuas alegrias, os teus anseios e a tua busca de Deus. Quando tiveres aprendido a saboreá-los, não mais os deixarás.
  5. Toma o Evangelho nas tuas mãos. Não é um livro a mais. Ali encontrará Jesus Cristo: ele é o verdadeiro caminho que te levará a Deus. Reserva tempo para lê-lo e saboreá-lo. Costuma-se dizer que o Evangelho é uma «regra de vida». E está certo. Porém, antes de tudo, ele é uma «Boa Notícia». Medita as palavras de Jesus e os seus gestos. Tu sentirás que algo começa a mover-se no teu coração. Jesus curar-te-á. Ensinar-te-á a viver.

Se fores constante e continuares a alimentar a tua vida neste pequeno livro no qual te encontras com Cristo, um dia descobrirás quanta verdade guardam as suas palavras: «Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim nunca mais terá sede.»

 

José Antonio Pagola 

 
Sobre os 750 Anos do Escapulário

CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II

POR OCASIÃO DOS 750 ANOS DO ESCAPULÁRIO

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Embora, esta Carta tenha sido publicada em 25 de Março de 2011 e dirigida aos Superiores da O. Carm. e OCD, e neles à Família Carmelita, temos o pressentimento que não se deu o devido relevo e conhecimento deste magnífico texto de São João Paulo II que desde muito cedo esteve unido ao Carmelo e “Também eu trago sobre o meu coração, desde há muito tempo, o Escapulário do Carmo!”. É com o propósito de alargar o conhecimento desta Carta, que agora a publicamos de forma resumida mas quase integralmente. 

2. As várias gerações do Carmelo, desde as origens até hoje, no seu itinerário até à “montanha santa, Jesus Cristo nosso Senhor” (Missal Romano, Colecta da Missa em honra da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, 16 de Julho), procuraram plasmar as suas vidas segundo os exemplos de Maria.

Por isso, no Carmelo, e em toda a alma movida por um terno afecto para com a Virgem e Mãe Santíssima, floresce a contemplação d´Aquela que desde o princípio, soube estar aberta à escuta da Palavra de Deus e ser obediente à sua vontade (Lc 2,19.51). Maria, na verdade, educada e plasmada pelo Espírito (cfr. Lc 2, 44-50), foi capaz de ler na fé a sua própria história (cfr. Lc 1, 46-55) e, dócil à inspiração divina, “avançou na peregrinação da fé e manteve fielmente a sua união com o Filho até à cruz, onde, não sem um desígnio divino, esteve junto dela (cfr. Jo 19,25), sofrendo profundamente com o seu Unigénito e associando-se com entranhas de mãe ao Seu sacrifício” (Lumen gentium, 58).

3. A contemplação da Virgem apresenta-a enquanto, como Mãe zelosa, vê crescer o seu Filho em Nazaré, (cfr. Lc 2,40.52), segue-o pelos caminhos da Palestina, assiste-o nas bodas de Caná (cfr. Jo 2,5) e, aos pés da Cruz, torna-se a Mãe unida à sua oferta e dada a todos os homens na entrega que o próprio Jesus faz dela ao discípulo predilecto (cfr. Jo 19, 26). Como Mãe da Igreja, a Virgem Santa está unida aos discípulos “em contínua oração” (At 1,14) e, como nova Mulher que antecipa em si o que se realizará um dia em todos nós na plena fruição da vida trinitária, é elevada ao Céu, de onde estende o manto de protecção da sua misericórdia aos filhos que ainda peregrinam para o monte santo da glória.

Uma semelhante atitude contemplativa da mente e do coração leva a admirar a experiência de fé e de amor da Virgem, que vive já em si tudo o que cada fiel deseja e espera realizar no mistério de Cristo e da Igreja (cfr. Sacrosanctum Concilium, 103; Lumen gentium, 53). Precisamente por isto,  os carmelitas e as carmelitas escolheram Maria como sua Patrona e Mãe espiritual e têm-na sempre diante dos olhos do coração, como a Virgem Puríssima que a todos conduz ao perfeito conhecimento e imitação de Cristo.

Deste modo floresce uma intimidade de relações espirituais que incrementam cada vez mais a comunhão com Cristo e com Maria. Para os membros da Família Carmelita, Maria, a Virgem Mãe de Deus e dos homens, não somente é um modelo que se deve imitar, mas também é uma doce presença de Mãe e Irmã em quem devemos confiar. Justamente Santa Teresa de Jesus exortava: “Imitai Maria e considerai qual deva ser a grandeza desta Senhora e o benefício de a ter por Patrona” (Castelo interior, III, 1,3).

4. Esta intensa vida mariana, que se exprime em oração confiante, em entusiástico louvor e em diligente imitação, conduz à compreensão de que a forma mais genuína da devoção à Virgem Santíssima, expressa pelo humilde sinal do Escapulário, é a consagração ao seu Coração Imaculado (cfr. PIO XII, Carta Neminem profecto latet [11 de Fevereiro 1950: AAS 42, 1950, pp. 390-391]; Const. dogm. Sobre a Igreja Lumen gentium, 67). É assim que no coração se realiza uma crescente comunhão e familiaridade com a Virgem Santa “qual nova maneira de viver para Deus e de continuar aqui na terra o amor do Filho Jesus por sua mãe Maria” (cfr. Discurso do Angelus, in Insegnamenti XI/3, 1988, p. 173). Coloca-nos, assim, segundo a expressão do Beato mártir carmelita Tito Brandsma, em profunda sintonia com Maria, a Theotokos, tornando-nos como Ela transmissores da vida divina: “Também a nós o Senhor envia o seu anjo... também nós devíamos receber Deus nos nossos corações, trazê-lo dentro dos nossos corações, alimentá-lo e fazê-lo crescer em nós de tal modo que nasça de nós e viva em nós como o Deus-connosco, o Emanuel” (Da relação do B. Tito Brandsma ao Congresso Mariológico de Tongerloo, Agosto 1936).

Este rico património mariano do Carmelo tornou-se através dos tempos e por meio da difusão da devoção do Santo Escapulário, num tesouro para toda a Igreja. Pela sua simplicidade, pelo seu valor antropológico e pela relação com o papel de Maria na Igreja e na humanidade, esta devoção foi profunda e amplamente percebida pelo povo de Deus, a ponto de encontrar expressão na memória de 16 de Julho, presente no Calendário litúrgico da Igreja universal.

5. No sinal do Escapulário evidencia-se uma síntese eficaz da espiritualidade mariana, que alimenta a devoção dos crentes, tornando-os sensíveis à presença amorosa da Virgem Mãe nas suas vidas. O Escapulário é essencialmente um “hábito”. Quem o recebe é agregado ou associado em grau mais ou menos íntimo à Ordem do Carmelo, dedicada ao serviço da Senhora para o bem de toda a Igreja (cfr. Fórmula da imposição do Escapulário, no “Rito da Benção e imposição do Escapulário” aprovado pela Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, 5/1/1996). Quem veste o Escapulário é introduzido portanto na terra do Carmelo, para que “coma dos seus frutos e bens” (cfr. Jer 2,7), e experimenta a presença doce e materna de Maria, no empenho quotidiano de revestir-se interiormente de Jesus Cristo e de manifestá-lo vivo em si mesmo para o bem da Igreja e de toda a humanidade (cfr. Fórmula da imposição do Escapulário, cit.).

São duas, portanto, as verdades evocadas no sinal do Escapulário: por um lado, a contínua protecção da Santíssima Virgem, não somente ao longo do caminho da vida, como também no momento da passagem para a plenitude da glória eterna; por outro, a consciência de que a devoção para com Ela não se pode limitar à oração e ao serviço em sua honra somente em algumas circunstâncias, mas deve constituir um “hábito”, isto é uma orientação permanente da própria conduta cristã, tecida de oração e de vida interior, mediante a prática frequente dos Sacramentos e o exercício concreto das obras de misericórdia espirituais e corporais. Deste modo o Escapulário torna-se sinal de “aliança” e de comunhão recíproca entre Maria e os fiéis: na verdade ele traduz de maneira concreta a entrega que Jesus, na cruz, fez a João, e nele a todos nós, da Sua Mãe, e da entrega do apóstolo predilecto e de nós a Ela, constituída nossa Mãe espiritual.

6. Desta espiritualidade mariana, que plasma interiormente as pessoas e as configura a Cristo, primogénito entre muitos irmãos, são um esplêndido exemplo os testemunhos de santidade e de sabedoria de tantos Santos e Santas do Carmelo, todos crescidos à sombra e sob a tutela da Mãe.

Também eu trago sobre o meu coração, desde há muito tempo, o Escapulário do Carmo! Pelo amor que nutro pela nossa Mãe celestial, cuja protecção experimento continuamente, desejo que este ano mariano ajude todos os religiosos e religiosas do Carmelo e os piedosos fiéis que a veneram filialmente, a crescer no amor para com Ela e a irradiar no mundo a presença desta Mulher do silêncio e da oração, invocada como Mãe da misericórdia, Mãe da esperança e da graça.

Com estes auspícios, concedo de boa vontade a Bênção Apostólica a todos os frades, monjas, irmãs e leigos e leigas da Família Carmelita, que tanto trabalham por difundir entre o povo de Deus a verdadeira devoção a Maria, Estrela do mar e Flor do Carmelo! 

Vaticano, 25 de Março 2001

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O Profeta Elias

O Profeta Elias

 

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Recentemente a Família Carmelita redescobriu a importância do Profeta Elias como inspiração para o trabalho pela justiça e pela paz. A sua experiência contemplativa impeliu-o à acção profética. Ele denunciou sem medo as acções dos poderosos do seu tempo e trouxe a luz da Palavra de Deus para as situações de pecado. A história da vinha de Nabot (1Rs 21,1-29) é um bom exemplo da actividade profética de Elias. O rei Acab desejava possuir a vinha de Nabot, mas este não queria vender o seu património. A rainha Jezabel zombou do seu marido e desafiou-o a mostrar quem era de facto o rei de Israel. A rainha tramou um esquema diabólico para acusar Nabot injustamente de blasfémia e para assumir o controle da vinha quando Nabot estivesse eliminado. O profeta Elias aparece quando Acab veio tomar posse da vinha e condenou o rei por abuso de autoridade. Este foi obviamente um passo muito corajoso. Proclamar a Palavra de Deus em certas situações pode ser muito perigoso. No profeta Elias vemos um homem que soube traduzir a sua experiência contemplativa em acção profética.


Elias conseguiu uma grande vitória para Yahweh no Monte Carmelo (1Rs 18,36-40), mas foi ameaçado por Jezabel e imediatamente as suas vozes interiores minaram a sua confiança em Deus. Foi para o deserto (1Rs 19,3-4) que tradicionalmente é um lugar de silêncio (Os 2,17). Deus falou-lhe através do anjo e Elias pôde continuar a sua jornada. Elias teve dificuldade em discernir a voz de Deus no meio de todos os seus problemas, mas, mesmo com dificuldades, continuou a caminhar até ao Horeb (1Rs 19,5-8). Quando chegou, Deus pergunta-lhe o que faz aí. Elias justifica-se, dizendo que está repleto de zelo pelo Senhor Deus dos exércitos. Diz a Deus que, em todo o Israel, ele é o único defensor que resta de Yahweh (1Rs 19,10). Deus não responde, mas simplesmente diz a Elias para sair e ficar na montanha. Aí Elias encontra Deus, mas não do modo como ele esperava, nem do modo como toda a sua tradição religiosa lhe havia ensinado. Elias deve silenciar todas as suas vozes interiores que lhe dizem como Deus parece ser, para que possa acolher Deus como Deus é (1Rs 19,11-12). Uma vez que Elias encontra Deus nos termos de Deus, e não como ele o imaginava, abre-se para ouvir a verdade, que o liberta da ilusão. Pensou que Deus realmente precisava dele, já que era o único profeta que restava. Deus mostra delicadamente que, de facto, existem ainda 7000 que não se ajoelharam diante de Baal (1Rs 19,18). Livre das suas ilusões, Elias recebe de Deus uma nova missão, que será realizada pelo seu sucessor Eliseu, que recebe uma dupla porção do espírito de Elias (1Rs 19,19; 2Rs 2,11).


Deus faz uso de tudo, grande ou pequeno, bom ou mau, para desafiar o nosso modo normal de viver no mundo, assim como Elias foi desafiado a libertar-se das suas expectativas de como Deus deveria manifestar-se-lhe. Estas expectativas estavam profundamente enraízadas em Elias e as nossas expectativas e perspectivas estão profundamente implantadas em nós. Antes de podermos receber Deus como realmente é, devemos aprender a libertar-nos de tudo isso. É um processo doloroso, uma verdadeira noite escura, mas essencial para que possamos alcançar a luz do dia e estar preparados para o encontro com Deus. A tradição carmelita fala de uma jornada de transformação. Os factos da nossa vida não são sem sentido. No coração de cada acontecimento, Deus chama-nos a dar um passo em frente na nossa jornada e no nosso modo previsível de julgar as situações e as pessoas, incluindo a nós mesmos, para que possamos ver as coisas a partir da perspectiva de Deus. O fim da nossa jornada é a nossa total transformação, quando formos capazes de considerar tudo com os olhos de Deus, e a amar o que vemos com o coração de Deus. Precisamos de comer e beber para que a jornada não seja longa. Encontramos o alimento necessário para a nossa jornada na celebração diária da Eucaristia, meditando a Palavra de Deus, e na nossa tradição carmelita. 

Joseph Chalmers, O. Carm.

 
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