10º Domingo do Tempo comum, ano A – 7 de junho de 2026

Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:

A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.

A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.

1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)

Leitura do Evangelho segundo S. Mateus (9,9-13)

Naquele tempo, 9,9ao passar, Jesus viu um homem, chamado Mateus, sentado na banca de cobrança dos impostos e diz-lhe: «Segue-me». Ele levantou-se e seguiu-o. 10E aconteceu que estando ele em casa, reclinado à mesa, eis que muitos publicanos e pecadores vieram reclinar-se à mesa com Jesus e com os seus discípulos. 11Ao verem isto, os fariseus diziam aos discípulos dele: «Por que razão come o vosso Mestre com os publicanos e os pecadores?» 12Ele, porém, ouvindo, disse: «Não são os fortes que precisam de médico, mas os que têm algum mal. 13Ide e aprendei o que significa: “Misericórdia quero e não sacrifício”; com efeitonão vim chamar justos, mas pecadores».

 Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:

O presente texto faz parte da terceira secção do Evangelho de Mateus (8-10) onde ele mostra como o reino de Deus se começa a manifestar entre os homens por meio de Jesus. Nela, o autor coloca-nos diante de três conjuntos de “sinais” de Jesus que tornam presente o Reino (8,1-15; 8,23-9,8; 9,18-31). Entre cada um destes conjuntos aparecem notas sobre o significado dos gestos de Jesus e diversos apelos ao seu seguimento. É o caso do texto de hoje. Este segue-se ao episódio da cura do paralítico através do perdão dos pecados (9,1-8) e compõe-se de dois episódios: 1) o chamamento de Mateus (v. 9); 2) e o banquete em casa de Mateus, com uma controvérsia com os fariseus (vv. 10-13).

  • v. 9. Ao passar, Jesus viu um homem, chamado Mateus, sentado na banca de cobrança dos impostos e diz-lhe: «Segue-me». E ele levantou-se e seguiu-o.

    vv. 9-13: Mc 2,13-17; Lc 5,27-32.

    “Ao passar” (v. 27; 20,30; Mc 1,16; 15,21; 1Sm 16,19s): ao invés dos rabinos, que recrutavam os seus discípulos no interior dos círculos religiosos, Jesus “primeira”, toma a iniciativa e vai ao encontro das pessoas onde elas se encontram (v. infra).

    “Viu”: Jesus “vê” as pessoas com o olhar de Deus (Gn 1,31; Ex 3,4; 4,31; Jn 3,10; 1Sm 16,6).

    “Um homem sentado na banca de cobrança dos impostos”. Cafarnaum era uma “cidade” (Lc 4,31) marítima, fronteiriça (4,13), próxima da Via Maris (4,15), onde havia uma guarnição romana (8,5; Lc 7,2) e trabalhavam diversos funcionários reais (Jo 4,46) e coletores de impostos (17,24), entre os quais os publicanos (gr. telônes), que coletavam as taxas alfandegárias para a administração do tetrarca Herodes Antipas.

    Os publicanos alugavam a sua banca de cobrança, pagando uma determinada renda anual e tirando o seu rendimento dos impostos cobrados. Apesar das taxas serem estipuladas pela administração local (Lc 3,13), elas não eram certas, aproveitando-se eles não raro disso para cobrar mais às pessoas. Por isso, eram considerados mentirosos e ladrões (mHag 3,6; mNed 3,4), não podendo testemunhar em tribunal (mBQ 10,1-2; v. infra, v. 10), sendo considerados impuros, tal como os gentios, que tornavam impura toda a casa onde entrassem (18,17; mToh 7,6). Eram marginalizados e desprezados pelo povo – bem como os que habitavam na sua casa –, sendo tidos pelos rabinos como pecadores (Mt, 5x, das quais 3x neste episódio: cf. vv. 10-11; 5,46; 11,19; 21,31s; Lc 19,7) que, segundo eles, praticamente não podiam alcançar a remissão dos seus pecados (cf. Lc 18,10-14), pois era muito difícil poderem reparar o mal que tinham feito, restituindo o que tinham arrecadado a mais (cf. Lc 19,8), por não ser possível lembrar-se do que tinham roubado a cada pessoa, nem serem capazes de reencontrar todos os que tinham prejudicado. Os fariseus, ciosos da sua própria pureza, atravessavam a rua e passavam para o outro lado quando os viam vir ao seu encontro.

    “Chamado Mateus” (he. “presente de Deus”): Marcos e Lucas designam-no “Levi, filho de Alfeu” (Mc 2,14) ,”o publicano” (10,3; Lc 5,27), embora seja Mateus o nome que incluem nas listas dos apóstolos (Mc 3,18; Lc 6,15; At 1,13). Por isso, deve ser o próprio evangelista a indicar aqui o seu nome.

    “E diz-lhe: ‘Segue-me’“ (8,22; Lc 9,9). Ao contrário dos judeus, entre os quais, até hoje, é o discípulo que escolhe o rabino, é Jesus quem chama os seus discípulos, tal como Elias chamou Eliseu, por mandato divino, no meio do seu trabalho, no seio da própria vida (1Rs 19,19s). Diversamente dos rabinos, que só aceitavam como discípulos pessoas virtuosas, que gozassem de boa fama, Jesus escolhe e chama também gente simples, sem instrução, e pecadores.

    “E [ele] levantando-se”. “Levantando-se” (gr. anastás) é uma forma verbal que evoca a ressurreição (Mc 16,9). Indica a prontidão para deixar a vida anterior e iniciar uma vida nova, percorrendo o caminho que Deus lhe aponta em Jesus (cf. Gn 22,3; 24,54; 32,23; Js 1,2 LXX; 2Rs 1,3; At 10,20).

    “Seguiu-o”: o verbo “seguir” (gr. akolouthéô, Mt: 24x) traduz a ação de “ir atrás” (4,19s. 22). Define a atitude do discípulo que aceita ligar-se pessoalmente ao seu “mestre”, a fim de escutar o seu ensino e de lhe obedecer (8,22s; Jt 2,3), caminhando atrás dele, para imitar os seus gestos e aprender o seu estilo de vida.

    Mateus responde logo, sem objeções, nem pedidos de esclarecimento, e “levantando-se”, larga a coletoria de impostos, a sua fonte de rendimentos, e segue Jesus, deixando tudo para viver numa adesão plena, total e radical ao Mestre. O seguimento de Jesus exige rutura.

  • v. 10. E aconteceu que estando ele em casa, reclinado à mesa, eis que muitos publicanos e pecadores vieram reclinar-se à mesa com Jesus e com os seus discípulos.

    Mateus celebra o encontro com Jesus, que transformou a sua vida, com um banquete em “casa” (a sua: Lc 5,29), ou seja, no seio da sua própria família.

    "Reclinado à mesa": esta nota indica que se trata dum banquete. Geralmente comia-se sentado (15,35). Nos banquetes, porém, os convivas comiam, à boa maneira romana, reclinados sobre poltronas dispostas à volta da mesa. Em geral, o banquete era feito à noite. O banquete era para os judeus o lugar do encontro, da fraternidade e da amizade. Reclinar-se à mesa com uma pessoa significava estabelecer laços profundos, íntimos e familiares de comunhão com ela. Por isso, o “banquete” é, para Jesus, o símbolo por excelência do Reino dos céus (8,11; 22,1-14).

    Mateus convida para o banquete que então oferece (cf. 1Rs 19,21) não só Jesus e os seus discípulos, como também os seus colegas e amigos, “publicanos e pecadores” (11,19) como ele, ou seja, "pecadores" notórios que não podiam ser chamados como juízes ou testemunhas em tribunal (mSanh 3,3bSanh 25b: eram incluídos também nesta categoria, além dos cobradores de impostos, os pastores, os jogadores, os usurários, os ladrões e os violentos) e que eram rotulados pelos rabinos como sendo pessoas impuras e chamados idólatras (Midr GnR 41), sendo, por isso, marginalizados por todos.

    Note-se a transformação: Mateus, mal é chamado por Jesus, torna-se seu mensageiro (e, pouco depois, apóstolo), indo em primeiro lugar aos que, como ele, andavam perdidos (cf. 10,6), começando a seguir, logo desde o início, o exemplo do Mestre.

    Jesus, por sua vez, ao reclinar-se à mesa com os publicanos e os pecadores mostra que veio trazer a salvação a todos, sem exceção, e que todos têm lugar no Reino de Deus. A única condição para se sentar com Ele à mesa é aderir com fé à Sua palavra e aceitar a sua oferta de salvação.

  • v. 11. Ao verem isto, os fariseus diziam aos discípulos dele: «Por que razão come o vosso Mestre com os publicanos e os pecadores?»

    Os fariseus (he. perushim, “separados”), descendentes dos hassidim (he. “piedosos”: 1Ma 2,42; 2Ma 14,6), viviam separados dos gentios, tendo proibido a comunhão de mesa com eles, pois isso significava para eles contaminar-se, tornando-se impuros (cf. Lv 10,10; Ez 22,26; 44,23). Tinham elaborado mais de 500 preceitos de pureza legal, que eram rigorosamente observados pelos judeus, quer de Israel (At 10,28), quer na Diáspora (At 15,20s).

    Por isso, “ao verem” Jesus comer com os pecadores – porque não estavam à mesa, mas observavam o que Jesus fazia, notando que isso era interdito aos discípulos (bBer 43b Bar: Str-B 1,498s) –, com medo de enfrentar Jesus, que desdenham (11,19p), perguntam aos discípulos, em tom de censura, porque é que o seu Mestre come com eles. Trata-se dum problema que persistiu mais tarde em certos grupos judeo-cristãos que não queriam comer à mesa com os cristãos provindos da gentilidade (Gl 2,12). Mateus recorda-lhes que Jesus comia com todos na mesma casa e na mesma mesa.

  • v. 12. Ele, porém, ouvindo, disse: «Não são os fortes que precisam de médico, mas os que têm algum mal.

    Ao ouvir os fariseus, Jesus intervém em defesa dos seus discípulos. Responde com dois argumentos. O primeiro é um provérbio da sabedoria popular: “Não são os fortes que precisam de médico, mas os que têm algum mal”. “Os fortes” são “os sãos” (Lc 5,31), “que estão cheios de vigor” (cf. Ez 34,16); ao invés, “os que têm algum mal” (4,24; 8,16; 14,35; Ez 34,4!) são os enfermos (lat. infirmus, "não firme", "fraco", "débil") e os doentes (ibid.; 4,23; 8,17; 9,35; 10,1.8).

    Jesus introduz aqui uma oposição ("forte – ter males") que só irá esclarecer no final do próximo versículo. Ela permite-lhe apresentar-se como o médico divino que vai ao encontro dos enfermos e não tem medo de tocar a impureza da humanidade frágil e pecadora, carregada de toda a espécie de males, que eles representam, a fim de lhe levar a salvação, tornando presente na sua vida, por palavras e obras, o Reino de Deus.

  • v. 13. Ide e aprendei o que significa: “Misericórdia quero e não sacrifício”; com efeito, não vim chamar justos, mas pecadores».

    O segundo argumento é uma frase bíblica, retirada do profeta Oseias: “Misericórdia quero e não sacrifício” (12,7; Os 6,6). Mateus escreve para cristãos provindos do judaísmo que conheciam as Sagradas Escrituras e sabiam que a menção duma frase evocava toda a passagem da qual fazia parte. Os fariseus presumiam conhecer “o caminho” (he. Halakhá, “o caminho que há que seguir”) de Deus e a sua vontade, pretendendo ser justos por se aterem às regras da pureza legal. Mas Jesus replica-lhes: “Ide” (11,4; 28,19) “e aprendei” (11,29; Is 1,17; 26,9), apontando-lhes o caminho da verdadeira justiça e do real conhecimento de Deus, a misericórdia (Mq 6,8 LXX), mostrando que só é puro diante de Deus quem a põe em prática.

    “Com efeito, não vim chamar justos, mas pecadores” (Lc 15,2; 19,7). Os fariseus consideravam-se justos, puros e bons, os únicos que realmente cumpriam a Lei. Mas Jesus, apelando à tradição profética, diz que “justos” não são os que estão satisfeitos consigo mesmos, mas os que praticam a misericórdia (23,23.26). Esta é mais importante do que a pureza legal e vale mais que todos os sacrifícios (cf. Os 6,6; Is 1,10-17). Por isso, Jesus, como bom pastor, vem em primeiro lugar para “as ovelhas perdidas” (10,6; Ez 34,4), porque, tal como Deus, não quer “a morte do ímpio, mas antes que se converta e viva” (Ez 18,23).

    Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz, no segredo...

 

2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)

      a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
      d) Partilha… e) Que frase reter? f) Como a vou/vamos pôr em prática?

  • Respondo a Deus de forma pronta, decidida, radical e plena? O Reino é, para mim, a opção fundamental? Ou é um projeto secundário?

  • Na sociedade e nas nossas comunidades, quem é o marginalizado e excluído? Que desafio nos lança hoje Jesus?

  • Jesus manda o povo ler e entender o AT que diz: "Misericórdia quero e não sacrifício". Que quer Ele dizer com isto, a nós, hoje?

 

3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)

4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela me inflame o coração)  

Salmo responsorial                                Sl 50,1.8.12-13.14-15 (R. 23b)

Refrão: A quem procede retamente, farei ver a salvação de Deus.

Falou o Senhor, Deus soberano,
e convocou a terra, do Oriente ao Ocidente:
«Não é pelos sacrifícios que Eu te repreendo:
os teus holocaustos estão sempre na minha presença.     R.

Se tivesse fome, não to diria,
porque meu é o mundo e tudo o que nele existe.
Comerei porventura as carnes dos touros
ou beberei o sangue dos cabritos?     R.

Oferece a Deus sacrifícios de louvor
e cumpre os votos feitos ao Altíssimo.
Invoca-Me no dia da tribulação:
Eu te livrarei e tu Me darás glória».     R.


Pai-nosso…

Oração conclusiva:

Senhor nosso Deus, fonte de todo o bem, ensinai-nos com a vossa inspiração a pensar o que é reto e ajudai-nos com a vossa providência a pô-lo em prática. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.

Ave-Maria...

Bênção final. Despedida.

5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida, unidos a Cristo e unidos em Cristo)

Fr. Pedro Bravo, O.Carm.

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 Folheto LD

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