Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:
A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.
A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.
1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)
Leitura do Evangelho segundo S. Mateus (16,13-20)
Naquele tempo 16,13chegando à região de Cesareia de Filipe, Jesus perguntava aos seus discípulos, dizendo: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?» 14«Uns, que é João Baptista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou um dos profetas». 15Diz-lhes Ele: «Vós, porém, quem dizeis que Eu sou?» 16Respondendo, Simão Pedro disse: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo». 17Respondendo, Jesus disse-lhe: «Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas o meu Pai que está nos céus. 18Também Eu te digo: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. 19Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus». 20Ordenou então aos discípulos que a ninguém dissessem: “Ele é o Cristo”.
Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:
- v. 13. Chegando à região de Cesareia de Filipe, Jesus perguntava aos seus discípulos, dizendo: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?»
vv. 13-16: Mc 8,27-30; Lc 9,18-21.
O texto de hoje, “a confissão messiânica de Pedro”, insere-se na secção narrativa (13,53-17,27) da quarta parte do Evangelho de S. Mateus, “A Igreja, primícias do Reino dos céus” (13,53-18,35), na qual Jesus se concentra na formação dos seus discípulos.
Mateus depende aqui, como é habitual, de Marcos, cujo texto remodela, ampliando-o com a incumbência da missão de Pedro no seio da Igreja (vv. 17-19).
A cena divide-se em três partes: a primeira, de caráter cristológico, centra-se na identidade de Jesus (vv. 13‑16); a segunda, de caráter eclesiológico, centra-se em Pedro e na missão que Jesus lhe confia no seio da Igreja (vv. 17-19); o texto conclui com o mandato do silêncio (v. 20).
Estamos em território gentio, a norte da Galileia, a uns 60 km de Cafarnaum, na região de Cesareia de Filipe (atual Se’ar Yashuv, em árabe: Banias, he. Pamias; gr. Paneas), cidade então marcada pelo culto aos deuses (primitivamente ao deus Pan, de quem tinha recebido o nome) e, em particular, ao Imperador (venerado como deus). Ela é assim chamada porque começou a ser construída por volta de 2 a.C. por Herodes Filipe (filho de Herodes I) em honra do imperador (gr. Kaisar; lat. Cesar) Augusto. É aí que, segundo os rabinos, estão “as nascentes do Jordão” (Bekh 55a.16; Fl.Jos. Bell. 2,9,1; na realidade, são três, sendo as outras duas: Nahr el-Leddan, o atual rio Dan, he. Nahal Dan, a maior, na Síria, no Alto Jordão: Fl.Jos. Ant. 1,10,1; e o rio Hasbani, he. Nahal Snir, no Líbano). O rio Jordão é onde João Batista exercia a sua atividade e onde Jesus foi por ele batizado (3,13).
Jesus faz então, junto dos discípulos, um levantamento do parecer das pessoas sobre Ele, não para avaliar a sua popularidade, mas para os confirmar na fé. Jesus intitula-se, como era habitual, “o Filho do Homem”, nome com que se apresenta veladamente como o Messias-Rei (cf. Sl 80,16; Tg.Ket Ps. 80,16), que há de instaurar o Reino de Deus nos tempos do fim (Dn 7,13s), assumindo em si não só o destino do seu povo (Dn 7,18), como também a condição do ser humano, a humanidade, sujeita à fraqueza, ao sofrimento e à morte (cf. Ez 2,1; Is 9,5 LXX).
- v. 14. «Uns, que é João Baptista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou um dos profetas».
As opiniões divergem, respondem eles. A maioria partilha a opinião supersticiosa de Herodes Antipas I, pensando que é João Batista, que teria ressuscitado dos mortos (14,2; cf. Jo 1,20); outros, dizem que é Elias, o precursor do Messias (17,10); outros ainda, que é “um dos profetas” (21,11; cf. Mc 6,15; Lc 9,19). Só Mateus menciona no NT o nome do profeta “Jeremias” (2,17; 27,9), talvez para estabelecer um paralelo entre o sofrimento e a rejeição de ambos, Jeremias e Jesus, por parte do seu povo (Sir 49,5ss; Is 53,7; Jr 11,19; At 8,32) e indicar que é em Jesus que Deus irá “reunir o Seu povo e mostrar misericórdia” (2Ma 2,7). Note-se, entretanto, que ninguém entre as pessoas vê em Jesus o Messias (cf. 11,3!). Primeiro, porque vinha, segundo pensavam, de Nazaré e não de Belém; depois, porque era um leigo, um homem do povo, pacífico, enquanto que o Messias deveria ser, segundo pensavam, um rei-sacerdote, guerreiro triunfador.
- v. 15. Diz-lhes Ele: «Vós, porém, quem dizeis que Eu sou?»
Jesus interpela, então, diretamente os seus discípulos: “Vós quem dizeis que Eu sou?” O verbo “dizer” aparece 8 vezes neste texto: só é discípulo verdadeiro de Jesus quem tem a coragem de confessar a sua fé nele (10,32; Rm 10,9s).
- v. 16. Respondendo, Simão Pedro disse: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo».
“Simão Pedro” (Mt, 3x: 4,18; 10,2) faz-se o porta-voz dos discípulos. O seu nome é composto: “Simão”, aramaico, é o de nascença: é o primeiro nome retomado por Jesus (v. 17); o segundo, “Pedro”, usado logo a seguir, é o nome que lhe foi atribuído Jesus (v. 18; Jo 1,40). Simão Pedro responde a Jesus: “Tu és o Cristo”.
Só Mateus, entre os Sinóticos, acrescenta na profissão de fé de Pedro o segundo membro: “o Filho do Deus vivo” (26,63; Jo 11,27), resumindo, nestes dois títulos, a fé da Igreja.
A resposta de Pedro não é inteiramente nova em Mateus, pois já antes os discípulos tinham dito: “Tu és o Filho de Deus” (14,33; 27,40.43.54; Jo 1,34.49). O que é novo é como começa: a profissão de fé em Jesus como o Cristo (1,1.16-18; 2,4; 11,2) feita por um homem.
Jesus é o Cristo (gr.), o Messias (he.), o Ungido, sacerdote, profeta e rei (cf. Lv 21,12; Dt 18,18; Is 45,1), descendente de David, prometido por Deus (1,1; 2Sm 7,11-16), que iria instaurar a era da salvação. Não é, porém, um simples homem, mas também o Emanuel, o Deus connosco, o Deus vivo presente entre os homens (1,23; 28,20).
- v. 17. Respondendo, Jesus disse-lhe: «Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas o meu Pai que está nos céus.
Jesus, por sua vez, declara a nova identidade de Simão. Começa por o designar pelo seu nome oficial aramaico, “Simão bar-Ionas” (lit.; "filho de Jonas”, só aqui em Mateus; em Jo 1,42; 21,15-17: "filho de João"), aludindo ao que Simão é, como simples homem fraco e pecador (cf. vv. 22s). Mas foi a ele, que o Pai, o único que conhece o Filho, revelou a verdadeira identidade de Jesus, para que o confessasse, em nome de todos os discípulos de Jesus, com uma fé certeira, assente, não na sabedoria humana, mas na sabedoria de Deus (cf. 11,25ss). Por isso, Jesus o proclama “bem-aventurado”; na realidade, duplamente bem-aventurado: bem-aventurado porque acreditou (Lc 1,45); e bem-aventurado porque viu e ouviu o que muitos reis e profetas quiseram ver e ouvir e não viram nem ouviram (cf. 13,6).
- v. 18. Também Eu te digo: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
Jesus prossegue, conferindo-lhe uma missão nova, indicada pelo nome novo que agora lhe impõe, “Pedro”. "Pedro" (gr. Pétros) é a tradução grega do aramaico Kefas (só usado por João, Jo 1,42; e por Paulo: 1Cor 1,12; 3,22; 9,5; 15,5; Gl 1,18; 2,9.11.14), palavra que significa “pedra”, “rochedo”. No AT, Deus era chamado “o rochedo” (2Sm 22,2; cf. Is 8,14). Mas esta palavra nunca tinha sido usada como nome próprio, sendo esta uma originalidade de Jesus. Não é uma alcunha (como Boanerges, “filhos do trovão”: Mc 3,17), porque Simão é fraco e inconstante (cf. 14,28-31;26,33ss.69-75; Gl 2,11-14), mas é a imposição de um nome novo (cf. Gn 17,5; 32,28; Mt 1,21), ato que na Sagrada Escritura significa a imposição de uma nova missão, missão esta que lhe é conferida por Jesus e indicada no nome que lhe impõe.
A missão de Pedro será desempenhada no seio da Igreja. “Sobre esta pedra” indica a solidez do edifício, fundado sobre a fé e o cumprimento da palavra (7,25). “Edificarei a minha Igreja”. Jesus mostra que tem a intenção de fundar algo de novo, a “Igreja”.
A palavra ekklesia – que nos Evangelhos só aparece em Mateus (3x: duas aqui e 18,17) – vem dos LXX, traduzindo o hebraico qahal, a “assembleia” do povo congregada por Iavé.
Jesus diz “a minha Igreja” porque ela é formada por aqueles que chama pelo nome e redimiu com o Seu Sangue (cf. 26,28; 1Pd 1,19ss), para neles estabelecer a Sua morada (cf. 28,19s). Note-se o trocadilho: Pedro recebe o dom e a missão de ser “rochedo” na Igreja, o alicerce firme e perene da fé sobre a qual Jesus edificará a sua Igreja até ao fim dos tempos (cf. 28,20). Um epíteto e uma promessa que evocam a palavra que Deus tinha dirigido ao seu povo que se encontrava no exílio (Is 51,1s).
Como se deduz do contexto, a Igreja não é comparada a uma casa ou a um templo, mas é a própria presença do “Reino dos céus” entre os homens, o novo povo de Deus, formado por aqueles que acolhem a revelação do Pai e seguem a Jesus, aderindo a Ele pela fé que Pedro professou, e pondo em prática a sua palavra, o Evangelho.
Esta Igreja tem um alicerce firme, dado por Deus: Cristo (1Cor 3,11), contra o qual “as portas do inferno não prevalecerão”. "Portas do inferno" é uma expressão bíblica (Jb 38,17; Sl 9,14; Is 38,10; Sb 16,13), uma sinédoque, em que se toma a parte pelo todo, significando, portanto: "o inferno". “Inferno”, em latim, traduz o grego Hades e o hebraico Xeol, o reino subterrâneo dos mortos, símbolo do poder de Satanás e das forças hostis a Deus, que, ao longo dos tempos, se insurgirão e irão lutar contra a Igreja, tudo fazendo para a destruir, mas que nunca conseguirão, porque nunca “prevalecerão” sobre ela.
- v. 19. Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus».
Para que possa desempenhar tal missão, Jesus dá a Pedro “as chaves do Reino dos céus”. As chaves simbolizam a autoridade, o controlo e o domínio que alguém tem sobre uma casa, uma cidade ou um reino (cf. Ap 1,18; 3,7; 9,1; 20,1).
No AT, quem tem as chaves é o administrador (Is 22,22), cujas funções, entre outras, são: a) administrar os bens do soberano; b) determinar que visitas podem ser introduzidas junto deste; c) fixar o horário de abertura e encerramento das portas da cidade.
Já a expressão “atar e desatar” designava no judaísmo o poder de: a) interpretar com autoridade a Lei; b) declarar o que era permitido ou não; c) excluir ou reintroduzir alguém na comunidade do Povo de Deus.
Este poder, dado também às comunidades (18,18) e aos Apóstolos (Jo 20,23), foi primeiro conferido a Pedro, de forma pessoal. Assim, se os apóstolos representam a catolicidade da Igreja, só Pedro representa a sua unidade e universalidade, isto é, toda a Igreja, na qual Pedro tem, até ao fim dos tempos, a missão de interpretar, com autoridade divina, segundo a fé da Igreja, as palavras de Jesus, de as aplicar às novas necessidades, de acolher novos membros e realidades no seu seio (cf. At 10,48; Gl 2,1-10) e de revogar as que perderam o seu sentido ou validade (cf. At 15,28s).
- v. 20. Ordenou então aos discípulos que a ninguém dissessem: “Ele é o Cristo”.
Jesus “ordena” (gr. diastellomai, a única vez que ocorre em Mt) então aos discípulos que guardem silêncio (cf. 8,4) sobre a sua real identidade messiânica, certamente para não dar ocasião ao povo de pensar que Ele seria o Messias poderoso e guerreiro que todos tinham em mente.
De qualquer maneira, o que aqui e agora aconteceu é o que deve acontecer sempre na Igreja, em toda a parte, ao longo dos tempos: cada fiel, antes de renascer das águas do batismo, deve professar publicamente a sua fé em Jesus como Cristo/Messias e Filho de Deus, fé esta que é a fé da Igreja, aqui professada por Pedro. Este será o grande anúncio, a grande profissão de fé da Igreja, não só entre os judeus, mas também entre os gentios, frente ao mundo incrédulo ou idolátrico, que se oporá à Igreja, Igreja que Jesus Cristo vai edificando neste mundo, e que nunca sobraçará, ao invés de Cesareia de Filipe, que edificada em honra de um homem, a quem chamam deus, sem o ser, acabará por ruir por completo.
Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...
2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)
a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
d) Partilha… e) Que frase reter? f) Como a vou / vamos pôr em prática?
- Quem é Cristo para mim? Sinto-me feliz por acreditar nele?
- Que maneiras de viver e expressar a fé em Jesus existem na nossa comunidade? Estas enriquecem ou prejudicam a sua caminhada?
- Que tipo de “pedra” é a nossa comunidade? Que missão daí decorre?
3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)
4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela me inflame o coração)
Salmo responsorial Sl 138, 1-3.6.8 (R. 8bc)
Refrão: Pela vossa misericórdia, não nos abandoneis, Senhor.
De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças
porque ouvistes as palavras da minha boca.
Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar
e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo. R.
Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,
porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.
Quando Vos invoquei, me respondestes,
aumentastes a fortaleza da minha alma. R.
O Senhor é excelso e olha para o humilde,
ao soberbo conhece-o de longe.
Senhor, a vossa bondade é eterna,
não abandoneis a obra das vossas mãos. R.
Pai-nosso…
Oração conclusiva:
Senhor, nosso Deus, que unis os corações dos fiéis num único desejo, fazei que o vosso povo ame o que mandais e espere o que prometeis, para que, no meio da instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.
Ave-Maria...
Bênção final. Despedida.
5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida, unidos a Cristo e unidos em Cristo)
Fr. Pedro Bravo, O.Carm.