LECTIO DIVINA – Leitura orante da Palavra de Deus
Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:
A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.
A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.
1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)
Leitura do Evangelho segundo S. Mateus (22,1-14)
22,1Tomando a palavra, Jesus falou novamente aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo em parábolas, dizendo: 2«O Reino dos Céus é semelhante a um rei que fez as bodas para o seu filho. 3Enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, mas estes não quiseram vir. 4Enviou de novo outros servos, dizendo: “Dizei aos convidados: ‘Eis que preparei o meu banquete, os meus bois e cevados foram abatidos e tudo está preparado. Vinde às bodas’”. 5Mas eles não fizeram caso: um foi para o seu campo, outro para o seu negócio 6e os restantes, agarrando os servos dele, insultaram-nos e mataram-nos. 7O rei ficou indignado e, enviando os seus exércitos, destruiu aqueles assassinos e incendiou-lhes a cidade. 8Disse então aos seus servos: “A boda está preparada, mas os convidados não eram dignos. 9Ide, pois, às encruzilhadas dos caminhos e chamai para as bodas a quantos encontrardes”. 10E, saindo aqueles servos pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a boda ficou repleta de convivas. 11Entrando o rei para observar os convivas, viu ali um homem que não estava vestido com traje nupcial. 12E diz-lhe: “Companheiro, como entraste aqui não tendo veste nupcial?” Ele, porém, ficou calado. 13O rei disse então aos servidores: “Atai-lhe os pés e as mãos e lançai-o fora, para as trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes”. 14Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos».
Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:
- v. 1. Tomando a palavra, Jesus falou novamente [aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo] em parábolas, dizendo.
Estamos em Jerusalém, no Templo, um dia depois de Jesus nela ter entrado triunfalmente (21,18). O texto de hoje, a parábola das bodas reais, modelada a partir da parábola anterior (“falou novamente em parábolas”: 21,33-41), é a última das três parábolas que Jesus conta às autoridades judaicas, os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo, para ilustrar a recusa deles a acolher o Reino de Deus, aproveitando, ao mesmo tempo, para chamar todos à conversão.
- v. 2. «O Reino dos Céus é semelhante a um rei que fez as bodas para o seu filho.
vv. 2-10: Lc 14,16-24.
A parábola decorre em três atos: os dois primeiros (vv. 2-10) são comuns a Lucas (14,16-24); o terceiro (vv. 11-14) é exclusivo de Mateus.
Primeiro ato (vv. 2-7). A cena introduz um “rei” (lit. “homem rei”: 18,23; Jr 45,24, a fim de ficticiamente o apresentar em contraposição a Deus, o Rei dos reis: Sl 84,4; Is 44,6; Dn 2,47; Ap 19,16) “que fez as bodas para o seu filho”.
“Filho” tem artigo (21,37; Sl 2,7) para indicar que é o seu filho único (Zc 12,10).
Em Is 25,6-10 o reino de Deus é descrito como um banquete messiânico (9,15; Ap 19,7.9). O banquete (Pv 9,1s) é o lugar por excelência do encontro, da comunhão de vida, de estreitamento de laços familiares e de amizade entre os convivas.
O banquete de que Jesus fala é nupcial. No AT, o casamento é imagem da aliança de amor de Deus com o seu Povo (Os 2,16.19s; Is 54,5; 62,4s; Jr 3,14; 31,32). As bodas duravam sete dias (Jz 14,17; Est 1,5; Tb 11,19) e, se fossem reais, eram sumptuosas (1Ma 10,58), sendo acompanhadas por diversas solenidades (redução de impostos, amnistias, presentes, dádivas aos pobres, etc.).
- v. 3. Enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, mas estes não quiseram vir.
v. 3: 21,34; Pv 9,3. O convite é sempre um ato livre, uma iniciativa magnânima e bondosa do rei. Para as bodas podiam ser convidados só os principais do reino, os servos do rei, mas também podia ser convidado o povo (Est 1,5; 2,18; Tb 11,19). O rei (Deus) “enviou” (gr. apostéllo) os seus servos (gr. doúlos), ou seja, os profetas e os apóstolos (21,35s; Lc 11,49ss; Jr 7,25s; 25,4; 29,19; 44,4; 2Rs 17,13; 2Cr 24,19), a chamar primeiro os dignitários do reino (as autoridades do povo de Israel), mas estes “não quiseram” ir (23,37; Jo 5,40).
- v. 4. Enviou de novo outros servos, dizendo: “Dizei aos convidados: ‘Eis que preparei o meu banquete, os meus bois e cevados foram abatidos e tudo está preparado. Vinde às bodas’”.
v. 4: 21,36; Pv 9,2.5; Hb 2,3; Ap 19,7. O rei renova o convite, enviando-lhes outros servos, insistindo na urgência escatológica do banquete ao repetir por três vezes que tudo está preparado (2x aqui, v. 8).
- v. 5. Mas eles não fizeram caso: um foi para o seu campo, outro para o seu negócio.
Os convidados, porém, não fazem caso e persistem na recusa (Ne 9,26; Jr 2,27; 32,33), nada mudando nas suas vidas e apresentando as desculpas mais banais.
- v. 6. E os restantes, agarrando os servos dele, insultaram-nos e mataram-nos.
v. 6: 21,35; 23,37.
Mateus acrescenta aqui à parábola original dois versículos próprios (vv. 6-7). Outros convidados, no entanto, reagem de forma violenta, desenhando um quadro gravíssimo de oposição ao rei.
Recusar um convite do rei, já de si, era uma ofensa inqualificável (v. 5), tanto mais que se tratava do casamento do filho único do rei, o seu herdeiro (21,38). Como se isso não bastasse, manifestaram tal animosidade que insultaram (At 14,5) e mataram os servos do rei (cf. At 7,52; 1Ts 2,15).
- v. 7. O rei ficou indignado e, enviando os seus exércitos, destruiu aqueles assassinos e incendiou-lhes a cidade.
v. 7: 21,41; 18,34; Lc 19,27. Indignado (lit. “irado”) com tão inaudita provocação, o rei manda “os seus exércitos” para punir esses malvados e incendiar-lhes a cidade, executando a justa sentença divina (cf. 2Rs 25,9; 36,19; Jr 52,13; Br 1,2; Ez 16,41), uma nota exclusiva de Mateus, que se refere aqui à destruição de Jerusalém pelas tropas romanas de Tito, em 70 d.C. – um acontecimento que já se tinha dado, quando Mateus escreveu o seu Evangelho –, tropas, cuja autoridade suprema, em última análise, não é o imperador, mas o próprio Deus; por isso, diz: “os seus exércitos” (cf. 25,32, Jo 19,11; Is 13,3-5; 45,13).
- v. 8. Disse então aos seus servos: “A boda está preparada, mas os convidados não eram dignos.
v. 8: At 13,46.
Segundo ato (vv. 8-10). Os primeiros convidados não eram “dignos” (Mt, 9x: 3,8; 10,10.11.13.37s), por não terem dado uma resposta apropriada. - v. 9. Ide, pois, às encruzilhadas e chamai para as bodas a quantos encontrardes.
O rei manda, então, os seus servos “ir” (gr. poreúomai, Mt, 27x: 10,6; 21,6; 28,7.19) e convidar para as bodas quantos encontrassem nas “encruzilhadas dos caminhos” (Pv 8,2), ou seja, nas portas e nos mercados das cidades, onde confluía todo o tipo de pessoas, das mais diversas nações, símbolo da missão universal da Igreja entre os marginalizados, os pecadores e os gentios. É uma atitude surpreendente, pois ele dá a ordem de se dirigem “a quantos” encontrarem, sejam ele justos ou pecadores, judeus ou gentios.
- v. 10. E, saindo aqueles servos pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a boda ficou repleta de convivas.
Jesus menciona em primeiro lugar, os “maus” (13,47s; 5,45) – aqueles que todos julgavam estar excluídos da salvação, porque serem impuros e pecadores (Lc 14,21) – e só a seguir os “bons”. Mas foi esta multidão de deserdados, que nunca se tinha sentado à mesa de alguém importante, que aceitou o convite e, “reunida” (gr. synágô: Sl 47,10; 102,23; Is 56,8; 66,18), veio reclinar-se à mesa do rei, enchendo a sala das bodas (cf. Ap 7,9) de “convivas” (lit. “reclinados”, pois era nesta posição que se comia nos banquetes: v. 11; 9,10; 26,7.20).
- v. 11. Entrando o rei para observar os convivas, viu ali um homem que não estava vestido com traje nupcial.
Terceiro ato (vv. 11-13). Este episódio é exclusivo de Mateus. Com a parábola do “conviva” sem traje nupcial a cena é transferida para o juízo final, ganhando densidade escatológica. O banquete nupcial do filho é não apenas uma imagem da entrada e da participação do crente no Reino dos céus, mas também um antegozo da sua posse, na plenitude, após a consumação final.
O rei entra na sala das bodas para ver os convivas e encontra um que não traz o traje nupcial. O traje nupcial simboliza as obras de justiça e do amor que florescem na vida daquele que se converteu à fé, escutando a palavra de Jesus e pondo-a em prática (cf. 7,21s.24s; Is 61,10s; Ap 19,8).
- v. 12. E diz-lhe: “Companheiro, como entraste aqui não tendo veste nupcial?” Ele, porém, ficou calado.
O rei interpela, não os servos, que certamente tinham dado um traje nupcial a cada um dos convidados, mas a ele, chamando-o “companheiro” (gr. etairos, “camarada”: 20,13; 26,50). Isto mostra que cada um terá de dar contas a Deus das suas ações (18,23; 25,19; Jr 17,10). “Ele ficou calado” porque a fé sem obras, que não se traduz na caridade, está morta (25,41-45; Gl 5,6; Tg 2,17.26).
- v. 13. O rei disse então aos servidores: “Atai-lhe os pés e as mãos e lançai-o fora, para as trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes”.
O rei manda, então, os “servidores” (gr. diákonos: 20,26; 23,11; Est 1,10; 6,3.5) expulsá-lo da sala, como se fazia a um convidado bêbado e violento, que só provocava desacatos (cf. mAbot 4,16).
Ao invés, porém, de um prisioneiro que, quando era encarcerado, lhe podiam agrilhoar as mãos e/ou os pés (2Rs 17,4; At 12,4.7; 16,24), sendo levado para “fora” da cárcere só quando chegava a hora de ser morto (cf. 21,39; Hb 13,12), este homem é lançado “fora” logo naquela ocasião, de mãos e pés “atados” (12,29; 16,19; 18,18), uma imagem que indica que ele se tornou incapaz de caminhar no bem, ou seja, de seguir o bem e o praticar (cf.2Sm3,34; Lm 1,14; Dn3,20; At21,11).
“Para as trevas exteriores” (8,12; 25,30; Sb 17,2), símbolo da condenação que priva a pessoa da luz da graça e a põe à mercê de Satanás, que dela faz escrava do pecado e da morte (cf. 25,41; 1Cor 5,5; 1Tm 1,20; 5,15).
“Aí haverá choro e ranger de dentes” (Mt, 6x: 8,12), símbolo do desespero e raiva dos réprobos ao verem a sua condenação e a bem-aventurança dos justos, que acreditaram em Jesus e praticaram o bem (cf. 18,13; 25,21.23.34.46).
- v. 14. Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos».
v. 14: Ap 19,9.
Jesus conclui com um jogo de palavras em grego, distinguindo entre os que respondem ao convite universal à salvação, os “chamados” (gr. klêtoí), e os que lhe correspondem até ao fim, com perseverança, os “escolhidos” (gr. eklektoi: Rm 8,33), advertindo todos contra o perigo de uma falsa segurança da salvação (1Cor 6,9s; Gl 6,7s; Ef 5,5s; Tg 1,22; 1Jo 3,7s).
Todos, a começar pelos pecadores, são chamados ao Reino. Mas não basta ser batizado e dizer que se tem fé; é preciso viver como filho de Deus, praticando as obras de justiça e de caridade do Reino (5,20; 6,33; 25,35-40), dando frutos de sincera conversão (3,8; 5,16.20; Jo 15,5.8. 16; Rm 2,6-10; 6,22; Gl 5,22). Quem o não fizer, exclui-se a si mesmo da salvação, não participando da plenitude final, no banquete do Reino dos céus.
Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...
2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)
a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
d) Partilha… e) Que frase reter? f) Como a vou / vamos pôr em prática?
- Como respondo aos apelos do Senhor: passo a vida a adiar ou ponho-o acima de tudo, procurando segui-lo dia após dia?
- O meu compromisso com o Reino é sincero e empenhado? Já convidei alguém a participar comigo na celebração da minha fé? Vou ao encontro dos que vivem afastados e dos que todos rejeitam?
3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)
4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela me inflame o coração)
Salmo responsorial Sl 23,1-6 (R. 6cd)
Refrão: Habitarei para sempre na casa do Senhor.
O Senhor é meu pastor: nada me falta.
Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
e reconforta a minha alma. R.
Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.
Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:
o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança. R.
Para mim preparais a mesa
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça
e o meu cálice transborda. R.
A bondade e a graça hão de acompanhar-me
todos os dias da minha vida,
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre. R.
Pai-nosso…
Oração conclusiva:
Nós Vos pedimos, Senhor, que a vossa graça preceda e acompanhe sempre as nossas ações e nos torne cada vez mais atentos à prática das boas obras. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.
Ave-Maria...
Bênção final. Despedida.
5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida)
PB (para sugestões, perguntas ou correções, contactar p.f.
Fonte da imagem: https://www.zankyou.pt/f/paco-real-de-belas-829102