Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:
A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.
A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.
1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)
Leitura do Evangelho segundo S. Mateus (15,21-28)
Naquele tempo, 15,21ao sair dali, Jesus retirou-Se para as partes de Tiro e de Sidónia. 22E eis que uma mulher cananeia, vinda daquela região, gritava, dizendo: «Tem misericórdia de mim, Senhor, Filho de David! A minha filha está horrivelmente endemoniada». 23Mas Ele não lhe respondeu palavra. Então, os seus discípulos aproximaram-se e pediam-lhe: «Manda-a embora, porque vem a gritar atrás de nós». 24Mas Ele respondeu: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel». 25Ela, porém, veio, prostrou-se diante dele e disse: «Senhor, ajuda-me». 26Mas Ele respondeu, dizendo: «Não está bem tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos». 27Ela, porém, disse: «Sim, Senhor; mas até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos». 28Então Jesus respondeu e disse-lhe: «Ó mulher, grande é a tua fé. Seja-te feito como queres». E a sua filha ficou curada a partir daquela hora.
Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:
- v. 21. Ao sair dali, Jesus retirou-Se para as partes de Tiro e de Sidónia.
vv. 21-28: Mc 7,24-30.
O texto de hoje, a cura da filha duma mulher cananeia, faz parte da secção narrativa (13,53-17,27) da quarta parte do Evangelho de Mateus: “A Igreja, primícias do Reino dos céus” (13,53-18,35). Nela, Jesus concentra-se na formação dos seus discípulos.
O episódio é precedido por um confronto entre Jesus e os fariseus e os doutores da Lei (vv. 1-9). A recusa por parte do seu povo, vai fazer com que Jesus “saia dali”, de Genesaré, onde se encontrava (14,34; Mc 6,53), transponha as fronteiras de Israel e vá para a zona costeira da província siro-fenícia do Líbano, “para os lados de Tiro e de Sidónia” (cf. Mc 3,8). Os seus discípulos acompanham-no.
- v. 22. E eis que uma mulher cananeia, vinda daquela região, gritava, dizendo: «Tem misericórdia de mim, Senhor, Filho de David! A minha filha está horrivelmente endemoniada».
Apresenta-se então diante de Jesus uma “mulher cananeia”. O apelativo “cananeu” (habitante de Canaã) designa no AT qualquer pessoa não judia, neste caso, uma mulher siro-fenícia, libanesa (Mc 7,26). O termo podia ter, no entanto, sentido pejorativo (cf. Ez 16,3). A Fenícia não era bem vista pelos judeus, pois de lá tinham vindo frequentemente exércitos inimigos, bem como influências religiosas nefastas, que tinham desviado Israel da fé em Deus para ir atrás dos ídolos (cf. 1Rs 16,31ss). Por isso, os judeus chamavam-nos “cães” (cf. v. 26), animal por eles considerado como sendo a mais desprezível, insolente e miserável criatura (mSot 9,15; ExR 9,73c; Midr Sl 4,14).
Detenhamo-nos nesta mulher. Ela impressiona ,antes de mais, pela sua fé (v. 28), humildade e o sofrimento que transparecem no seu “grito” (Mt, 12x): “Tem misericórdia” (gr. eléison: 9,27; 17,15; 20,31s), o pedido que ela fez é o que ainda hoje é repetido pela liturgia da Igreja, logo no início, no ato penitencial, mas também, nas Igrejas orientais, em cada uma das súplicas que se elevam a Deus ou dirigem a Jesus Cristo.
“De mim”: o apelo desta mulher vai no sentido de a sua filha – e, através dela, ela mesma, também, que sofre no mais fundo de si mesma, sem qualquer hipótese de defesa – beneficiar da salvação que Jesus traz.
As três intervenções da cananeia (vv. 25.27) evidenciam não só a sua ânsia de salvação, mas também a fé firme e convicta que a anima.
Ela invoca por três vezes Jesus como “Senhor” (gr. Kyrios, he. Adonai), o nome divino professado pela Igreja, mediante o qual se alcança a salvação (cf. Jl 3,5; At 2,21; Rm 10,13).
E intitula Jesus logo no princípio como “Filho de David” (9,27), reconhecendo-o como o Messias prometido por Deus a Israel.
A razão deste pedido é que a sua filha “está horrivelmente endemoniada”. O verbo daimonízomai (4,24; 8,16; etc.) aparece sete vezes em Mateus, sendo aqui a última vez que ocorre. Designa uma doença do foro físico ou psiquiátrico, de consequências nefastas e natureza vexatória.
- v. 23. Mas Ele não lhe respondeu palavra. Então, os seus discípulos aproximaram-se e pediam-lhe: «Manda-a embora, porque vem a gritar atrás de nós».
Em contrapartida, a atitude, à primeira vista, dura de Jesus surpreende. Ele prossegue, em silêncio, aparentemente insensível aos apelos desta mulher e nada importunado com os seus gritos. Mas os discípulos, que o seguem, como era habitual, à distância de nove metros e imediatamente atrás dos quais ela vai, sentem-se visivelmente incomodados e, a certa altura, “aproximam-se” dele e pedem-lhe: “Manda-a embora” (1,19; 14,15; 18,27; 27,15; cf. At 16,17s), ou seja, “atende-a quanto antes”, para ela finalmente deixar de vir atrás de nós, a gritar.
- v. 24. Mas Ele respondeu: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel».
Jesus persiste na sua atitude, lembrando-lhes simplesmente o sentido da sua missão: “Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” (10,6; Rm 15,8; cf. Jr 23,1; 50,6). Ao dizê-lo, acaba por reconhecer, porém, que é o Servo de Iavé (cf. Is 42,1-4), o Messias, “filho de David” (v. 22), o Bom Pastor (cf. Ez 34,4.16; 37,21-24), através do qual a palavra de Deus e a Sua salvação deverão chegar aos gentios, estendendo-se até aos confins da terra (12,18-21; Is 49,1-6).
- v. 25. Ela, porém, veio, prostrou-se diante dele e disse: «Senhor, ajuda-me».
Inabalável, a mulher lança-lhe um último e dramático apelo: “Senhor, ajuda-me” (cf. Is 50,9; Sl 54,6; 93,18). E “prostra-se” diante dele, num gesto de súplica e adoração, pondo Jesus perante um dilema: o triunfo da vida, que só dele vem, e a tirania implacável das cadeias da morte (cf. 8,2; 9,18).
- v. 26. Mas Ele respondeu, dizendo: «Não está bem tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos».
Mas Jesus responde de forma desconcertante: “Não está bem tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos” (cf. 7,6), dando a entender que, no plano divino, segundo a vontade do Pai, a salvação deverá ser levada primeiro aos judeus e só depois aos gentios (Rm 1,16). Apesar de tudo, abranda a dureza da linguagem judaica e chama afetuosamente os gentios “cachorrinhos”. Como entender esta atitude rude e insensível de Jesus?
Jesus age de forma pedagógica, evidenciando o sem sentido dos preconceitos judaicos contra os gentios. Ao endurecer a sua atitude face ao apelo que lhe era feito pela “cananeia” e demorando a responder-lhe, Jesus:
1) ajuda a mulher a descentrar-se de si mesma e do seu problema. Assim, no v. 22, a mulher fala primeiro de si; no v. 25, põe Jesus em primeiro lugar; e no v. 27 passa a ver as coisas a partir da palavra de Jesus, que aplica à sua própria vida;
2) com a espera que lhe impõe, Jesus “pro-voca” a fé da mulher, fazendo que, alimentada pela oração, expectativa e sequela d’Ele (cf. Jo 2,3), ela cresça e aumente o desejo da salvação, tornando-a maior, mais profunda e insistente, capaz de superar todo o preconceito étnico ou religioso;
3) Jesus sublinha que a salvação é um dom de Deus, um puro gesto do seu amor, gratuidade e misericórdia para com todos, em especial, para com os gentios (cf. Rm 11,30ss 15,7);
4) por último, Jesus mostra que o único modo dos gentios terem acesso a Ele e experimentarem a salvação será através da palavra e da intercessão (oração) dos seus discípulos (cf. Lc 18,7).
- v. 27. Ela, porém, disse: «Sim, Senhor; mas até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos».
A mulher compreende Jesus, dá-lhe razão e, com humildade, não ousa equiparar-se ao Povo eleito, o primeiro convidado a participar no banquete do Reino de Deus. Sabe distinguir com inteligência entre “o pão dos filhos” – o Senhor dos dons – e “as migalhas que caem da mesa dos seus donos” – os dons do Senhor. No entanto, faz valer também a Jesus a sua razão, mostrando-lhe o quão justa é, e pede a Jesus para ficar com algumas “migalhas” que caiam da mesa da sua misericórdia, reconhecendo que as curas por Ele operadas são apenas um “sinal” da verdadeira salvação, que, no fundo, só Ele é. Por isso insiste, diante de Jesus, pedindo-lhe que, entretanto, deixe a sua filha experimentar de algum modo esta salvação. É uma atitude que contrasta bem com a dos fariseus e dos doutores da Lei que rejeitaram, de forma categórica, a salvação que Jesus, em nome de Deus e no estrito cumprimento da Sua vontade, veio trazer a todos.
- v. 28. Então Jesus respondeu e disse-lhe: «Ó mulher, grande é a tua fé. Seja-te feito como queres». E a sua filha ficou curada a partir daquela hora.
Admirado com a resposta da mulher, Jesus finalmente cede, fornecendo-nos a chave de leitura deste episódio: “Ó mulher, grande é a tua fé”.
Jesus tinha criticado a fé pequena de Pedro (14,31) e dos seus discípulos (8,26; cf. 6,30; 16,8; 17,20), enquanto exaltou a fé dum estrangeiro (8,10) e doutros miraculados (cf. 9,2.22.28). Agora exalta a fé desta mulher, capaz de superar negações, adiamentos, preconceitos e o sentimento da sua própria indignidade.
Por isso, lhe declara: “Seja-te feito como queres”. “Seja feito” (8,13; 9,29) é uma palavra promissora (cf. 2Rs 2,9), criadora (Gn 1,3.6) e consoladora (Sl 119,76). Precisamente em razão da fidelidade de Jesus à missão que o Pai lhe confiou (6,10; 26,42) – fidelidade nascida da fé na promessa divina feita por Deus a Abraão (cf. Gn 15,6) –, a salvação prometida (Gn 12,3; 22,18; 26,4; Sl 72,17) chega a esta gentia, porque acreditou em Jesus e na sua Palavra, e aceitou a Sua missão, com uma fé maior que a do povo de Israel.
Em consequência, ela é atendida “e a sua filha ficou curada a partir daquela hora” (8,13; Jo 4,53).
Jesus mostra assim aos seus discípulos que através da fé nele deverão ser postas de lado todas as barreiras e observâncias judaicas que possam impedir os gentios que, através da palavra e do testemunho deles (cf. Jo 17,20; At 15,7-11.28s), irão acolher com fé a Sua Pessoa e palavra, que, embora cumprindo-as, vão muito além da lei e dos profetas. Por último, Jesus mostra que não há prece feita com fé e persistência, que, por impossível que pareça a situação, não possa ser atendida.
Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...
2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)
a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
d) Partilha… e) Que frase reter? f) Como a vou / vamos pôr em prática?
- O que é que está no centro da minha vida: Jesus e o Evangelho ou outra doutrina? Em que é que se fundamenta a minha fé: em ideias pessoais, ideologias ou na pessoa e na palavra de Jesus?
- Na prática, será que todos encontram em mim e na minha comunidade, a Igreja, um espaço de comunhão, de amor, de fraternidade que os acolhe, escuta e aceita todos tal como são? Homens e mulheres, casados e divorciados, pobres e ricos, instruídos e analfabetos, são todos acolhidos sem discriminações e convidados a pôr a render, para bem dos irmãos e da humanidade, os dons que Deus lhes deu?
- O que é que eu faço para que a minha comunidade cristã seja um espaço de fraternidade, onde todos se sintam acolhidos e amados?
3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)
4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela me inflame o coração)
Salmo responsorial Sl 67,2-3.5-6.8 (R. 4)
Refrão: Louvado sejais, Senhor, pelos povos de toda a terra.
Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção,
resplandeça sobre nós a luz do seu rosto.
Na terra se conhecerão os vossos caminhos
e entre os povos a vossa salvação. R.
Alegrem-se e exultem as nações,
porque julgais os povos com justiça
e governais as nações sobre a terra. R.
Os povos Vos louvem, ó Deus,
todos os povos Vos louvem.
Deus nos dê a sua bênção
e chegue o seu temor aos confins da terra. R.
Pai-nosso…
Oração conclusiva:
Senhor, nosso Deus, que preparastes bens invisíveis para aqueles que Vos amam, infundi em nós o vosso amor, para que, amando-Vos em tudo e acima de tudo, alcancemos as vossas promessas, que excedem todo o desejo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.
Ave-Maria...
Bênção final. Despedida.
5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida, unidos a Cristo e unidos em Cristo)
Fr. Pedro Bravo, O.Carm.
Folheto para fazer a LD em grupo