Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:
A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.
A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.
1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)
Leitura do Evangelho segundo S. Mateus (20,1-16)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: 20,1 «De facto, o Reino dos céus é semelhante a um homem, senhor da casa, que saiu de manhã cedo para contratar trabalhadores para a sua vinha. 2Depois de acordar com os trabalhadores um denário por dia, enviou-os para a sua vinha. 3Ao sair por volta da terceira hora, viu outros que estavam parados na praça desocupados 4e disse-lhes: “Ide também vós para a vinha e dar-vos-ei o que for justo”. 5E eles foram. Saindo de novo por volta da sexta e da nona hora, fez o mesmo. 6Saindo ainda por volta da décima primeira hora, encontrou outros que estavam ali, e diz-lhes: “Porque estais aqui o dia inteiro desocupados?” 7Eles dizem‑lhe: “Porque ninguém nos contratou”. Diz-lhes ele: “Ide vós também para a vinha”. 8Ao cair da tarde, diz o senhor da vinha ao seu capataz: “Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, a começar pelos últimos e até aos primeiros”. 9Vieram os da décima primeira hora e receberam um denário cada um. 10Quando vieram os primeiros, supunham que receberiam mais, mas receberam também eles um denário cada um. 11Quando o receberam, puseram-se a murmurar contra o senhor da casa, 12dizendo: “Estes últimos fizeram apenas uma hora e fizeste-os iguais a nós, que suportámos o peso do dia e o calor ardente”. 13Mas ele, respondendo a um deles, disse: “Companheiro, não estou a ser injusto contigo. Não foi um denário que acordaste comigo? 14Leva o que é teu e vai-te embora. Quero dar a este último tanto como a ti. 15Não me é lícito fazer o que quero com o que é meu? Ou o teu olho é mau porque eu sou bom?” 16Assim, os últimos serão primeiros e os primeiros, últimos».
Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:
- v. 1. De facto, o Reino dos céus é semelhante a um homem, senhor da casa, que saiu de manhã cedo para contratar trabalhadores para a sua vinha.
Estamos na parte narrativa da penúltima secção do Evangelho de Mateus, “o advento próximo do Reino dos Céus” (19,1-25,46). Jesus deixa a Galileia e vai “para o território da Judeia”, passando pela Peréia (“além do Jordão”: 19,1), para depois, atravessando o Jordão, “subir para Jerusalém” (20,17).
O evangelista conta outra parábola de Jesus, exclusiva sua, a dos trabalhadores da vinha, relativa ao “Reino dos céus” (Mt, 24x: 13,24.31.33.44s. 47.52; 18,23; 22,2; 25,1), uma expressão típica mateana para evitar pronunciar o nome de Deus e sublinhar a sua diferença que existe entre o Reino de Deus e os reinos deste mundo.
A parábola reflete a realidade social e económica da época. A Galileia tinha muitos latifundiários (lit. “senhor da casa”, o proprietário da herdade: v. 11; 10,25; 13,27.52; 21,33; 24,43), estando cheia de camponeses que tinham perdido as terras que pertenciam à sua família. Para sobreviver, eles alugavam a sua força de trabalho: juntavam-se na praça da localidade (v. 3) e esperavam que algum proprietário (“senhor da casa”:) os contratasse à jorna para trabalhar, neste caso, “na sua vinha”.
A “vinha”, na Bíblia, é símbolo do Povo de Deus (21,28.33.39-41p; cf. Is 5,1-7; 27,2; Jr 12,10; Lc 13,6; Jo 15,1). O senhor chegava de manhã, muito cedo, ainda escuro, para, mal despontasse o sol, contratar trabalhadores, cessando o trabalho destes quando os primeiros três astros luzissem no céu, sinal para os judeus do início dum novo dia (Jo 9,4; bBM 83b.1).
- v. 2. Depois de acordar com os trabalhadores um denário por dia, enviou-os para a sua vinha.
Cada proprietário tinha os seus jornaleiros preferidos, homens em quem confiava e que contratava habitualmente. Nesse caso, esses homens de confiança recebiam o tratamento favorável de serem os primeiros a ser contratados, podendo assim ganhar a jorna completa, um denário (v. 13; Tb 5,15), ajustada oralmente e vinculativa para ambas as partes.
- v. 3. Ao sair por volta da terceira hora, viu outros que estavam parados na praça desocupados.
A luz do dia era dividida à romana, em doze horas solares (Jo 11,9): a “terceira hora” correspondendo aproximadamente às 9h; a “sexta”, às 12h; a “nona”, às 15h; a “décima primeira”, às 17h. Os jornaleiros que não eram contratados, ficavam na praça “desocupados” (v. 6), à espera que alguém os contratasse. Foi o que aconteceu às 9h da manhã.
- v. 4. E disse-lhes: “Ide também vós para a vinha e dar-vos-ei o que for justo”.
O proprietário prometeu dar “o que era justo” (Cl 4,1) aos trabalhadores que não trabalhavam desde o início do dia, ou seja, o equivalente ao seu trabalho.
- v. 5. E eles foram. Saindo de novo por volta da sexta e da nona hora, fez o mesmo.
Entretanto, a labuta na vinha aumenta e o senhor volta mais vezes nesse dia a buscar trabalhadores. Deus chama sempre.
- v. 6. Saindo ainda por volta da décima primeira hora, encontrou outros que estavam ali, e diz-lhes: “Porque estais aqui o dia inteiro desocupados?”
A quinta vez que o faz é à última hora do dia. Ainda “estavam ali alguns… desocupados” (v. 3) porque ninguém os contratara. O termo “desocupado” (gr. argós), significa literalmente “ocioso”, podendo também significar “vadio” (1Tm 5,13), “inútil” (12,36), “preguiçoso” (Sr 37,11; Tt 1,12).
Era o que os judeus diziam dos gentios. Conta um midrash que quando Deus pensou em dar a Lei, ofereceu-a primeiro a todos os povos da terra; mas nenhum quis aceitá-la; só os filhos de Israel o fizeram, comprometendo-se com ela, sem fazer perguntas: “Faremos e ouviremos” (Ex 24,7; SifDev 343.4-6), tendo-lhe até acrescentado “o peso” (v. 12) dos 613 preceitos da “lei oral”.
- v. 7. Eles dizem‑lhe: “Porque ninguém nos contratou”. Diz-lhes ele: “Ide vós também para a vinha”.
Embora os trabalhadores da primeira hora (Israel) achassem que os gentios eram ociosos (v. 5), porque não seguiam a Lei, a realidade é porque ainda ninguém os tinha chamado. Mas no Reino de Deus há lugar para todos e agora todos são chamados a trabalhar nele.
- v. 8. Ao cair da tarde, diz o senhor da vinha ao seu capataz: “Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, a começar pelos últimos e até aos primeiros”.
Antes do pôr-do-sol, os jornaleiros vêm receber o seu salário (Dt 24,15; Lv 19,13; mBM 9,12). Invertendo a lógica humana, “o senhor” (gr. kyriós) manda que se pague a começar pelos “últimos” (Gn 4,4; 27,28-40; 37,3; 1Sm 16,12). Este inciso liga esta parábola (v. 1: “De facto”) ao versículo que a precede imediatamente (19,30), mostrando que Deus age por amor. Por isso, embora salvaguarde sempre as normas da justiça, não se reduz aos critérios humanos. Não é o senhor que paga, mas o capataz, porque no Reino todos são chamados a trabalhar, segundo a sua própria vocação.
- v. 9. Vieram os da décima primeira hora e receberam um denário cada um.
Os trabalhadores da última hora eram os da décima primeira hora, quando o trabalho terminava, se arrumava tudo e se pagava. Simbolizam os gentios que recebem um denário, tal como todos.
- v. 10. Quando vieram os primeiros, supunham que receberiam mais, mas receberam também eles um denário cada um.
Ao vê-lo, os da primeira hora (Israel) supõem que vão receber mais, mas…
- v. 11. Quando o receberam, puseram-se a murmurar contra o senhor da casa,
… só recebem um denário cada um. Depois de o ter recebido, põem-se a “murmurar” contra o senhor (Ex 17,3; Nm 11,1; 14,27ss; Sl 106,25; Jo 6,61; 1Cor 10,10), manifestando o seu descontentamento por não terem recebido mais, o que achavam ter merecido, não por terem trabalhado mais...
- v. 12. Dizendo: “Estes últimos fizeram apenas uma hora e fizeste-os iguais a nós, que suportámos o peso do dia e o calor ardente”.
… mas também porque suportaram “o peso do dia” (a Lei oral) e o “calor ardente” do sol (gr. kausôn: Jt 8,3; Jon 4,8).
- v. 13. Mas ele, respondendo a um deles, disse: “Companheiro, não estou a ser injusto contigo. Não foi um denário que acordaste comigo?
O senhor mostra-lhes, porém, que não têm motivo para reclamar: não pagou Ele o acordado (v. 2)? Não esteve Ele a trabalhar com eles desde o início? Por isso diz a um deles: “Companheiro” (gr. etairós, lit. “camarada”: 22,12; 26,50).
- v. 14. Leva o que é teu e vai-te embora. Quero dar a este último tanto como a ti.
A frase “leva o que é teu” (o que te era devido: mBM 6,6; Rm 4,4), evocando a noção clássica de justiça: “dar a cada um o que é seu” (reddere unicuique quod suum est). “E vai-te embora”, pois só entra no Reino dos céus quem está disposto a partilhar, imitando o amor misericordioso do Pai, cuja justiça supera “a dos escribas e fariseus” (5,20.48).
- v. 15. Não me é lícito fazer o que quero com o que é meu? Ou o teu olho é mau porque eu sou bom?”
v. 15: 6,23; 19,17!
E fundamenta a sua generosidade: não pode ele, o senhor, ser bom para com os trabalhadores da última hora, dando-lhes por inteiro a jorna com o que é seu, uma vez que tanto eles como a sua família precisam do salário para viver? Não deviam antes os primeiros alegrar-se por trabalhar para um senhor tão justo, bom e generoso para com todos (Sl 145,9; Sr 10,25), que se dá a si mesmo, todo, a quem nele crê (Rm 15,8s)?
- v. 16. Assim, os últimos serão primeiros e os primeiros, últimos».
A conclusão da parábola forma um inclusão com 19,30, cujos termos inverte, apresentando-a como explicação dele: “Assim os últimos serão primeiros e os primeiros, últimos”. Ao pagar dos últimos para os primeiros, Deus mostra que a sua justiça não se regula pela justiça humana, embora a salvaguarde, e institui em Cristo um novo regime, fazendo irromper nele um novo dia, o da sua graça, que se rege pela sua misericórdia (Sb 12,15-19), que a todos se estende (5,45).
Esta parábola ajuda a superar a ideia de um deus que, para ser “justo juiz”, deve “pagar” segundo os méritos de cada um. Neste caso, Deus não daria nada, seria o homem a conquistar tudo. Ora esse deus do “dou para que me dês” (do ut des) não existe. Deus é Pai de todos e ama a todos igualmente, sem exceção, oferecendo gratuitamente a todo o que aceita o seu apelo e obedece à sua voz, a salvação, a vida eterna (19,16.29), ou seja, o dom d’Ele mesmo.
Deus é simples, uno: não tem porções distintas de Si, mas dá-se a Si mesmo, por inteiro, a cada um que o recebe. Deus nunca deixa de nos chamar e para Ele há sempre lugar para todos no Seu Reino. Não importa a hora em que se responde; decisivo é responder ao Seu apelo e aceitar cooperar com Ele na construção do Seu Reino, usando de amor e misericórdia para com o próximo, pois só quem o fizer nele entrará (23,23; 25,40). Quem mais devedor se reconhece da Sua misericórdia, mais o imita, como seu filho, amando mais os outros (25,37ss; Lc 7,47; Rm 1,14; 13,8; 15,27) e tudo fazendo para que também eles possam tomar parte na salvação, ficando feliz quando vê isso acontecer e os dons de Deus multiplicarem-se na vida dele (cf. 1Cor 1,4-7). Aliás, o que ele mais deseja é que eles cresçam em tudo na vida cristã. Por sua vez, Deus àqueles que acabam de se converter, normalmente os cumula de consolações, ao passo que aos seus amigos, de longa data, nos quais confia, sabe que pode provar, pois eles estão certos que só assim crescerão em tudo na vida divina, tornando-se verdadeiros imitadores do Seu Filho, Jesus Cristo.
Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...
2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)
a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
d) Partilha… e) Que frase reter? f) Como a vou / vamos pôr em prática?
- Quando espera duas horas numa fila e chega alguém que, sem mais, se põe num lugar à sua frente, aceita? Dá para comparar a situação dos trabalhadores da primeira hora com esta?
- Que trabalho faço eu no Reino? Para mim, têm todos a mesma dignidade na Igreja ou faço valer os meus pontos de honra: “estou aqui há mais tempo”, “fiz mais” ou “tenho dado mais à Igreja que os outros”?
- Muitos dizem: “Deus não é justo. Porque que não me paga o bem que faço”, sentindo-se prejudicados e incompreendidos, ciumentos e invejosos da sorte dos outros. Que sentido faz isto à luz desta parábola?
3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)
4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela me inflame o coração)
Salmo responsorial Sl 145,2-3.8-9.17-18 (R. 18a)
Refrão: O Senhor está próximo de quantos O invocam.
Quero bendizer-Vos, dia após dia,
e louvar o vosso nome para sempre.
Grande é o Senhor e digno de todo o louvor,
insondável é a sua grandeza. R.
O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
O Senhor é bom para com todos
e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas. R.
O Senhor é justo em todos os seus caminhos
e perfeito em todas as suas obras.
O Senhor está perto de quantos O invocam,
de quantos O invocam em verdade. R.
Pai-nosso…
Oração conclusiva:
Senhor, nosso Deus, que fizestes consistir a plenitude da lei no vosso amor e no amor do próximo, dai-nos a graça de cumprirmos este duplo mandamento, para alcançarmos a vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.
Ave-Maria...
Bênção final. Despedida.
5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida)
PB (para sugestões, perguntas ou correções, contactar p.f.:
Fonte da imagem: https://christian.art/daily-gospel-reading/matthew-20-1-16-2023-2/