11º Domingo do Tempo comum, ano A – 14 de junho de 2026

Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:

A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.

A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.
 

1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)

Leitura do Evangelho segundo S. Mateus (9,36-10,8)

9,36Ao ver as multidões, Jesus encheu-se de compaixão delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. 37Diz, então, aos seus discípulos: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38Pedi, pois, ao Senhor da messe que mande trabalhadores para a sua messe». 10,1E chamando a Si os seus doze discípulos, deu-lhes autoridade sobre os espíritos impuros, para os expulsarem e curarem toda a espécie de doenças e enfermidades. 2São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e o seu irmão André; Tiago, filho de Zebedeu, e o seu irmão João; 3Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, aquele que o entregou. 5Jesus enviou estes doze, ordenando-lhes e dizendo-lhes: «Não tomeis o caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos; 6ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel. 7Indo, pregai, dizendo: “Está próximo o Reino dos céus”. 8Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expulsai demónios. De graça recebestes, de graça dai».

Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:

Depois de ter apresentado Jesus (1,1-4,22) e o ter mostrado a anunciar o Reino por palavras e obras (4,23-9,35), Mateus termina a terceira secção do seu Evangelho com o “discurso missionário” (9,36-11,1), o segundo dos cinco discursos de Jesus. O texto de hoje reúne o preâmbulo (9,36ss), o chamamento dos doze (10,1-4) e o seu envio em missão (vv. 5-8).

  • v. 36. Ao ver as multidões, Jesus encheu-se de compaixão delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor.

    Preâmbulo (9,36-38). “Ao ver as multidões”: 5,1. “Ao ver” (gr. idôn, “vendo”): a expressão evoca Ex 3,7, onde Deus diz a Moisés: “Vendo, vi a aflição do meu povo”. Jesus é o novo Moisés, melhor, o novo Josué (he. “Deus salva”), o próprio Deus salvador que, enviando os seus discípulos, dirige o novo êxodo, conduzindo, primeiro o seu povo e, depois, a humanidade, da escravidão do Egito do pecado para a introduzir na liberdade do Reino dos céus. E tal como Jesus, desde o princípio, se dirige a todo o tipo de pessoas, também o farão os seus apóstolos.

    “Jesus encheu-se de compaixão delas” (gr. splanchnízomai: Mt, 5x: 14,14p; 15,32p; 20,34p; Mc 1,41p; Fl 2,1), numa comoção profunda, irreprimível, de afeto, amor e compaixão. É do amor compassivo de Jesus que brota a sua missão e a missão dos apóstolos (cf. 2Cor 5,14; 6,11s; Fl 1,8; Fm 1,12).

    “Porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor” (v. 6; cf. 26,31p; Nm 27,17; 1Rs 22,17; Jdt 11,19; 2Cr 18,16; Zc 10,2). “Pastor” designa aqui os chefes religiosos do povo de Deus. Tendo contemplado a Terra prometida, Moisés pediu a Deus um sucessor que nela introduzisse e guiasse o Seu povo, para que não fossem “como ovelhas sem pastor” (Nm 27,17). Deus designou então Josué (gr. Jesus). Porém, após eles houve sempre chefes que não foram bons pastores, nem cuidaram do rebanho, mas antes o oprimiram e exploraram (Ez 34,5). E o povo, abandonado, andava “cansado” (lit. “esfolado”), “abatido” (lit. “prostrado”) e desgarrado, como ovelhas sem pastor (Is 53,6). Jesus é o Messias-pastor, prometido por Deus, que cumpre as Suas expetativas (Ez 34,11-16.22-24; 1Pd 2,25).

  • v. 37. Diz, então, aos seus discípulos: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos.

    vv. 37-38: Lc 10,2; Jo 4,35.

    A “messe” (gr. therismós: “colheita”; “ceifa”) é uma imagem do juízo de Deus (3,12; 13,30.39; Is 18,5; Jr 13,24; Jl 4,13; Ap 14,15). Jesus põe assim em relevo a dimensão escatológica da sua missão. O julgamento de Deus já está em ação, porque o Reino dos céus já chegou (10,7), decidindo-se desde já a salvação e a condenação das pessoas através da aceitação ou rejeição do Evangelho (3,10; Mc 16,16; Jo 3,18; 1Cor 15,1s).

    Ao afirmar que “a messe é grande” Jesus diz que não há tempo a perder, pois, se nada se fizer, poderá arruinar-se a colheita (Jdt 2,27; Jr 5,17). De facto, há muitos que desejariam escutar a Palavra, mas podem perder-se, porque são poucos os que estão dispostos a partir para os ir evangelizar.

  • v. 38. Pedi, pois, ao Senhor da messe que mande trabalhadores para a sua messe».

    “Pedi ao Senhor da messe”: o “Senhor da messe” é Deus (1Cor 3,4-7), e não os apóstolos, a quem a grei é confiada (At 20,28; 1Pd 5,3).

    “Que envie trabalhadores (10,10; 20,1; 2Cor 11,13; 1Tm 5,18; 2Tm 2,15) para a sua messe”. Jesus destaca a importância da oração, porque: 1) é preciso pedir ao Pai “enviados” (Rm 10,15), para que Jesus possa chegar a todos; 2) é da oração que parte a missão (At 6,4), pois só assim ela poderá ser levada a cabo à luz, sob a direção e com o poder de Jesus.

  • 10,1. E chamando a Si os seus doze discípulos, deu-lhes autoridade sobre os espíritos impuros, para os expulsarem e curarem toda a espécie de doenças e enfermidades.

    vv. 1-15: Mc 3,13-19; 6,7-13; Lc 6,13-16; 9,1-6.

    “O discurso missionário de Jesus” – o segundo dos cinco discurso de Jesus no Evangelho de S. Mateus – começa com o chamamento dos doze (vv. 1-4). Jesus escolhe doze (Mt, 9x) entre os seus discípulos. São tantos como as tribos de Israel (19,28; Gn 49,28), porque é a partir deles que se formará o novo Povo de Deus, a Igreja.

    Jesus dá-lhes a sua própria autoridade divina (gr. exousía, lat. potestas: Mc 3,15; Lc 9,1; Mt, 10x: 7,29; 9,6.8; Dn 7,27) sobre o mal, o pecado e a morte, significados pelos “espíritos impuros” (12,43; Zc 13,2) e por “toda a espécie de doenças e enfermidades” (4,23; 9,35; Is 53,3), consideradas consequência do pecado (Dt 28,61; 7,15; cf. Ex 15,26) e atribuídas aos demónios. Os Doze são os continuadores da missão de Jesus (10,8), sendo para tal dotados por Jesus da sua mesma autoridade (28,18).

  • vv. 2-4. 2São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e o seu irmão André; Tiago, filho de Zebedeu, e o seu irmão João; 3Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, aquele que o entregou.

    Estes doze discípulos são chamados “apóstolos” (Lc 6,13), termo grego que significa “enviados” (v. 5; he. shelihim). No NT há diversas listas com os seus nomes (Mc 3,16-19; Lc 6,14-16; At 1,13), que apresentam diferenças, quer na ordem dos nomes, quer nos nomes. Em todas elas, porém, Pedro abre a lista e Judas Iscariotes fecha-a.

    Os apóstolos formam três grupos de quatro apóstolos cada (3x4; 3 = Deus + 4 = terra => 12, missão divina destinada a toda a terra), aqui dispostos dois a dois (cf. Mc 6,7), sendo o primeiro grupo encabeçado por Pedro, o segundo por Filipe e o terceiro por Tiago, (filho) de Alfeu. O primeiro grupo é o dos primeiros chamados (4,18.21; Jo 1,37-42), do qual fazem parte os três amigos íntimos de Jesus (17,1p); o segundo, parece ser mais dirigido aos gregos e o terceiro aos judeo-cristãos.

    Grande parte dos nomes dos doze vêm do AT. Sete deles têm um nome vindo da época dos patriarcas: dois chamam-se Tiago (he. Jacob); dois, Simão (ou Simeão: Simão, o Cananeu, e Simão, o Zelota: Lc 6,15; At 1,13); dois, Judas (Judá) e um Levi (“Mateus, o publicano”: 9,9: Mc 2,14p), três nomes de filhos de Jacob. Só André e Filipe (Jo 1,40; 12,22) têm nome grego. Tadeu é Judas (Lc 6,16) e Bartolomeu, Natanael (Jo 1,45).

    Os quatro primeiros apóstolos são dois pares de irmãos. Jesus revela assim o Seu desígnio: congregar o novo Povo de Deus, o novo Israel (cf. 8,11; 19,28; Gl 6,16), cujo fundamento é a fraternidade e onde todos são irmãos (cf. 23,8).

  • v. 5. Jesus enviou estes doze, ordenando-lhes e dizendo-lhes: «Não tomeis o caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos.

    Envio e missão dos doze (vv. 5-8). Jesus “chamou” os doze (v. 1) para os “enviar” (gr. apostéllo). Jesus começa por definir o âmbito da missão dos doze e lhes indicar os destinatários: são os mesmos de Jesus. É a sua primeira ida em missão. Ainda não chegou a hora de ir ao encontro “dos gentios” (At 13,46), nem dos “samaritanos” (Lc 9,52s). A abertura aos gentios só acontecerá mais tarde, com a filha da cananeia (15,21-29), e a ida ao encontro de todos, após a ressurreição de Jesus (28,1) e o Pentecostes (At 1,8).

  • v. 6. Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel.

    “As ovelhas perdidas (gr. apolôlóta) da casa de Israel” (18,12ss; Jr 50,6; Ez 34,4.16!), são as pessoas mais perdidas e destruídas do povo de Deus. Há que tomar a iniciativa e ir em primeiro lugar ao seu encontro destas pessoas, seguindo os passos e imitando o exemplo do Mestre (15,24).

  • v. 7. Indo, pregai, dizendo: “Está próximo o Reino dos céus”.

    É “indo” (gr. poreuómenoi), seguindo o caminho de Deus (3,3; 7,13s; 11,10; 21,32; 22,16), apontado por Jesus, que os discípulos se cruzarão com os homens. Não há nenhum caminho que não possa levar a Jesus, mesmo os becos que humanamente não parecem ter saída (cf. 22,9s; 13,4.19; 20,30).

    Em seguida, Jesus transmite-lhes o querigma: “pregai, dizendo: ‘Está próximo o Reino dos céus’” (3,2p; 4,17p). É o anúncio da proximidade do Reino dos céus, de Deus que quer vir morar no homem e reinar nele, para o fazer viver nele (28,19). Para isso é necessário o arrependimento (gr. metánoia) e a adesão do homem à vontade de Deus pela fé no Evangelho (Mc 6,12; At 26,20). O Reino não é conquista nem fruto do esforço humano, mas é um dom de Deus; ele já está aí, presente em Jesus.

  • v. 8. Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expulsai demónios. De graça recebestes, de graça dai».

    Evangelizar é anunciar o Reino não só por palavras, pregando, mas também fazer o Reino acontecer, através de “sinais” da presença e ação salvífica de Deus no meio dos homens.

    Estes não são realizados de forma global, mas pessoal, para o bem de pessoas concretas. Jesus não diz: “curai os enfermos, expulsai os demónios”, mas: “curai enfermos, expulsai demónios”.

    Os sinais serão feitos “em nome” de Jesus (7,22), pelo poder do Espírito Santo (cf. 12,28). São os mesmos sinais que Jesus faz (4,23s; 8,16; 9,35; 12,15.22; 14,14; 15,30; 17,18; 19,2; 21,14; Mc 16,17; At 9,34.40), tal como “ressuscitar mortos” (9,25) e “purificar leprosos” (8,2). Tais sinais atestam que Jesus é o Messias (11,5; 15,30s; Is 35,6) e que o Reino de Deus já chegou (12,28).

    Os “demónios” (9,33; 11,18) não designam “o diabo e os seus anjos” (25,41; 4,1.5.8. 11; 13,39), mas eram tidos pela medicina da época como a causa de todas as enfermidades, físicas ou psiquiátricas, que subjugavam o homem (cf. v. 1).

    “De graça recebestes, de graça dai” (cf. 2Rs 5,16; At 8,20; 20,33; 1Cor 9,14-18; 1Pd 5,2). Só evangeliza realmente quem primeiro foi tocado por Jesus e experimentou o seu amor, misericórdia e salvação. A evangelização não se destina a ganhar dinheiro, angariar fundos ou satisfazer necessidades pessoais, mas a levar a salvação aos que dela precisam e por ela anseiam, mesmo aos que nada podem dar em troca (cf. Lc 14,12ss.21ss).

    Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...

 

2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)

     a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
     d) Partilha e) Que frase reter? f) Como a vou / vamos pôr em prática?

  • Neste mundo há tanta gente cansada, faminta e oprimida. Tenho/temos a mesma compaixão de Jesus para com ela? Como estendê-la a ela?

  • Que faço e posso fazer para anunciar a Boa nova, difundir o Reino de Deus e edificá-lo com a mesma compaixão e poder de Jesus?


3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)
 

4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela inflame o coração)

Salmo responsorial                                                    Sl 100,2.3.5 (R. 3c)

Refrão: Nós somos o povo de Deus, as ovelhas do seu rebanho.

Aclamai o Senhor, terra inteira,
servi o Senhor com alegria,
vinde a Ele com cânticos de júbilo.     R.

Sabei que o Senhor é Deus,
Ele nos fez, a Ele pertencemos,
somos o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.     R.

Porque o Senhor é bom,
eterna é a sua misericórdia,
a sua fidelidade estende-se de geração em geração.     R.

Pai-nosso… 

Oração conclusiva:

Senhor, nosso Deus, fonte de todo o bem, ensinai-nos com a vossa inspiração a pensar o que é reto e ajudai-nos com a vossa providência a pô-lo em prática. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.

Ave-Maria...
 

Bênção final. Despedida.

5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida)

Fr. Pedro Bravo, O.Carm.

file document

 Folheto LD