
Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:
A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.
A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.
1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)
Conclusão do Evangelho segundo S. Mateus (28,16-20)
28,16Os onze discípulos foram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha designado. 17E, quando o viram, adoraram-no, mas alguns duvidaram. 18Aproximando-se, Jesus falou-lhes, dizendo: «Foi-Me dada toda a autoridade no céu e sobre a terra. 19Ide, pois, fazei discípulas todas as gentes, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo 20e ensinando-as a guardar tudo o que vos mandei. E eis que Eu convosco estou todos os dias até à consumação do tempo».
Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:
Diversamente dos outros evangelistas, Mateus refere uma só aparição de Jesus ressuscitado aos “onze discípulos”, que redige a modo de conclusão final, nela rematando os principais temas da sua obra: Jesus é o Messias, o Deus connosco, cuja palavra, obra e salvação se devem estender a todas as gentes, cumprindo deste modo as promessas de Deus a Abraão. E assim como no Evangelho recolhe as palavras de Jesus em cinco discursos, também o conclui não com palavras suas, mas presenteando-nos as palavras de Jesus, deixando que seja Ele próprio, uma vez mais, a dirigir-se pessoalmente aos seus “discípulos”, a cada um dos destinatários do Evangelho.
O texto de hoje tem duas partes: a) a aparição de Jesus aos Onze (vv. 16-18a); e b) o grande mandato missionário de Jesus à sua Igreja (vv. 18b-20).
- v. 16. Os onze discípulos foram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha designado.
Os onze discípulos" (Mc 16,14; Lc 24,9.33; At 1,26) são os "Doze discípulos" (10,1; 11,1; 20,17), ou seja, "os Doze” (10,5; 11,1; 26,20) “apóstolos" (10,2), que agora, sem Judas Iscariotes – “um dos Doze” (26,14.47), aquele que traiu Jesus (10,4) –, ficaram reduzidos a onze, pois Judas Iscariotes, ao tomar consciência do seu ato, entretanto se tinha suicidado (27,3-5).
A aparição de Jesus aos onze é situada por Mateus, sem indicação de tempo, nem precisão de lugar, não em Jerusalém, mas na Galileia (he. "distrito", "região"). Porquê? Porque:
a) a Galileia foi o ponto de partida da missão de Jesus, bem como do chamamento e da missão dos Apóstolos. A missão de Jesus, que tinha começado na periferia norte de Israel, consuma-se onde tinha começado: na Galileia. E a missão da Igreja, que agora vai começar, a partir de Cristo ressuscitado, também parte da Galileia, porque nasce da missão de Jesus, que se alargou, tomando corpo primeiro na missão dos apóstolos, ainda quando Jesus estava fisicamente entre eles (10,5), continuando-a e estendendo-a, depois do Pentecostes, a cada um dos membros da Igreja, de modo que o Evangelho seja anunciado sempre, por todos os discípulos de Jesus, a todos, em toda a parte, até ao fim dos tempos;.
b) esta região é a desprezada “Galileia das nações” (4,15; Is 9,1; cf. Jo 7,52), onde coabitavam gentios e judeus, nessa altura, numa proporção de dois para um. A missão da Igreja, doravante, já não se restringirá apenas “às ovelhas perdidas da casa de Israel” (10,6), mas é alargada a todos, também aos gentios;
c) quando Mateus escreve o Evangelho, Jerusalém já tinha sido destruída pelas tropas de Tito, no ano de 70 d.C. Antes, porém, no Inverno de 66-67 d.C., quando as tropas romanas começaram a reconquistar a Galileia, após a sublevação de Israel no verão de 66, a comunidade cristã, obedecendo à palavra de Jesus (24,15-28), já tinha deixado Jerusalém e fugido da Judeia, primeiro para Pela, na Decápole (na atual Jordânia: cf. Eus. Hist. eccl. 3.5.3), tendo-se, depois da conquista de Jerusalém, espalhado daí para a Galileia, o Líbano e a Síria. Mateus, no seguimento de Marcos, indica deste modo que Jerusalém deixa, desde então, de ser a capital religiosa do Povo de Deus (cf. Lc 21,24), para o centro do novo Povo de Deus passar a ser o lugar onde Jesus convoca e reúne os seus discípulos (Mc 16,7 precisa-o: à volta de Pedro), neste caso, a Galileia, o lugar onde os eles vivem e trabalham, ou seja, a Galileia da vida concreta: é aí que Jesus ressuscitado se encontra com os seus discípulos e é daí que os envia em missão – primeiro os apóstolos e, depois, neles, todos os membros da comunidade cristã, que os apóstolos representam. Por este motivo, Mateus não se refere a eles como “os onze apóstolos”, mas designa-os “os onze discípulos”, para que neles se revejam e sintam interpelados todos os cristãos.
O encontro de Jesus ressuscitado com os Onze ocorre num “monte” da Galileia. É o último dos oito montes (4,8 [1]; 5,1 [2].14 [3º!]; 14,23 [4]; 15,29 [5]; 17,1 [6]; 21,1 [7]) que Mateus refere na sua obra, dos quais (exceto no caso do monte das Oliveiras: cf. Zc 14,4), nunca indica o lugar preciso nem o nome, a fim de se destacar apenas o seu significado teológico. No AT, o “monte” é o lugar do encontro com Deus e da revelação. Este “monte” é agora Jesus, sobre o qual assenta e é edificada a Igreja (ou seja, o terceiro monte: 5,14!; 16,18), a nova Jerusalém, a partir da qual será anunciada a Palavra de Cristo, a nova lei de Deus, a todas as nações, como tinha sido prometido através dos profetas (cf. Is 2,2-5; 66,20; Jr 31,6; Mq 4,2; Zc 8,20-23). E tal como Moisés, antes de morrer, contemplou do cimo do monte indicado por Deus a Terra Prometida e aí instituiu Josué como seu sucessor (Nm 27,12‑23; Dt 3,27s; 34,1-4), também Jesus, o novo Moisés, confia aos seus discípulos sobre “o monte” por Ele “designado” a terra inteira para nela formar o novo Povo de Deus, que Ele, o novo Josué (o nome hebraico Iehoschua – em aramaico Ioschua – é traduzido para grego, pelos LXX, como Iesous, "Jesus"), introduzirá na verdadeira terra prometida, que é o Reino dos céus. E assim como foi num monte da Galileia que Jesus “começou a ensinar” (5,1), é também a partir dum monte da Galileia que Ele envia os seus discípulos a "ensinar", não apenas ao povo de Israel, mas a todas as nações.
“Designar” (gr. tássô) tem aqui duplo significado: a) refere-se ao lugar da Galileia (26,32), indicado por Jesus na Última Ceia, tal como o anjo o recordou às mulheres quando lhes anunciou a ressurreição de Jesus (v. 7) e o próprio Jesus ressuscitado lhes mandou anunciar “aos seus irmãos” (v. 10); b) significa “instituir num serviço”, porque é agora que os Doze são constituídos apóstolos para todas as nações.
- v. 17. E, quando o viram, adoraram-no, mas alguns duvidaram.
Os apóstolos, “quando o viram” (Jo 20,20), prostram-se por terra e “adoram” Jesus ressuscitado (v. 9; Lc 24,52), pois é só então, a partir da Sua ressurreição, que Ele se lhes revela claramente como Deus, ou seja, como o único Senhor (he. Adonai; gr. Kyriós) a quem se deve adorar (4,10).
“Alguns duvidaram”: Mateus refere aqui, descontextualizadas e sintetizadas nestas três palavras, as dúvidas e dificuldades que os discípulos tiveram em acreditar na ressurreição de Jesus (Mc 16,10-14; Lc 24,25; Jo 20,25.27). A persistência de dúvidas nalguns deles, mesma na presença do próprio Cristo ressuscitado, mostra que não é a partir dos sentidos, nem duma visão interior que é possível encontrar-se com Jesus Ressuscitado e reconhecê-lo, mas da fé na Palavra ( (vv. 5-7.9-10; cf. Jo 20,8s; 2Cor 5,16; Rm 10,8ss). Este encontro e este reconhecimento requerem, no entanto, um “salto na fé” tão grande e uma conversão interior tão profunda, que muitos, demasiado presos à letra da Lei ou aos seus próprios esquemas mentais, têm dificuldade de dar.
- v. 18. Aproximando-se, Jesus falou-lhes, dizendo: «Foi-Me dada toda a autoridade no céu e sobre a terra.
“Aproximando-se deles” (17,7): pela sua ressurreição, Jesus não se separou dos seus discípulos, mas aproxima-se deles de uma forma até então impensável (cf. v. 20), tomando a iniciativa de ir ao seu encontro, a fim de restabelecer uma relação pessoal e íntima com eles, a partir da qual serão investidos do seu poder e neles jorrará, cada dia, o ímpeto sempre renovado da sua missão e a fecundidade apostólica da sua obra. Ao tomar a iniciativa de se aproximar deles, Jesus ensina os seus discípulos a imitá-lo, tomando também eles a iniciativa de ir ao encontro dos outros, neste caso, das gentes de toda a terra.
A segunda parte (vv. 18b-20) narra o grande mandato missionário de Jesus aos “onze discípulos” e, neles, a todos os membros da Igreja que eles representam (19,28).
O mandato (vv. 19-20a) é introduzido pela declaração da autoridade de Jesus (v. 18B) e concluído com a sua promessa de permanecer com eles até ao fim do tempo (20b), estando dispostos os seus elementos numa estrutura quiástica:
A. autoridade (v. 18b);
B. fazer discípulos (v. 19a);
C. batizar (o elemento central: v. 19b);
B’. ensinar os discípulos (v. 20a);
A’. presença (v. 20b).
Jesus começa por lhes revelar que, graças à sua ressurreição, "Lhe foi dada" (é um passivo divino; subentende-se:) por Deus, “toda a autoridade” (cf. a falsa paródia diabólica deste poder, sobre o primeiro monte: 4,9).
É a décima e última vez que o termo "autoridade" (gr. exousía) aparece em Mateus, simbolizando o número dez, em hebraico, a totalidade. Esta autoridade é exercida, pois, por Jesus, de forma universal, sobre tudo, “no céu e sobre a terra”.
A tradição judaica dizia que Moisés “tinha controle sobre a terra e os céus” (ExRab 12,75a), mas não autoridade. A Jesus, o novo Moisés, porém, é-lhe dada “toda a autoridade”, inaugurando-se nele uma nova etapa na história da salvação, o novo êxodo do novo povo de Deus, que se estenderá a toda a humanidade, fazendo-a sair do Egito do pecado (1,21) e libertando-a do poder da morte, para a introduzir na verdadeira terra da promissão, o Reino dos céus.
Esta autoridade é exercida “no céu e sobre a terra”, ou seja, de forma universal, sobre tudo quanto existe, sobre toda a criação.
A passagem refere-se a Dn 7,14, onde se diz que ao Filho do homem “foi dada a autoridade e a honra e o reino, para que todos os povos, tribos e línguas o servissem; a sua autoridade é uma autoridade eterna, que jamais passará e o seu reino jamais será destruído”. Mas aí não se diz ainda que lhe foi dada “toda a autoridade no céu e sobre a terra”. Tal expressão só vem no AT em Dn 4,17 LXX (cf. Dn 4,14), referida a Deus: “até que se conheça que o Senhor do céu tem autoridade sobre todos os que estão no céu e os que [estão] sobre a terra; e que neles faz tudo o que quiser”. Trata-se, pois, da potestade divina, que se estende a todas as criaturas, de todos os tempos, celestes ou terrestres, vivos ou mortos, ou seja, a toda a criação (22,32; 25,32), como o adjetivo “todo” (gr. pãs, "todo", "tudo" e "cada um", 4x no presente texto: vv. 18ss). Jesus diz que lhe foi outorgada, na sua humanidade, enquanto Filho do homem glorificado pela sua paixão, morte e ressurreição, todo o poder, toda a potestade divina (11,27; Lc 10,22; Jo 3,35), que ele doravante passa a exercer sobre todo o ser e criatura, reconciliando e unindo em si tudo quanto existe, no céu e na terra (cf. Ef 1,20ss; Ap 12,10).
- v. 19. Ide, pois, fazei discípulas todas as gentes, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
É na autoridade divina e universal de Jesus glorificado na sua humanidade junto do Pai que se fundamenta, é dela que parte e é dela que recebe poder a missão da Igreja (10,1; cf. Lc 24,49; At 1,8).
“Ide” é o imperativo missionário (7,10; Mc 16,15; 2Rs 2,16). O particípio aoristo passivo do verbo “ir” indica que a missão não é uma ação pontual, mas constante, que se repete e vai processando, à medida que os discípulos vão avançando, ao longo da história, ao encontro de todas as pessoas, em todo o tempo e lugar. A Igreja, nascida da missão de Jesus, é, por sua natureza, missionária.
Jesus explicita o mandato que lhe transmite em cinco pontos:
1) a missão é universal, já não se limita apenas ao povo de Israel (10,5s), mas destina-se a “todas as gentes” (24,14p; 26,13; Mc 16,15; At 1,8; Cl 1,23).
2) A missão articula-se em três etapas:
i) “fazei discípulas”. É a primeira etapa, a evangelização. "Evangelizar" é pregar o querigma (1Cor 15,3-5), levar o Evangelho, anunciar a salvação, por palavras e obras, no poder do Espírito (cf. Rm 15,19; 2Cor 12,12; Gl 3,5; 1Ts 1,5; Hb 2,4), àqueles que ainda não foram pessoalmente confrontados com ele.
O AT tinha duas palavras para designar uma nação: a) "povo" (he. 'am; gr. laós), um conjunto de pessoas, historicamente ligadas por laços de consanguinidade. É neste sentido que se aplica em especial a Israel, “o povo de Deus” (cf. Ex 6,7); e b) "nação" (he. gôy; gr. éthnos), aqueles povos e nações que não faziam parte de Israel, traduzindo-se neste caso o termo por “nação” (como aqui aparece na maior parte das traduções, embora na Vulgata e na Nova Vulgata se traduza, como nós aqui o fazemos: omnes gentes, “todas as gentes”).
Neste sentido, o termo “nação”, não tem apenas a conotação duma “sociedade política autónoma, fixada num determinado território, regida por leis próprias e subordinada a um poder central”, mas indica também as pessoas que fazem parte dessa sociedade, ligadas “pela mesma língua, a mesma cultura e por tradições, interesses e aspirações comuns” (Dicionário Porto Editora, s.v.), traduzindo-se nesse caso o termo por “gentes”.
É o caso da presente passagem, onde a expressão “todas as gentes” está no acusativo, sendo o complemento direto do verbo “fazer discípulos/as” (gr. matheteuo, só 4x na Bíblia: três em Mateus, 13,52; 27,57; e uma em At 14,21). A missão evangelizadora da Igreja deve estender-se a todos as pessoas, de todos os povos, línguas, culturas, tradições, sexo, idade ou condição social, quer sejam judeus – a quem os “Doze" já tinham sido enviados (10,6) –, quer não. Jesus não exclui ninguém da salvação, mas quer abarcar toda a humanidade, destinando-se o Evangelho a todas as pessoas de toda a terra.
A expressão “todas as gentes” (gr. pánta tá éthnê: Sl 47,2; 72,11.17; 117,1; Is 2,2; 25,7; 66,18; Jr 3,17; Dn 7,14; Am 9,12; Ag 2,7; Zc 14,18):
a) evoca a promessa de Deus a Abraão (cf. 3,9; 8,11): “na tua descendência serão abençoadas todas as gentes da terra" (Gn 22,18; 26,6; cf. Gn 18,18). É através de Jesus, "descendência" de Abraão (1,1; Gl 3,16), que esta promessa se cumpre;
b) indica que a salvação que Jesus alcançou não se destina apenas “ao seu povo” (1,21), limitando-se à “redenção” e à remissão dos pecados “de muitos” (20,28; 26,28), mas tem um alcance realmente universal, abrangendo “todas as gentes” de todos os tempos.
ii) “batizar” (gr. "mergulhar", “imergir”: 2Rs 5,14) os que acreditaram no Evangelho (Mc 16,16; At 2,38; 8,12). É a segunda etapa, a iniciação cristã: fazer renascer e participar na vida divina os que escutaram a Palavra, se arrependeram e confessam a Jesus Cristo como o Senhor, a fim de viver a vida nova do Evangelho.
“Em nome” (eis ónoma: 10,41s; 18,20; 24,9): o Nome designa a pessoa (6,9), sendo doravante a presença libertadora e salvífica da Trindade o novo e definitivo “memorial” de Deus no meio do Seu povo (cf. Ex 3,15), espalhado por toda a terra (v. infra, 3).
Pelo batismo – expressão que aqui inclui os três sacramentos de iniciação cristã: batismo, crisma e Eucaristia –, o crente nasce de novo, é unido a Cristo, como membro do seu Corpo, e feito filho de Deus, tornando-se morada do Espírito Santo e participante da vida divina, ficando assim capacitado para seguir Jesus como seu Senhor, no seio do novo povo de Deus, a Igreja, vivendo como seu discípulo;
- v. 20. E ensinando-as a guardar tudo o que vos mandei. E eis que Eu convosco estou todos os dias até à consumação do tempo».
iii) “Ensinar” (5,2; 13,54; 21,24; 22,16). É a terceira etapa: ajudar os que já renasceram pelo batismo e receberam o dom do Espírito Santo a viver segundo a sua nova condição.
"Ensinar" e evangelizar (4,23; 9,35; 11,1) eram as atividades fundamentais de Jesus, que os seus discípulos continuam, destinando-se a primeira aos membros do povo de Deus que já conheciam a Sua Palavra, e a segunda, àqueles que ainda não conheciam Deus e a Sua Palavra.
“Ensinar” (que, em Mateus, pressupõe o por pôr em prática, cumprir, a Palavra de Cristo: 5,19!) consiste em expor aos batizados, de forma orgânica e estruturada, todo o desígnio salvífico de Deus, dizendo-lhes qual é a sua vontade e mostrando-lhes como a cumprir, de modo que possam progredir na vida cristã, pondo em prática o Evangelho (3,10; 7,21.24; 12,50; 21,31ss) em todos os aspetos e dimensões da sua existência, imitando Jesus (10,25).
“Tudo o que vos mandei”. A expressão evoca:
a) a fidelidade à Palavra (5,19; Ex 23,22; Dt 6,25; 8,1; 13,1. 19; 28,1; 30,16; 32,46; Js 22,2). Os discípulos de Jesus devem transmitir integralmente a Sua palavra, o Evangelho – não as suas próprias ideias, opiniões ou preferências pessoais –, ensinando os outros a "guardá-lo", ou seja, a conservá-lo vivo, na mente e no coração, para o observar, o "pôr em prática". Na Igreja primitiva, o ensino, assente na palavra de Deus, sobretudo no Evangelho, e dirigido à vida, fazia-se depois do batismo, sacramento que se recebia imediatamente a seguir ao querigma (At 2,41s), a primeira fase da evangelização, durante a qual se transmitia o núcleo essencial da fé (Hb 6,1s; cf. supra, v. 19, 2.i).
b) a atividade profética (Ex 25,22; Jr 1,7.17). Apesar da oposição do mundo (5,12s; 10,18.22.25; 23,34; 24,9), os discípulos, tal como os profetas em relação à palavra de Deus, não devem deixar de anunciar o Evangelho a todos.
3) A profissão de fé trinitária, a mais clara e concisa do NT: "em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (v. 19). Deus é Trindade, uma comunhão de três Pessoas divinas, iguais e distintas, que são um só Deus, como mostra o polissíndeto (“e”: 1Cor 12,4-6; 2Cor 13,13) em que o único “Nome” de Deus as rege e une por igual.
4) A promessa de Jesus: “Eu convosco estou”, literalmente: "Eu convosco sou". Esta expressão tem duplo sentido:
a) é a promessa que Deus faz aos seus escolhidos, a quem confia uma missão especial na obra da salvação, assegurando-lhe a sua realização, graças à sua direção, assistência, poder e fidelidade divinas (Gn 24,40; 26,3; 31,3.13.38; Ex 3,12; Dt 31,8.23; Js 1,9; 3,7; Jz 6,12; 2Sm 7,9; 1Cr 17,8; Is 41,10; 43,2.5; Jr 1,8.19; Ag 1,13; 2,4-5; Lc 1,28; At 18,10). É esta promessa que Jesus faz a todos os seus discípulos, confiando-lhes a tarefa de levar o Evangelho a todas as gentes, como continuadores da sua obra e missão na terra.
b) no início do Evangelho tinha-se apresentado Jesus como o Emanuel, "o Deus connosco" (1,23); agora, a encerrar o Evangelho, Jesus confirma esta afirmação. Mas em vez de dizer “Eu estou/sou convosco”, Jesus inclui o “convosco” no meio do “Eu sou/estou”. Trata-se da revelação do novo Nome de Deus, “o Eu Sou” (Ex 3,14) que em Jesus se apresenta como o: “Eu convosco Sou”. Jesus Cristo é “o Deus connosco” que agora, na sua nova condição de ressuscitado na sua humanidade não pode ser separado daqueles que são membros do seu Corpo, identificando-se com eles e permanecendo indissoluvelmente unido a eles (cf. At 9,4-5).
O Evangelho de Mateus conclui como tinha começado, formando a grande inclusão mateana: Jesus Cristo é o Deus connosco, no qual se revela o verdadeiro, novo e definitivo Nome de Deus, o “Eu convosco Sou”. Jesus é verdadeiramente o Emanuel, o Filho de Deus (14,33; 16,16; 27,54).
“Todo os dias” (gr. pásas tás êméras), ou seja: “sempre”. É uma expressão que no NT só aparece aqui, mas que no AT é recorrente, designando o Deus fiel à sua aliança (Gn 8,22 LXX), que conduz o seu povo (Is 63,9) e aqueles que nele confiam (Sl 23,6), até ao fim dos seus dias (Jz 2,18; 1Sm 2,35).
Aplica-se também à promessa que Deus faz de permanecer junto do seu povo, fazendo habitar o seu Nome no meio dele, no Templo, “todos os dias” (1Rs 9,3; 2Cr 7,16).
Jesus Cristo ressuscitado é o novo Templo de Deus (cf. 26,61), através do qual o nome de Deus estará presente no meio de todas as nações, cumprindo-se, deste modo, por meio dele, a grande promessa do AT: a de Deus habitar sempre, “todos os dias”, no meio do seu povo (Ex 29,45; Ez 37,26s; Zc 2,14s; 8,23; 2Cor 6,16), doravante não apenas em Israel, como tinham anunciado os profetas, mas, muito mais do que isso, no meio de todas as nações da terra, no seio da humanidade renascida da sua obra redentora de alcance universal.
A expressão, unida à promessa anterior, é dirigida a Josué logo no início da sua missão, assegurando-lhe a condução de Deus e o êxito da sua missão de levar Israel a tomar posse da Terra prometida: “Ninguém te poderá resistir todos os dias da tua vida. Assim como estive como Moisés, também estarei contigo: não te deixarei, nem te abandonarei” (Js 1,5).
A promessa de Deus habitar no meio do seu povo, realizar-se-á através de Jesus, o novo Josué (gr. Iessous), que assegura aos seus discípulos, o novo Povo de Deus, a sua presença e ação, até que toda a terra se torne sua herança.
5) A duração da missão. A missão durará "até à consumação do tempo” (gr. aiôn: “século”, "era"). A expressão, no singular, é própria de Mateus (13,39-40.49; 24,3).
"Consumar" significa devorar, consumir pelo fogo (cf. 1Cor 3,13). "A consumação do tempo" designa o último dia do “fim dos tempos” (Dn 8,19; 9,25; 11,35; 12,4; Hb 2,9; Gl 4,4; Ef 1,10), determinado pelo Pai (24,36), em que Jesus virá, os mortos ressuscitarão e todos serão julgados por Ele (13,49; 24,3; cf. 25,31). Então o universo será "consumido" pelo fogo do amor de Deus e desaparecerá (13,40; 2Pd 3,12), dando lugar aos novos céus e à nova terra (2Pd 3,13), que, assumidos por Cristo ressuscitado, participarão da sua ressurreição, na eternidade prometida (13,43; 25,46), de uma forma que só Deus conhece, sendo então, finalmente, Deus tudo em todos (1Cor 15,28).
O Evangelho de Mateus termina assim, recapitulando os seus temas fundamentais, com uma mensagem de fé e de esperança, destinada a toda a humanidade, da qual Jesus, o Filho de Deus, se tornou irmão (v. 10), nascendo como "filho de David, filho de Abraão" (1,1), ou seja, como "Filho do homem" (16,13; 25,31; 26,64), a fim de tornar o homem filho de Deus e fazer todas as criaturas participar, cada uma a seu modo, da glória da Sua ressurreição.
Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...
2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)
a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
d) Partilha e) Que frase reter? f) Como a vou / vamos pôr em prática?
- Sou discípulo de Jesus? Acredito na sua ressurreição? Conheço a sua Palavra, para ler à sua luz a minha vida e a história, e a praticar?
- Sou Igreja? Como tenho cumprido o mandato missionário de Jesus em casa, no trabalho, na paróquia, no grupo? A quem ainda não fui?
3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)
4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela toque e me inflame o coração)
Salmo responsorial Sl 47,2-3.6-9 (R. 6)
Refrão: Ergue-Se Deus, o Senhor, em júbilo e ao som da trombeta.
Povos todos, batei palmas,
aclamai a Deus com brados de alegria,
porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível,
o Rei soberano de toda a terra. R.
Deus subiu entre aclamações,
o Senhor subiu ao som da trombeta.
Cantai hinos a Deus, cantai,
cantai hinos ao nosso Rei, cantai. R.
Deus é Rei do universo:
cantai os hinos mais belos.
Deus reina sobre os povos,
Deus está sentado no seu trono sagrado. R.
Pai-nosso…
Oração conclusiva:
Deus todo-poderoso, fazei-nos exultar em santa alegria e em filial ação de graças, porque a ascensão de Cristo, vosso Filho, é a nossa esperança: tendo-nos precedido na glória como nossa Cabeça, para aí nos chama como membros do seu Corpo. Ele que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.
Ave-Maria...
Bênção final. Despedida.
5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida, unidos a e em Cristo)
Fr. Pedro Bravo, O.Carm.