Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:
A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.
A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.
1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)
Leitura do Evangelho segundo S. Mateus (18,15-20)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 18,15: «Se o teu irmão pecar contra ti, vai e corrige-o, entre ti e ele só. Se te escutar, ganhaste o teu irmão. 16Mas se não te escutar, toma contigo mais um ou dois, para que, “pela boca de duas ou três testemunhas, toda a palavra seja confirmada”. 17Se, porém, não as escutar, di-lo à Igreja; e se também não escutar a Igreja, será para ti como um gentio ou um publicano. 18Amen vos digo: tudo quanto ligardes sobre a terra será ligado no Céu; e tudo quanto desligardes sobre a terra, será desligado no Céu. 19Amen vos digo ainda: se dois de vós se puserem de acordo na terra para pedir seja o que for, ser-lhes-á feito pelo meu Pai que está nos Céus. 20Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou no meio deles».
Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:
A passagem de hoje, exclusiva de Mateus, é a quarta secção do quarto discurso de Jesus neste Evangelho: “o discurso eclesial”. Detém-se em dois pontos: a) na correção fraterna (vv. 15-18); b) na eficácia da oração em comum (vv. 19-20). A palavra-chave de ambos é “comunhão”. Para haver comunhão na comunidade, é preciso existir diálogo e oração.
- v. 15. «Se o teu irmão pecar contra ti, vai e corrige-o, entre ti e ele só. Se te escutar, ganhaste o teu irmão.
v. 15: Lc 17,3.
“Se o teu irmão”: os destinatários destas palavras de Jesus sobre a correção fraterna (vv. 15-18) são os seus discípulos e, neles, as comunidades cristãs. Tal como em qualquer comunidade humana, também nas comunidades cristãs podem surgir tensões entre grupos e aparecer problemas de convivência: há pessoas que se acham superiores e querem ter os primeiros lugares – ou se fazem muito amigas de quem os tem – para mandar sobre os outros; há quem tome atitudes prepotentes, que escandalizam os mais pequenos; há pessoas que magoam e ofendem os outros; há críticas e mal-entendidos; há pessoas que têm dificuldade em compreender os erros e perdoar as faltas dos outros; há preconceitos, simpatias e antipatias naturais, etc. Jesus chama todos à simplicidade, à humildade, ao amor, à unidade e ao perdão.
Em relação a um irmão ou irmã que “pecar” – parte dos manuscritos não diz “contra ti” –, isto é, que tiver uma palavra, atitude ou comportamento que estão em patente contraste com a vida cristã ou ofendem o outro, Jesus introduz o dever da correção fraterna, que não se exerce senão tendo em vista a reconciliação (Lc 17, 3; cf. Gl 6,1; 2Tm 4,2). Jesus ensina a não criticar nem rejeitar o irmão, a não falar mal dele aos outros, quer aos de dentro (da comunidade cristã), quer aos de fora (os gentios) – e muito menos para se levantar suspeitas, espalhar boatos ou levantar calúnias contra ele, a fim de o difamar.
Partindo de Lv 5,21; 19,17 (“Se alguém pecar… Não odiarás o teu próximo no teu coração, mas repreendê-lo-ás, para não carregares o pecado que ele tem sobre ele”), Jesus diz que primeiro se vá falar em privado, a sós, com “o teu irmão” – uma nota exclusiva de Mateus (cf. 16,22; Pv 25,9s) – a fim de perceber as suas razões e motivos, e que o “corrija” (gr. elénchô, em Mt, só aqui). Pode ter havido um mal-entendido, um engano ou um erro de percepção. Se tudo ficar ali resolvido, “ganhaste o teu irmão”.
“Ganhar” (gr. kerdaínô: 1Cor 9,19-21) é o termo técnico dos rabinos para falar da conversão entre os gentios. “Ganhaste” não porque tiveste razão, mas porque alcançaste o objetivo da tua iniciativa: o bem “do teu irmão”, a reconciliação e o restabelecimento da comunhão com ele no seio da comunidade.
- v. 16. Mas se não te escutar, toma contigo mais um ou dois, para que, “pela boca de duas ou três testemunhas, toda a palavra seja confirmada”.
v. 16: Dt 19,15; Jo 8,17; 2Cor 13,1; 2Tm 5,19; Hb 10,28.
Se houver alguma falta grave e real e ele, na primeira fase, não te der ouvidos, arranja mais duas ou três pessoas da comunidade, prudentes, discretas, sábias e imparciais, não para armar guerra contra ele, mas para procurar levá-lo à razão e ver se se consegue um resultado positivo. Em tudo, porém, há que proceder segundo princípios evidentes, relacionados com a Palavra de Deus, registrada na Escritura, que, não por acaso, Jesus cita aqui (Dt 19,15; cf. 26,60; Jo 8,17), sem se inventar regras particulares ou estabelecer normas pessoais, que nada têm a ver com o Evangelho.
- v. 17. Se, porém, não as escutar, di-lo à Igreja; e se também não escutar a Igreja, será para ti como um gentio ou um publicano.
v. 17: Tt 3,10; 2Ts 3,14s; 2Cor 13,1.
Se mesmo assim nada se conseguir e o caso for sério há que apresentar a questão na última instância, ou seja, a toda a comunidade, “a Igreja”. Note-se que só aqui e em 16,18 se usa o termo grego ekklêsía. Em caso algum, porém, se deve recorrer a tribunais civis para resolver questões pessoais ou de relacionamento fraterno (1Cor 5,9-6,8).
Se essa pessoa não quiser escutar a Igreja, “que ela seja para ti como um gentio ou um publicano”, ou seja, como alguém que já não faz parte da comunidade, mas que pode voltar a ser acolhido nela, se mostrar fé e se arrepender (9,9-13). Assim já não é alguém que excluiu o outro, mas é a própria pessoa que se exclui. A comunidade apenas constata e ratifica a exclusão.
- v. 18. Amen vos digo: tudo quanto ligardes sobre a terra será ligado no Céu; e tudo quanto desligardes sobre a terra, será desligado no Céu.
v. 18: 16,19.
Jesus fundamenta o peso desta decisão, tomada pela Igreja (v. 17), na autoridade que Deus à mesma conferiu. Garante de forma perentória (“amen vos digo”) que o poder de "ligar e desligar” – primeiramente conferido a Pedro em relação à Igreja universal (juntamente com o “poder das chaves”, só a ele dado: 16,19) e depois comunicado aos apóstolos em relação às Igrejas que lhes foram confiadas (Jo 20,23) – também é dado à comunidade local, em relação aos seus membros: o que ela “ligar” ou “desligar na terra”, “será ligado” ou “desligado” (passivo divino: por Deus), “nos céus”. Ou seja: a decisão da comunidade terá valor diante de Deus e por Ele será reconhecida, sancionada.
“Ligar” (gr. déô; he. ‘açar) e “desligar” (gr. lýô; he. mathir) significavam no judaísmo da época:
a) no que se refere ao poder de ensinar: “ligar”, ou seja, proibir alguma coisa por uma autoridade indiscutível; e “desligar”, permitir alguma coisa por uma autoridade indiscutível (mTer 5,4);
b) no que se refere à disciplina da comunidade: “ligar” é excluir alguém da comunidade (por meio de anátema ou excomunhão); e “desligar”, admitir à comunidade ou readmitir à comunhão com ela alguém sobre o qual pesava a pena de exclusão dela (cf. Fl.Jos. Bell. 1,5,2).
Segundo o Talmud (posteriormente redigido, embora refletindo tradições mais antigas) havia três decisões (lit. “palavras”) tomadas pelo tribunal terreno (o Sinédrio, neste caso, uma decisão tomada pela primeira instância – o sinédrio local – e depois ratificada pela segunda e terceira instâncias – o Sinédrio jerosalimitano) que depois foram sancionadas do alto pelo tribunal superior (o céu: bMak 23b.7).
Note-se, entretanto, que este poder é concedido à comunidade apenas para resolver os problemas mais importantes e dirimir as questões mais prementes relativas à sua vida e à construção da comunhão entre os seus membros, de modo que nela se atue a nível local a comunhão universal; mas nunca pode ser usado para extremar, se opor ou contradizer as decisões das instâncias superiores
.
- v. 19. Amen vos digo ainda: se dois de vós se puserem de acordo na terra para pedir seja o que for, ser-lhes-á feito pelo meu Pai que está nos Céus.
v. 19: 7,7.
A oração em comum. Excluir alguém da comunidade (cf. 1Cor 5,3ss) não significa abandoná-lo definitivamente à própria sorte. Embora essa pessoa esteja separada da comunidade, ela não foi rejeitada por Deus. Caso o diálogo com ela em comunidade não der resultado, resta sempre o recurso de orar juntos ao Pai para alcançar a reconciliação, como diz 1Jo 5,16. É o que a comunidade deve fazer sempre, em qualquer assunto que a afete, especialmente nos casos mais graves: recorrer à oração, para que todas as suas decisões sejam tomadas à luz da Palavra de Deus, segundo a Sua vontade. Jesus garante que tal oração será eficaz, porque será atendida pelo próprio Pai.
- v. 20. Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou no meio deles».
v. 20: 28,20.
A presença de Jesus na comunidade. A promessa feita aos discípulos é válida não apenas para a oração fraterna, mas também para as reuniões fraternas e comunitárias, onde deve presidir e se deve procurar antes de mais a comunhão entre os seus membros.
Assim, Jesus fundamenta a promessa e a garantia dadas no v. 19 com esta nova promessa e garantia: “Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou no meio deles”. O nome significa a pessoa (1Cor 5,4). Jesus é a presença fundamental, o centro vital, o eixo e factor de união da comunidade e como tal intervém e age nela, assegurando que ela possa caminhar com Ele e contar com a sua ajuda e intervenção, vendo escutadas as suas orações.
Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...
2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)
a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
d) Partilha… e) Que frase reter? f) Como a vou / vamos pôr em prática?
- Como prefiro viver a minha fé: sozinho ou em comunidade? Que vantagens e riscos encontro em cada uma destas formas?
- Há diálogo na minha família/comunidade? Rezamos juntos?
- O que é que me leva a agir e confrontar os meus irmãos com os seus erros: o orgulho ferido, a vontade de humilhar, a má vontade, ou o amor e o desejo do seu bem e da paz entre os irmãos?
3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)
4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela me inflame o coração)
Salmo responsorial Sl 95,1-2.6-9 (R. cf. 8)
Refrão: Hoje, se escutardes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações.
Vinde, exultemos de alegria no Senhor,
aclamemos a Deus, nosso Salvador.
Vamos à sua presença e dêmos graças,
ao som de cânticos aclamemos o Senhor. R.
Vinde, prostremo-nos em terra,
adoremos o Senhor que nos criou.
Pois Ele é o nosso Deus
e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho. R.
Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:
«Não endureçais os vossos corações,
como em Meribá, no dia de Mássá no deserto,
onde vossos pais Me tentaram e provocaram,
\ apesar de terem visto as minhas obras». R.
Pai-nosso…
Oração conclusiva:
Senhor nosso Deus, que nos enviastes o Salvador e nos fizestes vossos filhos adotivos, atendei com paternal bondade as nossas súplicas e concedei que, pela nossa fé em Cristo, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.
Ave-Maria...
Bênção final. Despedida.
5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida, unidos a Cristo e unidos em Cristo)
PB (para sugestões, perguntas ou correções, contactar p.f.: