21º domingo do Tempo comum, ano A – 23 de agosto de 2026


Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:

A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.

A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.


1) LEITURA
(Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)


Leitura do Evangelho segundo S. Mateus
(16,13-20)

Naquele tempo 16,13chegando à região de Cesareia de Filipe, Jesus perguntava aos seus discípulos, dizendo: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?» 14«Uns, que é João Baptista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou um dos profetas». 15Diz-lhes Ele: «Vós, porém, quem dizeis que Eu sou?» 16Respondendo, Simão Pedro disse: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo». 17Respondendo, Jesus disse-lhe: «Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas o meu Pai que está nos céus. 18Também Eu te digo: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. 19Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus». 20Ordenou então aos discípulos que a ninguém dissessem: “Ele é o Cristo”.

Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:

  • v. 13. Chegando à região de Cesareia de Filipe, Jesus perguntava aos seus discípulos, dizendo: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?»

    vv. 13-16: Mc 8,27-30; Lc 9,18-21.

    O texto de hoje, “a confissão messiânica de Pedro”, insere-se na secção narrativa (13,53-17,27) da quarta parte do Evangelho de S. Mateus, “A Igreja, primícias do Reino dos céus” (13,53-18,35), na qual Jesus se concentra na formação dos seus discípulos.

    Mateus depende aqui, como é habitual, de Marcos, cujo texto remodela, ampliando-o com a incumbência da missão de Pedro (vv. 17-19). A cena divide-se em três partes: a primeira, de caráter cristológico, centra-se na identidade de Jesus (vv. 13‑16); a segunda, de caráter eclesiológico, centra-se em Pedro e na missão que Jesus lhe confia no seio da Igreja (vv. 17-19); o texto conclui com o mandato do silêncio (v. 20).

    Estamos em território gentio, a norte da Galileia, a uns 60 km de Cafarnaum, na região de Cesareia de Filipe (atual Se’ar Yashuv, em árabe: Banias), cidade então marcada pelo culto aos deuses e ao Imperador, assim chamada porque começou a ser construída por volta de 2 a.C. por Herodes Filipe (filho de Herodes I) em honra do imperador (lat. César) Augusto. É aí que, segundo os rabinos, estão “as nascentes do Jordão” (Ber 55a; Fl.Jos. Bell. 2,9,1; na realidade, são três, com Hasbani, no Líbano, e Leddan, a maior, no Alto Jordão), o rio onde Jesus foi batizado por João (3,13).

    Jesus faz então, junto dos discípulos, um levantamento do parecer das pessoas sobre ele, não para avaliar a sua popularidade, mas para os confirmar na fé. Intitula-se “o Filho do Homem”, nome com que se apresenta veladamente como o Messias-Rei (cf. Sl 80,16; Tg.Ket Ps. 80,16), que há de instaurar o Reino de Deus nos tempos do fim (Dn 7,13s), assumindo em si não só o destino do seu povo (Dn 7,18), como também a condição da humanidade, sujeita à fraqueza, ao sofrimento e à morte (cf. Ez 2,1; Is 9,5 LXX).

  • v. 14. «Uns, que é João Baptista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou um dos profetas».

    As opiniões divergem, respondem eles. A maioria partilha a superstição de Herodes Arquelau I, pensando que é João Batista, que teria ressuscitado dos mortos (14,2; cf. Jo 1,20); outros, dizem que é Elias, o precursor do Messias (17,10); outros ainda, que é “um dos profetas” (21,11; cf. Mc 6,15; Lc 9,19). Só Mateus menciona no NT o nome do profeta “Jeremias” (2,17; 27,9), talvez para estabelecer um paralelo entre o sofrimento e a rejeição de ambos por parte do seu povo (Sir 49,5ss; Is 53,7; Jr 11,19; At 8,32) e indicar que é em Jesus que Deus irá “reunir o Seu povo e mostrar misericórdia” (2Ma 2,7). Note-se, entretanto, que ninguém vê em Jesus o Messias (cf. 11,3!).

  • v. 15. Diz-lhes Ele: «Vós, porém, quem dizeis que Eu sou?»

    Jesus interpela, então, diretamente os seus discípulos: “Vós quem dizeis que Eu sou?” O verbo “dizer” aparece 8 vezes neste texto: só é discípulo de Jesus quem confessar a sua fé nele (10,32; Rm 10,9s).

  • v. 16. Respondendo, Simão Pedro disse: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo».

    “Simão Pedro” (Mt, 3x: 4,18; 10,2) faz-se o porta-voz dos discípulos. O seu nome é composto: “Simão”, aramaico, é o de nascença: é o primeiro retomado por Jesus (v. 17); o segundo, “Pedro”, usado logo a seguir, fora-lhe dado por Jesus (v. 18; Jo 1,40). Ele responde: “Tu és o Cristo”.

    Só Mateus, entre os Sinóticos, acrescenta na profissão de fé de Pedro o segundo membro: “o Filho do Deus vivo” (26,63; Jo 11,27), resumindo, nestes dois títulos, a fé da Igreja.

    A resposta de Pedro não é inteiramente nova em Mateus, pois já antes os discípulos tinham dito: “Tu és o Filho de Deus” (14,33; 27,40.43.54; Jo 1,34.49). O que é novo é como começa: a profissão de fé em Jesus como o Cristo (1,1.16-18; 2,4; 11,2) feita por um homem.

    Jesus é o Cristo (gr.), o Messias (he.), o Ungido, sacerdote, profeta e rei (cf. Lv 21,12; Dt 18,18; Is 45,1), descendente de David, prometido por Deus (1,1; 2Sm 7,11-16), que iria instaurar a era da salvação. Não é, porém, um simples homem, mas também o Emanuel, o Deus connosco, Deus presente entre os homens (1,23; 28,20).

  • v. 17. Respondendo, Jesus disse-lhe: «Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas o meu Pai que está nos céus.

    Jesus, por sua vez, declara a nova identidade de Simão. Começa por o designar pelo seu nome oficial aramaico, “Simão bar-Ionas” (“filho de Jonas”: Jo 1,42; 21,15ss), aludindo ao que ele é, como simples homem fraco e pecador (cf. vv. 22s). A ele, porém, o Pai, o único que conhece o Filho, revelou a verdadeira identidade de Jesus, para que o confessasse com uma fé certeira, assente, não na sabedoria humana, mas na sabedoria de Deus (cf. 11,25ss). Por isso é “bem-aventurado”: porque acreditou (Lc 1,45), vendo e ouvindo o que muitos quiseram ver e ouvir e não puderam (cf. 13,6).

  • v. 18. Também Eu te digo: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

    Jesus prossegue, conferindo-lhe uma missão nova, indicada pelo nome novo que lhe impõe, “Pedro”, a tradução grega do aramaico Kefas (Jo 1,42; Gl 1,18), palavra que significa “pedra”, “rochedo”. No AT, Deus era chamado “o rochedo” (2Sm 22,2; cf. Is 8,14). Este nome não existia antes, porém, sendo uma originalidade de Jesus. Não é uma alcunha (como Boanerges, “filhos do trovão”: Mc 3,17), porque Simão é fraco e inconstante (cf. 14,28-31;26,33ss.69-75; Gl 2,11-14), mas é a imposição um nome novo (cf. Gn 17,5; 32,28; Mt 1,21), nome que indica a missão nova que Jesus lhe confia.

    A missão de Pedro será desempenhada no seio da Igreja. “Sobre esta pedra” indica a solidez do edifício, fundado sobre a fé e o cumprimento da palavra (7,25). “Edificarei a minha Igreja”. Jesus mostra que tem a intenção de fundar algo de novo, a “Igreja”.

    A palavra ekklesia – que nos Evangelhos só aparece em Mateus (3x: duas aqui e 18,17) – vem dos LXX, traduzindo o hebraico qahal, a “assembleia” do povo congregada por Iavé. Jesus diz “a minha Igreja” porque ela é formada por aqueles que Ele redimiu, chama e salva pelo Seu Sangue (cf. 26,28; 1Pd 1,19ss), para neles estabelecer a Sua morada (cf. 28,19s). Note-se o trocadilho: Pedro recebe o dom e a missão de ser “rochedo” na Igreja, o alicerce firme e perene da fé sobre a qual Jesus edificará a sua Igreja até ao fim dos tempos (cf. 28,20). Um epíteto e uma promessa evocam a palavra de Deus ao povo que estava no exílio (Is 51,1s).

    Como se deduz do contexto, a Igreja não é comparada a uma casa ou a um templo, mas é a própria presença do “Reino dos céus” entre os homens, o povo formado por aqueles que acolhem a revelação do Pai e seguem a Jesus, aderindo a Ele pela fé que Pedro professou e pondo em prática as suas palavras.

    Esta Igreja tem um alicerce firme, dado por Deus (Cristo: 1Cor 3,11), contra o qual “as portas do inferno não prevalecerão”. Trata-se duma expressão bíblica (Jb 38,17; Sl 9,14; Is 38,10; Sb 16,13), uma sinédoque, em que se toma a parte pelo todo. “Inferno”, em latim, traduz o grego Hades e o hebraico Xeol, o reino subterrâneo dos mortos, símbolo do poder de Satanás e das forças hostis a Deus, que, ao longo dos tempos, tentarão destruir a Igreja, mas que nunca sobre “prevalecerão” contra ela.

  • v. 19. Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus».

    Para que possa desempenhar tal missão, Jesus dá a Pedro “as chaves do Reino dos céus”. As chaves simbolizam o controlo e domínio sobre uma casa, uma cidade ou um reino (cf. Ap 1,18; 3,7; 9,1; 20,1).

    No AT, quem tem as chaves é o administrador (Is 22,22), cujas funções, entre outras, são: a) administrar os bens do soberano; b) determinar que visitas podem ser introduzidas junto deste; c) fixar o horário de abertura e encerramento das portas da cidade. Já a expressão “atar e desatar” designava no judaísmo o poder de: a) interpretar com autoridade a Lei; b) declarar o que era permitido ou não; c) excluir ou reintroduzir alguém na comunidade do Povo de Deus. Este poder, dado também às comunidades (18,18) e aos Apóstolos (Jo 20,23), foi primeiro conferido a Pedro, de forma pessoal. Assim, se os apóstolos representam a catolicidade da Igreja, só Pedro representa a sua unidade e universalidade, isto é, toda a Igreja, na qual Pedro tem, até ao fim dos tempos, a missão de interpretar, com autoridade divina, segundo a fé da Igreja, as palavras de Jesus, de as aplicar às novas necessidades, de acolher novos membros e realidades no seu seio (cf. At 10,48; Gl 2,1-10) e de revogar as que perderam o seu sentido ou validade (cf. At 15,28s).

  • v. 20. Ordenou então aos discípulos que a ninguém dissessem: “Ele é o Cristo”.

    Jesus “ordena” (gr. diastellomai, a única vez que ocorre em Mt) então aos discípulos que guardem silêncio (cf. 8,4) sobre a sua real identidade, a messiânica, certamente para não dar ocasião ao povo de pensar que Ele seria o Messias poderoso e guerreiro que todos tinham em mente.

    Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...


2) MEDITAÇÃO… PARTILHA…
(Que me diz Deus nesta Palavra?)

    a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
    d) Partilha… e) Que frase reter? f) Como a vou / vamos pôr em prática?

  • Quem é Cristo para mim? Sinto-me feliz por acreditar nele?

  • Que maneiras de viver e expressar a fé em Jesus existem na nossa comunidade? Estas enriquecem ou prejudicam a sua caminhada?

  • Que tipo de “pedra” é a nossa comunidade? Que missão daí decorre?

3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)

4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela me inflame o coração)

Salmo responsorial                                             Sl 138, 1-3.6.8 (R. 8bc)

Refrão:  Pela vossa misericórdia, não nos abandoneis, Senhor.

De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças
porque ouvistes as palavras da minha boca.
Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar
e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.     R.

Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,
porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.
Quando Vos invoquei, me respondestes,
aumentastes a fortaleza da minha alma.     R.

O Senhor é excelso e olha para o humilde,
ao soberbo conhece-o de longe.
Senhor, a vossa bondade é eterna,
não abandoneis a obra das vossas mãos.     R.

Pai-nosso…

Oração conclusiva:

Senhor, nosso Deus, que unis os corações dos fiéis num único desejo, fazei que o vosso povo ame o que mandais e espere o que prometeis, para que, no meio da instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.

Ave-Maria...

Bênção final. Despedida.

5) AÇÃO..(Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida, unidos a Cristo e unidos em Cristo)

Fr. Pedro Bravo, O.Carm.

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Liturgia do dia

  • Segunda-feira da semana XX
    S. Beatriz da Silva, virgem – MO Branco – Ofício da memória. Missa da memória. L 1: Ez 24, 15-24; Sl Dt 32, 18-19. 20. 21 Ev: Mt 19, 16-22 * Na Arquidiocese de Évora – S. Beatriz da Silva, virgem – MO * Na Ordem Agostiniana – S. Clara da Cruz de Montefalco, virgem – FESTA * Na Ordem Carmelita – B. Ângelo Mazzinghi, presbítero – MF * Na Ordem Franciscana – S. Beatriz da Silva, virgem – MO * Na Ordem da Imaculada Conceição – S. Beatriz da Silva, virgem, Fundadora da Ordem – SOLENIDADE * Na Ordem de São Domingos – S. Jacinto da Polónia, presbítero – MO