Ascensão do Senhor, ano A – 17 de maio de 2026

Mt 28 19 JMJ 2023

Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:

A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.

A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.

1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)

Leitura do Evangelho segundo S. Mateus (28,16-20)

28,16Os Onze discípulos foram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha designado. 17E, quando o viram, adoraram-no, mas alguns duvidaram. 18Aproximando-se, Jesus falou-lhes, dizendo: «Foi-Me dada toda a autoridade no céu e sobre a terra. 19Ide, fazei discípulas todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo 20e ensinando-as a guardar tudo o que vos mandei. E eis que Eu estou convosco todos os dias até à consumação do tempo».

Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:

Diversamente dos outros evangelistas, Mateus refere uma só aparição de Jesus ressuscitado aos “Onze” (pois Judas Iscariotes, um dos "Doze", morrera: 27,5; Mc 16,14; Lc 24,9.11; At 1,26), que redige a modo de conclusão da sua obra, retomando nela alguns dos principais temas da mesma. E assim como no seu Evangelho recolhe as palavras de Jesus em cinco discursos, também o conclui, não com palavras suas, mas presenteando-nos, uma derradeira vez, as palavras de Jesus.

O texto de hoje tem duas partes: a) a aparição de Jesus aos Onze (vv. 16-18); e b) o mandato missionário (vv. 19-20).

  • v. 16. Os Onze discípulos foram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha designado.

    A aparição de Jesus aos Onze é situada por Mateus, sem indicação de tempo, não em Jerusalém, mas na Galileia. Porquê?

    a) Porque a Galileia foi o ponto de partida da missão de Jesus e dos Apóstolos. A missão da Igreja nasce da missão de Jesus, toma corpo na missão dos apóstolos e estende-a e continua-a em cada um dos seus membros até ao fim dos tempos.

    b) Porque esta região é a “Galileia das nações” (4,15; Is 9,1), onde coabitavam judeus e gentios. A missão da Igreja já não se restringe “às ovelhas perdidas da casa de Israel” (10,6), mas destina-se a todos os povos.

    c) Porque, quando Mateus escreve, já Jerusalém tinha sido destruída pelas tropas romanas, comandadas por Tito, em 70 d.C., tendo a comunidade cristã fugido para a Galileia antes do cerco da cidade, obedecendo às palavras de Jesus (24,14-34). Jerusalém deixa de ser a capital do Povo de Deus (Lc 21,24), para o novo centro do Povo de Deus passar a ser o lugar onde Jesus convoca e reúne os seus discípulos (à volta de Pedro: Mc 16,7), ou seja, o lugar onde eles vivem e trabalham, a Galileia da vida concreta: é aí que Jesus se encontra com eles e é a partir daí que os envia em missão.

    A cena ocorre num “monte” da Galileia. É o último dos oito montes (4,8; 5,1.14; 14,23; 15,29; 17,1; 21,1) que Mateus refere na sua obra, dos quais (exceto no caso do monte das Oliveiras: Zc 14,4), nunca indica o nome, a fim de focar o seu sentido teológico. No AT, o “monte” é o lugar do encontro com Deus e da revelação. Este “monte” é Jesus, sobre o qual é edificada a Igreja (5,14; 16,18; Is 2,2-5; 66,20; Mq 4,2). E tal como Moisés, antes de morrer, contemplou do cimo do monte indicado por Deus a Terra Prometida e aí instituiu Josué como seu sucessor (Nm 27,12‑23; Dt 3,27s; 34,1-4), Jesus, o novo Moisés e novo Josué (gr. Iesous), confia aos seus discípulos a terra inteira para nela formar o novo Povo de Deus, que Ele introduzirá na verdadeira terra prometida, o Reino dos céus. E como foi num monte da Galileia que Jesus “começou a ensinar” (5,1), assim é também a partir daí que Ele envia os seus discípulos a ensinar todas as nações.

    “Designar” (gr. tássô) tem aqui duplo significado: a) refere-se ao lugar da Galileia (26,32), indicado por Jesus na Última Ceia, tal como o anjo o recordou às mulheres quando lhes anunciou a ressurreição de Jesus (v. 7) e o próprio Jesus ressuscitado lhes mandou anunciar “aos seus irmãos” (v. 10); b) significa “instituir num serviço”, porque é agora que os Doze são constituídos apóstolos para todas as nações.

  • v. 17. E, quando o viram, adoraram-no, mas alguns duvidaram.

    Os apóstolos prostram-se por terra e “adoram” Jesus ressuscitado, pois é só então que Ele se lhes revela claramente como Deus, o único Senhor a quem devem adorar (4,10).

    “Alguns duvidaram”: Mateus refere aqui, descontextualizadas e sintetizadas nesta brevíssima frase, as dúvidas e as dificuldades que os discípulos tiveram em acreditar na ressurreição de Jesus (Mc 16,10-14; Lc 24,25; Jo 20,25.27). A persistência de dúvidas nalguns deles, mesma na presença de Cristo, mostra que não é pelos sentidos, mas pela fé na Palavra que se pode encontrar com Jesus Ressuscitado e reconhecê-lo (cf. Jo 20,8s; 2Cor 5,16; Rm 10,8ss). Isto requer, porém, um “salto na fé” tão grande e uma conversão interior tão profunda, que muitos, demasiado presos à letra da lei ou aos seus próprios esquemas mentais, têm dificuldade de dar.

  • v. 18. Aproximando-se, Jesus falou-lhes, dizendo: «Foi-Me dada toda a autoridade no céu e sobre a terra.

    A segunda parte narra o grande mandato missionário de Jesus aos “onze discípulos” e, neles, a todos os membros da Igreja que eles representam (19,28).

    “Aproximando-se deles” (17,7): pela ressurreição, Jesus não se separou dos seus discípulos, mas aproxima-se deles, ensinando-os assim a imitá-lo, tomando também eles a iniciativa de ir ao encontro dos outros, neste caso, de toda a humanidade.

    Depois, revela-lhes que, graças à sua ressurreição, Lhe foi dado (cf. 4,9; passivo divino: por Deus), enquanto “Filho do homem” (Dn 7,14), “toda a autoridade” (gr. exousía), ou seja, toda a potestade divina (11,27; Lc 10,22; Jo 3,35). É a décima e última vez que o termo "autoridade" aparece em Mateus, indicando totalidade.

    “No céu e sobre a terra”: Jesus é o Filho do homem que, pela sua morte e ressurreição, recebeu todo o poder divino, unindo o céu e a terra (Dn 7,13s; Ef 1,20ss; Ap 12,10) e inaugurando, como novo Moisés (ExRab 12,75a), o novo êxodo do novo povo de Deus, que se estenderá a toda a humanidade, fazendo-a sair do Egito do pecado (1,21), para entrar no Reino dos céus.

    Porque divino, este poder é universal, estendendo-se a todos os tempos, homens (vivos ou mortos) e criação (22,32; 25,32), como o adjetivo “todo” (gr. pãs, 4x: vv. 18ss) indica.

  • v. 19. Ide, fazei discípulas todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

    “Ide” é o mandato missionário (7,10; Mc 16,15; 2Rs 2,16). O particípio aoristo passivo indica que a missão não é uma ação pontual, mas constante, ao longo da história, a todos, em todo o tempo e lugar. A Igreja, nascida da missão de Jesus, é, por sua natureza, missionária.

    Jesus explicita o mandato que lhes transmite em cinco pontos:

    1) a missão é universal, já não se limita apenas ao povo de Israel (10,5s), mas destina-se a “todas as nações” (não-judaicas: 24,14p; 26,13; At 1,8; Cl 1,23). Cumpre-se assim a promessa de Deus a Abraão (3,9; 8,11) de, na sua descendência ("descendência" que é Jesus: 1,1; Gl 3,16), serem abençoadas todas as nações da terra (Gn 12,3; 22,18).

    2) A missão articula-se em três etapas:

    i) “fazer discípulas todas as nações”. É a primeira etapa: evangelizar, ou seja, pregar por palavras e obras o querigma (1Cor 15,3-5) a todas as gentes, a todos aqueles que ainda não conhecem Deus e/ou Jesus Cristo, de modo que se possam arrepender e converter a Jesus e o queiram seguir como discípulos;

    ii) “batizar” (gr. "mergulhar", “imergir”: 2Rs 5,14) os que acreditaram no Evangelho (Mc 16,16; At 2,38; 8,12). É a segunda etapa: fazer renascer e participar na vida divina os que escutaram a Palavra, se arrependeram e querem viver a vida nova do Evangelho.

    “Em nome” (eis onoma: 10,41s; 18,20; 24,9): o Nome designa a pessoa (6,9), sendo doravante a presença libertadora e salvífica da Trindade o novo e definitivo “memorial” de Deus no meio do Seu povo (Ex 3,15). Pelo batismo (expressão que designa os três sacramentos de iniciação cristã: batismo, crisma e Eucaristia), o crente nasce de novo, é unido a Cristo e feito filho de Deus, tornando-se morada do Espírito Santo e participante da vida divina, ficando assim capacitado para seguir Jesus como seu Senhor, no seio da sua família, a Igreja, vivendo como seu discípulo;

  • v. 20. E ensinando-as a guardar tudo o que vos mandei. E eis que Eu estou convosco todos os dias até à consumação do tempo».

    iii) “Ensinar” (5,2; 13,54; 21,24; 22,16). "Ensinar" e evangelizar (4,23; 9,35; 11,1) eram as atividades fundamentais de Jesus, que os seus discípulos continuam. “Ensinar” consiste em anunciar aos batizados todo o desígnio salvífico de Deus e mostrar-lhes a sua vontade (5,19), de modo que possam progredir na vida cristã, pondo em prática o Evangelho (3,10; 7,21.24; 12,50; 21,31ss) em todos os aspetos e dimensões da sua existência, imitando Jesus (10,25).

    “Tudo o que vos mandei”: a expressão evoca:

    a) a fidelidade à Palavra (5,19; Ex 23,22; Dt 6,25; 8,1; 13,1. 19; 28,1; 30,16; 32,46; Js 22,2). Eles devem transmitir integralmente a palavra de Jesus, o Evangelho – não as suas próprias ideias, opiniões ou preferências pessoais –, ensinando os outros a pô-lo em prática. Na Igreja primitiva o ensino fazia-se depois do batismo, que se seguia imediatamente ao querigma (At 2,41s), durante o qual se transmitia o núcleo essencial da fé (Hb 6,1s).

    b) a atividade profética (Ex 25,22; Jr 1,7.17). Apesar da oposição do mundo (5,12s; 10,18.22.25; 23,34; 24,9), os discípulos, tal como os profetas, não devem deixar de anunciar o Evangelho a todos.

    3) A profissão de fé trinitária, a mais clara e concisa do NT (v. 19): Deus é Trindade, uma comunhão de três Pessoas divinas, iguais e distintas, que são um só Deus, como mostra o polissíndeto (“e”) em que o único “Nome” de Deus as une e rege por igual.

    4) A promessa de Jesus: “Eu estarei convosco todos os dias” (Dt 31,23; Js 1,5.9; Is 41,10; 43,2; Jr 1,19; Ag 1,13; 2,4s; At 18,10; 2Tm 4,17). O Evangelho conclui como começou, formando a grande inclusão mateana: Jesus é o Messias, o Emanuel, "o Deus connosco" (1,23; Is 7,14; Is 8,10), cumprindo no seio do novo Povo de Deus (a Igreja: 18,20), a grande promessa do AT: a de Deus habitar sempre, “todos os dias”, no seio do seu povo (Ex 29,45; Ez 37,26s; Zc 2,14s; 8,23; 2Co 6,16), doravante espalhado e estendendo-se a todos os povos e nações.

    5) A duração da missão. A missão durará "até à consumação do tempo” (gr. aiôn: “século”, "era"). A expressão, no singular, é própria de Mateus (13,39s.49; 24,3). Designa o último dia do “fim dos tempos” (Dn 8,19; 9,25; 11,35; 12,4; Hb 2,9; Gl 4,4; Ef 1,10), determinado pelo Pai (24,36), em que Jesus virá, os mortos ressuscitarão e todos serão julgados por Ele (13,49; 24,3; cf. 25,31). Então o universo será consumido pelo fogo do amor de Deus e desaparecerá (13,40; 2Pd 3,12), dando lugar aos novos céus e à nova terra (2Pd 3,13), que participarão da ressurreição de Jesus,  de uma forma que só Deus conhece, na eternidade prometida (13,43; 25,46), sendo finalmente e então Deus tudo em todos (1Cor 15,28).

    Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...

 

2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)

     a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
     d) Partilha e) Que frase reter? f) Como a vou / vamos pôr em prática?

  • Sou discípulo de Jesus? Acredito na sua ressurreição? Conheço a sua Palavra, para ler à sua luz a minha vida e a história, e a praticar?

  • Sou Igreja? Como tenho cumprido o mandato missionário de Jesus em casa, no trabalho, na paróquia, no grupo? A quem ainda não fui?

 

3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)

4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela inflame o coração)

Salmo responsorial                                                    Sl 47,2-3.6-9 (R. 6)

Refrão: Ergue-Se Deus, o Senhor, em júbilo e ao som da trombeta.

Povos todos, batei palmas,
aclamai a Deus com brados de alegria,
porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível,
o Rei soberano de toda a terra.     R.

Deus subiu entre aclamações,
o Senhor subiu ao som da trombeta.
Cantai hinos a Deus, cantai,
cantai hinos ao nosso Rei, cantai.     R.

Deus é Rei do universo:
cantai os hinos mais belos.
Deus reina sobre os povos,
Deus está sentado no seu trono sagrado.     R.

Pai-nosso…

Oração conclusiva:

Deus todo-poderoso, fazei-nos exultar em santa alegria e em filial ação de graças, porque a ascensão de Cristo, vosso Filho, é a nossa esperança: tendo-nos precedido na glória como nossa Cabeça, para aí nos chama como membros do seu Corpo. Ele que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.

Ave-Maria...

Bênção final. Despedida.

5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida)

Fr. Pedro Bravo, O.Carm.