Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:
A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.
A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.
1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)
Leitura do Evangelho segundo S. Mateus (9,36-10,8)
9,36Ao ver as multidões, Jesus encheu-se de compaixão delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. 37Diz, então, aos seus discípulos: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38Pedi, pois, ao Senhor da messe que mande trabalhadores para a sua messe». 10,1E chamando a Si os seus doze discípulos, deu-lhes autoridade sobre os espíritos impuros, para os expulsarem e curarem toda a espécie de doenças e enfermidades. 2São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e o seu irmão André; Tiago, filho de Zebedeu, e o seu irmão João; 3Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, aquele que o entregou. 5Jesus enviou estes doze, ordenando-lhes e dizendo-lhes: «Não tomeis o caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos; 6ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel. 7Indo, pregai, dizendo: “Está próximo o Reino dos céus”. 8Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expulsai demónios. De graça recebestes, de graça dai».
Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:
Depois de ter apresentado Jesus (1,1-4,22) e o ter mostrado a anunciar o Reino por palavras e obras (4,23-9,35), Mateus termina a terceira secção do seu Evangelho com o “discurso missionário” (9,36-11,1), o segundo dos cinco discursos de Jesus. O texto de hoje reúne o preâmbulo (9,36ss), o chamamento dos doze (10,1-4) e o seu envio em missão (vv. 5-8).
- v. 36. Ao ver as multidões, Jesus encheu-se de compaixão delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor.
Preâmbulo (9,36-38). “Ao ver” (gr. idôn, “vendo”): a expressão evoca Ex 3,7, onde Deus diz a Moisés: “Vendo, vi a aflição do meu povo”.
“As multidões”: 5,1. O substantivo está no plural (13,36; 14,15.19.22-23; 15,39; 21,46; 27,20), indicando que se trata dum grande número de pessoas que ali estão congregadas, acorrendo não só de Israel, mas também de diversas proveniências (4,25; cf. Dn 3,4; 2Ma 14,23).
“Jesus encheu-se de compaixão delas” (gr. splanchnízomai: Mt, 5x: 14,14p; 15,32p; 20,34p; Mc 1,41p; Fl 2,1), numa comoção profunda, irreprimível, composta de proximidade, afeto, amor, simpatia e compaixão. É deste amor compassivo de Jesus que brota a sua missão e a missão dos apóstolos (cf. 2Cor 5,14; 6,11s; Fl 1,8; Fm 1,12).
“Porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor” (v. 6; cf. 26,31p; Nm 27,17; 1Rs 22,17; Jdt 11,19; 2Cr 18,16; Zc 10,2). “Pastor” designa no AT os chefes do povo de Deus, neste caso, os chefes religiosos. Tendo contemplado a Terra prometida, Moisés pediu a Deus um sucessor que nela introduzisse e guiasse o Seu povo, para que não fossem “como ovelhas sem pastor” (Nm 27,17). Deus designou então Josué (he., "Deus salva"; gr. Iessous, ou seja: Jesus!), "homem em quem está o Espírito" (Nm 27,18). Depois deles vieram outros chefes que, porém, nem sempre foram bons pastores, nem souberam cuidar do rebanho, o povo, mas antes o oprimiram e exploraram (Ez 34,5). E o povo, abandonado a si mesmo, andava “cansado” (lit. “esfolado”), “abatido” (lit. “prostrado”), desgarrado, como ovelhas sem pastor. Deus prometeu então que Ele mesmo haveria de apascentar o seu povo (Ez 34,11-16), e suscitar um Messias-pastor, que as apascentaria com justiça (Ez 34,22-31).
Jesus é o novo Moisés; mais, o novo Josué; melhor ainda, o Deus connosco (1,23; Ez 34,30 TM!), o Deus-Messias-Pastor, que cumpre todas as expetativas de Deus e dos homens, o Pastor e Bispo das almas (1Pd 2,25) que vem ao encontro dos homens, para salvar a humanidade, que anda errante (Is 53,6), dirigindo pessoalmente, através dos seus discípulos, o novo êxodo, arrancando, primeiro o seu povo e, depois, a humanidade, da escravidão do pecado, para depois, a conduzir através do deserto desta vida e a introduzir na verdadeira terra prometida, na liberdade dos filhos de Deus, no Reino dos céus. E tal como Jesus se dirige agora a todo o tipo de pessoas, também o farão, mais tarde, os seus apóstolos e discípulos.
Entretanto, ao olhar para as multidões, Jesus não contempla apenas uma massa anónima de pessoas, mas, como bom "pastor" que conhece as suas ovelhas e as chama pelo nome (cf. Jo 10,3-4.14-16), Ele "vê" histórias únicas, marcadas por alegrias e esperanças, dores e angústias, sonhos e desejos, cansaços e expetativas, êxitos e frustrações, busca e necessidade. E ama cada uma delas de forma pessoal, em particular. Para Ele ninguém é apenas mais um número, mas antes uma pessoa concreta, sedenta de amor, onde Deus quer continuar a escrever a história da salvação.
- v. 37. Diz, então, aos seus discípulos: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos.
vv. 37-38: Lc 10,2; Jo 4,35.
A “messe” (gr. therismós: “colheita”; “ceifa”) é uma imagem do juízo de Deus (3,12; 13,30.39; Is 18,5; Jr 13,24; Jl 4,13; Ap 14,15). Jesus põe assim em relevo a dimensão escatológica da sua missão. O julgamento de Deus já está em ação, porque o Reino dos céus já chegou (10,7), decidindo-se desde já a salvação e a condenação das pessoas através da aceitação ou rejeição do Evangelho (3,10; Mc 16,16; Jo 3,18; 1Cor 15,1s).
Ao afirmar que “a messe é grande” Jesus diz que não há tempo a perder, pois, se nada se fizer, poderá arruinar-se a colheita (Jdt 2,27; Jr 5,17). De facto, há muitos que desejariam escutar a Palavra, mas podem perder-se, porque são poucos os que estão dispostos a partir para os ir evangelizar.
- v. 38. Pedi, pois, ao Senhor da messe que mande trabalhadores para a sua messe».
“Pedi ao Senhor da messe”: o “Senhor da messe” é Deus (1Cor 3,4-7), e não os apóstolos, a quem a grei é confiada (At 20,28; 1Pd 5,3).
“Que envie trabalhadores (10,10; 20,1; 2Cor 11,13; 1Tm 5,18; 2Tm 2,15) para a sua messe”. Jesus destaca a importância da oração, porque: 1) é preciso pedir ao Pai “enviados” (Rm 10,15), para que Jesus possa chegar a todos; 2) é da oração que parte a missão (At 6,4), pois só assim ela poderá ser levada a cabo à luz, sob a direção e com o poder de Jesus.
- 10,1. E chamando a Si os seus doze discípulos, deu-lhes autoridade sobre os espíritos impuros, para os expulsarem e curarem toda a espécie de doenças e enfermidades.
vv. 1-15: Mc 3,13-19; 6,7-13; Lc 6,13-16; 9,1-6.
“O discurso missionário de Jesus” – o segundo dos cinco discurso de Jesus no Evangelho de S. Mateus – começa com o chamamento dos doze (vv. 1-4). Jesus escolhe doze (Mt, 9x) entre os seus discípulos. São tantos como as tribos de Israel (19,28; Gn 49,28), porque é a partir deles que se formará o novo Povo de Deus, a Igreja.
Jesus dá-lhes a sua própria autoridade divina (gr. exousía, lat. potestas: Mc 3,15; Lc 9,1; Mt, 10x: 7,29; 9,6.8; Dn 7,27) sobre o mal, o pecado e a morte, significados pelos “espíritos impuros” (12,43; Zc 13,2) e por “toda a espécie de doenças e enfermidades” (4,23; 9,35; Is 53,3), consideradas consequência do pecado (Dt 28,61; 7,15; cf. Ex 15,26) e atribuídas aos demónios. Os Doze são os continuadores da missão de Jesus (10,8), sendo para tal dotados por Jesus da sua mesma autoridade (28,18).
- v. 2. São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e o seu irmão André; Tiago, filho de Zebedeu, e o seu irmão João;
- v. 3. Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu;
- v. 4. Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, aquele que o entregou.
Estes doze discípulos são chamados “apóstolos” (Lc 6,13), termo grego que significa “enviados” (v. 5; he. shelihim). No NT há diversas listas com os seus nomes (Mc 3,16-19; Lc 6,14-16; At 1,13), que apresentam diferenças, quer na ordem dos nomes, quer nos nomes. Em todas elas, porém, Pedro abre a lista e Judas Iscariotes fecha-a.
Os apóstolos formam três grupos de quatro apóstolos cada (3x4; 3 = Deus + 4 = terra => 12, missão divina destinada a toda a terra), aqui dispostos dois a dois (cf. Mc 6,7), sendo o primeiro grupo encabeçado por Pedro, o segundo por Filipe e o terceiro por Tiago, (filho) de Alfeu. O primeiro grupo é o dos primeiros chamados (4,18.21; Jo 1,37-42), do qual fazem parte os três amigos íntimos de Jesus (17,1p); o segundo, parece ser mais dirigido aos gregos e o terceiro aos judeo-cristãos.
Grande parte dos nomes dos doze vêm do AT. Sete deles têm um nome vindo da época dos patriarcas: dois chamam-se Tiago (he. Jacob); dois, Simão (ou Simeão: Simão, o Cananeu, e Simão, o Zelota: Lc 6,15; At 1,13); dois, Judas (Judá) e um Levi (“Mateus, o publicano”: 9,9: Mc 2,14p), três nomes de filhos de Jacob. Só André e Filipe (Jo 1,40; 12,22) têm nome grego. Tadeu é Judas (Lc 6,16) e Bartolomeu, Natanael (Jo 1,45).
Os quatro primeiros apóstolos são dois pares de irmãos. Jesus revela assim o Seu desígnio: congregar o novo Povo de Deus, o novo Israel (cf. 8,11; 19,28; Gl 6,16), cujo fundamento é a fraternidade e onde todos são irmãos (cf. 23,8).
- v. 5. Jesus enviou estes doze, ordenando-lhes e dizendo-lhes: «Não tomeis o caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos.
Envio e missão dos doze (vv. 5-8). Jesus “chamou” os doze (v. 1) para os “enviar” (gr. apostéllo). Jesus começa por definir o âmbito da missão dos doze e lhes indicar os destinatários: são os mesmos de Jesus. É a sua primeira ida em missão. Ainda não chegou a hora de ir ao encontro “dos gentios” (At 13,46), nem dos “samaritanos” (Lc 9,52s). A abertura aos gentios só acontecerá mais tarde, com a filha da cananeia (15,21-29), e a ida ao encontro de todos, após a ressurreição de Jesus (28,1) e o Pentecostes (At 1,8).
- v. 6. Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel.
“As ovelhas perdidas (gr. apolôlóta) da casa de Israel” (18,12ss; Jr 50,6; Ez 34,4.16!), são as pessoas mais perdidas e destruídas do povo de Deus. Há que tomar a iniciativa e ir em primeiro lugar ao seu encontro destas pessoas, seguindo os passos e imitando o exemplo do Mestre (15,24).
- v. 7. Indo, pregai, dizendo: “Está próximo o Reino dos céus”.
É “indo” (gr. poreuómenoi), seguindo o caminho de Deus (3,3; 7,13s; 11,10; 21,32; 22,16), apontado por Jesus, que os discípulos se cruzarão com os homens. Não há nenhum caminho que não possa levar a Jesus, mesmo os becos que humanamente não parecem ter saída (cf. 22,9s; 13,4.19; 20,30).
Em seguida, Jesus transmite-lhes o querigma: “pregai, dizendo: ‘Está próximo o Reino dos céus’” (3,2p; 4,17p). É o anúncio da proximidade do Reino dos céus, de Deus que quer vir morar no homem e reinar nele, para o fazer viver nele (28,19). Para isso é necessário o arrependimento (gr. metánoia) e a adesão do homem à vontade de Deus pela fé no Evangelho (Mc 6,12; At 26,20). O Reino não é conquista nem fruto do esforço humano, mas é um dom de Deus; ele já está aí, presente em Jesus.
- v. 8. Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expulsai demónios. De graça recebestes, de graça dai».
Evangelizar é anunciar o Reino não só por palavras, pregando, mas também fazer o Reino acontecer, através de “sinais” da presença e ação salvífica de Deus no meio dos homens.
Estes não são realizados de forma global, mas pessoal, para o bem de pessoas concretas. Jesus não diz: “curai os enfermos, expulsai os demónios”, mas: “curai enfermos, expulsai demónios”.
Os sinais serão feitos “em nome” de Jesus (7,22), pelo poder do Espírito Santo (cf. 12,28). São os mesmos sinais que Jesus faz (4,23s; 8,16; 9,35; 12,15.22; 14,14; 15,30; 17,18; 19,2; 21,14; Mc 16,17; At 9,34.40), tal como “ressuscitar mortos” (9,25) e “purificar leprosos” (8,2). Tais sinais atestam que Jesus é o Messias (11,5; 15,30s; Is 35,6) e que o Reino de Deus já chegou (12,28).
Os “demónios” (9,33; 11,18) não designam “o diabo e os seus anjos” (25,41; 4,1.5.8. 11; 13,39), mas eram tidos pela medicina da época como a causa de todas as enfermidades, físicas ou psiquiátricas, que subjugavam o homem (cf. v. 1).
“De graça recebestes, de graça dai” (cf. 2Rs 5,16; At 8,20; 20,33; 1Cor 9,14-18; 1Pd 5,2). Só evangeliza realmente quem primeiro foi tocado por Jesus e experimentou o seu amor, misericórdia e salvação. A evangelização não se destina a ganhar dinheiro, angariar fundos ou satisfazer necessidades pessoais, mas a levar a salvação aos que dela precisam e por ela anseiam, mesmo aos que nada podem dar em troca (cf. Lc 14,12ss.21ss).
Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...
2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)
a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
d) Partilha... e) Que frase reter? f) Como a vou / vamos pôr em prática?
- Neste mundo há tanta gente cansada, faminta e oprimida. Tenho/temos a mesma compaixão de Jesus para com ela? Como estendê-la a ela?
- Que faço e que posso fazer para anunciar a Boa nova, difundir o Reino de Deus e edificá-lo com a mesma compaixão e poder de Jesus?
3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)
4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela inflame o coração)
Salmo responsorial Sl 100,2.3.5 (R. 3c)
Refrão: Nós somos o povo de Deus, as ovelhas do seu rebanho.
Aclamai o Senhor, terra inteira,
servi o Senhor com alegria,
vinde a Ele com cânticos de júbilo. R.
Sabei que o Senhor é Deus,
Ele nos fez, a Ele pertencemos,
somos o seu povo, as ovelhas do seu rebanho. R.
Porque o Senhor é bom,
eterna é a sua misericórdia,
a sua fidelidade estende-se de geração em geração. R.
Pai-nosso…
Oração conclusiva:
Senhor, nosso Deus, fonte de todo o bem, ensinai-nos com a vossa inspiração a pensar o que é reto e ajudai-nos com a vossa providência a pô-lo em prática. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.
Ave-Maria...
Bênção final. Despedida.
5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida)
Fr. Pedro Bravo, O.Carm.
![]()