
Beato Isidoro Bakanja, terceiro carmelita, mártir
Memória facultativa: O. Carm.
Nasceu por volta de 1885 no Congo belga (República Democrática do Congo). Foi batizado ainda adolescente, sendo o primeiro católico da sua região. Nutriu uma especial devoção a Maria através do terço e do Escapulário. Zelosamente dedicado à difusão do cristianismo através da oração e de obras de caridade, recusou tirar o Escapulário, sendo, por isso, flagelado sem piedade. Morreu seis meses mais tarde, no dia 15 de Agosto de 1909, rezando pelo seu algoz. Foi beatificado por João Paulo II no dia 24 de Abril de 1994.
Resumo biográfico
Isidoro Bakanja viveu uma vida simples como um leigo católico na época das atrocidades cometidas pelo regime do Rei belga, Leopoldo II, no Estado Livre do Congo.[1]
Nasceu por volta de 1885 no Congo Belga (atual República Democrática do Congo), em Bokendela, uma aldeia junto ao Rio Congo, na província do Equador, a cerca de 160 km Este da capital da província, a cidade de Mbandaka (antiga Coquihatville, também chamada Equador, por estar situada exatamente sobre o equador). Era membro da tribo Boangi. O seu pai chamava-se Iyonzwa e a sua mãe Inyuka. O próprio nome de Bakanja era pronunciado de diversas maneiras, Bakanda, Bakana, Bokando, Makanda e Makando.
Mal completou os vinte anos de idade, Bakanja desceu o rio até Mbandaka à procura de emprego. Aí tornou-se pedreiro e conseguiu um emprego público na construção civil. Enquanto estava em Mbandaka conheceu alguns missionários católicos da Ordem Trapista (Cistercienses), que lá tinham chegado em 1895, instalando-se em Bamanya,[2] a uns 10 km de Mbandaka. Converteu-se então a Jesus Cristo, fez o catecumenado e foi batizado aos 21 anos de idade, na paróquia de Saint-Eugène,[3] em Bolokowa-Nsimba (Boloko wa Nsamba),[4] no dia 6 de maio de 1906, tendo sido o primeiro cristão da sua região. No batismo, recebeu de presente um terço e o escapulário de Nossa Senhora do Carmo, que nunca mais deixou de usar. Nesse mesmo ano, recebeu, os outros dois sacramentos de iniciação cristã, a primeira comunhão e, no dia 25 de novembro, a confirmação.
Bakanja viveu a sua nova fé de modo muito simples, alegrando-se com os dois sinais externos, o rosário e o escapulário, que ele nunca mais deixou de usar. Recebendo a missão de catequista, pela sua palavra e o seu exemplo atraiu muitos amigos e conhecidos à fé cristã.
Isidoro teve então a ideia de ir trabalhar numa plantação duma propriedade duns europeus. Apesar das advertências dos seus amigos, ele foi trabalhar para Busira, como servente, na Sociedade Anónima Belga para o Comércio do Alto Congo (SAB), onde o um primo seu trabalhava, tendo como diretor Ruijders. Quando Ruijders foi transferido para Ikili, Bakanja acompanhou-o. Lá o capataz da plantação, Van Cauter, conhecido por ser um opositor fanático ao cristianismo e aos missionários cristãos.
Bakanja cumpria as suas tarefas de maneira consciente e a sua relação com Ruijders era cordial embora este tenha tentado em vão persuadi-lo a deixar a sua fé cristã. Van Cauter, no entanto, ficou furioso com Bakanja quando ele se recusou a tirar o seu escapulário e deu ordens para que ele fosse severamente açoitado. Era o dia 2 de fevereiro de 1909. Bakanja aceitou a punição injusta no Espírito de Jesus e da sua paixão.
Noutra ocasião, em 22 de abril, Van Cauter viu Bakanja a rezar durante a hora de descanso e ficou irado. Arrancou-lhe o escapulário que trazia ao pescoço e mandou o encarregado açoitá-lo novamente. Bakanja foi preso ao chão e recebeu mais de 250 golpes com um chicote de couro de hipopótamo com pregos. Depois foi acorrentado e trancado em confinamento solitário.
Depois dum certo tempo foi libertado e recebeu ordens para se encontrar com Ruijders, em Isoko. Sem poder caminhar bem, Bakanja escondeu-se na floresta. Depois de três dias foi descoberto por outro Inspetor, chamado Dörpinghaus, que estava a inspecionar a plantação. Bakanja foi levado até um barco no rio e os seus ferimentos, que tinham começado a apodrecer, foram tratados. Os seus ossos expostos causaram-lhe grande sofrimento.
Em Ngomb'Isongu, onde o barco que subia o rio Congo para Mbandaka parou, apesar de todas as tentativas, foi impossível parar a infeção. Bakanja foi então embarcado no início de junho e levado a Busira, onde chega no dia 4, para ser tratado pelos catequistas locais. Nos dias 24 e 25 de julho recebeu visita de dois missionários trapistas, de quem recebeu os últimos sacramentos, a unção dos enfermos e o viático. Morreu de septicemia, no dia 15 de agosto desse mesmo ano de 1909, aos 24 anos de idade, perdoando e rezando pelo seu perseguidor, como ele próprio já tinha testemunhado:
“O branco não gostava dos cristãos. Não queria que eu trouxesse o hábito de Maria, o escapulário. Insultava-me quando rezava. (…) Não tem importância que eu morra. Se Deus quiser que eu viva, viverei; se Deus quiser que eu morra, morrerei. Para mim é igual. (…) Não guardo nenhum rancor contra o branco. Ele açoitou-me: isso é um problema dele, não é mais o meu. Se eu morrer, rezarei por ele no Céu”.
Os seus restos mortais foram exumados em 7 de junho de 1917 e enterrados na Paróquia da Imaculada Conceição, em Bokote.
Entretanto, Van Cauter foi levado a julgamento pelos seus empregados e foi-lhe sentenciada prisão perpétua.
No dia 25 de abril de 1994 [4º Domingo de Páscoa, Domingo do Bom Pastor], Isidoro Bakanja foi beatificado pelo Papa São João Paulo II, na presença de centenas de Bispos Africanos, padres e religiosos, presentes na I Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos, em Roma. O Papa Francisco, na sua exortação pós-sinodal Christus vivit, de 25 de março de 2019, enumera-o como um exemplo de santidade para os jovens (n. 59).
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Fontes:
Carbonnelle, Bakanja Isidore, martyr de chez-nous. Éditions Saint Paul, Kinshasa 1979; em português: Um mártir da nossa família: Isidoro Bakanja. Trad. Fr. Pedro Caxito, O.Carm. (†), in: https://fradescarmelitas.org/um-martir-de-nossa-familia-beato-isidoro-bakanja/ (acesso: 12.08.2026).
Aylward Shorter, “Bakanja, Isidoro”, in: Dicionário biográfico de cristãos de África – Biografia, in: https://dacb.org/pt/stories/democratic-republic-of-congo/bakanja-Isidoro/ (acesso: 12.08.2026).
Caminhos carmelitas, “Beato Isidoro Bakanja – 12 de agosto”, in: https://caminhoscarmelitas.com/?p=3352 (acesso 12.08.2026).
Frades Carmelitas, “Isidoro Bakanja, mártir”, in: https://fradescarmelitas.org/12-de-agosto-beato-isidoro-bakanja/ (acesso, 12.08.2026)
Ordem do Carmo em Portugal, "12 de agosto - Beato Isidoro Bakanja, mártir", in: https://www.ordem-do-carmo.pt/index.php/portal/1237-12-de-agosto-beato-isidoro-bakanja-martir (acesso: 12.08.2026)
Wikipédia, “Busira (Democratic Republico of the Congo)”, in: In: https://en.wikipedia.org/wiki/Busira_(Democratic_Republic_of_the_Congo) (acesso: 12.08.2026).
Wikipédia, “Isidoro Bakanja”, in: https://pt.wikipedia.org/wiki/Isidoro_Bakanja (acesso: 12.08.2026).
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Notas:
[1] Atual República Democrática do Congo.
[2] Bamaya, junto ao rio Lolifa, então situada a 10 km da Mbandaka, foi entretanto absorvida pela cidade.
[3] Local onde mais tarde foi edificada e agora se encontra a Sé Catedral de Saint-Eugène, da Arquidiocese de Mbandaka-Bikoro; cf. Igreja paroquial de Saint-Eugène.
[4] Então uma aldeia circunvizinha de Coquihatville, mais tarde absorvida pela cidade.
A edição comemorativa será realizada de 21 a 23 de agosto, na Paróquia Santíssima Trindade.
Uma delegação da Arquidiocese de Yaoundé, em Camarões, presente na Audiência Geral da manhã desta quarta-feira, 12 de agosto, na Basílica de São Pedro, presenteou Leão XIV com uma imagem em bronze de Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho, agradecendo ao Pontífice pela recente visita ao país africano. Esse mesmo vínculo indissolúvel entre mãe e filho foi testemunhado ao Papa por Teresa, natural de Trujillo, no Peru, que lhe pediu que rezasse por seu filho mais novo.
Concluíram-se nos últimos dias as atividades organizadas pelas religiosas para as crianças das aldeias beduínas do deserto da Judeia, a leste de Jerusalém. Por mais de um mês, as crianças, todas de religião muçulmana, puderam viver, juntas, momentos de brincadeiras e lazer. A irmã Lourdes Garcia, uma das responsáveis pela iniciativa, afirmou: “nestes tempos tão difíceis, é importante criar um espaço onde elas possam se divertir e se sentir valorizadas”.