
Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:
A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.
A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.
1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)
Leitura do Evangelho segundo S. João (10,1-10)
Naquele tempo, disse Jesus: 10,1«Amen, amen, vos digo: aquele que não entra pela porta no redil das ovelhas, mas sobe por outro lado, é ladrão e salteador. 2Mas aquele que entra pela porta é pastor das ovelhas. 3A este o porteiro abre e as ovelhas escutam a sua voz; chama pelo nome as ovelhas que lhe pertencem e condu-las para fora. 4Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem, caminha à sua frente e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz. 5A um estranho nunca hão de seguir, mas fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos».
6Jesus apresentou-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que lhes dizia. 7Jesus disse, então, de novo: «Amen, amen, vos digo: Eu Sou a porta das ovelhas. 8Todos os que vieram antes de mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os escutaram. 9Eu Sou a porta: se alguém entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem. 10O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância».
Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:
Com esta passagem, S. João passa do tema da luz (9,1-41) ao tema da vida, dedicando o cap. 10 à figura de Jesus, o Bom Pastor. A figura do pastor é muito comum na Bíblia. É a mais antiga profissão de Israel que, antes de se fixar na terra prometida, viveu em tendas como nómada. É também símbolo do chefe ideal (político ou religioso) do povo de Deus.
- v. 1. «Amen, amen, vos digo: aquele que não entra pela porta no redil das ovelhas, mas sobe por outro lado, é ladrão e salteador.
O texto de hoje, a parábola do Bom Pastor, divide-se em duas partes: na primeira, Jesus apresenta a comparação (vv. 1-6); na segunda, explica-a (7-10).
Jesus começa por atestar o que vai dizer, repetindo duas vezes no início de cada declaração a palavra “amen” (he. “em verdade”), seguida do verbo "dizer": “Amen, amen, digo”. É uma expressão que no NT só aparece no Evangelho de João (24 + 1x), tomada da fórmula com que se concluíam as orações mais solenes em Israel (Sl 41,14; 72,19; 89,52; Ne 8,6; Tb 8,8). Jesus sublinha desta forma a verdade das suas palavras, dignas de toda a fé, que infalivelmente se cumprem (Nm 5,22).
Para compreender o texto de hoje há que ter presente que, na época de Jesus, quando os rebanhos eram grandes, passando a maior parte do ano nos campos, os pastores juntavam os seus rebanhos à noite, revezando-se para os guardar (cf. Lc 2,8). Para simplificar esta tarefa, construíam redis com muros altos, de pedra, para não deixar os predadores entrar, com a porta de passagem, coberta por cima, inserida no mesmo muro (algo semelhante ao que se podia encontrar em Mafra, v. imagem), e aí dentro do redil guardavam os animais, ficando cada noite um deles de vigia, deitado dentro da mesma passagem. De manhã, os outros pastores vinham e cada um deles emitia o seu próprio assobio (Is 5,26; Zc 10,8), que as suas ovelhas bem conheciam; então, elas vinham ter com ele, e ele, chamando cada uma pelo nome, conduzia-as, uma após outra, para fora. Depois, caminhava à frente delas, levando-as para a pastagem que tinha escolhido.
Partindo deste exemplo, Jesus contrapõe dois tipos de pastores: os falsos pastores, que só têm o nome de "pastor", mas não o são (Ez 34,8ss; Zc 10,2s; 11,4s). Estes não entram pela porta, mas sobem por outro lado. Jesus não poupa as palavras para os descrever: eles são “ladrões” (cf. Judas: 12,6; BQ 6,1) e “salteadores” (cf. Barrabás: 18,40) que enganam o povo, para se aproveitar dele, o explorar (v. 8; Is 56,11), levar à violência e escravizar, não buscando o bem dele, mas apenas o seu próprio interesse.
- v. 2. Mas aquele que entra pela porta é pastor das ovelhas.
O outro é “o pastor das ovelhas” (vv. 11.14), o qual, ao invés dos anteriores, entra pela porta (vv. 7.9). No AT, o único bom pastor é Deus (Ez 34,11.15), o qual tinha prometido vir Ele mesmo apascentar o Seu Povo através do Messias (Ez 34,23-31; 37,24-28). Ao declarar que é “o Bom Pastor”, o único que recebeu do Pai não só o mandato de apascentar as ovelhas(v. 8), como as próprias ovelhas (v. 29; 17,6), Jesus reivindica veladamente ser o Messias.
- v. 3. A este o porteiro abre e as ovelhas escutam a sua voz; chama pelo nome as ovelhas que lhe pertencem e condu-las para fora.
A este, o porteiro (o Pai) abre a porta, atraindo os que o escutam e dele aprendem a Jesus (6,37.45s). Aqueles vêm ter com Jesus, têm-no como seu pastor e “escutam a sua voz”, acreditando nele e obedecendo à Sua Palavra (vv. 16.27; 18,37; 3,8; 5,25; Ap 3,20; cf. Gn 3,8; 1Sm 15,22; 1Rs 19,13; Sl 95,7; Ct 8,13; Is 50,10).
Como exerce o pastor a sua missão? 1) Chamando as suas ovelhas “pelo nome” (Ex 33,17; Is 43,1). Ele conhece-as (2Tm 2,19) e tem com cada uma delas uma relação pessoal de comunhão e de amor. 2) Depois fá-las “sair”, uma a uma (v. 9), em novo êxodo (Is 42,7; Br 6,2), como Deus fez sair o seu povo do Egito (Ex 3,8.10ss; 6,6s; Ez 34,13), separando-as do mundo (15,19; 17,14ss) e libertando-as do pecado e da morte.
- v. 4. Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem, caminha à sua frente e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz.
v. 4: v. 27. 3) A seguir, condu-las para fora e caminha à sua frente (Nm 27,17; Sl 80,2), apontando-lhes, com a sua Palavra (17,17) e exemplo (13,15), o caminho da vida que Ele é (14,6). “E elas seguem-no”. “Seguir” é a atitude do discípulo que “conhece a voz” de Jesus, a Sua Palavra (18,21), O escuta (3,29), acredita nele e a põe em prática.
- v. 5. A um estranho nunca hão de seguir, mas fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.»
v. 5: v. 8. Aos estranhos, porém, elas "nunca hão de seguir" (Mt 7,15; Ef 4,14; Cl 2,8; 2Tm 3,5; 1Jo 2,19; Ap 2,2), mas “fugirão” deles (Jr 51,6; Sb 1,5; 1Cor 6,18; 10,14; 1Tm 6,11; 2Tm 2,22), "porque não conhecem a voz dos estranhos", ou seja, não reconhecem nestes "estranhos" a palavra e o exemplo de Jesus Cristo.
- v. 6. Jesus apresentou-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que lhes dizia.
Como é habitual no Quarto Evangelho, o que Jesus diz não é entendido pelos seus ouvintes. Aqui fala-lhes por meio duma “comparação” (16,25.29; gr. paroimía, he. mashal, “provérbio”, “parábola”: Pv 1,1; Sr 39,3), mas eles não percebem (8,43; cf. Mc 4,13p; 7,18) o que Jesus quer dizer com ela. Por isso, Jesus passa a explicá-la.
- v. 7. Jesus disse, então, de novo: «Amen, amen, vos digo: Eu Sou a porta das ovelhas.
v. 7: v. 9. Jesus começa por declarar: “Eu Sou”. “Eu Sou” é uma fórmula teofânica: é o nome divino revelado por Deus a Moisés (Ex 3,14). Jesus é a revelação do verdadeiro nome de Deus, ou seja, do Pai (1,18; 17,6.26). É uma fórmula de Jesus típica de João (23x: 8,24.58; etc.). A expressão, articulada com uma ulterior explicitação (Jo, sete explicitações), aponta a missão de Jesus enquanto Verbo encarnado: “Eu Sou a porta das ovelhas”.
A imagem da “porta” evoca o sonho de Jacob (1,51): “Este é a casa de Deus, esta é a porta dos céus” (Gn 28,17). Aqui “porta” (Pv 8,34) é uma sinédoque (figura em que se diz o todo pela parte) de “Reino” (Gn 24,60; Mt 16,18). Jesus é o verdadeiro templo de Deus (2,21), “a (única) porta” (com artigo) pela qual se entra na casa do Pai (14,2s), no Reino de Deus (3,3.5) que Ele mesmo é. Por isso, antes de dizer que é “o bom Pastor”, Jesus começa por afirmar que é a porta, pois para ter Jesus como Pastor é necessário primeiro fazer parte do seu rebanho, a Igreja, entrando no redil, que é o Reino de Deus.
- v. 8. Todos os que vieram antes de mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os escutaram.
"Todos os que vieram antes" de Jesus, apresentando-se a si mesmos como “salvadores”, são “ladrões e salteadores” (v. 1; Os 7,1; Jr 23,1s). "Antes" não tem aqui o sentido duma indicação temporal, mas duma precedência: interpor-se à frente de Jesus, para que aqueles que a eles acorrem, se detenham neles e não sejam conduzidas a Jesus. É uma alusão aos muitos falsos messias que apareceram na época de Jesus (At 5,36s) e aos falsos profetas e doutores que surgiram nas comunidades cristãs (Mt 24,5.11.23s; 2Ts 2,9-12 2Pd 2,1s). Mas as ovelhas não os escutam, nem vão atrás deles, mostrando assim que são de Jesus (1Jo 2,19).
- v. 9. Eu Sou a porta: se alguém entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem.
v. 9: Is 49,9; Ez 34,12-15. Perante o descalabro dos chefes políticos e religiosos de Israel no AT, Deus prometeu um pastor, o Messias, pelo qual Ele reuniria, apascentaria e reconduziria o seu povo, disperso no exílio, à sua terra, para dele fazer um só rebanho sob um só pastor. A única porta para “entrar” (4x, aqui) na verdadeira terra prometida, que é o Reino de Deus (Mt 7,13s; Lc 11,52), é Jesus (cf. 3,17). Esta porta para são também aqueles que o Pai ("o porteiro") pôs legítimamente à frente do seu rebanho para o apascentar em nome do seu Filho, como múltiplos pastores no único pastor que é Jesus Cristo (cf. 21,15-17; Hb 13,20; 1Pd 2,25; 5,4).
O rebanho não é levado para o aprisco para nele ficar: tem que sair. Para isso, para sair, tal como para entrar, tem de passar pela porta. Esta porta é Jesus, como Ele próprio diz nesta frase, novamente introduzida pela fórmula teofânica “Eu Sou” (v. 7). Só Jesus, enquanto Verbo encarnado, é a porta para entrar no aprisco e fazer parte do rebanho. E só faz parte do rebanho quem “passa” por Ele, tornando-se participante da sua Páscoa (“passagem”: Ex 12,11s; cf. gr. metabaíno: 13,1; 5,24; 1Jo 3,14) pelo batismo. “Sair” é sinónimo de “seguir” Jesus (v. 4; 1,43), recebendo a sua Palavra, acreditando nela, e "escutando a Sua voz", ou seja, obedecendo-lhe e pondo-a em prática.
A expressão “porta das ovelhas” evoca uma das portas do Templo de Jerusalém que dá acesso ao pátio dos gentios, a “Porta Probática” (gr. “Porta das ovelhas”: Ne 3,1). João associa-a ao batismo, por estar junto à piscina de Betesda (“Casa da misericórdia”: 5,2), mas ela chama-se assim porque era por aí que eram introduzidas as ovelhas destinadas aos sacrifícios no Templo. Se Jesus, o Cordeiro de Deus (1,29.36; Is 53,7), é a “porta” por onde os seus devem “sair”, então “seguir Jesus” poderá implicar o martírio (cf. 21,19.22).
“Entrar e sair” é um merisma (figura que diz o todo acostando as duas extremidades opostas), sinónimo de “fazer uma campanha”, “levar a cabo uma tarefa”, “realizar as tarefas da vida”. Apresenta Jesus como: a) o novo Josué (gr. Iesous) que introduz e apascenta o novo Povo de Deus na verdadeira Terra prometida (Nm 27,17), que é o Reino de Deus; b) o novo David (2Sm 5,1ss), o Messias que Deus “suscitou” como único Pastor do seu povo (Ez 34,23), para o congregar na unidade (11,52), o reconduzir ao seu Reino e lhe dar a vida (Sl 23). Isso acontece “entrando” em comunhão com Ele. Por isso, as ovelhas, entram primeiro nele, para dele se alimentarem; e só depois é que “saem” para o seguirem nos caminhos da vida, encontrando abundante pastagem em fazer a vontade do Pai e realizar a Sua obra (4,34). "Entrar e sair" é também sinónimo de "entrar" na vida verdadeira, aqui na terra, renascendo do alto, de modo a fazer parte do seu povo, a Igreja, para depois "sair" deste mundo para entrar na posse da vida plena, a vida eterna, com Jesus Cristo, na glória de Deus, junto do Pai. - v. 10. O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância».
Os que se querem apoderar das ovelhas, são “ladrões” (v. 1) que usurpam a glória de Deus, querendo arrebatar para si os que são de Jesus. Esses, como lobos que atacam um rebanho (cf. v. 12), vêm apenas para matar (como Satanás: 8,44), roubar e destruir (v. 12; Is 56,11; Ez 13,19; 34,2-10; Mt 21,13; Mc 11,17; 2Pd 2,2s).
Ao invés, Jesus, o Bom pastor, dá a verdadeira vida (5,26s; 17,2; a sua vida, pelas ovelhas: vv. 11.15.17-18) e a dá-a “em abundância” porque:
1) a vida que Jesus dá é a vida eterna, ou seja, a vida divina (v. 28; 3,15s.36; 4,14.36; 5,24; 6,27. 40.47.54.68; 12,50; 17,2.3);
2) que Ele comunica, dando “o Espírito sem medida” (3,34);
3) de modo que o Espírito Santo não só encha a vida do crente, mas também renove toda a sua existência, penetre todas as esferas da sua vida e transborde para os outros;
4) jorrando para além das barreiras desta vida, muito para além da própria morte, ou seja, por toda a eternidade, na plenitude da vida, com Cristo, na glória de Deus, junto do Pai. Um sentido que o evangelista irá explorar no cap. 11, no episódio da ressurreição de Lázaro.
Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...
2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)
a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
d) Partilha... e) Que frase reter? f) Como a vou / vamos pôr em prática?
- Cristo é de facto o meu Pastor ou tenho outros “pastores”?
- A quem ouço, o que me conduz e me alimenta: Cristo ou outras coisas?
3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)
4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela inflame o coração)
Salmo responsorial Sl 23, 1-6 (R. 1)
Refrão: O Senhor é meu pastor: nada me faltará.
O Senhor é meu pastor: nada me falta.
Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
e reconforta a minha alma. R.
Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.
Ainda que tenha de andar pelo vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:
o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança. R.
Para mim preparais a mesa
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça
e o meu cálice transborda. R.
A bondade e a graça hão de acompanhar-me
todos os dias da minha vida,
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre. R.
Pai-nosso…
Oração conclusiva:
Deus todo-poderoso e eterno, conduzi-nos à posse das alegrias celestes, para que o pequenino rebanho dos vossos fiéis chegue um dia à glória do reino onde já Se encontra o seu poderoso Pastor, Jesus Cristo, vosso Filho. Ele que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.
Ave-Maria...
Bênção final. Despedida.
5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida, unidos a e em Cristo)
Fr. Pedro Bravo, O.Carm.