
Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:
A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.
A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.
1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)
Leitura do Evangelho segundo S. João (20,19-31)
20,19Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam por medo dos judeus, veio Jesus, pôs-se de pé, no meio, e diz-lhes: «A paz esteja convosco». 20Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao verem o Senhor. 21Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós». 22Dito isto, soprou e diz-lhes: «Recebei o Espírito Santo: 23àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, serão retidos». 24Ora Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. 25Diziam-lhe então os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele disse-lhes: «Se não vir nas suas mãos o lugar dos cravos, se não meter o meu dedo no lugar dos cravos e não meter a minha mão no seu lado, jamais acreditarei». 26Oito dias depois, estavam novamente os seus discípulos dentro e Tomé com eles. Vem Jesus, estando fechadas as portas, pôs-se de pé no meio e disse: «A paz esteja convosco». 27Depois diz a Tomé: «Traz aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; traz a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». 28Tomé respondeu e disse-lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» 29Diz-lhe Jesus: «Porque Me viste, creste. Bem-aventurados os que não viram e creram». 30Jesus fez muitos outros sinais diante dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida no seu nome.
Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:
O texto de hoje tem duas partes: as duas primeiras aparições de Jesus aos apóstolos (vv. 19-29) e a primeira conclusão do Quarto Evangelho (vv. 30s).
- v. 19. Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam por medo dos judeus, veio Jesus, pôs-se de pé, no meio, e diz-lhes: «A paz esteja convosco».
vv. 19-23: Mc 14,14-18; Lc 24,36-43. Na primeira parte do presente texto, narram-se as duas primeiras aparições de Cristo ressuscitado aos apóstolos. Ambas seguem o mesmo esquema, tendo Jesus no centro, formando um díptico: na primeira aparição (vv. 19-23), estando Tomé ausente, apresenta-se o núcleo central do querigma pascal, do qual os apóstolos vão ser constituídos arautos e testemunhas; a segunda aparição (vv. 24-29), com Tomé presente, incide sobre a resposta do homem ao querigma: a fé.
O texto abre com o relato da primeira aparição de Jesus ressuscitado aos apóstolos, em Jerusalém. “O primeiro dia da semana” é o dia em que se comemora a criação (Gn 1,3ss). Inseguros e desamparados, os apóstolos tinham-se “fechado” (o verbo está no particípio perfeito, indicando que a porta estava bem fechada, há tempo: v. 26!) no lugar onde se encontravam. Por Marcos e Lucas, sabemos que esse lugar era o Cenáculo (cf. Mc 14,15; Lc 22,12p; At 1,13). “Por medo dos judeus” (9,22), com razão, porque o Cenáculo estava situado a menos de 50 m do palácio de Caifás (18,13; no mapa:15 – Casa de Caifás; 16 – Cenáculo). Ressuscitado, Jesus “veio” (Ap 5,6-7) ter com eles para com eles ficar para sempre (14,18s).
Jesus veio "estando fechadas as portas (do lugar) onde os discípulos se encontravam": o evangelista não pretende com isto dizer que Jesus ressuscitado tem agora um corpo glorioso, tão subtil e espiritual, que atravessa as portas e as paredes (como se o corpo glorioso de Jesus se deslocasse no tempo e no espaço), mas antes que, glorificado na sua humanidade (corpo e alma) Jesus está presente de uma forma nova, não mais definida a partir da sua referência às coisas cá de baixo da terra, ou seja, às categorias criadas do tempo e do espaço, mas determinada a partir das coisas do alto, ou seja, a partir da sua divindade, da sua relação com o Pai, manifestando aos apóstolos esta nova modalidade da Sua presença, pneumática e universal, que se estende, abarca e engloba todos os tempos e lugares (gr. plêroma: 1,16; Cl 1,19; 2,9; Ef 1,23; 3,19; cf. Mt 28,20), inclusivamente aquele lugar onde eles se acham reunidos, naquela ocasião, no Cenáculo. Doravante Jesus está com eles sempre e em toda a parte, na sua humanidade glorificada, tudo enchendo com a sua presença e ação salvadoras.
Jesus apresenta-se “de pé” (v. 26; 21,4; Lc 24,36; cf. Lc 6,8; Nm 17,13), ressuscitado e vitorioso, como o princípio da nova criação.
Ele "põe-se", fixa-se (gr. histemi) “no meio” (sem determinativo: v. 26), como único Mediador entre Deus e os homens (1Tm 2,5), referência central, fonte de união, princípio de comunhão, fator de convergência e ponto de irradiação dos discípulos.
Jesus dirige-lhes a saudação semita habitual: “Paz convosco” (he. shalom aleichem: Gn 43,23; Tb 12,17; Jr 4,10; Dn 3,31; 1Pd 5,14; cf. Sl 122,8). Esta saudação, de mero augúrio até então que era, torna-se doravante dom efetivo da verdadeira paz, a paz que Jesus tinha anunciado (14,27), a paz definitiva, messiânica, plenitude dos bens prometidos por Deus (Sl 85,9.11; 122,6; Is 9,6; 26,12; 32,17; 52,7; 66,12), que Jesus na sua humanidade alcançou e é (Mq 5,5; Ef 2,14), paz que só Ele dá e só Ele pode dar (At 10,36; Cl 1,20; Ef 2,17), comunicando-a através do Espírito Santo (v. 22; cf. Is 53,5; 2Ts 3,16; Rm 5,1; Gl 5,22).
Jesus repete três vezes esta saudação no presente texto: duas, no dia da sua ressurreição (v. 21), confirmando o dom da paz; e a terceira, oito dias depois, selando este dom com a sua divina autoridade (v. 26). - v. 20. Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao verem o Senhor.
Só depois de ter falado é que Jesus se dá a conhecer. Porquê? Porque o encontro com Jesus ressuscitado só se dá na fé. Ora, a fé nasce da escuta da Palavra (Rm 10,17; Gl 3,2.5). Por isso, é só depois de terem escutado Jesus e recebido com fé a sua palavra que os discípulos o veem (v. 16; 1,50).
Esta aparição de Jesus ressuscitado é uma teofania (“manifestação divina”: 21,1), na qual Jesus Se revela, não só como o Ressuscitado, na sua humanidade, mas também como “o Senhor” (gr. Kyriós, he. Adonai, o título divino reservado no AT a Deus: vv. 18.28; 1Cor 12, 3; Fl 2,11), na sua Pessoa, ou seja, como Deus.
Jesus não se mostra logo, de uma só vez, porque, ao início, só é possível “ver” o Ressuscitado aos poucos e poucos, primeiro uma parte, depois outra, como testemunha S. Teresa de Jesus (Vida 28,1-5, p. 182s). Jesus apresenta neste momento apenas os “sinais” de que é Ele, o Crucificado (Mc 16,6), que está ali vivo, com eles. Mostra-lhes assim "as mãos", sinal da sua obra (v. 25), para que nelas possam ver as perfurações feitas pelos cravos; "e o lado", traspassado pela lança, manifestação do seu amor. Lc 24,40 diz que Jesus mostrou os pés, também para que os apóstolos neles vissem as chagas provocadas pelo terceiro cravo, chagas estas que João não menciona aqui, porque se concentra antes no lado de Jesus, chaga que só João, entre os evangelistas, refere, dando-lhe um profundo significado teológico (19,34-35.37). Ao apresentar as chagas como sinal distintivo da sua nova condição de ressuscitado (Ap 5,6), Jesus sublinha: a) a realidade da sua ressurreição corporal; e b) a eficácia perene da sua morte redentora na cruz.
Os discípulos alegram-se ao “verem o Senhor” (v. 18). É a alegria messiânica, escatológica, anunciada pelos profetas (Is 66,10.14; Jr 31,13; Sf 3,14; Zc 10,7), prometida por Jesus e agora, cumprindo a sua promessa (16,20.22), por Ele conferida, alegria que brota da comunhão com Ele e, nele, com o Pai e com os irmãos (14,28; 15,11; 17,13; Gl 5,22; 1Jo 1,4), alegria esta que sabe a vida eterna. - v. 21. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós».
v. 21: 17,18. João concentra num só dia – o Dia que Jesus ressuscitado é –, a comunicação dos dons messiânicos da nova criação. Por isso, é só após o encontro com Jesus ressuscitado, que Ele, no Quarto Evangelho, envia (gr. apostellô) os apóstolos – e, neles, a Igreja – como continuadores da sua missão. - v. 22. Dito isto, soprou e diz-lhes: «Recebei o Espírito Santo.
Jesus envia os apóstolos dando o Espírito Santo. Como é habitual, o dom do Espírito Santo vem acompanhado dum símbolo que exprime a sua ação, neste caso, o sopro. Jesus “sopra” (gr. enfusaô). Este verbo evoca: a) a criação do homem por Deus como “ser vivente” (Gn 2,7); e b) o dom de uma vida nova, dada por Deus ao seu povo (Ez 37,9).
“O Espírito Santo” (Sl 51,13; Is 63,10.11; Dn 13,44; Sb 1,5; 9,17) é o princípio de vida que Deus infunde no homem (Jb 7,7; Sl 144,4; Sb 15,11), neste caso, de vida nova, através do qual se lhe comunica (At 1,2), age no mundo e manifesta o seu poder, levando a cabo a obra vivificante (Jb 33,4) e regeneradora (3,5-8) da nova criação (Gn 1,2). Para o receber, há que esvaziar-se de si mesmo, crer em Jesus como o Senhor e aspirar de Jesus o Espírito na intimidade pessoal da oração.
Não se trata, porém, ainda do dom pleno do Espírito. Por isso, o verbo “infundir” não tem complemento. Note-se que dos “Doze” (v. 24) só estão aqui presentes dez: Tomé está ausente e Judas Iscariotes matou-se (Mt 27,5; At 1,15ss). O número “dez” simboliza a totalidade, no AT. Para os judeus é o número mínimo de adultos necessário para que a sinagoga se possa reunir para o culto (o minyan, "contar": cf. Gn 18,32; bMeg 23b; bSof 10,7; Midr Tanch Miketz 6,5). Jesus glorificado (cf. 7,30) comunica o Espírito Santo como fonte de vida nova ao Povo de Deus que vai nascer (Sl 22,31), o novo Povo de Deus, aqui representado por estes dez. Eles simbolizam a Igreja, comunidade de Jesus Cristo ressuscitado, por Ele gerada na cruz (19,30), Igreja esta que sucederá à Sinagoga. A plenitude do Espírito, porém, só será concedida no Pentecostes, quando o Espírito Santo se infundir pessoalmente em cada crente (1,33; Ez 36,26s), fazendo assim “nascer”, “vir à luz”, a Igreja.
De facto, se se tratasse do dom pleno do Espírito Santo, os apóstolos já teriam ficado transformados a partir deste momento. Mas tal não aconteceu. Se esse tivesse sido o caso, como se explicaria então que daí a oito dias os apóstolos ainda continuassem reunidos no Cenáculo da mesma forma que aqui se encontram, ou seja, com as portas fechadas, com medo dos judeus (v. 26)? E como se compreenderia que eles tivessem voltado à sua forma de vida anterior, como aconteceu com Simão Pedro e os outros seis que depois da segunda aparição de Jesus, voltam à Galileia e vão pescar com Pedro no mar de Tiberíades (21,3)? Na realidade, para se receber a plenitude do Espírito Santo – como narra S. Lucas que os apóstolos receberam no dia de Pentecostes (At 2,1-4) – normalmente o Espírito Santo vai sendo derramado primeiro aos poucos e poucos (cf. aqui; At 1,2), de forma a preparar e dispor o crente para o receber, até que seja capaz de O acolher, sendo então que Ele vem em plenitude, derramando-se interiormente com poder no coração arrependido daquele que, aderindo com fé à Palavra (cf. At 2,38), aceitou Jesus como seu Senhor, transformando-o então com a graça da sua presença.
- v. 23. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, serão retidos.
v. 23: Mt 18,18. Pelo Espírito Santo, Jesus comunica à Igreja, na pessoa destes Dez, a missão e o poder que o Pai lhe deu. Tal como na pregação de João Batista (1,29-34), a missão e o poder de Jesus são sintetizados em dois dons: a) o dom messiânico por excelência, o Espírito Santo (Lc 24,47; Jr 31,33; 33,8s; Ez 36,22-29; At 2,38; 5,31; 10,43; 13,38s; 26,18), o qual confere confere b) o dom por antonomásia da nova Aliança, a “remissão dos pecados” (Mt 26,28; Jr 31,34; 33,8; 50,20; At 10,43; 13,38; Rm 11,27; Ef 1,7; Hb 8,12; 10,17), ou seja, o perdão de todos os pecados e das suas consequências, dom este que resume a missão salvífica de Jesus, que tem por objetivo batizar no Espírito Santo, pois é o Espírito Santo que confere o perdão os pecados ao restaurar a comunhão do homem com Deus e do homem com os outros homens, que o pecado rompera. O poder divino (gr. exousía) de perdoar os pecados é conferido por Cristo à sua Igreja na pessoa dos apóstolos (Mt 9,6ss; 18,18), para que eles continuem a sua missão como mediadores do perdão que Ele, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (1,29.36), concede, dando o seu Espírito.
- v. 24. Ora Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus.
Na segunda aparição de Jesus ressuscitado aos “Doze” (vv. 24-29), Tomé (aram., gr. Dídimo, “gémeo”: 11,16; 14,5; 21,2) já está presente.
- v. 25. Diziam-lhe então os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele disse-lhes: «Se não vir nas suas mãos o lugar dos cravos, se não meter o meu dedo no lugar dos cravos e não meter a minha mão no seu lado, jamais acreditarei».
v. 25: Mt 28,17. Tomé não aparece nesta cena, como tantas vezes se diz, como “modelo da incredulidade”. Ele representa, pelo contrário, aqueles que não “viram o Senhor”, ou seja, os que ainda não se encontraram com Jesus (9,36ss), mostrando qual deve ser a resposta do homem ao querigma apostólico (“vimos o Senhor!”: v. 18; 1Jo 1,1), ou seja, a fé, e como a ela se chega. Sozinho, Tomé não foi capaz de acreditar; mas, agora, ao escutar a Palavra de Jesus no seio da comunidade crente, já consegue abrir-se à fé nele, encontrando-se com Ele, vivo e ressuscitado (cf. 21,12).
- v. 26. Oito dias depois, estavam novamente os seus discípulos dentro e Tomé com eles. Vem Jesus, estando fechadas as portas, pôs-se de pé no meio e disse: «A paz esteja convosco».
v. 26: v. 19. Esta segunda aparição de Jesus ocorre também “no primeiro dia da semana”, “oito dias depois”. “Oito” simboliza a eternidade. É neste dia, que é também o primeiro da semana, que a comunidade cristã se reúne regularmente, semana após semana, para celebrar a Eucaristia (At 20,7; 1 Cor 16,2), a ponto da comunidade cristã lhe dar um nome próprio: “domingo”, ou seja, “dia do Senhor” (gr. Kyriakê, lat. Dominica: Ap 1,10). Ao saudar os discípulos, Jesus renova pela terceira vez (vv. 19.21) o dom da paz, confirmando assim o caráter definitivo e irrevogável deste dom, com divina autoridade (“três”, tal como “um”, simboliza a divindade).
- v. 27. Depois diz a Tomé: «Traz aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; traz a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente».
Ao constatar o conhecimento divino de Jesus, que o ouviu porque, estando vivo, continua presente entre os seus (mas agora, porém, na sua nova condição de glorificado: v. 25).
- v. 28. Tomé respondeu e disse-lhe: «Meu Senhor e meu Deus!»
Tomé escuta a palavra de Jesus e – apesar da esmagadora maioria dos quadros o apresentarem a tocar em Jesus, metendo o dedo nas suas chagas – sem tocar nele (Lc 24,39!), responde-lhe com fé (v. 29), rendendo-se totalmente, de mente e coração, a Ele, acolhendo assim o testemunho dos outros dez apóstolos e confessando com a sua boca a fé da Igreja: “Meu Senhor e Meu Deus” (Sl 35,24). É um ato que evoca o batismo cristão (cf. Rm 10,8-10). A fé de Tomé em Jesus ressuscitado não nasce de si próprio, mas da palavra de Jesus, que lhe chega primeiro através do testemunho dos outros apóstolos e que ele recebe depois dirigida pessoalmente a Ele pelo próprio Jesus (cf. 15,16; 1Ts 2,13).
“Senhor” e “Deus” são os dois principais títulos divinos da confissão de fé da Igreja em Jesus Cristo: “Senhor”, mais típico do mundo hebraico (he. Adonai, o título divino que substitui o tetragrama sagrado IAVÉ no AT: v. 20); (Filho de) “Deus”, mais comum entre os gentios.
- v. 29. Diz-lhe Jesus: «Porque Me viste, creste. Bem-aventurados os que não viram e creram».
O último convite de Jesus aos seus discípulos (1,39) é a primeira bem-aventurança evangélica, a da fé: “Bem-aventurados os que não viram e acreditaram” (cf. 1,50-51; Lc 1,45; cf. 1Pd 1,8). De facto, só pela fé em Jesus é que se renasce para o alto e se alcança a vida eterna (v. 31; 1,12; 3,15-16).
- v. 30. Jesus fez muitos outros sinais diante dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro.
Primeira conclusão do Evangelho (vv. 30-31: 21,25). O evangelista concluiu a sua obra dizendo que, embora Jesus tenha feito muitos outros “sinais” (além dos sete apresentados neste Evangelho e dos sinais da sua Paixão, morte e ressurreição), cingiu-se apenas aos por ele escritos nesta obra, destinados a suscitar uma fé plena em Jesus. - v. 31. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida no seu nome.
A fé plena em Jesus é a que o confessa como “o Cristo” (“o Messias”: 1,41) e “o Filho de Deus” (11,27; Mt 16,16), para que quem nele crê, possa receber “a vida eterna”, ou seja, a vida divina (3,15; 5,24; 17,2s; 1Jo 5,13) “no seu nome”. “Nome” é um semitismo que significa a pessoa, indicando a pessoa de Jesus, as suas palavras e obras, a sua missão; nome este que, invocado, as torna presentes na vida daquele que o invoca. É o que começa a acontecer com o batismo (1,12) e depois se prolonga por toda a vida cristã.
Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...
2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)
a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
d) Partilha e) Que frase reter? f) Como a vou / vamos pôr em prática?
- Qual é o centro da minha vida e da nossa comunidade: Cristo? A família? O trabalho? Ou outra coisa?
- Que testemunho dou eu e damos nós, comunitariamente, de Jesus Cristo ressuscitado? Quem O procura, consegue encontrá-lo em nós?
3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)
4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela inflame o coração)
Salmo responsorial Sl 1,1-4.6 (R. Sl 39,5a)
Refrão: Aclamai o Senhor porque Ele é bom, o Seu amor é para sempre.
Diga a casa de Israel:
é eterna a sua misericórdia.
Diga a casa de Aarão:
é eterna a sua misericórdia.
Digam os que temem o Senhor:
é eterna a sua misericórdia. R.
Empurraram-me para cair,
mas o Senhor me amparou.
O Senhor é a minha fortaleza e a minha glória,
foi Ele o meu Salvador.
Gritos de júbilo e de vitória nas tendas dos justos:
a mão do Senhor fez prodígios. R.
A pedra que os construtores rejeitaram
tornou-se pedra angular.
Tudo isto veio do Senhor:
é admirável aos nossos olhos.
Este é o dia que o Senhor fez:
exultemos e cantemos de alegria. R.
Pai-nosso…
Oração conclusiva:
Deus de eterna misericórdia, que reanimais a fé do vosso povo na celebração anual das festas pascais, aumentai em nós os dons da Vossa graça, para compreendermos melhor as riquezas inesgotáveis do batismo com que fomos purificados, do Espírito em que fomos renovados e do Sangue com que fomos redimidos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.
Ave-Maria...
Bênção final. Despedida.
5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida)
Fr. Pedro Bravo, O.Carm. (para correções, notas e sugestões, contactar por favor Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)