3º Domingo de Páscoa, ano A – 19 de abril de 2026

Emaus eucaristia

Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:

A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.

A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.

1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)

Leitura do Evangelho segundo S. Lucas (24,13-35)

24,13Eis que nesse mesmo dia, [o primeiro da semana,] dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma aldeia chamada Emaús, que distava sessenta estádios de Jerusalém. 14Eles conversavam um com o outro sobre tudo o que tinha acontecido.

15E aconteceu que enquanto eles conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e caminhava com eles. 16Os seus olhos, porém, estavam impedidos de o reconhecer. 17Disse-lhes então: «Que palavras são essas que trocais entre vós enquanto caminhais?» E pararam, com ar pesaroso. 18Um deles, chamado Cléofas, respondendo, disse-lhe: «Tu és o único peregrino de Jerusalém a não saber o que lá aconteceu nestes dias?» 19E Ele disse-lhes: «O quê?»

Eles disseram-lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo; 20e de que modo os chefes dos sacerdotes e as nossas autoridades o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. 21Nós esperávamos que fosse Ele quem haveria de resgatar Israel, mas com tudo isto, este já é o terceiro dia desde que estas coisas aconteceram. 22No entanto, algumas mulheres de entre nós sobressaltaram-nos. Tendo ido de manhã cedo ao túmulo 23e não tendo encontrado o seu corpo, vieram dizer que tinham tido uma visão de anjos, que dizem que Ele está vivo. 24E alguns dos que estavam connosco foram ao túmulo e encontraram tudo como as mulheres tinham dito, mas a Ele não o viram.»

25Então Ele disse-lhes: «Ó estultos e lentos de coração para crer em tudo o que os profetas disseram! 26Porventura não era necessário que o Cristo sofresse estas coisas para entrar na sua glória?» 27E, começando por Moisés e passando por todos os Profetas, interpretou-lhes o que, em todas as Escrituras, Lhe dizia respeito.

28E aproximaram-se da aldeia para onde iam e Ele fez menção de seguir adiante. 29Mas eles constrangeram-no, dizendo: «Permanece connosco, porque é tarde e o dia já está a declinar.» E entrou para permanecer com eles. 30E aconteceu que ao reclinar-se com eles à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção, partiu-o e dava-lho. 31Abriram-se-lhes então os olhos e reconheceram-no; mas Ele desapareceu da sua vista. 32E disseram um ao outro: «Não nos ardia cá dentro o nosso coração enquanto falava connosco pelo caminho e nos abria as Escrituras?»

33E, levantando-se, nessa mesma hora voltaram para Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, 34que diziam: «O Senhor ressuscitou verdadeiramente e apareceu a Simão.»

35E eles contavam o que tinha acontecido no caminho e como Ele foi reconhecido por eles na fração do pão.

     Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:

  • v. 13. Eis que nesse mesmo dia, [o primeiro da semana,] dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma aldeia chamada Emaús, que distava sessenta estádios de Jerusalém.

    vv. 13-35: Mc 16,12s. O episódio dos discípulos de Emaús é próprio de Lucas, sendo apenas referido no apêndice final de Marcos. Estamos no primeiro dia da semana (v. 1), o domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor. Dois discípulos de Jesus (lit. “dois deles”), que tinham vindo com Ele até Jerusalém, embora não fazendo parte dos Doze (cf. At 1,21s), desencantados com o desfecho trágico da sua morte na cruz, dão tudo por terminado e, desacreditados, deixam Jerusalém, pondo-se “a caminho” de Emaús (do he. hammá, “quente”, “água termal”, ou seja: "Caldas"). Em Lucas, o “caminho para Jerusalém” simboliza o discipulado-seguimento de Jesus (9,51ss.57; 10,38; 13,33; 17,11; 19,28; 22,22). Assim, estes dois discípulos desistiram de tal modo de Jesus, que deixam Jerusalém, sem esperar que as dúvidas suscitadas pela notícia das mulheres sejam dirimidas (vv. 22-24).

    Não se sabe ao certo onde fica Emaús. Há quatro candidatas: 1) Kiryat-Iearim (a atual Abu Gosh, a cidade para onde foi levada a Arca da Aliança: 1Sm 7,2; 1Cr 13,5s; Js 15,60; 18,15; e onde foi morto Judas Macabeu: 1Ma 9,18.50), “a 60 estádios” (c. 11,5 km) a NW de Jerusalém, onde está a Abadia beneditina que possui a Igreja da Ressurreição construída pelos Cruzados no s. XII, onde há águas termais, o lugar mais provável de Emaús; 2) Al-Qubeiba, também “60 estádios” a NNW de Jerusalém, onde no s. XII os Cruzados construíram uma Igreja, sobre outra anterior, para evocar este episódio, a qual se veio a tornar a partir do s. XIII, por razões históricas, o lugar de peregrinação dos cristãos latinos, para pouco depois, ser abandonada (1244). A partir de 1836 foi escavada, acabando a Igreja por ser reconstruída pelos franciscanos em 1902; 3) Qalunya, perto de Motza (Kulonieh, Koulon, Colónia: Js 15,59; bSuk 45a; Jos.Fl. Bell. Jud. 7.6.6: Str.-B 2, 270), só a 30 estádios (5,5 km) a W de Jerusalém; 4) segundo outros manuscritos, ficaria “160 estádios”, 20 milhas (29,6 km) a W de Jerusalém, na estrada para Jope. Seria Emaús-Nicópolis (‘Amwas: 1Mc 3,40. 57; 4,3; jShvi 9,2; Jos.Fl. Ant. 14.11.2; 17,10.9; Bell. Jud. 2.20.4; 3.3.5), o lugar tradicional de Emaús desde o s. III (Eusébio de Cesareia, c. 324, Onomasticon 90,15 (=186,9); Júlio Africano, c. 221 d.C., vivia aí: S. Jerónimo, c. 392, Vir. ill. 63; Ep. 108,8: PL 22,696, p. 883).

    Na realidade, para Lucas, a localização da aldeia não importa tanto: Emaús é todo o lugar onde os cristãos se reúnem para celebrar a Eucaristia.

  • v. 14. Eles conversavam um com o outro sobre tudo o que tinha acontecido.

    v. 14: v. 17. Eles vão a “conversar familiarmente” (gr. homilein) sobre o que tinha acontecido e o que as mulheres tinham dito nessa manhã (vv. 11s.19-24). São “dois”, indicando a presença do Senhor entre eles (Mt 18,20), um dado que os prepara para serem enviados (10,1; 19,29) como testemunhas (vv. 4.35; 7,18; Dt 19,15) da ressurreição de Cristo (At 10,41).

  • v. 15. E aconteceu que enquanto eles conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e caminhava com eles.

    Enquanto “conversam” familiarmente e “discutem” (gr. suzeteo, “examinar juntos”) sobre o que acontecera, “o próprio” (gr. autós: v. 39) Jesus aproxima-se deles e põe-se a caminhar com eles. O verbo “caminhar” está no imperfeito, indicando que Jesus já os acompanhava desde o princípio e ir ficar com eles para sempre.

  • v. 16. Os seus olhos, porém, estavam impedidos de o reconhecer.

    Eles não reconhecem Jesus, “porque os seus olhos estavam impedidos” (Jo 20,14; 21,4.12). O verbo “impedir”, no imperfeito, é um passivo divino: os seus olhos estão impedidos por Deus que, ao ressuscitar Jesus, transformou o Seu corpo, subtraindo-o às categorias do tempo e do espaço (1Cor 15,35-55), impedindo assim que Jesus possa ser percebido naturalmente (2Cor 5, 16), só podendo doravante ser conhecido pela fé, fé esta que nasce da escuta da Palavra e ensina aquele que crê a reconhecer Jesus nos seus “sinais” (vv. 31.35; Jo 20,8s).

  • v. 17. Disse-lhes então: «Que palavras são essas que trocais entre vós enquanto caminhais?» E pararam, com ar pesaroso.

    Jesus intromete-se na conversa e, como verdadeiro rabbi, começa com uma pergunta: “Que palavras são essas que trocais entre vós (gr. antibalein) enquanto caminhais?” Segundo os rabinos, um judeu piedoso enquanto andava pelo caminho (v. 35), devia ir a meditar na Lei do Senhor e, se fosse acompanhado, deviam ambos conversar sobre ela (Pv 6,22; Dt 6,7; 4,9; 11,19; 2Rs 2,11; mAb 3,7). O que poderia parecer digno de censura é, na realidade, um sinal de piedade (v. 35). Eles param, de rosto pesaroso (Mt 6,16; Gn 40,7), porque a sua esperança e sonhos de libertação e restauração do Reino de Israel tinham ficado arruinados (v. 21; At 1,6), com a condenação e morte de Jesus na cruz, dois dias antes (v. 46). A incredulidade destes dois discípulos (v. 25) contrasta com a fé das mulheres (v. 9!).

  • v. 18. Um deles, chamado Cléofas, respondendo, disse-lhe: «Tu és o único peregrino de Jerusalém a não saber o que lá aconteceu nestes dias?»

    Cléofas (ou Clópas, esposo de Maria, tia de Jesus, Jo 19,25, pai de Tiago e José: v. 10; Mc 16,1; Mt 27,56), incomodado e dolorido, admira-se do atraso daquele aldeão (v. 25), o único “peregrino” (gr. paroikeís, “estrangeiro”: Gn 17,8; 26,3; Dt 26,5; Ef 2,19; Hb 11,9) de Jerusalém a “ignorar” o que lá se tinha passado. É uma ironia lucana: Jesus é precisamente o único a saber o que lá realmente se tinha passado. Entretanto, é “peregrino”, porque ressuscitado, já não é deste mundo (Jo 17,11), mas acompanha os seus que aqui, sobre esta terra peregrinam rumo à pátria celeste (Fl 3,20s; 1Pd 1,17), a Jerusalém do alto (Gl 4,26).

  • v. 19. E Ele disse-lhes: «O quê?» Eles disseram-lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo.

    Jesus interroga-os de novo e eles resumem os pontos fundamentais da vida e obra de “Jesus Nazareno” (4,34; cf. 18,37; At 2,22; 3,6; 4,10; 6,14; 22,8; 26,9). A sua perspetiva parte exclusivamente do AT: Jesus tinha sido um “profeta” (Jz 6,8; 1Rs 18,4; Lc 7,16; 13,33), poderoso em obras e palavras, diante de Deus e dos homens (At 7,22; 2,22; 10,38),

  • v. 20. E de que modo os chefes dos sacerdotes e as nossas autoridades o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram.

    A seguir mencionam o julgamento de Jesus pelas autoridades judaicas (22,66), a sua “entrega” (gr. paradídomi, traição) por eles a Pilatos para ser condenado à morte (23,1-5) e o desfecho trágico da cruz (23,21-25). Mas “ignoram” que: 1) Jesus previamente já o tinha anunciado (9,22; 13,32s; 18,31ss); 2) foi precisamente dessa forma que se cumpriram as Escrituras, que eles tão bem julgavam conhecer (At 3,17; 13,27).

  • v. 21. Nós esperávamos que fosse Ele quem haveria de resgatar Israel, mas com tudo isto, este já é o terceiro dia desde que estas coisas aconteceram.

    Em seguida, evocam a sua esperança, entretanto perdida (ao invés do ladrão morto na cruz: 23,42!). A “redenção de Israel” (v. 21; 1,68; 2,38) era para eles a libertação política de Israel, em novo êxodo (cf. Ex 6,6; Dt 15,15; Mq 4,10; Is 41,14; 43,1.14; 44,24; 52,3; 62,12; Jr 27,34; 38,11; Zc 10,8), mas não a libertação do pecado e da morte (Is 44,22; Os 13,14; Dn 3,88; Tt 2,14; Hb 9,12; 1Pd 1,18).

    A expectativa messiânica deles é apenas terrena e a instauração do Reino de Deus é identificada com a restauração do reino de Israel (19,11; At 1,6). A crucificação e morte de Jesus arrasou essas expectativas e se a princípio acreditavam que Ele era o Messias, agora acham que era apenas mais um profeta, morto como os outros (13,34).


  • v. 22. No entanto, algumas mulheres de entre nós sobressaltaram-nos. Tendo ido de manhã cedo ao túmulo.

    vv. 22-24: 1-11; Jo 20,1-10. A sua narrativa termina evocando o testemunho das mulheres (entre os quais, o da sua mulher: v. 10), mostrando que não é do “túmulo vazio” que brota a fé no Senhor ressuscitado.


  • v. 23. E não tendo encontrado o seu corpo, vieram dizer que tinham tido uma visão de anjos, que dizem que Ele está vivo.

    A fé das mulheres brotou da Palavra, aqui do anúncio dos anjos, “dizendo que Ele está vivo”.

  • v. 24. E alguns dos que estavam connosco foram ao túmulo e encontraram tudo como as mulheres tinham dito, mas a Ele não o viram.»

    v. 24: Jo 20,3-10. Esta passagem evoca o v. 12, a ida de Simão Pedro ao sepulcro, e prepara o v. 34, a aparição de Jesus a Simão Pedro.

  • v. 25. Então Ele disse-lhes: «Ó estultos e lentos de coração para crer em tudo o que os profetas disseram!

    Jesus, que escutara as suas preocupações, tornando-se confidente do seu desalento, luto e dor, reage bruscamente a fim de os despertar do seu torpor. Repreende-os da sua “falta de inteligência” (Gl 3,1; cf. Mc 7,18; 8,17; 2Cor 4,4) e “lentidão de coração” (cf. Hb 5,11) “para crer” (Mc 9,19), não no anúncio das mulheres (v. 11; cf. Mt 28,17; Mc 16,14; Jo 20,27), mas “em tudo o que os profetas disseram”. Só se chega à fé em Jesus Cristo ressuscitado pela fé, a qual nasce da escuta e compreensão das Escrituras (16,31; Jo 20,8s).

  • v. 26. Porventura não era necessário que o Cristo sofresse estas coisas para entrar na sua glória?»

    v. 26: v. 46; Jo 20,9; At 3,18; 17,3; 1Pd 1,11.19s. Jesus corrige os discípulos e afirma que Jesus é “o Cristo”, o Messias (11ª das 12x que Lucas usa o título: v. 46; 2,11.26; 9,20), mostrando-lhes que tudo decorreu como “era necessário” (gr. dei: 9,22; 17,25; 24,44; At 3,21), segundo a vontade e o desígnio eternos de Deus, expresso nas Escrituras. Ele não é um Messias à maneira humana, mas segundo o coração de Deus (At 13,22), na linha do Servo sofredor de Iavé que “devia” salvar o homem através da sua morte e ressurreição (Sl 22; Is 53; At 8,32-35).

  • v. 27. E, começando por Moisés e passando por todos os Profetas, interpretou-lhes o que, em todas as Escrituras, Lhe dizia respeito.

    Jesus mostra-lhes então que o plano de Deus não passa por um quadro de triunfo humano, mas pelo dom da própria vida. Para isso usa a Bíblia: “começando por Moisés e passando pelos Profetas, interpretou-lhes o que, em todas as Escrituras, Lhe dizia respeito” (cf. At 3,24; 8,30-35; 17,2s; 26,22). Moisés é a Lei, a qual, com os profetas, são as duas leituras da liturgia sinagogal, as passagens da Escritura que o povo conhecia porque era as que ouvia ler, pois não tinha acesso direto aos rolos manuscritos da Bíblia, muito grandes, pesados e caros.

    Jesus fala não como um doutor que sabe tudo, mas como um companheiro de viagem que vai recordando como a sua paixão e morte foram necessárias para, segundo o plano de Deus, Ele poder ressuscitar e ser glorificado. É dele que as Escrituras falam. Assim, se, por um lado, a sua paixão, morte e ressurreição só podem ser compreendidas à luz das Escrituras, por outro, são a sua chave de leitura, pois é só à luz de Cristo que as Escrituras podem ser compreendidas a partir da sua unidade profunda (cf. vv. 45-48).

  • v. 28. E aproximaram-se da aldeia para onde iam e Ele fez menção de seguir adiante.

    Ao chegarem a Emaús, Jesus faz menção de seguir adiante (Mc 6,48; cf. Gn 18,3; 19,2).

  • v. 29. Mas eles constrangeram-no, dizendo: «Permanece connosco, porque é tarde e o dia já está a declinar.» E entrou para permanecer com eles.

    Mas eles “constrangeram” Jesus a ficar com eles (1Sm 28,23): “Fica connosco” (At 16,15!), “porque é tarde e o dia já está a declinar (Jz 19,9), uma referência ao episódio da multiplicação dos pães (9,12), o que nos leva a situar a presente cena por volta da hora de noa (15h).

  • v. 30. E aconteceu que ao reclinar-se com eles à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção, partiu-o e dava-lho.

    Entram em casa, “reclinam-se” à mesa para comer – outro verbo que evoca a multiplicação dos pães (9,14s) – e Jesus ”tomou o pão e recitou a bênção”. Todas as refeições começavam com a bênção (Ber 35a; mBer 6,1.6-7; 7,1).

    “Tomou-o”, partiu-o”: estas palavras usadas por Lucas para descrever os gestos de Jesus são as mesmas da multiplicação dos pães (9,16) e também as da Última Ceia (22,19). Lucas pressupõe que os discípulos de Emaús tinham estado presentes no episódio da multiplicação dos pães – uma vez que não estiveram na última ceia –, tendo sido a partir dele que reconheceram Jesus.

    “Fração do pão” é o termo técnico usado por Lucas para designar a Eucaristia (vv. 30.35; 9,16; At 2,46; 20,11; 1Cor 10,16s; 11,24).

    “E dava-lho”: o verbo, no imperfeito, indica que Jesus continua a dar o pão aos discípulos, cumprindo o que anunciara (22,16) e mostrando que o Reino de Deus já veio (22,18).

  • v. 31. Abriram-se-lhes então os olhos e reconheceram-no; mas Ele desapareceu da sua vista.

    Quando recebem o Senhor, “abrem-se-lhes os olhos” (cf. v. 16; 2Rs 6,17) e reconhecem-no. É o tema da visão com os olhos da fé, tão importante em Lucas (2,30; 10,23; 11,34; 19,42; cf. 2Cor 3,14), que aqui atinge o seu ápice. Mas “Ele desapareceu da sua vista” (2Ma 3,34), pois entrou neles.

  • v. 32. E disseram um ao outro: «Não nos ardia cá dentro o nosso coração enquanto falava connosco pelo caminho e nos abria as Escrituras?»

    Jesus entrou neles para com eles caminhar, abrasando-lhes o coração com a Palavra, que lhes vai abrindo – isto é, desvelando (v. 45) –, e com a Sua presença, o pão do Reino de Deus (11,3; 14,15) ,que é Ele mesmo, e que eles agora levam dentro de si.

  • v. 33. E, levantando-se, nessa mesma hora voltaram para Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles.

    Estes dois discípulos beneficiam dum encontro com o Ressuscitado, anterior à Sua aparição aos Apóstolos, mostrando que Deus vem em primeiro lugar ao encontro dos últimos (cf. 2,8.15.18; 3,21). Retomam então “o caminho de Jerusalém” e regressam para anunciar aos “Onze” (Mt 28,16) que Jesus está vivo (v. 9). Voltam à cidade, transformados por este encontro pascal com o Senhor, que os ressuscita, fazendo Páscoa na sua vida: caminham, em vez de ficarem paralisados pela tristeza; formam comunidade, em de se isolarem na dor. “Realmente tudo mudou! Coragem, em vez de medo! Retorno, em vez de fuga! Fé, em vez de descrença! Esperança, em vez de desespero! Consciência crítica, em vez de fatalismo frente ao poder! Liberdade, em vez de opressão! Numa palavra: vida, em vez de morte! Em vez da má noticia da morte de Jesus, a Boa Notícia da sua Ressurreição! Os dois experimentam vida e vida em abundância (Jo 10,10)! Sinal do Espírito de Jesus atuando neles” (Fr. Carlos Mesters, O.Carm.).

  • v. 34. Que diziam: «O Senhor ressuscitou verdadeiramente e apareceu a Simão.»

    Ao chegar a Jerusalém, os Apóstolos e (nota exclusiva de Lucas) “os que estavam com eles” (At 1,14.15.21s; 1Cor 15,5ss), confirmam o seu testemunho, enunciando a fórmula mais antiga do credo cristão, transmitida a Paulo no ano 37 d.C., sete anos apenas depois destes acontecimentos, fórmula que serve de trama a todo este episódio: “O Senhor ressuscitou verdadeiramente e apareceu a Simão” (1Cor 15,3ss; Jo 21,15-23). Só Lucas menciona uma aparição particular de Jesus a Simão Pedro em Jerusalém. Jesus não é apenas profeta (v. 19), nem “o Cristo” (v. 26), mas “o Senhor” (Kyriós: 2,11; 19,31.34; At 2,36; 9,5; 22,8; 26,15; Jo 20,18.25.28; 21,7.12; Rm 1,5; 10,9; Fl 2,11), a forma grega do hebraico Adonai, o título reservado no AT para ler o nome sagrado Iavé (1,15ss.25.28.32.38,…), pois é só agora que se revela plenamente a Sua condição divina (Fl 2,6). “O Senhor ressuscitou verdadeiramente" (gr. ontôs: 23,47), ou seja, realmente, na totalidade do seu ser. É a grande saudação pascal das Igrejas orientais. “E apareceu a Simão” Pedro (22,31.34; At 10,5.18). O testemunho de Pedro é decisivo para a comunidade, pois foi a ele que Jesus confiou a missão de confirmar os irmãos após a Sua ressurreição (cf. 22,32), sendo na sua profissão de fé que se funda a fé da Igreja (9,20; Mt 16,18s).

  • v. 35. E eles contavam o que tinha acontecido no caminho e como Ele foi reconhecido por eles na fração do pão.

    v. 35: cf. v. 17; Pv 6,23. Só depois de ter sido proclamada a fé de Pedro – que é a fé da Igreja – é que os discípulos de Emaús completam o querigma cristão, que já tinham começado a esboçar (vv. 19-23), “narrando” o que acontecera (2Rs 8,5) e testemunhando como Se tinham encontrado com Ele vivo na Palavra e na Eucaristia.

    O episódio dos discípulos de Emaús traduz a cadência da Eucaristia que os cristãos celebram no primeiro dia da semana (v. 1; At 20,7; 1Cor 16,2): 1) a apresentação e partilha da própria vida; 2) a liturgia da Palavra; 3) a fração do pão na liturgia eucarística; 4) o testemunho e a missão no meio deste mundo, no seio da vida.

    Enuncia também as quatro principais formas de presença de Cristo ressuscitado no meio dos seus: 1) a comunidade, já presente onde dois ou mais se reúnem em seu nome (Mt 18,20); 2) a Palavra; 3) a fração do pão (Eucaristia); 4) a missão.

    Nestes dois discípulos, que não veem Jesus, mas O reconhecem na fração do pão e se encontram com Ele, Jesus mostra aos discípulos que nunca O viram como poderão caminhar com Ele, escutá-lo, reconhecê-lo, encontrar-se com Ele e recebê-lo na eucaristia, e como, a partir deste encontro, são chamados a partir juntos, para ir ao encontro dos outros homens para lhes testemunhar que Ele está vivo e continua presente no meio dos seus ao longo da história, acompanhando-os na sua caminhada ao longo no êxodo desta vida (9,31), rumo à pátria celeste. 

    Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz, no segredo...

 

2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)

    a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
    d) Partilha… e) Que frase reter? f) Como a vou/vamos pôr em prática?

  • Já tive momentos de tristeza, desânimo, desencanto ou desespero? Como é que a Palavra de Deus os iluminou?

  • Jesus fala comigo? Como? Onde é que O posso encontrar?

  • Jesus ensina-nos aqui a ler a Escritura. Como a leio? Trago a Sua Palavra comigo? Participo na Eucaristia? O meu coração arde quando a celebro com os meus irmãos?

 

3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)

4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela me ilumine e inflame o coração) 

Salmo responsorial (PDF: p. 13)                    Sl 16,1-2a.5.7-11 (R. 11a)

Refrão: Mostrai-me, Senhor, o caminho da vida.

Defendei-me, Senhor; Vós sois o meu refúgio.
Digo ao Senhor: Vós sois o meu Deus.
Senhor, porção da minha herança e do meu cálice,
está nas vossas mãos o meu destino.     R.

Bendigo o Senhor por me ter aconselhado,
até de noite me inspira interiormente.
O Senhor está sempre na minha presença,
com Ele a meu lado não vacilarei.     R.

Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta
e até o meu corpo descansa tranquilo.
Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos,
nem deixareis o vosso fiel conhecer a corrupção.     R.

Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida,
alegria plena em vossa presença,
delícias eternas à vossa direita.     R.

Pai-nosso… 

Oração conclusiva

Senhor, nosso Deus, exulte sempre o vosso povo, Senhor, com a renovada juventude da alma, de modo que, alegrando-se agora por se ver restituído à glória da adoção divina, aguarde o dia da ressurreição na esperança da felicidade eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.

Ave-Maria...

Bênção final. Despedida.

5) AÇÃO... (encarnar a Palavra, testemunhando-a na própria vida, unidos e em Cristo)

Fr. Pedro Bravo, O.Carm.