Mensagem Pascal do Padre Comissário à Família Carmelita de Portugal
 
“Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras, e subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai”

(do Credo Niceno-Constantinopolitano). 

Irmãs e Irmãos da Família Carmelita,

Celebrar a Páscoa da Ressurreição é celebrar o Mistério Central da Fé Cristã e do Ano Litúrgico: a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Se excluirmos da nossa Fé a Ressurreição de Jesus, então, como diz S. Paulo, “a nossa Fé é vã” (cfr ICor 15, 14).

A Fé na Ressurreição de Jesus, a certeza de que Ele está vivo e de que todos somos chamados à Vida Eterna, dá sentido à nossa vida presente e à nossa vida futura e transforma a nossa mentalidade mundana e terrena numa mentalidade eterna e espiritual, cuja fonte é o próprio Deus e que nos é oferecida pelo Espírito Santo, através de Jesus Cristo. Esta nova forma de ver a realidade compromete-nos com a transformação dessa mesma realidade, procurando, desde já, construir a “comunhão dos Santos” que será plena na Eternidade, na perfeita Comunhão da Eternidade.

Sempre que rezamos o Credo, renovamos pessoal e comunitariamente a nossa Fé, que é a Fé da Igreja, na Ressurreição de Jesus.

Por feliz coincidência, neste ano Jubilar de 2025, celebramos os 1700 anos do Concilio Ecuménico de Niceia, que entrou para a história principalmente pelo Credo (também chamado Símbolo) que reúne, define e proclama a fé na salvação em Jesus Cristo e no Deus Uno, Pai, Filho e Espírito Santo. Mais tarde completado pelo Concílio de Constantinopla em 381, o Credo Niceno tornou-se, na prática, a carteira de identidade da fé professada, até hoje, pela Igreja.

O Papa Francisco, na Bula “A Esperança não engana” de proclamação do Jubileu de 2025, dedica o número 17 a fazer memória celebrativa deste acontecimento. Nesse texto, o Santo Padre evoca o caráter sinodal deste Concilio, a sua capacidade de promover a unidade e a sua universalidade. Também recorda que foi neste Concilio que se definiu a celebração da Páscoa no primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera do hemisfério norte.

A Regra da Ordem do Carmo, no número 19, diz-nos que “sempre e em tudo deve ser empunhado o escudo da Fé, com o qual possais apagar todas as sestas inflamadas da malicia do inimigo, pois sem fé é impossível agradar a Deus”. A Fé é, pois, essencial para se ser cristão e, como é óbvio, para se ser carmelita. Neste contexto e na celebração do Mistério Pascal de Jesus, somos convidados a avivar a e a fortalecer a nossa Fé, a partir da Espiritualidade e do Carisma Carmelitas. Sintonizemo-nos com a Fé da Igreja, com a Fé de cada Irmão e Irmã que connosco caminha. Na oração, na fraternidade e no serviço escutemos a voz de Deus e deixemo-nos guiar pela força do Espírito Santo.

Na vivência do Jubileu, a proclamação e a vivência da Fé, resumida nas verdades do Credo, é uma prática habitual, sobretudo nas práticas propostas para se alcançar a indulgência. Que o façamos de forma consciente, concentrada e comprometida, abrindo o nosso coração às verdades que professamos com os lábios.

Maria, a Mãe do Carmelo, a Senhora da Esperança, caminha connosco. Frei Miguel de Santo Agostinho, Carmelita, no capítulo 9 do seu texto “Tratado de Vida Mariana” ensina-nos que: “A alma sente-se atraída por isso (a vida divina com Deus e em Deus), fortemente, e, estimulada, quando Deus se digna iluminá-la com o Seu raio divino. Com os olhos iluminados pela Fé, a alma pode ver e reconhecer, um pouco, a sublimidade e elevação inefável, poder e autoridade com que Deus honrou a Sua Mãe e a nomeou Medianeira de todas as Suas Graças, dádivas divinas e misericórdias”.

Animados pelo santo exemplo de Maria e de tantos santos Carmelitas, vivamos santamente a Páscoa do Senhor. Que a Fé clara e convicta fortaleça a nossa Esperança e nos leve a abraçar, generosamente, a prática da Caridade

Em nome pessoal em nome da Ordem do Carmo em Portugal a todos desejo uma Santa e Feliz Páscoa.

Fraternalmente,

Lisboa, 17 de abril de 2025

Frei Agostinho Marques de Castro, O. Carm.