Denário de Tibério (17-35 d.C.), 3,68 g, Ø 19 mm. No anverso, a efígie de Tibério; no reverso, Lívia, mãe de Tibério, representada como Roma entronizada a oferecer a paz

29º Domingo do Tempo comum, ano A – 18 de outubro de 2026


LECTIO DIVINA – LEITURA ESPIRITUAL DA PALAVRA DE DEUS


Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:

A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.

A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.

1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)

Leitura do Evangelho segundo S. Mateus (22,15-21)

Naquele tempo 22,15retirando-se, os fariseus reuniram-se em conselho para ver como haveriam de apanhar Jesus nalguma palavra. 16E enviam-lhe os seus discípulos, juntamente com os herodianos, para lhe dizer: «Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus com verdade, sem te deixares influenciar por ninguém, porque não olhas à aparência das pessoas. 17Diz-nos, pois, o que te parece: é lícito ou não pagar imposto a César?». 18Jesus, porém, conhecendo a sua malícia, disse: «Porque me tentais, hipócritas? 19Mostrai-me a moeda do imposto». Eles apresentaram-lhe um denário. 20Diz-lhes Ele: «De quem são esta imagem e a inscrição?» 21Eles dizem-lhe: «De César». Então Ele diz-lhes: “Devolvei, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus».

Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:

  • v. 15. Então, retirando-se, os fariseus reuniram-se em conselho para ver como haveriam de apanhar Jesus nalguma palavra.

    vv. 15-22: Mc 12,13-17; Lc 20,20-26.

    Estamos no Templo de Jerusalém, na última semana da vida terrena de Jesus. Irritados com o denodo de Jesus e postos em causa pelas suas parábolas, os fariseus procuram a todo o custo um pretexto para o condenar. Retiram-se de ao pé de Jesus e reúnem-se em conselho, para arquitetar um plano (12,14; 27,1.7; 28,12) que faça Jesus cair numa armadilha (1Sm 28,9) e o obrigue a comprometer-se, definindo publicamente a sua posição sobre três pontos controversos da Lei entre os rabinos daquele tempo (vv. 15-40).

  • v. 16. E enviam-lhe os seus discípulos, juntamente com os herodianos, para lhe dizer: «Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus com verdade, sem te deixares influenciar por ninguém, porque não olhas à aparência das pessoas.

    O primeiro ponto diz respeito ao imposto pago ao Imperador. Além dos impostos indiretos (portagens, direitos alfandegários e outros), todos os habitantes das províncias romanas (exceto as crianças e os idosos), deviam pagar ao Império uma quantia estipulada por Roma, o imposto (lat. census) que servia para subsidiar os serviços públicos: escolas, estradas, exército, etc. Na Judeia, este imposto só foi introduzido em 6 d.C., quando Herodes Arquelau foi deposto por Roma a pedido dos judeus e a Judeia foi reduzida a província romana (Fl.Jos. Bell. 2,8,1).

    Os partidários de Herodes e os saduceus (a alta sociedade e a aristocracia sacerdotal) eram a favor da força romana ocupante. Já os movimentos revolucionários estavam contra (cf. At 5,37), pois consideravam o imperador um usurpador da primazia divina, sendo o imposto um sinal infamante de sujeição a Roma, ou seja, ao culto idolátrico ao Imperador. Por isso, interditavam os seus partidários de o pagarem. Já os fariseus, embora não o aceitassem, toleravam-no, advogando que a sujeição a Roma era melhor do que a anarquia.

    São estes que, escondendo-se atrás dos seus emissários, enviam a Jesus uns discípulos, acompanhados por testemunhas afetas ao rei Herodes Agripa I (os “herodianos”: Mc 3,6), a fim de, ouvindo algo da boca de Jesus que o comprometa, logo o possam acusar formalmente e condenar, provando a sua acusação, graças ao depoimento das testemunhando.

    Começam por adular Jesus (Pv 29,5): a) chamando-o “Mestre” (Mt, 12x; 3x neste contexto, introduzindo cada uma das três questões: vv. 24.36); b) afirmando que “sabem” (Jo 3,2) que Jesus é “verdadeiro” (gr. alethés: Sb 2,17; Jo 7,18; Pv 22,21; Jb 42,7; como atributo divino: Sb 12,27; Jo 3,33; 8,26; Rm 3,4); c) que Ele ensina o “caminho de Deus” – isto é, a palavra e a vontade de Deus (3,8; Gn 18,19; Dt 5,33; 8,6; 10,12; 30,16 Sl 18,31; 76,14; Is 2,3; 40,3; 48,17) – “com verdade” (Sl 25,9s; Ml 2,6; Jo 14,6) e imparcialidade, sem se deixar influenciar pela condição ou estatuto social das pessoas (lit. “e não te importas acerca de ninguém, pois não olhas [= ajuízas a partir d]o rosto de homens”: Ml 2,9; Gl 2,6; 1Sm 16,7; Is 11,3).

  • v. 17. Diz-nos, pois, o que te parece: é lícito ou não pagar imposto a César?».

    Perguntam-lhe, então, se é lícito ou não “pagar imposto” ao imperador (gr. kaiser, lt. Caesar). É uma cilada: se Jesus responder afirmativamente será considerado inimigo do povo, um colaboracionista dos romanos; se o rejeitar, estará a instigar o povo à desobediência ao Imperador, devendo, por isso, ser julgado em tribunal e condenado. Parece que, desta vez, Jesus vai ficar sem saída e, finalmente, o vão poder apanhar nalguma palavra.

  • v. 18. Jesus, porém, conhecendo a sua malícia, disse: «Porque me tentais, hipócritas?

    Mas Jesus, que “conhece” o íntimo dos corações (12,15; 16,8; 26,10; Sl 139,1s.5.23) desmascara a “hipocrisia” e a “maldade” dos fariseus que o “tentam”, ou seja, o põem à prova (16,1; 19,3; 22,35; Ex 17,2!; Nm 14,22; Sl 95,9; Midr TanB, Apend. Re’eh 1), procurando um pretexto para o condenar à morte.

  • v. 19. Mostrai-me a moeda do imposto». Eles apresentaram-lhe um denário.

    Jesus, à boa maneira rabínica, responde à sua pergunta com outra pergunta. Pede-lhes que lhe mostrem a moeda do imposto. De facto, só chega à verdade quem aceita ser por ela questionado a partir da realidade.

  • v. 20. Diz-lhes Ele: «De quem são esta imagem e a inscrição?»

    Eles apresentam-lhe um denário (20,2) e Jesus pergunta-lhes de quem são a imagem e a inscrição que nele figuram. Nele vê-se: a) no anverso, a efígie de Tibério com a inscrição: Ti[berius] Caesar Divi Aug[usti] F[ilius] Augustus (“Imperador Tibério, filho do divino Augusto, Augusto”); e no reverso: Pontif[ex] Maxim[us] (“Sumo sacerdote”). Ambas as inscrições são uma profissão de fé na divindade do Imperador, pelo que tal moeda não podia ser usada no Templo, pois isso seria considerado uma profanação do Templo, por ser uma violação dos dois primeiros mandamentos da Lei de Deus (Ex 20,3s).


  • v. 21. Eles dizem-lhe: «De César». Então Ele diz-lhes: “Devolvei, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus».

    v. 21: Rm 13,7.

    Eles respondem: “de César”, ou seja, do Imperador. Jesus conclui: “Devolvei, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. “Devolver” (gr. apodídômi) significa “restituir a alguém o que lhe é devido” (5,26; 6,4.6.18; 12,36; 16,27; 18,25s.28ss.34; 20,8; 21,41; 27,58).

    Para Jesus, ninguém pode, nem deve, alhear-se das suas obrigações para com a sociedade da qual se faz parte. Seja em que circunstâncias for, o cristão é chamado a ser um cidadão exemplar, de pleno direito, que contribui para o bem comum. Isto é “devolver a César o que é de César” (1Pd 2,13s.17). Mas ninguém, nem sequer o Imperador, pode arrogar-se a dignidade divina, pretendendo ter uma autoridade absoluta sobre as pessoas, as suas consciências e vidas, nem exigir que lhe tributem a veneração e a obediência que só a Deus são devidas: todos, também o Imperador, devem reconhecer e confessar que só Deus é o único Senhor e prestar-lhe o culto que lhe é devido (4,10).

    Se as moedas têm o cunho de César – simples homem mortal, cujo poder, limitado no tempo, se estende apenas até às fronteiras do Império –, que lhe seja dada a parte que é dele, o imposto. O homem, porém, tem inscrita em si não a imagem de César, mas a de Deus, a cuja imagem e semelhança foi criado” (Gn 1,26s). Por isso, o homem pertence a Deus, Senhor do universo, e só a Ele deve prestar culto, fazendo acima de tudo a sua vontade, para lhe ser “restituído”, tal como Deus o quis.

    É o que, dentro de poucos dias, Jesus, entregue pelos chefes do seu povo a Pilatos, representante de César, vai fazer através da sua paixão, morte e ressurreição: restaurar a imagem e semelhança de Deus no homem, desfiguradas pelo pecado, a fim de o restituir a Deus, fazendo-as resplandecer nele, não apenas no Império romano, durante o reinado de um Imperador, mas sempre e em toda a parte.

    Jesus recusa-se, pois, a entrar em discussões de caráter político e reconduz a questão a um nível mais profundo e exigente. O que importa é que cada pessoa só a Deus reconheça como seu Pai e Senhor e realize a sua vocação de ser filho de Deus. Tudo o resto deve ser relativizado, inclusive a submissão ao poder político e o compromisso social, os quais só atingem a sua verdadeira finalidade quando ajudam a pessoa a corresponder à vocação, missão e deveres que Deus lhe confiou na família, na sociedade e na Igreja, de modo a contribuir para o bem comum e a difusão do Reino de Deus.

    Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...

 

2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)

     a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
     d) Partilha… e) Que frase reter? f) Como a vou / vamos pôr em prática?

  • Não raro, na nossa sociedade, Deus é marginalizado e reduzido ao silêncio para ser substituído por outros deuses: o dinheiro, o poder, o sexo, o desporto, a afirmação pessoal, os afetos, etc. Como me situo perante isto? Há outros deuses na minha vida? Quais?

  • Reconheço em mim e nos outros a imagem de Deus? Ela brilha nas minhas atitudes, palavras e obras?

  • Que missão me confiou Deus na Igreja e na sociedade? Como a levo a cabo: agindo com retidão e falando a verdade, só para agradar a Deus, ou procurando outros interesses e buscando outros fins?

3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)

4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela me inflame o coração)

Salmo responsorial                                            Sl 96,1.3-5.7-10 (R. 7b)

Refrão: Cantai ao Senhor um cântico novo.

Cantai ao Senhor um cântico novo,
cantai ao Senhor, terra inteira.
Publicai entre as nações a sua glória,
em todos os povos as suas maravilhas.     R.

O Senhor é grande e digno de louvor,
mais temível que todos os deuses.
Os deuses dos gentios não passam de ídolos,
foi o Senhor quem fez os céus.     R.

Dai ao Senhor, ó família dos povos,
dai ao Senhor glória e poder.
Dai ao Senhor a glória do seu nome,
levai-lhe oferendas e entrai nos seus átrios.     R.

Adorai o Senhor com ornamentos sagrados,
trema diante dele a terra inteira.
Dizei entre as nações: «O Senhor é Rei,
governa os povos com equidade».     R.

Pai-nosso…

Oração conclusiva:

Deus todo-poderoso e eterno, dai-nos a graça de consagrarmos sempre ao vosso serviço a dedicação da nossa vontade e a sinceridade do nosso coração. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen

Ave-Maria...

Bênção final. Despedida.

5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida, unidos a Cristo e em Cristo)

PB (para sugestões, perguntas ou correções, contactar, p.f. Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ter o JavaScript autorizado para o visualizar.)

Fonte das imagens: https://romapravoce.com/dai-a-cesar-o-que-e-de-cesar/

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