3º Domingo do Tempo Comum, ano A – 25 de janeiro de 2026


tarrafa 02

Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:

A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.

A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.

 

1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)

Leitura do Evangelho segundo S. Mateus (4,12-23) 

4,12Quando Jesus ouviu dizer que João tinha sido entregue, retirou-se para a Galileia. 13Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, terra à beira-mar, nos confins de Zabulão e Neftali, 14para que se cumprisse o que foi dito por meio do profeta Isaías: 15«Terra de Zabulão e terra de Neftali, Caminho do Mar, Além-Jordão, Galileia dos gentios: 16o povo que estava sentado nas trevas viu uma grande luz; e para os que estavam sentados na região e na sombra da morte uma luz despontou». 17Desde então, Jesus começou a pregar e a dizer: «Arrependei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus». 18Caminhando junto ao mar da Galileia viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, lançando a tarrafa ao mar, pois eram pescadores. 19E diz-lhes: «Vinde após mim e farei de vós pescadores de homens». 20E eles, deixando logo as redes, seguiram-no. 21E avançando dali, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco com Zebedeu, seu pai, a limpar as suas redes; e chamou-os; 22e eles, deixando logo o barco e o seu pai, seguiram-no. 23Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas deles, pregando o Evangelho do Reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.

     Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:

  • v. 12. Quando Jesus ouviu dizer que João tinha sido entregue, retirou-se para a Galileia.

    (vv. 12-17: Mc 1,14s; Lc 4,14s). A passagem de hoje introduz o anúncio do Reino de Deus por Jesus. O texto compõe-se de três partes. A primeira (vv. 12-16) situa-nos na Galileia (he. “distrito”), a região norte de Israel, com uma população mista, composta na sua maioria por gentios e também por judeus (pensa-se que numa proporção de dois para um). É para lá que Jesus vai (Jo 4,3.44), depois de ouvir dizer que João Batista tinha sido “entregue”, isto é, preso (11,2; 14,3.13p). Ao usar este termo, Mateus dá logo a entender que a missão de Jesus, que agora se inicia, também se irá consumar, tal como a de João, na sua “entrega” à morte (17,22; 20,18s; 26,2.45; 27,2.18.26; cf. 10,4; 26,15s.21.23ss.46.48; 27,3s). Ao mesmo tempo sublinha que, apesar das ameaças e da oposição dos grandes, que, desta forma, procuravam silenciar a voz de João Batista, nada pode deter a obra de Deus e impedir que a Sua palavra se difunda: o anúncio do Evangelho e a instauração do Reino dos céus irão encontrar por toda a parte oposição e perseguições, mas não poderão ser sufocados, sendo levados pelo poder de Deus até ao fim: por Jesus e, depois, pelos seus discípulos (cf. 28,20).

  • v. 13. Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, terra à beira-mar, nos confins de Zabulão e Neftali,

    v. 13
    : Lc 4,31; Jo 2,12. Jesus deixa então Nazaré (gr. Nazará, uma forma muito rara de Nazarét, só aqui e em Lc 4,16), onde tinha sido criado (2,23), e vai morar em Cafarnaum (11,23; “aldeia de Naum”, conforto), cidade no território de Neftali, perto da região da tribo de Zabulão, na margem NW do lago de Genesaré, junto à qual passava o “Caminho do Mar” (a Via maris, que ligava o Egito à Síria, à Anatólia  e à Mesopotâmia). Considerada a capital judaica da Galileia (porque Tiberíades, a capital política, fundada por Herodes Antipas em 20 d.C., em honra do imperador Tibério, situada 17 km a SW de Cafarnaum, era evitada pelos judeus, para não se tornarem impuros, uma vez que tinha sido inadvertidamente edificada sobre um cemitério), Cafarnaum era um ponto de encontro e uma porta de acesso aos gentios.

  • v. 14. Para que se cumprisse o que foi dito por meio do profeta Isaías.

    O ministério de Jesus não parte de Jerusalém, com uma ação fulgurante, como se esperava que o Messias fizesse (cf. Ml 3,1ss; Is 2,3), mas da periferia do território de Israel. Mateus, que escreve para judeo-cristãos, conhecedores do AT, justifica esta aparente incongruência com a leitura tradicional que os judeus faziam do AT, recorrendo à fórmula de cumprimento escriturístico, típica do seu Evangelho: isto aconteceu “para que se cumprisse a Palavra” (plêrôthê tó rêthen, 5ª de 10x: 1,22; 2,15.17.23; 8,17; 12,17; 13,35; 21,4; 27,9), mostrando que, embora a tradição judaica não o tivesse advertido, o que estava a acontecer com Jesus, apesar de não ser assim esperado segundo os critérios humanos, decorria, de facto, segundo a vontade de Deus, conforme o que Deus tinha anunciado e prometido nas Escrituras. 

  • v. 15. «Terra de Zabulão e terra de Neftali, Caminho do Mar, Além-Jordão, Galileia dos gentios.

    Mateus cita então Is 8,23-9,1, descobrindo nesta passagem um significado mais profundo. A região da Terra Prometida que tinha sido a primeira a ser humilhada com a conquista pela Assíria e pela deportação do povo de Israel para o exílio por Teglatfalasar III, em 734 a.C. (2Rs 15,29), e que depois, após a queda da Samaria em 721 a.C., tinha sido colonizada pelos gentios (cf. 2Rs 17,24-41; 1Ma 5,15; Jo 7,52), é também a primeira onde começa a irromper a Boa nova da salvação.

  • v. 16. O povo que estava sentado nas trevas viu uma grande luz; e para os que estavam sentados na região e na sombra da morte uma luz despontou».

    A “grande luz” que brilhou para “o povo que estava sentado (ou seja, habitava) nas trevas” e “despontou” (gr.anatéllo: cf. 2,2; Nm 24,17; 2Sm 23,4; Is 45,8; Ml 3,20) “para os que estavam sentados na região e na sombra da morte”, ou seja, para os que jaziam na morte (cf. Jb 3,5; 10,21s) do pecado (At 26,18; Rm 2,19), é Jesus – que, na sua pessoa, palavra e obra (cf. Lc 1,78s; 2,32; Jo 1,9; 2Sm 23,2-5) inicia um novo êxodo (cf. Jr 2,6s), fazendo despontar um novo dia (cf. Is 59,20; 60,1s) e inaugurando uma nova criação (cf. Gn 1,3: “Haja luz”) – e o Evangelho que Ele anuncia, cuja luz começa a brilhar (2Cor 4,4.6; 2Tm 1,10) na Galileia, primeiro para os judeus (cf. 7,27; 10,5), mas também para os gentios (cf. 4,24), para depois se estender até aos confins da terra (28,16ss). Desde o início, a mensagem de Jesus tem uma intenção universalista.

  • v. 17. Desde então, Jesus começou a pregar e a dizer: «Arrependei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus».

    Na segunda parte do texto (vv. 17-22), Mateus narra o início da missão de Jesus, enuncia o conteúdo básico da Sua pregação e apresenta os seus primeiros discípulos.

    v. 17: 3,1-2. “Desde então Jesus começou” (16,21) é uma expressão que em Mateus assinala o início de uma nova etapa na missão de Jesus. A pregação de Jesus começa a ecoar nessa ocasião na Galileia para “desde então” nunca mais deixar de ressoar sobre a terra, devendo difundir-se em Israel e ser levada a todas as nações "todos os dias até à consumação do tempo" (28,20; cf. Mc 16,15).

    “A pregar”. “Pregar” (gr. keryssô) significa: a) “apregoar” um decreto, b) uma notícia importante; c) publicitar uma oferta ou recompensa. O arauto (gr. keryx: 1Tm 2,7; 2Tm 1,11), apregoava em voz alta a mensagem ou a notícia (kerygma) que era enviado a proclamar nos diversos cantos do reino e que, no caso de o fazer por iniciativa imperial – ou, como aqui, mais do do que imperial, por iniciativa divina – se destinava a todos os povos, nações e línguas (Dn 3,4).

    Na sua pregação inicial, Jesus repete à letra o querigma de João Batista: “Arrependei-vos porque o Reino dos céus está próximo” (3,2). Ao invés, porém, de João, que pregava no deserto (3,2.5), Jesus toma a iniciativa de ir ao encontro dos outros, alargando a sua ação a toda a Palestina e a todo o tipo de pessoas.

    Este querigma começa com um apelo profético ao “arrependimento” (gr. metanóia). “Arrepender-se” não é apenas “voltar a Deus” (he. shub; gr. anastréphô/epistréphô, “voltar”, "converter-se"), arrependendo-se do pecado e deixando o mal (cf. Sir 48,15; Jr 8,6), como no AT, mas também e, sobretudo, uma mudança interior, de perspetiva, mentalidade, sentimentos, atitudes e gestos, a partir da orientação da própria vida para Deus, pondo-O no centro dela e dando-Lhe a primazia, para escutar a Sua voz e fazer a Sua vontade, estando abertos à Sua novidade (cf. Sr 17,24ss; Is 43,19).

    No AT, o verbo "arrepender-se" tem por sujeito sobretudo Deus (he. naham: Am 7,3.6; Jr 18,8; Jl 2,13.14; Jn 3,9.10; 4,2) que se "arrepende do mal" – ou seja, do castigo  com que ameaçara o homem pecador, e lhe perdoa, usando de misericórdia para com ele. O apelo de Jesus visa assim um voltar a Deus, para a Ele se agarrar ("converter-se"), a fim de se imbuir dos Seus sentimentos e submeter ao Seu desígnio, obedecendo à Sua Palavra e cumprindo a Sua vontade, reveladas por Jesus.

    Este apelo ao arrependimento reveste-se de um carácter de urgência que se impõe em razão do Reino se ter aproximado. O verbo "aproximar" está no perfeito do indicativo, indicando que a chegada do Reino é iminente, está mesmo à porta, a ponto de ocorrer. Como? Na pessoa, na palavra e na obra de Jesus.

    A expressão “Reino dos céus” (Mt, 30x; he. Malkut Shamayim) – que Mateus prefere a “Reino de Deus” (5x: 6,33; 12,28; 19,24; 21,31.43) – é um mais um circumlóquio para evitar, à boa maneira judaica, pronunciar o Nome divino. Sublinha a diferença entre a conceção do Reino de Deus anunciado por Jesus, considerado como uma realidade espiritual (como Mateus acentua, cf. 5,3: "os pobres em espírito"), e a conceção humana dos reinos terrenos, como os judeus esperavam que fosse o reino de Deus instaurado pelo Messias, concebido como um rei guerreiro, terreno e vitorioso (cf. 20,21; At 1,6).

    “O Reino” refere-se ao exercício do poder soberano e universal de Deus sobre o seu povo e sobre todas as nações (cf. Sl 22,29; Is 52,7; Mq 4,7; Ez 20,33; Ab 21; Sl 29,10; 93,1; 96,10; 97,1; 99,1; 145,11ss; 146,10; Dn 2,44; 4,3; 6,26; 7,14.18.27; 2Ma 1,24; Tb 13,2; Sb 10,10; Hen 84,2; bBer 12a).

    Tendo os homens pecado e abandonado Deus para servir os ídolos, fabricando os seus próprios deuses (cf. Gn 11,4), “todos os reinos do mundo” (v. 8) – ou seja, toda a humanidade (cf. Lc 4,6) – ficaram sujeitos a Satanás (Jo 12,31; 14,30; 16,11; 1Jo 5,19; At 10,38; 26,18; Ef 2,2; Hb 2,9). Depois da realeza ter acabado no reino do norte (cf. v. 15) e também no reino do sul, Judá, com a morte do seu último rei, Jeconias, no cativeiro da Babilónia, depois de 561 a.C. (cf. 2Rs 25,30), nunca mais houve um rei da casa de David em Israel. Deus promete então que será Ele mesmo a governar e salvar o seu povo, reunindo-o num só Reino, o Reino de Deus, que será ins­taurado pelo Messias e se estenderá a todos os povos (Zc 14,9; Gn 49,10; 2Rs 19,15.19; 2Cr 20,6; Sl 2,6-8; 22,28; 67,5; Mq 4,1-3; Is 2,2-4; 11,1-10; 37,16; 49,7; 54,5; Sf 3,9; Dn 2,44; 7,27). Este Reino é chamado “dos céus” porque contrasta com os ídolos, as forças do mal e os poderes da terra, que mantêm os homens – os reinos deste mundo (cf. Jo 18,36) – escravos do pecado e da morte. O Reino de Deus triunfará sobre eles. Mas para se estabelecer na terra, requer a adesão do homem a Deus e a livre submissão dele à vontade divina, na obediência à Sua Palavra, pela prática dos seus mandamentos (mBer 2,2.5).

    É este Reino que Jesus anuncia e instaurará, não segundo os critérios humanos de poder, nem usando os seus métodos – recorrendo à força para submeter os que lhe resistem e à violência para exterminar os que se lhe opõem –, nem promovendo a supremacia de um povo – o povo de Israel – sobre as restantes nações, como pensavam os judeus, mas graças ao dom da nova Aliança: a transformação interior do coração homem, numa nova criação, mediante a inhabitação e ação do Espírito Santo nele (cf. Jr 31,31-34; Ez 36,22-29), através da remissão dos pecados, uma obra que só Deus poderá realizar (cf. 19,26).

  • v. 18. Caminhando junto ao mar da Galileia viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, lançando a tarrafa ao mar, pois eram pescadores.

    vv. 18-22: Mc 1,16-20; Lc 5,1-11; Jo 1,40ss. Mateus apresenta em seguida o início do Reino, com o chamamento dos primeiros discípulos, numa cena que evoca o chamamento de Eliseu por Elias (cf. 1Rs 19,19s). É um relato estilizado, que repete o mesmo esquema em relação aos dois pares de irmãos, destacando-se nele apenas os elementos fundamentais do chamamento dos discípulos por Jesus.

    “Caminhando junto ao mar da Galileia”, ou seja, ao longo das margens do lago de Genesaré, Jesus “vê”, com o olhar de Deus (Gn 1,31; 1Sm 16,6s), um par de irmãos, Simão “chamado Pedro” (com artigo, para o distinguir de Simão, o Cananeu: 10,2.4; 16,16ss) e André, que “lançavam a tarrafa ao mar, pois eram pescadores”. Isto significa que Simão e André estavam ali, dentro da água, junto à margem do lago, a pescar com a tarrafa, essa rede de pesca circular que se arremessa de lanço à água para apanhar o peixe.

  • v. 19. E diz-lhes: «Vinde após mim e farei de vós pescadores de homens».

    Jesus chama-os então, dizendo: “Vinde após Mim”. É o chamamento lançado por Jesus a Simão e a André a serem seus discípulos (he. talmid, pl. talmidim: “aprendizes”). "Após mim", uma vez que os discípulos seguiam literalmente atrás do rabino, a uns 9 metros de distância. Esta nota indica que o acento do seguimento de um discípulo em relação ao seu mestre não recaía sobre o conhecimento – pois o objetivo do discipulo não era chegar a saber tanto como o seu mestre –,  mas sobre o modo como o rabino interpretava a Lei e a guardava no seu dia a dia, de forma concreta, observando tudo o que o rabino dizia e fazia, para seguir o seu estilo de vida e imitar o seu exemplo, procurando tornar-se em tudo semelhante a ele na prática da Lei (cf. 10,25s).

    Apesar do chamamento de Jesus ser tão simples, tudo é inédito nele: não são os discípulos que escolhem o rabbi (como os judeus ainda hoje continuam a fazer), mas é Jesus que toma a iniciativa de chamar aqueles que escolheu. Os discípulos que Jesus aceita não são homens “justos” e preparados, com grandes estudos, como os dos rabinos judeus, mas “homens simples e sem estudos” (At 4,13), “pecadores” (9,13; Lc 5,8), que exercem a humilde profissão de serem pescadores. Jesus não chama os seus discípulos no Templo ou na sinagoga, mas no meio do próprio trabalho (cf. 1Rs 19,19; Am 7,14s); ão os ensina na escola, mas percorrendo os caminhos da vida. Finalmente, o seu apelo a segui-lo é radical e por toda a vida, exigindo o desapego de si mesmo, da própria família, bens, profissão, projeto de vida, enfim, de todo o tipo de apegos e seguranças humanas, podendo mesmo chegar a requerer o dom da própria vida, algo que nenhum rabino humano, a não ser Deus, podia pedir.

    Ao convite de Jesus, segue-se a sua promessa, neste caso, unida à missão que lhes confia: “Farei de vós pescadores de homens” (13,47; cf. Jr 16,16; Ez 47,10). É uma missão singular. O mar simboliza no AT o reino das forças do mal, o domínio das trevas e da morte (8,31s). Enquanto pescadores, os discípulos, seguindo o apelo de Jesus, partirão para a missão como para a pesca: cada jornada, sempre de novo, à noite, para o desconhecido, lançando as “redes” da pregação no escuro, sem saber como irão responder as pessoas, arriscando a própria vida. Mas, se responderem ao apelo de Jesus e O seguirem, Jesus, pelo seu divino poder, "fará" (gr. poiêso: Gn 12,2; 13,16; 48,4) deles “pescadores de homens”. Para um peixe, ser pescado, significa ser apanhado e perder a vida; mas para um homem, ser pescado é ser arrancado das águas, meio onde acabaria por se afogar e perder na escuridão da morte. Pela sua pregação e pelo poder que irão receber de Jesus, os apóstolos arrancarão muitos homens da escuridão do pecado e da morte, para os levar a Jesus, para que Ele os liberte, ilumine e salve, dando-lhes uma vida nova através das águas do batismo, tornando-os assim participantes da vida divina, capazes de caminhar sobre a rocha firme da Sua palavra (cf. 7,24; 28,19s).

  • v. 20. E eles, deixando logo as redes, seguiram-no.

    Simão e André respondem pronta e afirmativamente, “deixando logo as redes” para seguir Jesus. Mais tarde, enviados por Ele, deixarão “tudo” (10,9sp; 19,27p). "Seguir" (gr. akolouthéo), vem do verbo "escutar" (gr. akoúô), que significa "obedecer". Os discípulos caminham atrás de Jesus e seguem-no, isto é, escutam a Sua voz e obedecem à Sua palavra, procurando imitá-lo, seguindo os seus passos, ou seja, percorrendo o Seu caminho e aceitando o Seu destino.

  • v. 21. E avançando dali, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco com Zebedeu, seu pai, a limpar as suas redes; e chamou-os.

    Avançando um pouco adiante, Jesus chama mais um par de irmãos segundo o mesmo esquema do primeiro. “Viu outros dois irmãos”: cf. v. 18. “Tiago, filho de Zebedeu” (para o distinguir de Tiago de Alfeu: 10,3), “e João, seu irmão” (17,1p; 20,20p; 27,56; Lc 9,54; At 12,2). Estavam no barco, com o seu pai, a limpar as redes e a prepará-las para uma nova noite de pesca, em águas profundas (cf. Lc 5,4). "E" Jesus “chamou-os”.

  • v. 22. E eles, deixando logo o barco e o seu pai, seguiram-no.

    Tiago e João, filhos de Zebedeu, também respondem prontamente, e “deixando logo o barco e o seu pai, seguiram-no” (v. 20; 19,29p).

    Os primeiros discípulos  de Jesus são, assim, quatro, dois pares de irmãos (10,2; Mc 1,29) que trabalham como sócios (Lc 5,7.10; 2Cor 8,23; Fm 17). “Quatro” é o número que simboliza a terra, assente sobre quatro colunas, como imaginavam os antigos. São dois pares de irmãos indicando que a base sobre a qual assenta a comunidade do Reino dos céus é a fraternidade, uma fraternidade que se deve estender a todos os homens, onde quer que eles se encontrem, e onde todos vivam como irmãos, cooperando uns com os outros na obra de Jesus, ou seja, na edificação, anúncio e difusão do Reino dos céus.

    A resposta pronta e imediata destes quatro primeiros discípulos demonstra o poder da palavra de Cristo, tornando-se um exemplo de conversão e de adesão total às exigências do Reino. Estes quatro discípulos representam os discípulos de todos os tempos e lugares que respondem pronta e incondicionalmente ao chamamento do Mestre a O seguirem na entrega da própria vida, a serviço do Evangelho, em prol da salvação dos homens.

  • v. 23. Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas deles, pregando o Evangelho do Reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.

    v. 23
    : 9,35; Mc 1,39; Lc 4,44. Na terceira parte, Mateus mostra o Reino como uma realidade já presente e atuante em Jesus. Neste sumário o evangelista apresenta Jesus, apontando-O como:

    1) um pregador incansável e itinerante: “percorria toda a Galileia” (Mc 1,38, Lc 4,43; 8,1),

    2) que vai ao encontro de todos,

    3) anunciando-lhe o Reino dos céus:

(1) por palavras:

(a) “ensinando nas sinagogas deles”: este anúncio dirigia-se a judeus praticantes (Lc 4,15), a quem Jesus ensina nas sinagogas, explicando-lhes a palavra de Deus e aplicando-a à vida. Ao especificar “(nas sinagogas) deles”, Mateus mostra que conclui o seu Evangelho depois da Igreja se separar da sinagoga, o que começou no ano 60 e se veio a consumar logo a seguir ao ano 70 d.C., data em que as tropas de Tito conquistaram Jerusalém;

b) “pregando o Evangelho do Reino”: este anúncio dirigia-se sobretudo aos não-praticantes e aos que não conheciam a Deus.

”O Evangelho”: "evangelho" é uma “notícia” (gr. anguélion) que provoca gritos de alegria (gr. eu), como (a) a cura de uma doença, (b) o fim duma carestia ou de uma guerra, cI uma vitória ou d) o nascimento dum filho. No AT, em grego, “evangelho” só aparece no plural, “boas-novas” (mesmo quando, em hebraico, bessorá vem no singular: 2Sm 4,10; 18,20.22. 25.27; 2Rs 7,9); no NT, só é usada no singular (1,1; Rm 15,19; 1Cor 9,12; 2Cor 2,12; 9,13; 10,14; Gl 1,7; Fl 1,27; 1Ts 1,5; 3,2), significando que todas as boas-novas de Deus se resumem numa única boa-nova: Jesus Cristo, “o Evangelho de Deus” vivo (Rm 1,1; 15,16; 2Cor 11,7; 1Ts 2,2.8s; 1Pd 4,17).

"Do Reino", ou seja: do "Reino dos céus" (cf. v. 17).

(2) E por obras, “curando todas as doenças e enfermidades” (10,1; At 10,37s), sinais que mostram que Jesus é o Messias, anunciando a irrupção do Reino de Deus no meio dos homens, triunfando sobre Satanás, o pecado e o mal, atestando que Jesus é o Filho de Deus que veio ao mundo, ao encontro dos homens, para os salvar.

"Entre o povo": era sobretudo o povo simples, sofrido, desprezado e ignorado por todos (cf. Jo 7,49), que não tinha acesso aos médicos, nem solução para as suas dores, enfermidades e problemas, nem ninguém que se interessasse por ele, dele cuidasse, o escutasse e o compreendesse, que acorria a Jesus. E era este povo de quem Jesus se compadecia e acolhia, anunciando-lhe a Palavra, libertando-o e curando as suas doenças e enfermidades (cf. 9,36).

Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...

2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)

     a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
     d) Partilha e) Que frase reter? f) Como a vou / vamos pôr em prática?
 

  • O que é que na minha vida, opções, gestos e atitudes impede ainda a chegada do Reino dos céus? O que é que devo mudar neles para que isso aconteça?
     
  • Estou disposto a percorrer com Jesus o caminho do Reino e a testemunhá-lo àqueles que vivem imersos no sofrimento e no pecado?

 

3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)

4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela inflame o coração)

Salmo responsorial                                              Sl 27,1.4.13-14 (R. 1a)

Refrão: O Senhor é minha luz e minha salvação.

O Senhor é minha luz e salvação:
a quem hei de temer?
O Senhor é protetor da minha vida:
de quem hei de ter medo?      R.

Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio:
habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,
para gozar da suavidade do Senhor
e visitar o seu santuário.      R.

Espero vir a contemplar a bondade do Senhor
na terra dos vivos.
Confia no Senhor, sê forte.
Tem confiança e confia no Senhor.      R.

 Pai-nosso…

 Oração conclusiva:

Deus todo-poderoso e eterno, dirigi a nossa vida segundo a vossa vontade, para que mereçamos produzir abundantes frutos de boas obras, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho. Ele que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.

 Ave-Maria...

 Bênção final. Despedida.

 5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida)

Fr. Pedro Bravo, O.Carm.